Blog do Erich Beting

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28/02/2011

Novo endereço

Pessoal, demorou um pouquinho, mas finalmente o blog mudou de plataforma aqui no UOL. Por conta dessa mudança, alterou também o endereço para acesso ao blog! Então anote aí, se você já tem o endereço cadastrado entre os favoritos.

O novo endereço é o http://negociosdoesporte.blogosfera.uol.com.br/

Agora, para quem lê o blog por agregadores de RSS, o novo endereço do feed é http://negociosdoesporte.blogosfera.uol.com.br/feed/

Por Erich Beting às 13h25

27/02/2011

Arena multiuso

Em tempos de discussão sobre Copa do Mundo no país, taí um bom conceito do que poderia vir a ser uma arena multiuso. Estádio do futebol e piscina para o torcedor na arquibancada! Seria engraçado, não fosse o triste retrato de uma cidade abandonada pelos políticos sedentos por poder, e não em governar, e por projetos que só beneficiam os veículos motorizados de transporte.

Por Erich Beting às 18h44

25/02/2011

O último rival

Esclarecedor o depoimento dado por Fábio Koff, presidente do Clube dos 13, ao jornalista Juca Kfouri e publicado hoje na "Folha de São Paulo".

O dirigente atira especialmente na CBF e na TV Globo ao responsabilizá-los pelo racha na entidade.

Koff se opôs a Ricardo Teixeira nas eleições do C13 no ano passado e, com isso, comprou briga com o poderoso presidente da CBF. Seu destino, ao que tudo indica, será o mesmo de Eduardo José Farah, ex-presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), que também havia se oposto a Ricardo Teixeira para impedir o fim dos torneios regionais em 2002. Farah ficou ainda meio ano no comando da FPF, renunciando então ao cargo que passou a ser de Marco Polo del Nero.

Koff é, hoje, o último rival de Teixeira que comanda uma entidade, e não um clube, no futebol brasileiro. Ou, até o início desta semana, era...

Por Erich Beting às 18h53

23/02/2011

O direito de arena ainda salva o futebol brasileiro

Em meio a toda polêmica sobre a permanência ou não de Corinthians e Flamengo no Clube dos 13, a salvação para toda a briga é a regulamentação do Direito de Arena para o esporte brasileiro. Tentando simplificar o que representa esse direito, é ele quem de fato regulamenta a venda dos direitos de transmissão de qualquer evento esportivo no Brasil.

Por aqui, quem participa de uma competição esportiva detém os direitos sobre o evento. Ou seja, quando dois clubes jogam um contra o outro, ou então cinco atletas participam de uma corrida, todos têm de estar de acordo que aquele evento seja exibido pela televisão. Isso garante que, no caso do futebol, seja obrigatória a venda coletiva dos direitos de transmissão de um torneio. Afinal, se um clube se opuser ao acordo, todo jogo que ele participar não poderá ser mostrado pelas emissoras de TV. Por conta disso, uma negociação individual para a transmissão dos jogos não acontece no Brasil.

Ainda bem!

Nos últimos anos, o futebol europeu foi recomendado pela União Europeia a adotar a venda coletiva de direitos de transmissão. Em meio à discussão sobre monopólio, abuso de poder econômico, formação de cartel, etc., a UE decidiu que o melhor para os clubes do continente era justamente “adotar o modelo brasileiro”. Sim, é isso mesmo. Sem querer, o Brasil acabou virando exemplo para o futebol europeu fora das quatro linhas!

Por lá, até então, o direito de arena é do clube mandante da partida. Isso permite, por exemplo, que Real Madrid e Barcelona façam contratos na casa das centenas de milhões de euros para ceder os direitos de suas partidas em casa, enquanto os demais times conseguem acordos com menos de 10% desse valor. O resultado se vê claramente ao olhar a tabela de um Campeonato Espanhol, por exemplo, cuja disputa se resume aos dois clubes maiores.

