Blog do Erich Beting

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06/11/2009

Embate Globo e clubes se aproxima de um final feliz

Parece que está perto de um final um pouco mais feliz o velho embate entre Globo e clubes de futebol pelo fim do "close-up" na cara do entrevistado depois de um jogo ou treino. Um acordo selado entre emissora e Clube dos 13 ontem parece que fará com que, nas três rodadas finais do Brasileirão, tenhamos finalmente o panorama da TV mais aberto, permitindo a visualização das marcas patrocinadoras no segundo plano.

É o início de um final um pouco menos infeliz para a velha queda-de-braço entre as emissoras e o esporte. Nessa batalha, quem puxa a fila no Brasil é sempre o futebol, que alcança as maiores audiências e, assim, faz a coisa andar um pouco mais em favor do esporte.

O Campeonato Brasileiro deste ano já teve o final do "close" no Sportv. Agora, na reta final, parece que a TV aberta vai entrar na história. O processo repete o que já aconteceu nos Estados Unidos, Canadá e Europa, onde a indústria do esporte está mais desenvolvida.

O próximo passo é o nome do patrocinador que compra o direito de batizar um evento ou é dono de um time ser respeitado. Mas isso é algo para mais alguns bons anos de debates e embates. O fato é que podemos ter, em breve, o indício de mais um passo rumo à profissionalização da gestão do esporte no país.

E agradeço ao leitor marcelpompiani pela sugestão do post.

Por Erich Beting às 18h15

Ainda sobre o Corinthians e a venda de ingressos

Acho que faltou, realmente, contextualizar mais o comentário sobre a venda antecipada de ingressos do Corinthians para a Libertadores-2010. Em resposta aos comentários dos leitores TED, M.Jaco, Matheus Fattori e Tambelini, seguem os links para alguns posts mais antigos sobre a visão que tenho a respeito do sócio-torcedor e da maneira como esse tipo de programa é tratado no Brasil (a sequência se completa com três posts: "O sócio-torcedor"; "O torcedor e o clube - parte I"; e "O torcedor e o clube - parte II").

O fato é que o Corinthians só concedeu o benefício de compra antecipada ao sócio-torcedor. Ok, é um direito que tem. Mas e os demais torcedores? Eles deveriam ter uma carga menor de ingressos, mas também deveriam ter direito a essa compra com antecedência. Do contrário, o problema da venda de ingressos continua. A diferença é que o clube se ausenta do confronto numa bilheteria...

Não é errada a ação do Corinthians, pelo contrário, ela é boa. Mas não pode ser confundida como solução para o problema da venda de ingressos. Antecipar venda e receita é a maneira correta de bem atender ao torcedor. Mas isso não significa que só quem paga a mais por isso pode ter direito ao serviço.

Por Erich Beting às 16h07

O Corinthians e a antecipação de receita com bilheteria

O sucesso de vendas de ingressos do Corinthians para a disputa da Copa Santander Libertadores de 2010 mostra o quanto pode ser interessante para um clube planejar a comercialização de bilhetes para a disputa de uma competição. Ainda mais quando ela tem grande apelo para o público.

O Corinthians celebra agora que já vendeu os ingressos colocados para o torcedor na Libertadores. Sem filas, sem burocracia. De fato é um conforto sensacional para o torcedor e uma mostra de que o clube tem o mínimo de preocupação em atender bem seu cliente mais importante.

Mas o único problema é que essa venda foi destinada apenas para o sócio-torcedor. Mais uma vez o Corinthians segue a ideia de que o programa de fidelização do torcedor é usado para dar benefícios na hora de comprar ingressos.

Sem dúvida que é um grande avanço o programa de vendas antecipadas de ingressos, principalmente porque ela funciona para o clube também ter uma previsão de receitas com o campeonato. Mas manter o acesso restrito ao sócio-torcedor mantém o mesmo sentimento de injustiça para aqueles que vão ao estádio e não conseguem comprar um ingresso após horas na fila...

Por Erich Beting às 12h30

04/11/2009

Flamengo ultrapassa 800 mil camisas vendidas

Em menos de seis meses, o Flamengo atingiu o recorde de vendas dos últimos anos de camisas de futebol no Brasil. Nesta quarta-feira o clube alcançou a marca de 807.276 peças comercializadas para os lojistas desde julho, quando a Olympikus assumiu o lugar da Nike como nova fornecedora de material esportivo rubro-negra.

A expectativa, tanto no clube quanto na fabricante, é de que a marca recorde de 1 milhão de camisas vendidas seja batida até o final do ano, seja em caso de conquista do título nacional, seja pela vaga para a Copa Santander Libertadores de 2010.

