Acabo de chegar à óbvia conclusão sobre o Campeonato Brasileiro. Ele está tão definido, mas tão definido, que só dá para ter certeza de uma coisa.
Até o final do campeonato, o STJD ainda tomará uma decisão absurda e contraditória.
Por Erich Beting às 18h48
A Lusoarenas anunciou na última segunda-feira a construção de um estádio para Bahia e Vitória, que ficará pronto até janeiro de 2013. O projeto independe da Copa do Mundo de 2014, segundo a empresa.
Mais um estádio na Bahia? E a nova Fonte Nova? Quem jogará nela? O projeto vai ser desfeito?
Os projetos da Copa do Mundo no Brasil são, a cada dia que passa, mais obscuros... A oportunidade se aproxima de um grande pesadelo.
Por Erich Beting às 12h17
Alexandre Kalil anunciou na semana passada três patrocínios "históricos" para o Atlético Mineiro. Diz ele que são os maiores contratos da história do clube. Assim como já havia sido em alguns outros contratos, de vários outros clubes.
Só que o problema maior não é esse. Kalil, o homem que considera marketing um departamento que só traz custos para o clube, anunciou na sexta a Alpargatas como fornecedora de material esportivo do Galo para os próximos três anos.
A história foi desmentida pela empresa. O marketing, provavelmente, não teria a coragem de falar uma história dessas sem antes ter o contrato assinado. Ainda mais quando o rompimento com o atual fornecedor tem multa rescisória...
Por Erich Beting às 17h00
O Goiás quer tentar, em um jogo, conseguir praticamente a mesma arrecadação que teve nos outros 18 jogos que fez em seus domínios neste Campeonato Brasileiro. Está na capa do UOL a notícia de que o clube pensa em majorar o preço dos ingressos para o jogo contra o São Paulo, que mais uma vez pode selar o título nacional para o clube paulista.
Até agora, segundo os dados da CBF, o Goiás arrecadou R$ 3.165.507,50 com bilheteria em 18 jogos em casa. É apenas o 14° melhor time no ranking dos que mais ganharam dinheiro com bilheteria, mesmo jogando no gigantesco Serra Dourada.
Em vez de se preocupar em ganhar muito num jogo só, porque o Goiás e muitos outros clubes não tentam melhorar a qualidade de seus estádios para o torcedor e, aí sim, não depender de uma partida para fazer o caixa do ano?
Por Erich Beting às 17h13
Diz a história que, certa vez, o presidente Juscelino Kubitschek, cansado das críticas insistentes de um jornalista, convidou-o a passar um dia como presidente da República. Golpe de mestre de JK, a história que passou é que, a partir dali, o antes ferrenho opositor se tornou um grande defensor da maneira como o presidente governava.
Durante anos, Luiz Gonzaga Belluzzo foi opositor de Mustafá Contursi no Palmeiras. Talvez, até, o melhor opositor da história palestrina. Belluzzo já reclamava de Mustafá mesmo nos tempos das vacas gordas da Parmalat, quando o resultado dentro de campo apagava muitas coisas ruins que aconteciam e que a Série B foi mostrar que existiam.
Pois bem. Foram quase 10 anos entre o golpe que fez de Mustafá presidente mumificado no posto dentro do Palmeiras e finalmente a chegada de Belluzzo à tão sonhada cadeira de presidente.
Carismático dentro e fora do Palestra Itália, Belluzzo representava uma “novidade” no futebol, de tanta má fama criada pelos cartolas que governam pelo poder, e não para o clube.
Mas o final deste primeiro ano de mandato de Belluzzo deixa aquele gosto amargo na boca de quem sonhava com renovação. Sim, sem dúvida foram feitas diversas mudanças dentro do Palestra Itália desde a chegada do novo comandante. O time passou a sonhar e disputar títulos, voltou a ter ambição de ser grande, pensou em se modernizar com o projeto da nova Arena, tenta implementar uma política de corte de custos para equacionar as finanças, etc.
Só que Belluzzo deu a cara a tapa, literalmente. E foi no dia em que saiu da condição de presidente do clube para ser um torcedor comum, um apaixonado irracional com a dor e a frustração de uma derrota.