Ao exigir, por lei, que a venda seja coletiva, o sistema brasileiro impede que um clube seja economicamente dominante sobre o outro. É esse o princípio, por exemplo, que dita a regra nas ligas americanas, ainda o melhor modelo a ser olhado e adaptado para a realidade nacional. Só por curiosidade, a NFL, liga de futebol americano, não produziu, em sua história, um tricampeão seguido. Sempre há rotatividade entre os campeões, o que significa que todo torcedor pode sonhar em ver seu time vencer e, assim, consumir mais o produto futebol americano.

Enquanto uma liga com esses princípios de igualdade e pensamento no negócio não aparece em brasileiras, resguardemos o direito de arena. Só ele é capaz de evitar o egoísmo mesquinho e a politicagem vazia dos dirigentes que podem colocar, no longo prazo, o futebol num patamar desesperador de desequilíbrio financeiro que resulta em desinteresse do torcedor economicamente alijado da disputa por títulos.

O brasileiro adora se gabar de que tem o campeonato de futebol “mais equilibrado do mundo”. Para isso continuar a acontecer, é preciso repensar o modelo que agora tenta se criar.

Ou, então, garantir que ainda exista o direito de arena igualitário para os clubes. É ele quem impede, no atual momento, uma debandada geral que só enfraqueceria o futebol como negócio. Como falei aqui outro dia, os dirigentes têm de parar de enxergar o time rival como concorrente fora de campo e tratar de pensar coletivamente para ganhar mais.

Deixa a decisão do campeonato para dentro de campo. É mais legal. E muito mais honesto com o torcedor.

Por Erich Beting às 11h07

22/02/2011

A política, sempre a política

O tema não se esgota, até porque ainda não existe qualquer definição sobre ele. Mas claramente não será técnica a decisão sobre quem será (ou não) a televisão que transmitirá o Campeonato Brasileiro de 2012 a 2014.

Em respeito aos leitores que postaram seus comentários aqui no blog e que ainda não consegui ler e responder, vale uma reflexão que coloco a todos, tanto aos que acham ainda que tenho algum "lado" nessa história quanto aqueles que conseguiram entender sobre o ponto que queria chegar ao dizer que os clubes deveriam entender que não é o preço que define quem pode ser o melhor parceiro comercial.

Esqueçam aquilo que interfere no seu cotidiano como torcedor. Não é nisso que o dirigente está pensando, apesar de que, na hora de falar para a mídia, o discurso sempre seja politicamente correto e planejado. Uma reunião do Clube dos 13 sobre TV sempre conta com a presença dos presidentes dos clubes. E essas são figuras que não conseguem enxergar o negócio, mas sim a política dentro do esporte. Afinal, foi assim que a maioria chegou ao poder e é assim que boa parte continua a se manter no poder.

Por conta disso, toda a queda de braço que hoje envolve o futebol é de cunho político. Da desprezível discussão sobre a Taça das Bolinhas aos mais variados discursos de o que é "melhor" para os clubes enquanto parceiro comercial.

O levante que o Corinthians está prestes a realizar servirá para minar o último adversário político de Ricardo Teixeira. No ano passado, Fábio Koff se colocou contra a CBF e conseguiu vencer a batalha, reelegendo-se para a presidência do Clube dos 13 apoiado pelo São Paulo, outro rival político do presidente da CBF. Agora, com o pretexto da TV, o Corinthians vai usar sua força política para implodir de vez o C13.

O movimento tornaria insolúvel a discussão em torno do C13, o que tornaria a entidade inútil para o futebol, uma vez que ela não é uma liga que organiza o Campeonato Brasileiro, mas sim uma mera negociadora de contratos relativos ao torneio, que por sua vez tem a chancela única da CBF.

Em 2009, a CBF tomou para si a gestão da Série B do Campeonato Brasileiro, acabando de uma hora para outra com os poderes da FBA, a Futebol Brasil Associados, entidade que tinha até mais poderes sobre a competição do que o C13 tem sobre o Brasileiro da Série A.