Só na última semana, mais de 50 mil peças foram vendidas para as lojas.

Com a marca, o Flamengo ultrapassou o Corinthians em vendas. O clube paulista, embalado por Ronaldo e pelos títulos do Paulistão e da Copa Kia do Brasil no primeiro semestre, deve fechar 2009 na casa das 700 mil peças vendidas. O terceiro no ranking de venda de camisas no Brasil deve ser o Palmeiras, seguido de perto do São Paulo, ambos próximos das 600 mil peças. A posição, porém, pode oscilar conforme o desempenho de ambos nesta reta final de Campeonato Brasileiro.

Por Erich Beting às 19h37

Os japoneses saíram da F1

Bridgestone e Toyota anunciaram que deixam a Fórmula 1. Em 2011, será uma das poucas vezes que não teremos japoneses participando da mais importante categoria do automobilismo. Reflexo mesmo da crise financeira, que continua a atrapalhar o crescimento nipônico. E, também, sinal de que as empresas estão revendo onde e como gastar.

Durante décadas as empresas japonesas, especialmente aquelas ligadas à indústria de automóveis, usaram a Fórmula 1 e o automobilismo em geral para mostrarem o grau de excelência de seus produtos.

Mas, desde o ano passado, essa plataforma começou a pesar muito no bolso das empresas. Primeiro foi a Honda, e agora a Toyota, que após mais de meio século teve seus dois piores anos da história.

No caso da Bridgestone, não é tanto a crise, mas a falta de concorrência com outro fabricante (exatamente para mostrar que tem um produto de melhor qualidade) que fez a empresa desistir de continuar na Fórmula 1.

A era das montadoras na F-1 está só pela Renault. A dos japoneses, já chegou ao fim...

Por Erich Beting às 12h25

03/11/2009

Como mudar a imagem do Campeonato Brasileiro?

Já falei aqui, quando abordei a expectativa do G-4 paulista em faturar R$ 260 milhões, que o esporte no Brasil precisa aprender a trabalhar em conjunto. Não dá para pensar apenas no próprio umbigo e se esquecer de valorizar a competição, porque aí todos saem ganhando.

Semana passada, no BandSports, chegou uma correspondência da Bundesliga, a liga de futebol da Alemanha. Assim como a ESPN e a TV Esporte Interativo, o BandSports detém os direitos de transmissão do Alemão. E, como forma de promover o campeonato num dos mais de cem países que detém os direitos, a Bundelisga enviou uma caixa com alguns produtos de alguns times que disputam a competição.

Camisas e bolas autografadas, chaveiros, bonés... Uma série de produtos entregues para um dos canais que transmitem a competição. Produtos que serão usados para promover tanto a transmissão quanto o campeonato. E os times e patrocinadores que disputam o Campeonato Alemão.

É uma simples medida, mas que é extremamente eficiente para promover a competição. Será que o futebol brasileiro faz algo para promover o Brasileirão no exterior???

Por Erich Beting às 19h02

02/11/2009

Para que servem as coletivas de imprensa?

Muricy Ramalho voltou a ser o “Muricy, eterno” que o consagrou no São Paulo. Uma explosão de ira durante a entrevista coletiva e bastou para, de novo, reacender a disputa entre imprensa e treinador depois de um jogo.

Ok, o pavio de Muricy pode ser mais curto que o dos outros. Mas dá, realmente, para aguentar o massacre em que se transformou hoje uma entrevista coletiva após uma partida?

Olhando friamente, do lado do treinador, a entrevista é o momento em que todos querem fazer alguma pergunta. E, convenhamos, depois da terceira ou quarta questão, não tem muito mais o que saber de um treinador. E, muito menos, o que perguntar.

Para piorar o cenário, a imprensa hoje está acostumada a só olhar o resultado da partida, o que é capaz de levar uma pessoa do céu ao inferno depois de um jogo.

O que Muricy falou quinta-feira, depois do baile palmeirense sobre o Goiás, tem a sua ponta de verdade. Palpitamos, muitas vezes, sem ter ido ao treino. Ou, quando um jornalista está lá, é só de corpo presente, sem analisar o treinamento, sem ter visto as variações de jogada, de tática, de jogador...

Obviamente que é uma generalização, mas é algo extremamente corriqueiro. Até mesmo em treinos da seleção brasileira! A correria do jornalista é saber quem joga, e não como joga. E isso leva ao óbvio choque de interesses depois de uma partida.