Os xingamentos de Belluzzo a Carlos Eugênio Simon seriam até aceitáveis se fizessem parte de um comentário de um apaixonado, como quando o hoje governador José Serra disse, lá em 1998, que o Palmeiras só seria grande se tivesse um técnico que pensasse grande. Coisa de torcedor apaixonado. No ano seguinte, Serra vibrou com o título da Copa Libertadores ganho pelo Palmeiras de Felipão, o técnico que pensava “pequeno”.
Só que Belluzzo não está nas tribunas como um mero torcedor. Ele é o comandante do barco, o responsável por passar ao clube (funcionários e associados) e à torcida a serenidade e, principalmente, a confiança de um chefe.
Por mais que seja bem intencionado, Belluzzo não pode achar que ainda está na cadeira do torcedor. Seu lugar é mais em cima, é na presidência. A irracionalidade do torcedor deve ser esquecida, sob qualquer pretexto, qualquer hipótese.
O stress que o cargo de presidente de clube traz a um torcedor apaixonado que lá chegou é imenso. Andres Sanchez e Marcio Braga que o digam. Ambos tiveram de ficar um tempo afastado do cargo por problemas de saúde. Só que os dois tiveram outro mérito que está presente no cartola tradicional. Saber zelar pela instituição que dirige.
O maior mérito de Belluzzo é ser um presidente de clube com um projeto de governo, e não de poder. A ele, não interessa continuar sentado na cadeira o maior tempo possível, a qualquer custo, mesmo que seu time de coração vá para a Segunda Divisão.
Só que, enquanto estiver na cadeira, Belluzzo e qualquer outro presidente de clube têm de pensar na instituição que representa, ser coerente com as dificuldades inerentes ao cargo, saber respeitar o erro dos outros e lamentar a derrota.
Porque é, no mínimo, incoerente um presidente dizer que daria uma bofetada na cara de um sujeito num dia e, nem duas semanas depois, demitir dois de seus funcionários que fizeram exatamente o que ele tinha dito que faria.
Cadeira de presidente, de fato, não é fácil...
* Coluna publicada originalmente na Universidade do Futebol.
Por Erich Beting às 09h57
Um dado interessante, do último levantamento da agência alemã de marketing esportivo Sport+Mkt. Entre todos os patrocínios de camisa dos times das seis principais ligas europeias, o segundo setor da economia que mais representa investimentos é o de casas e sites de apostas.
Ao todo, dos quase 400 milhõe de euros em patrocínio nos times de futebol, 56,4 milhões são investidos pelas casas lotéricas ou sites de apostas, como o Bwin, que está na camisa do Real Madrid. O líder no quesito continua a ser o setor financeiro, mesmo com a crise: 75,6 milhões injetados pelas empresas do setor.
O maior problema, porém, é a situação desses patrocínios em meio à maior crise da história do futebol europeu, com mais de 200 jogos com suspeita de manipulação de resultados.
A partir do momento que passou a ser legalizada, e proliferada via internet, a aposta no futebol, o campo para a manipulação de jogos ficou ainda mais amplo. Os escândalos na Itália e na Alemanha há três anos mostraram o quanto os sites e casas de apostas são usados para faturar, e muito.
Só que, o que pouco se discute é que, para as próprias empresas do setor, o jogo arranjado não é bom. Sem a credibilidade sobre o resultado da partida, diminui a confiança do apostador, que assim prefere não gastar o seu dinheiro com a aposta. E isso diminui o lucro das empresas.
A credibilidade do esporte é fundamental para que o negócio continue a ser lucrativo. Até mesmo nas casas de aposta.
Por Erich Beting às 13h18
Alexandre Kalil, presidente do Atlético Mineiro, acaba de anunciar os três parceiros do clube para 2010. O banco BMG, de propriedade do ex-presidente do clube Ricardo Guimarães, será o principal patrocinador da camisa do Galo. A rede de lojas Ricardo Eletro ficará com a manga do uniforme. A maior surpresa do "pacotão" porém foi o anúncio da Alpargatas como fornecedora de material esportivo do clube pelos próximos três anos. Desde 2006 que a fabricante estava fora do futebol, quando a Topper deixou de patrocinar São Paulo, Inter e Goiás. Agora, com uma marca atuante em mais modalidades (especialmente o tênis), a companhia volta a apostar no futebol.
O anúncio de Kalil mostra que a turbulência de 2009 nas contas do Galo está próxima de ter passado. Mesmo sem um departamento de marketing para trabalhar o aumento de receitas do clube, o Atlético conseguiu trazer parceiros para turbinar a verba disponível em 2010. A aposta da diretoria foi no marketing do resultado.