Será que a TV é realmente o ponto de discussão do atual cenário do futebol brasileiro?

Por Erich Beting às 13h34

21/02/2011

Debate sobre a TV do Brasileiro se resume ao preço?

"Não importa se vem do Jardim Botânico ou da igreja. Leva quem der o maior cheque". A pérola é de Alexandre Kalil, presidente do Atlético-MG e revela um pouco do pensamento tacanho que toma conta dos dirigentes do futebol brasileiro na discussão sobre os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de futebol para o triênio 2012-2014.

Na visão apequenada do presidente do Galo, o que determina quem é o melhor parceiro comercial dos clubes é o dinheiro, nada além disso.

Nada que surpreenda, vindo de um dirigente que prega que o marketing representa apenas custo para um clube, não tendo qualquer utilidade além disso. Mas a frase de Kalil preocupa, principalmente, porque a ganância dos dirigentes tem feito com que o futebol brasileiro deixe de pensar no longo prazo para agir apenas no curto espaço de tempo, o que enfraquece a própria instituição.

Ao se balizar apenas pelo preço que é pago, os clubes colocam em segundo plano alguns detalhes importantes para o fortalecimento de seu produto no longo prazo. Não é só quem paga mais que vale mais. Não é o cheque que determina o valor de uma oferta. Ou pelo menos não deveria ser.

Nos anos 80, o Comitê Olímpico Internacional (COI) decidiu mudar radicalmente a imagem que as pessoas tinham dos Jogos Olímpicos. Para isso, apostou numa estratégia interessante de negociação do seu principal evento. Não era o preço que determinava qual emissora exibiria a competição, mas sim o engajamento dela com o evento e, principalmente, o alcance que ela teria no seu país. A lógica do comitê com essa decisão era fazer com que, com mais gente assistindo a seu evento, mais importante ele passaria a ser no longo prazo. E, aí, mais dinheiro o COI ganharia com a negociação não apenas da transmissão do torneio, mas também de patrocinadores e consumidores.

No futebol, a Fifa também buscou na Copa do Mundo de 2010 uma parceria comercial com a Sony que não foi baseada meramente no dinheiro. Com a fabricante japonesa, ficou estabelecido que além de pagar para ser patrocinadora da entidade, ela investiria na tecnologia necessária para transmitir 25 dos 64 jogos da competição em 3D. O retorno de imagem da Fifa com isso foi gigantesco, tanto que ela ganhou prêmio pela inovação no evento esportivo.

A concorrência que busca apenas o melhor preço domina, hoje, a gestão pública brasileira. Não se pensa na melhor entrega de produto, mas apenas naquilo que aparentemente gere mais dinheiro ou reduza mais custo para o cofre público. Não se faz nada pensando em melhor produto, em entrega mais eficiente e em melhor promoção daquilo que é feito.

É essa mentalidade que domina agora não apenas Alexandre Kalil, mas a maioria dos dirigentes dos clubes de futebol.

Recentemente, o Campeonato Catarinense de futebol optou por trocar de emissora, baseando-se na oferta financeiramente mais vantajosa e na promessa de que o jogo disputado nas noites de meio de semana começariam às 20h. Oferta aceita, começou o torneio e percebeu-se que a Record, que havia vencido a concorrência, não tinha retransmissora no interior do estado, limitando as transmissões à cidade de Florianópolis...

Nada contra a Record ou a favor da Globo. Mas, se quiserem pensar no longo prazo, os clubes têm de olhar muito mais do que o preço. Independentemente de qual é o cheque, o importante é saber quem é o parceiro e o que ele tem a oferecer. Essa é a melhor oferta possível para os clubes, que precisam ao mesmo tempo exigir isso de seu parceiro.