A entrevista coletiva depois do jogo surgiu na Inglaterra, nos anos 90, na profissionalização do futebol como um todo. Expediente mais comum nos esportes americanos, a entrevista coletiva tinha por objetivo facilitar o trabalho da mídia e, ao mesmo tempo, evitar declarações polêmicas e desencontradas após uma partida. Fala quem quer, como quer e onde quer.

Do ponto de vista do negócio, isso se tornou um grande aliado da instituição “clube de futebol”. O risco de uma crise surgir pelo “disse que disse” tornou-se muito menor. Mas, do ponto de vista da notícia em si, a entrevista coletiva, aliada ao massacre da cobertura da mídia após uma partida, fez surgir uma das coisas mais monótonas e propagadoras de rusgas no futebol.

E não apenas no Brasil!

Na Europa os treinadores também se cansam de ter de responder às mesmas perguntas formuladas de maneiras distintas por diferentes jornalistas e diferentes veículos.

Ainda mais quando é após uma derrota, com a cabeça inchada e sem vontade de ver ninguém. Mas faz parte do show, sem dúvida.

Só que, para o bem do negócio, é hora de repensar o esquema das entrevistas coletivas após uma partida. Porque não limitar o número de perguntas. Três questões das emissoras de TV, três das rádios e três dos veículos impressos e de internet. Se houver mais gente do que pergunta, sorteia-se, por tipo de mídia, quem fará a questão.

Ao todo seriam 12 perguntas para serem respondidas depois de um jogo. É resposta para mais de meia hora de um programa de rádio ou TV, para mais de duas páginas num jornal, para uma infinidade de pixels na internet...

Provavelmente o desgaste seria menor. E, as perguntas, menos repetitivas. O futebol, como um todo, agradeceria.

* Coluna publicada originalmente na Universidade do Futebol.

Por Erich Beting às 17h46

01/11/2009

Três pontinhos

Palmeiras e São Paulo poderiam, nesta atual altura do Campeonato Brasileiro, estarem separados por três pontos de diferença, e não pelo saldo de gols, não fosse um interessante jogo que valeu pela terceira rodada do Brasileirão, no já longínquo dia 24 de maio. Na ocasião, um 0 a 0 entre Palmeiras e São Paulo no Palestra Itália deixou os dois times satisfeitos, inclusive seus treinadores. A prioridade, então, para os dois times, era a disputa da Copa Santander Libertadores.

Esse 0 a 0 é, hoje, o fiel da balança nessa reta final de disputa do Brasileirão. Era jogo em casa para o Palmeiras. E o empate acabou sendo um resultado pior do que o esperado. O detalhe dessa história toda é que, naquele dia, o treinador do São Paulo era Muricy Ramalho.

Hoje, provavelmente Muricy lamenta ter saído com o empate fora de casa contra o então time dirigido por Wanderley Luxemburgo. Afinal, foram dois pontos que o Palmeiras não somou e um ponto a mais que o São Paulo conquistou. Na tabela, uma vitória palmeirense em casa representaria, hoje, cinco meses depois daquele empate sem gols, três pontos de vantagem para o time alviverde em relação ao concorrente tricolor.

E o caso levanta uma questão interessante. Por que não criar uma regra que impeça um treinador que já dirigiu um time de treinar outro no mesmo campeonato?

Por aqui, só se pensa em criar tal "barreira" para os jogadores, que têm um limite de jogos a disputar por um time para poder se transferir para outro que também disputa o campeonato. Por que não fazer algo similar para os treinadores? Seria uma forma de impedir tanto entra-e-sai de treinadores entre os clubes que jogam o Brasileirão. E, sem dúvida, menos dinheiro gasto pelos clubes em contratações e demissões.

Por Erich Beting às 22h29

Preparemos as aspirinas

"Como é que eu posso tomar remédio agora para uma dor de cabeça que terei só daqui a três meses?".

Essa foi a frase dita por Ricardo Teixeira, presidente da CBF e do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014, publicada neste domingo na coluna Painel FC da "Folha de São Paulo". Teixeira se referia, no caso, a eventuais problemas que possam vir a ter as 12 cidades programadas para serem sede de jogos do Mundial.

De fato não adianta tomar remédio para prevenir a dor de cabeça, mas bem que poderíamos ter tomado diversas outras atitudes para evitar que a Copa do Mundo no Brasil se transforme numa daquelas enxaquecas terríveis de se controlar.

Ontem completaram-se dois anos da escolha do Brasil para ser sede do Mundial de 14, como sempre gosta de dizer o presidente da CBF, que também sempre gostava de dizer que não presidiria a CBF e o COL (Comitê Organizador Local) ao mesmo tempo...