Conseguiu um desempenho muito acima do esperado, ainda mais por mim que apostei num Galo brigando para não ser rebaixado neste Brasileirão. Mas ainda não é um alento completo para o torcedor atleticano. A marca do Galo é muito forte para não ter nenhuma pessoa pensando em estratégias de marketing para a massa atleticana.
Por Erich Beting às 20h46
"Realmente há essa possibilidade, mas por enquanto não passa de um estudo. Pensamos em fazer isso por causa da média de público nos estádios de Natal nos últimos anos. Essa redução na capacidade implicaria também em uma redução de custos". A frase é de Fernando Fernandes, secretário de turismo do Rio Grande do Norte, publicada na edição online do jornal "Tribuna do Norte".
Pode ser ainda apenas uma fase de estudos, mas a notícia é que Natal já repensa se vale manter um estádio para 45 mil torcedores após a realização da Copa do Mundo de 2014. O projeto, ao que indica, é reduzir a Arena das Dunas para 30 mil torcedores após o Mundial e, no espaço livre, erguer uma outra arena, preferencialmente para o futebol de areia, com capacidade para 15 mil pessoas.
Finalmente começam a aparecer boas notícias sobre o pensamento dos estádios não para a Copa do Mundo, mas para as cidades onde eles estarão pela vida toda...
Por Erich Beting às 13h24
A camisa azul que a seleção brasileira vestirá na Copa do Mundo de 2010 será apresentada à torcida no Carnaval do Rio de Janeiro.
Nike e Brahma fecharam um acordo para que o uniforme seja apresentado pela primeira vez dentro do tradicional camarote da cervejaria na Sapucaí. A temática do espaço deverá ser voltada para o futebol, celebrando o patrocínio à seleção brasileira e, também, o direito que a Brahma passou a ter de ser patrocinadora da Fifa (e da Copa do Mundo) após a compra da Anheuser Busch pela Inbev, no ano passado.
O acordo é o primeiro que as duas empresas, patrocinadoras da seleção, fazem, após quase nove anos como apoiadoras conjuntas do time nacional. É mais uma mostra de que as empresas finalmente acordaram para aquilo que é fundamental dentro do projeto de patrocínio, que é a ativação dessa propriedade.
Não basta colocar dinheiro, é preciso fazer barulho e criar ações diferenciadas para vincular a marca ao patrocinado. Ainda mais quando a propriedade comprada é a seleção brasileira, que não estampa a marca na camisa. Mais informações sobre o acordo na Máquina do Esporte.
Por Erich Beting às 15h26
Está aberta a temporada de contratações de atletas que estarão na Copa do Mundo de 2010 como garoto-propaganda. Depois de Luís Fabiano encampar a propaganda da Brahma para a Copa do Mundo, mais um novo contratado será anunciado nesta quinta-feira. Robinho foi contratado pela Samsung para ser a estrela da campanha publicitária da empresa em 2010. Cotista da transmissão do Mundial na Band, a empresa vai usar Robinho para promover seus produtos.
A decisão de contratar o atleta mostra uma outra característica interessante da seleção de Dunga. Robinho, que não atua desde setembro, é ao lado de Kaká o rosto mais conhecido da população em geral. Luís Fabiano e Júlio César, dois grandes destaques do time brasileiro, ainda não são tão populares quanto a dupla.
No final das contas, a renovação do time nacional acabou dificultando o trabalho das empresas em busca de um garoto-propaganda para 2010.
Por Erich Beting às 09h31
E, depois de quatro anos, o STJD voltou a ser figura principal numa edição de Campeonato Brasileiro. Tinha esperado para me manifestar sobre o tema Belluzzo e sua ode a Carlos Eugênio Simon exatamente esperando a definição do tribunal de justiça desportiva. Eis que agora vem outra importante decisão do tribunal, referente à punição ao trio de expulsos do São Paulo contra o Grêmio.
Longe de fazer qualquer relacionamento das decisões recentes do STJD com o favorecimento a um ou outro clube, o fato é que já é hora de rever não apenas o Código Brasileiro de Justiça Desportiva, mas principalmente o funcionamento do órgão STJD. Repensar a função de seus auditores, as ambições pessoais e profissionais de muitos deles para usarem o esporte na promoção de seu trabalho ou até como pessoa pública.