Por Erich Beting às 10h18

18/02/2011

A TV virou a desculpa para o C13 rachar de vez

Vai rachar. Pelo menos é isso que aparentemente se mostra no cenário de discussão dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro para o triênio 2012-2014. Hoje, porém, esse racha parece mesmo ser para valer, diferentemente daqueles movimentos que desde 2004 acontecem dentro do C13.

Mas, por trás da questão da TV, está mesmo a questão política da entidade que, teoricamente, representa o interesse dos clubes do futebol brasileiro. Como já falei aqui no blog no ano passado, quando as eleições para a presidência do C13 quase terminaram com o fim da Era Fábio Koff, o problema todo é que não há um projeto para a gestão do futebol por parte dos clubes. O C13 não é independente, não atua apenas pensando na melhoria da situação dos clubes, não funciona como uma liga de fato.

Nos EUA, as ligas são empresas que têm os clubes como sócios e que, por causa disso, precisam dar lucro. A divisão do bolo de dinheiro arrecadado é feita de forma a todos terem o melhor nível de igualdade financeira para, então, aquele que for mais competente na esfera esportiva se sobressair. A lógica da meritocracia americana dita o funcionamento do esporte, tanto que o draft, que escolhe os melhores jogadores jovens para os times profissionais, ocorre de maneira inversa. Quem tem pior desempenho tem direito a ficar com o melhor jogador em seu time.

No futebol, em todo o mundo, a constituição do esporte é baseada, meramente, na força política das instituições. Ganha mais quem manda mais é a lógica que permeia a maioria das decisões do futebol.

O que acontece agora no Clube dos 13 é a essência dessa maneira de existir do futebol. A TV virou a desculpa para uma queda de braço política. Os dirigentes dos clubes não estão pensando com a cabeça no negócio. Não se debate o que vai gerar maior receita para os clubes no longo prazo. No discurso, porém, usa-se isso como argumento para um clube pender para um lado ou para o outro, mas não é a cabeça no negócio que determina o caminho a ser tomado.

Não tem como a comissão do C13 que discute as propostas das TVs ficar à parte da disputa política. Por mais que se tente chegar a uma definição tecnicamente melhor, a assinatura que vale é a do presidente do clube. E, como o dirigente tem de seguir a lógica do "pode mais quem manda mais", o impasse está criado.

Parece que agora o C13 racha de vez. E fica cada vez mais claro que o grande prejudicado, nisso tudo, será o futebol. A queda de braço política muito provavelmente vai culminar numa decisão inicial de intransigência de alguns clubes em assinar o acordo de TV. E isso deverá fazer com que, a princípio, nenhuma emissora esteja credenciada legalmente para transmitir a competição.

Enquanto os dirigentes acham maravilhoso elevar para quase R$ 700 milhões o valor recebido por todos os direitos de transmissão do Brasileirão, a NFL, liga mais profissionalizada do mundo, entra em 2012 com cerca de metade das transmissões na TV de um Brasileirão mas com receita de US$ 4 bilhões. Sim, é isso mesmo. Quase dez vezes mais do que o futebol brasileiro arrecada, mas tendo vendido apenas os direitos de transmissão para a televisão, sem contar internet, celular, pay-per-view, que geram alguns outros milhões para os cofres da liga...

A política contamina o negócio. Enquanto o modelo de gestão do futebol não for repensado, discussões vazias continuarão a imperar. E o produto futebol, sem valorização, continuará a achar que o que vale mesmo é ter alguns milhões no bolso sem se preocupar com a qualidade daquilo que se oferece para o público.

Por Erich Beting às 18h08

17/02/2011

Dupla Atle-Tiba cria loja em conjunto!

Demorou, mas finalmente uma das maiores rivalidades do futebol brasileiro foi desfeita na hora de pensar no negócio do esporte.

Atlético Paranaense e Coritiba anunciaram há pouco a criação de uma loja oficial conjunta dentro de um shopping em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. A ação une os dois rivais históricos (veja os detalhes aqui) e repete, a grosso modo, estratégia que já tinha sido adotada por Internacional e Grêmio no Rio Grande do Sul.