Planejamento e execução são duas palavras, nesse caso, bem melhores do que uma aspirina para a dor de cabeça que já se transforma a Copa no Brasil. Há dois anos o país faz acordos políticos, troca de gentilezas e outras cositas mais em torno da discussão de como as cidades precisam se preparar para o Mundial.

Foram dois anos de tanto lobby que se esqueceu do básico, que é trabalhar. Até quinto estádio em São Paulo se cogita nessa loucura que se transformou o "caderno de encargos" da Fifa. Isso sem falar nos mamutes de Brasília, Manaus e Cuiabá, ou no despropósito que é ter mais uma arena para a prática de futebol em Recife.

É melhor começar desde já a preparar o estoque de aspirina, porque daqui a pouco vai chegar a hora de tentar controlar uma enxaqueca daquelas...

Por Erich Beting às 20h38

30/10/2009

Esporte é o novo petróleo dos Emirados Árabes

Não, estou longe de falar aqui da temporada especulativa da Fórmula 1, que tem início no final de semana que vale exatamente para isso na estreia do GP de Abu Dhabi, uma das mais inovadoras ideias de circuito na F1.

Mas, até por sugestão do fiel leitor e grande amigo Tony de Cala, não dá para fechar os olhos com o que acontece nos Emirados Árabes Unidos. Terra repleta de petróleo, os Emirados decidiram, nos últimos anos, não viver apenas do que brota do seu chão. Os xeques que comandam a farra local perceberam que, algum dia, esse recurso vai acabar, e por isso passaram a querer promover de qualquer forma os Emirados Árabes como um local propício para o turismo.

Para alcançar esse objetivo, eles colocaram na cabeça que é preciso fazer parte do calendário esportivo mundial. Na visão dos ricaços locais, essa é a forma de atrair a atenção das pessoas para as belezas, naturais e artificiais, da região. E, assim, impulsionar o turismo.

Neste final de semana é a corrida de encerramento de temporada da Fórmula 1. Mas não é qualquer prova. Os árabes decidiram criar um circuito que envolvesse algumas “graças” a mais. Por isso a corrida começar com luz natural e encerrar com iluminação artificial.

Além disso, para incentivar o turismo de gente endinheirada, construiu-se um hotel sobre a pista, dando uma visão privilegiada da corrida aos seus hóspedes.

E a farra não para por aí. Entre 16 e 22 de novembro, Dubai vai receber o Mundial de Futebol de Areia organizado pela Fifa. Em dezembro, Abu Dhabi receberá o Mundial de Clubes da mesma Fifa, que deixará o Japão depois de nove anos, quando o Brasil sediou aquela famosa edição vencida pelo Corinthians.

Cada vez mais tem-se a certeza de que não existe melhor meio de promover um país do que o esporte. Que o Brasil acorde para 2014 e 2016.

Por Erich Beting às 16h33

29/10/2009

Paulistas querem R$ 260 milhões em patrocínio

"Dentro de campo eu tenho de ser rival do Atlético. Mas, fora dele, tenho de estar unido, para fazer com que o futebol do Paraná cresça ainda mais". Essa frase foi dita por Giovanni Gionédis, ex-presidente do Coritiba, num evento em São Paulo no ano de 2003, na Câmara Americana de Comércio. Desde então meia década se passou, o futebol do Paraná não cresceu tanto assim (pelo contrário, até retraiu em alguns aspectos) e pouco do que foi dito ali foi de fato colocado em prática.

Agora, a história ressurge, mas com outros contornos. Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo se uniram para negociarem contratos de patrocínio em conjunto. Até amanhã deve ser anunciada a parceria com a Femsa, após várias idas e vindas de negociações. E a expectativa dos quatro maiores clubes do estado, é de que, até 2014, o lucro com patrocínios e ações em conjunto atinja os R$ 260 milhões.

Juntos, os clubes ganham força para fazer com que um projeto deslanche. Nos Estados Unidos, esse conceito foi o embrião de formações de ligas esportivas, que hoje fazem com que todos os times ganhem mais dinheiro e fortaleçam o esporte.

Mas, por lá, o conceito de gestão da liga é totalmente diferente do de qualquer outro país que tenha esporte. Os interesses dos clubes são defendidos por profissionais do mercado, que sabem que tipo de propriedade podem comercializar e como fazer para valorizar o produto. Aqui, tal qual na Europa, o cargo de gestor esportivo, principalmente no futebol, é ocupado em sua maioria por dirigentes não-especializados.