O propósito do tribunal é regulamentar o esporte, dar as condições para que a disputa seja a mais limpa possível. Dos seus auditores, espera-se decisões lógicas para determinados temas. No caso de Belluzzo, até que foi razoável a punição de 9 meses, principalmente por se tratar de penas previstas claramente no CBJD. Mas aplicar a mesma suspensão para três diferentes tipos de expulsão parece, no mínimo, falta de critério.
A sensação que fica é de que o tribunal, depois dos tempos de Zveiter, voltou a ter critérios impossíveis de se entender para assuntos básicos. E isso, para a credibilidade do campeonato mais interessante dos últimos anos, é algo péssimo.
Por Erich Beting às 21h31

Está no site do Senado a notícia (com a foto acima para ilustrá-la) de que, nesta manhã, Carlos Arthur Nuzman se encontrou com José Sarney para pedir mais verba para o Ministério do Esporte em 2010. Pasta com menor previsão orçamentária do país, o Esporte quer usar Copa do Mundo de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016 como motivos para angariar mais fundos.
Pelo visto não será com atos secretos. Mas será que precisa mesmo turbinar a verba do Ministério por conta desses eventos?
Melhor contar para todo mundo antes que isso aconteça...
Por Erich Beting às 17h59
"Aqueles que não tiverem [chances de medalhas], nós temos que apenas mantê-los no esporte, agradecer. Não adianta gastar os recursos com quem não tem condições de chegar". Quem for assinante do UOL, pode ler a matéria completa na edição de hoje da Folha de São Paulo. Quem não é, esse é um trecho da reportagem feita por Ítalo Nogueira ontem, no Rio de Janeiro, no primeiro evento organizado pós-escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016.
O autor da pérola é Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro. E revela o quanto é ruim, para o país desenvolver o esporte, termos ainda essa mentalidade tacanha de achar que apenas o alto rendimento esportivo, e com medalhas, seja o meio de se criar uma cultura esportiva geral no Brasil.
Sim, Nuzman mais à frente na reportagem é coerente no discurso ao creditar boa parte dessa "mentalidade" à imprensa, que é ávida por medalhas, nem que para isso elas tenham sido "importadas" com treinadores australianos, estrutura americana, metodologia sueca e por aí vai.
A sede pela vitória é o maior prejuízo que o esporte pode ter se quiser se estruturar num país. A imprensa tem sua parcela de "culpa" nessa história, já que é de seu feitio glorificar os vitoriosos e relegar ao limbo os "derrotados", casos emblemáticos já vividos por tantos Gugas, Rubinhos e Ronaldos que temos e tivemos no esporte nacional.
Na semana passada participei de um debate organizado pela ADVB, em São Paulo, que discutia o papel da imprensa na promoção e desenvolvimento do esporte, tendo como motivo os Jogos Olímpicos de 2016. Sérgio Xavier, diretor de redação das revistas Placar e Runner's World, foi preciso ao cunhar a expressão de que, a cada quatro anos, o jornalismo esportivo brasileiro é invadido pela sua modalidade predileta, que é o "levantamento de medalhas".
De fato a imprensa costuma só dar bola para quem vence. Thiago Pereira foi pulverizado pelos recordes de Cesar Cielo. Isso não desmerece nem um nem outro. Mas o que se pode esperar dos gestores esportivos é dar muito menos pelota para a imprensa do que ela merece.
Não adianta jogar nas costas da imprensa a "culpa" de termos uma cultura esportiva que privilegia apenas os vencedores. O que se espera de quem comanda o esporte no Brasil é o trabalho para que tenhamos, de fato, uma nação que pratique esportes. E, para isso, muito mais do que medalhas, temos de ter estrutura. E é exatamente aí que se encontra o grande dilema. A imprensa é parte importante do desenvolvimento e especialmente da promoção do esporte no Brasil. Mas não é a única ponta dessa estrutura.
Em vez de usar mais de dois terços da verba da Lei Piva para custear "gastos administrativos" do COB, Carlos Arthur Nuzman poderia desenvolver condições para o maior número de atletas praticarem o maior número de modalidades esportivas possíveis no Brasil. Essa é a responsabilidade que o Comitê Olímpico Brasileiro deveria ter com o esporte. Afinal, sem atleta não há esporte. E, sem esporte, não há o COB.
A imprensa?