Mas, mais do que essa marca histórica, a iniciativa mostra uma coisa um tanto quanto óbvia quando a paixão é deixada de lado dentro do clube. No futebol, não existe concorrência entre os clubes, apenas rivalidade. Quanto mais unidos fora de campo forem as instituições, melhor para elas. O raciocínio não é tão complexo, mas precisa ser desprovido de qualquer passionalidade para poder ser entendido. Por algum acaso Coxa e Furacão disputam a preferência do torcedor como um Pão de Açúcar e um Carrefour concorrem um contra o outro, por exemplo?

O futebol tem uma característica quase única de fidelidade à marca. É mínimo o risco de um torcedor deixar um time e passar a torcer para o outro. Sendo assim, não tem sentido para que dois times rivais se vejam como concorrentes no campo dos negócios. Pelo contrário. Juntos, eles podem barganhar melhor espaço dentro do shopping, exigir melhor entrega de produtos dos fornecedores, brigar por um aumento no valor do patrocínio, criar produtos novos com as duas marcas, etc.

O primeiro passo acaba de ser dado pela dupla Atle-Tiba. É uma mostra de que o clube de futebol começa a se enxergar cada vez mais como pólo gerador de negócios. E, mais do que isso, começa a entender que a rivalidade foi feita para existir apenas dentro de campo. Fora dele, os clubes são parceiros de negócios. O concorrente não é o adversário, mas qualquer outro negócio dentro do ramo de atividade do entretenimento (shopping, vôlei, basquete, videogame, cinema, etc.).

Historicamente a paixão e a rivalidade cegam os dirigentes, que enxergam no clube rival um concorrente, quando ele pode se tornar um de seus maiores aliados para a geração de receitas.

Por Erich Beting às 16h53

15/02/2011

Ronaldo fará parte de comitê paulista para 2014

O anúncio oficial e os detalhes do acordo serão anunciados amanhã, quarta-feira. Mas não deve durar mais do que dois dias, porém, o "sossego" de Ronaldo em sua aposentadoria dos gramados.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, acaba de revelar em seu perfil no Twitter que Ronaldo "será nomeado membro especial do comitê da Copa em São Paulo". Amanhã, Ronaldo será agraciado com a Medalha do Mérito Esportivo pelo governo paulista. O evento também servirá para que o ex-jogador seja nomeado para a nova função.

A "escalação" de Ronaldo para o comitê de São Paulo, se não passar de mera formalidade política, credencia ainda mais a capital paulista para abrigar o jogo de abertura do Mundial de 2014, sonho acalentado desde que o país foi eleito sede do torneio, em 2007.Além disso, a escolha de um nome como o dele reforça, também, a força do Corinthians nos bastidores da bola. A proximidade de Ronaldo com a CBF e o Comitê Organizador Local da Copa ajuda, e muito, para que os desejos corintianos de ter o estádio ampliado para abrigar o jogo de abertura do Mundial sejam realizados.

Talvez a maior contribuição que Ronaldo dê para o Corinthians seja realmente a partir de agora, atuando nos bastidores em favor do clube. Bom trânsito no mercado da bola para isso não lhe falta.

Foto de Fernando Pilatos/UOL

Por Erich Beting às 23h37

14/02/2011

Bem-vindo, Ronaldo!

Sim, não poderia deixar de ser, para um blog que fala de negócios do esporte, uma despedida com a maior cara de boas vindas. Afinal, Ronaldo deixa os gramados e, agora, passa a cuidar de fato da 9ine, agência da qual é um dos sócios e principal aposta de todos os envolvidos para fazer o negócio, realmente, virar.

Como torcedor, tive o privilégio de ter visto Ronaldo jogar. No auge, na volta, na decadência.