O sucesso do G4 e de qualquer outra iniciativa de ação conjunta do esporte no país depende, essencialmente, dessa quebra de paradigma.

Por Erich Beting às 11h51

28/10/2009

Vieri e o "redescobrimento" do ídolo

Christian Vieri recolocou o Botafogo-SP no mapa do noticiário esportivo brasileiro. Jogador mais do que decadente na Itália, o instável centroavante deverá desembarcar na "Califórnia Brasileira" no ano que vem para defender o tricolor de Ribeirão Preto.

A contratação é uma incógnita do ponto de vista esportivo. Mas, no plano de mídia e marketing, já começa a surtir seus efeitos.

Além de fazer com que a mídia volte a falar sobre o Botinha numa época em que o clube não disputa nenhuma competição nacional, a contratação de Vieri pode representar, desde que bem trabalhada, um alento para o torcedor do clube. Carente de ídolos, Vieri pode representar um sopro de esperança de um time que consiga voltar a duelar com os melhores.

Mas é exatamente aí que está o grande risco desse negócio. Vieri pode ser um tiro no pé do Botafogo, dependendo dos valores envolvidos em sua contratação. A estratégia de trazer o jogador e só depois correr atrás do dinheiro pode dar certo, com grande risco, para um Real Madrid ou um Corinthians.

Em clubes de menor expressão, o endividamento que uma contratação de "peso" pode causar é, às vezes, fatal.

Ter ídolos é fundamental para gerar interesse da mídia e da torcida em torno do clube. Mas não pode significar um fardo difícil de se carregar. O desempenho esportivo, nessas horas, é vital para manter toda a estratégia de pé. Resta saber se, no projeto de cidade apresentado ao atacante italiano, o Botafogo ressaltou a existência de uma das mais famosas cervejarias do país...

Por Erich Beting às 18h23

27/10/2009

O Cruzeiro e Sorín

O Cruzeiro fará, no próximo dia 4 de novembro, um jogo de despedida para Juan Pablo Sorín. O amistoso contra o Argentinos Juniors mostra o quanto é importante para um clube preservar a imagem de um ídolo.

É algo que, na Europa e nos Estados Unidos, parece banal. Nada mais justo do que reforçar a ligação de um atleta com o clube. Mas, no entra-e-sai do futebol brasileiro, é um alento ver uma justa homenagem a um jogador que marcou história.

E, curiosamente, um jogador argentino.

Preservar a história de um clube é um ótimo caminho para implementar grandes ideias de marketing.

Por Erich Beting às 18h40

26/10/2009

Ah, tem a emoção também!

Outro dia expus aqui a minha opinião a respeito da fórmula de disputa que considero ser a melhor para o futebol brasileiro. E, ontem, pude acompanhar aqui da Dinamarca os tempos reais e twitteres da eletrizante rodada do Brasileirão.

Pois é, há hoje pelo menos cinco times em disputa pelo título do campeonato. Os pontos corridos, quando nivelado (seja por cima ou por baixo), é uma emoção do começo ao fim, especialmente nesta reta final. E, ao que parece, os clubes perceberam que, para ser campeão, é preciso ter um time que tenha mais de 15 jogadores para resolverem.

É, tem a emoção da disputa também, além de todos os outros aspectos...

Por Erich Beting às 02h56

23/10/2009

O peso do doping no esporte

Maureen Maggi acaba de anunciar que vai deixar o grupo Rede Atletismo. Além dela, o técnico Nélio Moura, que fez os dois últimos medalhistas de ouro no salto em distância, abandonou o time de Bragança Paulista, no interior de São Paulo.

Há quase um ano, o Rede surgiu para se apoderar do atletismo no país. Contratou atletas de peso como Maureen e injetou milhões no centro de treinamento em Bragança. Os escândalos de doping envolvendo seus atletas, que foram sendo um a um revelados, manchou e minou todo o projeto da empresa de energia elétrica.

É o risco do doping. Não só o fato de o atleta ser flagrado no exame e ser punido, mas de colocar em ruínas todo um projeto envolvendo uma modalidade esportiva.

O grupo Rede planejava criar um dos maiores e mais completos programas de atletismo do país. A pressão por vitórias, colocada pela própria empresa devido ao grande volume de investimento feito e, também, pela quantidade de atletas de ponta que contratou, acabou fazendo o esquema desmoronar.

No esporte, o importante é competir, de preferência para ganhar. Mas a vitória sempre tem de ser honesta. Porque é a única maneira de conseguir sustentar toda a estrutura esportiva.

O caminho fica cada vez mais aberto para que a Rede deixe o atletismo.

Por Erich Beting às 18h59

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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