Oras, para que dar bola a imprensa só na hora que é conveniente justificar o privilégio aos mesmos de sempre? Por que não trabalhar pelo bem do esporte como um todo, mesmo que isso não signifique, num primeiro momento, vitórias? Mais importante do que ser primeiro no quadro de medalhas é poder dizer que os Jogos Olímpicos serviram para que o Brasil, de fato, deixe de ser monotemático quando o assunto é esporte. Gugas, Daianes, Cielos e outros tais mostraram que isso é possível. Só que não podemos depender só do resultado para sairmos da mesmice.
Por Erich Beting às 12h31
Ontem tivemos uma mostra de como o tênis é um esporte difícil para ser trabalhado sem ser na TV fechada. A final do Masters 1000 de Paris, entre Novak Djokovic e Gael Monfils, foi o típico exemplo de como a TV aberta tem todas as razões para não querer abrir espaço para o tênis em sua grade de programação.
O primeiro set do jogo teve meia hora de duração e uma arrasadora vitória do sérvio Djokovic sobre o "local" Monfils. O segundo set começou na mesma toada. Djokovic sacava vencendo por 3 a 1 se aproximando cada vez mais de um repeteco do que havia sido o set inicial. Nessa hora, qualquer entusiasta do tênis usaria a partida como um exemplo de como é simples você ter o esporte na TV aberta. O jogo decisivo, afinal, duraria no máximo 1h30, o mesmo tempo de uma partida de vôlei ou quase uma de futebol.
Só que foi exatamente nesse quinto game que o tênis mostrou sua cara mais divertida para os fãs e, ao mesmo tempo, mais proibitiva para os programadores da televisão. Inesperadamente Monfils começou a dificultar o jogo. Se o primeiro set durou apenas meia hora, o quinto game da partida chegou a quase dez minutos.
No final, Djokovic frustrou a torcida francesa. Venceu o jogo por 2 sets a 1, após 2h43min de partida. Sim, é isso mesmo. Um set durou meia hora. Os demais, duas horas...
Essa é uma das graças do tênis, um esporte que não tem hora para acabar, sujeito a muitas mudanças no caminho, imprevisível e emocionante. Só que, para a televisão, não dá para se ter na tela um jogo que pode acabar com toda a programação do dia. E, com isso, o tênis precisa de programas paralelos de massificação, como a criação de quadras públicas, para deixar de ser um esporte restrito a uma elite.
Por Erich Beting às 12h22
"O futebol não tem crise". Essa frase foi dita recentemente pelo diretor geral do Masters de Madrid de tênis, Vicente Casado, em entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo". Casado referia-se à euforia do mercado da bola com Cristiano Ronaldo e Kaká recém-contratados pelo Real Madrid, além da troca Ibraimovich e Eto'o entre Internazionale e Barcelona, entre outros casos menos midiáticos de contratações de jogadores.
Pois bem. Eis que, nesta semana, a Sport+Mkt, empresa alemã de consultoria, divulgou seu relatório anual com os valores de patrocínio na camisa das seis grandes ligas de futebol da Europa (Alemanha, Espanha, França, Holanda, Inglaterra e Itália). E o resultado comprova a tese de Casado.
Em meio à crise que pegou forte, principalmente na Espanha e na Inglaterra, os clubes europeus bateram o recorde de valor recebido com o patrocínio nos uniformes de clubes. Foram quase 400 milhões de euros arrecadados com os patrocinadores. O valor ultrapassa o montante de 2008, mas é menor do que o arrecadado em 2007, auge dos investimentos em esporte praticamente no mundo todo.
A explicação para isso pode estar na própria crise. Com queda na verba a ser investida, o patrocinador vai em busca daquilo que é retorno certo. E, aí, é só colocar a grana no futebol para poder ter boa exposição na mídia, realizar boas ações de relacionamento e, sem dúvida, não errar na mão na relação custo-benefício do investimento.
No Brasil, a situação foi mais ou menos a mesma. Empresas que estavam afastadas do futebol (como Samsung e Batavo) decidiram voltar para ele, em troca da exposição altíssima e do investimento mais seguro. Com isso, as demais modalidades sofreram, e muito, com a falta de investimentos. No ano que vem, a tendência é a Copa do Mundo continuar a canalizar a verba para o futebol, pelo menos no primeiro semestre. Depois dele, começará a guerra por Copa de 2014 e Jogos Olímpicos...
Por Erich Beting às 17h30
Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.
Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.