Como jornalista, tive o privilégio de ter participado da primeira entrevista dele na volta à seleção brasileira, em outubro de 2001. Lá no CT do Caju, quando o Brasil de Felipão quase carimbou o passaporte para a Copa da Ásia. Assustei-me ao ver a reação dos jornalistas aplaudindo o Fenômeno ao ele entrar na sala de imprensa e falar que estava voltando.

Agora, Ronaldo entra para o mundo dos negócios do esporte. Talvez um dos grandes reforços para o mercado de marketing esportivo brasileiro dos últimos anos. A noção que ele tem da importância do esporte para as marcas e vice-versa pode somar, e muito, para o mercado crescer como um todo.

Prova disso foi seu posicionamento durante a entrevista coletiva em que anunciou o adeus. Agradeceu a seus patrocinadores, citando os nomes e não sendo cortado pelas emissoras de TV aberta que exibiam a entrevista.

Ronaldo, seja bem-vindo ao universo do marketing esportivo. O Brasil precisava de uma contratação dessas para agitar ainda mais o mercado.

Por Erich Beting às 17h23

10/02/2011

A ineficácia dos pontuais e da poluição das camisas

Fiz agora há pouco uma brincadeira pelo Twitter. Perguntei quem se lembrava, hoje, quinta-feira, de quantas marcas estiveram presentes nas camisas de Palmeiras e Corinthians no clássico do último domingo. Estipulei um prazo de um minuto para as respostas.

Simplesmente ninguém conseguiu acertar o número de marcas e logotipos envolvidos no clássico. E, claramente, todos estavam “chutando” seus resultados. Ampliei a enquete para quais eram as marcas que apareciam nas camisas. Em cerca de meia hora, foram mais de 20 palpites de pessoas diferentes. Mais uma vez, nenhum acerto.

O resultado não tem qualquer valor científico e está longe de ser encarado como definitivo, mas dá uma boa medida de quão ineficientes são os patrocínios pontuais e a poluição dos uniformes dos clubes.

O dérbi paulistano contou com 12 diferentes logomarcas estampadas nos uniformes dos dois times. Média de seis marcas para cada clube, mas que na proporção ficou com “vitória” do Palmeiras. Foram oito diferentes logotipos na camisa verde e seis na alvinegra. De todas elas, apenas duas eram iguais: a Tim, dentro do número dos times, e a logomarca do dérbi, criada em 2009 pelos dois times para simbolizar o clássico.

A pergunta que fica é simples. Será que as empresas sabem o retorno que estão tendo com esses patrocínios? No clássico, o Palmeiras teve ainda duas marcas que fizeram aportes pontuais (Seara, nas mangas, e Microlins, na parte da frente do calção). São, portanto, símbolos que não continuarão na camisa pelos próximos jogos.

Desde que o Corinthians loteou sua camisa para viabilizar a presença de Ronaldo no time, em 2009, o futebol tem achado que esse é o caminho para os clubes fazerem receita.

Até agora, a estratégia tem dado relativamente bom resultado. Para isso, os clubes usam números fabulosos de exposição em mídia das marcas que dão a entender que é mais barato pagar para patrocinar um time durante um jogo do que criar uma campanha publicitária e veiculá-la na mídia.

Mas qual é o impacto que o patrocínio pontual consegue ter? Ou, ainda, qual o impacto de patrocinar, por exemplo, o número da camisa do jogador?

O retorno de exposição da marca é um dos coeficientes que uma empresa deve levar em conta na hora em que vai patrocinar o esporte. Mas ela também tem de saber que não é só mídia que conta na hora de investir. É preciso ir além, buscar relacionamento com o torcedor, engajamento da marca com o clube e o público, ativar o patrocínio, ter boa exposição da marca, etc.

Enquanto o patrocínio no futebol for encarado só como exposição de marca, continuaremos a ter lindos relatórios de retorno de exposição da marca, mas quase nenhum retorno de lembrança de quem fez parte daquele jogo.

Ou o patrocinador abre os olhos para isso ou terá, em breve, problemas para defender dentro da empresa a manutenção de um patrocínio no esporte.

Por Erich Beting às 16h40

09/02/2011

Show de intervalo! Dá para fazermos igual?

Infelizmente não consegui aqui falar um pouco sobre dois acontecimentos importantes do final de semana. O primeiro foi o baile que a Adidas deu nas demais marcas esportivas no clássico Corinthians 1x0 Palmeiras. A marca alemã usou uma chuteira especial para ser utilizada pelos seus atletas patrocinados no jogo. Os pés laranjas chamaram a atenção no clássico e roubaram a lembrança para a marca das três listras.

Mas o grande acontecimento foi, de fato, a 45ª edição do Superbowl, a grande decisão do futebol americano. Ou melhor, o destaque foi o show do intervalo da 45ª edição do Superbowl. O americano consegue fazer com que o jogo seja o de menos dentro do evento.

Para quem apenas vê o esporte por lazer, o show pode ter ficado abaixo das expectativas. Mas quem trabalha com o esporte conseguiu perceber o quão complexo e perfeito foi o show do intervalo, proporcionado pelo grupo Black Eyed Peas.

Em 15 minutos, todo um aparato foi montado, o show foi feito e depois retirado do gramado do Cowboys Stadium, no Texas. Uma logística que é muito mais complexa que a de uma festa de abertura de Jogos Olímpicos ou Copa do Mundo, porque pressupõe que o circo seja armado e desarmado em questão de minutos.

Mais impressionante, porém, foi ver que em menos de um minuto todos os artistas que fizeram a performance já tinham conseguido deixar o gramado. Não teve como não pensar na capacidade de o Brasil realizar algo parecido nos próximos anos, nas aberturas e encerramentos de Copa e Olimpíadas.

Com certeza temos capacidade técnica para tal. Temos experiência em fazer grandes eventos e megashows, como ficou comprovado na abertura do Pan de 2007 e em todos os desfiles de Carnaval país afora. O problema, porém, continua a ser a infraestrutura. Quando teremos um estádio compatível para fazer tal operação? Para quem não viu o show, segue abaixo o vídeo.

Por Erich Beting às 17h00

Afinal, o que quer o meu patrocinador?

Essa é a pergunta que, teoricamente, deve nortear todo organizador de evento, instituição e atleta que buscam patrocínio. Mas afinal, o que um anunciante busca quando vai investir dinheiro naquilo que você faz?

Ontem, pelo Twitter, rolou a velha discussão sobre a falta de público no Brasil Open de tênis. A crítica, como sempre, caiu sobre a organização que permite que o torneio seja feito na Costa do Sauípe, centro turístico que fica a mais de 70 quilômetros de Salvador.

Sinceramente não consigo ainda ter uma opinião formada sobre o assunto. Não há dúvida de que o fato de o torneio ser no Sauípe seja um grande dificultador para que o público compareça e o tênis deixe de lado a pecha elitista que ainda o cerca, mesmo com a popularização provocada pela era Guga. Também é péssimo, para quem está em casa, olhar na televisão e ver uma arena vazia em jogo de oitavas-de-final da competição.

Mas é aí que entra a pergunta para a organização. E o patrocinador, o que ele quer?

Neste ano, o Brasil Open tem batido recorde de empresas patrocinadoras. São 11 instituições ligadas diretamente ao evento. Os envolvidos no patrocínio, claramente, não estão muito preocupados com a presença do público nos jogos.

Só que, ao mesmo tempo, os grandes eventos esportivos são compostos de quatro pilares sólidos. Grandes atletas, grande cobertura de mídia, presença maciça de patrocinadores e presença maciça de público.

Por isso mesmo, é complicado dizer se é certa ou errada a fórmula do Brasil Open. A certeza é de que um dos pilares está coberto. A pergunta sobre o  patrocinador, ao que parece, foi respondida.

Por Erich Beting às 03h01

08/02/2011

O bom barulho que o Brasil Open começou a gerar

No ano passado, aproveitei a realização do Brasil Open de tênis para traçar um paralelo entre a principal competição da modalidade no país e como outros torneios eram promovidos pelo mundo, dando como exemplo concreto o princípio que regiam os organizadores do Masters de Madrid, em que o conceito é de que a competição tem de se fortalecer para conseguir conquistar o público e os patrocinadores, independentemente dos atletas que estão em quadra.

Agora, na edição de 2011 do torneio, é legal perceber que começamos a querer implantar esse conceito de que o espetáculo é importante para ajudar a promover o torneio. Mesmo que ainda seja disputado na Costa do Sauípe (algo que a meu ver torna mais complicada a presença do público), o Brasil Open começa a querer criar barulho, algo que é fundamental.

Prova disso foi a exibição de Thomaz Bellucci e Nicolás Almagro em pleno Pelourinho, no domingo, ao som de Olodum. As imagens rodaram o mundo, ganharam a capa do site da ATP e ajudaram a promover o Brasil Open, algo que nem na era Guga estávamos acostumados a ver e a fazer. A surpresa da ação acabou gerando mídia espontânea, divulgando o evento na região e, também, mostrando que temos criatividade.

Além disso, outro ponto positivo é que o torneio também começa a inovar em algumas ações de patrocínio. Uma delas, e talvez a mais diferente até agora no circuito da ATP dos últimos anos foi a decisão de colocar o placar do jogo como uma reprodução do Galaxy Tab, tablet da Samsung que é concorrente do IPad. O patrocínio a uma das propriedades mais exibidas durante uma partida foi uma grande sacada da fabricante para mostrar seu produto. E uma mostra de que nós começamos a criar mais coisas no evento, chamando a atenção de patrocinadores e da própria ATP para a importância de Sauípe no circuito de tênis. Mesmo sem grandes jogadores, mas com boas inovações, algo essencial no mundo do esporte de hoje.

Por Erich Beting às 01h11

07/02/2011

O rúgbi caminha para ser grande

O trocadilho com a campanha da Topper (que continuo achando genial, mas sem concordar com o posicionamento da marca em relação ao esporte que ela patrocina) é inevitável. Afinal, o rúgbi brasileiro parece que, aos poucos, realmente caminha para ser grande. Ou, pelo menos, para colocar o Brasil no mapa de um dos esportes mais populares do planeta e que movimenta muita grana em sua Copa do Mundo.

No final de semana esportivo balofo que acabamos de ter, o rúgbi brasileiro conseguiu a maior proeza da história do continente. Bateu a seleção da Argentina pela primeira vez num jogo de Sul-Americano (até então os Pumas nunca haviam sido derrotados por ninguém na América do Sul) e conseguiu o terceiro lugar inédito na competição.

O bronze no Sul-Americano assegurou a vaga do Brasil nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, no segundo semestre. Foi um feito e tanto de um país que, até pouco tempo atrás, era eterno freguês de Chile, Uruguai e Argentina. E qual a chave para o sucesso? Sem dúvida que a motivação não vem da campanha da Topper. Muito longe disso, apesar de que a presença de um patrocinador de peso é um sintoma de que a coisa vai bem.

Aqui mesmo nesse blog já tinha, há quase um ano e meio, cantado a bola de que o rúgbi parecia querer caminhar para o rumo da boa gestão, algo tão essencial para o desenvolvimento do esporte. Segue o link com a entrevista que fizemos, na Máquina do Esporte, com Eduardo Silveira Mufarrej.

Lá no cada vez mais distante 31 de julho de 2009 ele parecia um apaixonado falando do que esperava para o rúgbi brasileiro. Hoje, além de dar os parabéns a todos os envolvidos nesse feito do rúgbi brasileiro, já dá para falar que dá para acreditar que o rúgbi pode, sim, ainda ser grande no Brasil. Ou, pelo menos, mais respeitado. Clique aqui para ler a entrevista.

Por Erich Beting às 02h15

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

Histórico

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