Blog do Erich Beting

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03/04/2009

Flamengo tira Petrobras de olho em novo acordo

Foram diversos anos ensaiando uma quebra, até que finalmente o Flamengo rompeu o cordão umbilical que o unia à Petrobras. E o motivo para desistir de esperar pela Certidão Negativa de Débitos é a vontade de tentar achar um novo parceiro para o clube.

“Já estamos negociando com outras empresas. Liberar a Petrobras foi importante para dar maior credibilidade às nossas negociações”, afirmou à Máquina do Esporte Delair Dumbrosck, o presidente interino do Rubro-Negro.

Com tantos anos de imagem associada à estatal, o Flamengo precisava mostrar ao mercado que, em 2009, a vida seria um pouco diferente. Sem a Certidão de Débitos, o clube não recebia o pagamento do patrocínio. Mesmo assim, estampava a marca da estatal.

A prática não é novidade. Já tinha acontecido em outros anos, o que sempre fez com que outras empresas não se sentissem encorajadas a procurarem o Flamengo. Ou pelo menos a levar a sério o fim de um contrato com a Petrobras.

Agora, com o fim da parceria, a tentativa é de achar uma ou mais empresas. Veja como está esse cenário clicando aqui.

Por Erich Beting às 08h58

02/04/2009

Dá para esquecer a Petrobras?

Após anos de vitórias, discussões, certidões negativas de débito e renegociações de valores, Flamengo e Petrobras parecem ter colocado um ponto final no seu casamento (se ainda não leu, leia aqui). E o que isso muda no mercado de patrocínio esportivo do Brasil?

Tudo.

O Flamengo é potencialmente a maior marca a ser trabalhada no futebol brasileiro. Pelo menos é o que indicam todas as pesquisas sobre tamanhos de torcidas. E, após 25 anos, esse monstro de popularidade no país vai trocar de patrocinador.

Isso é uma grande notícia para o mercado corporativo. Ou não?

Talvez a notícia divulgada hoje possa causar muito menos impacto do que se tivesse sido dada há exatamente um ano.

Afinal, o mercado investidor no esporte está absolutamente retraído. Vide o quanto o Corinthians, mesmo com o Ronaldo jogando, penou para encontrar um patrocinador.

E a nova marca que investirá na camisa do Flamengo terá de tirar, além de mais de uma dezena de milhões de reais do bolso, uma grande lembrança da Petrobras, que praticamente virou sinônimo de patrocínio na camisa rubro-negra.

É muito tempo de parceria, uma relação muito duradoura, que foi dos tempos de Zico às vacas magras de atualmente.

Qualquer que venha a ser o desfecho dessa história, o fato é que o novo patrocinador terá de trabalhar, e muito, para mudar esse quadro. E o caminho passa pela ativação desse patrocínio. Ou seja, ter a coragem de mostrar que a marca é associada ao Flamengo. Só assim para fazer tanto investimento valer a pena.

Por Erich Beting às 17h02

01/04/2009

Futebol e política

Historicamente foi João Havelange quem sempre disse que futebol e política não se misturavam. Quase sempre para tentar manter algum status quo político em pé, além dos interesses da Fifa intactos.

Até que Diego Maradona resolveu mostrar que futebol e política se misturam. No ano passado, em meio a toda a polêmica sobre jogos na altitude, Maradona, então apenas o ex-craque mor da Argentina, foi para mais de 5 mil metros de altura apoiar o presidente boliviano Evo Morales e disputou uma pelada para dizer que os metros acima do nível do mar não interferem no desempenho esportivo.

Os 6 a 1 desta tarde que a Bolívia enfiou na Argentina mostram o quanto unir futebol e política é danoso para o próprio futebol. O lobby pró-altura derrubou Maradona do salto. E o marketing de Morales mostrou seu lado mais sombrio...

Por Erich Beting às 19h40

Globo se "apodera" da Segundona

A Globo tem ficado cada vez mais fortalecida no futebol brasileiro. Além de assegurar até 2011 a transmissão do Brasileirão da Série A, a emissora conseguiu agora os direitos exclusivos sobre a Série B do Nacional até 2014.

O acordo foi fechado diretamente com a CBF, nova gestora do campeonato após a saída da FBA. O negócio prevê pagamento de bônus a time grande que cair, além de aumento no valor do contrato a partir de 2011. Para saber um pouco mais, veja a matéria que foi publicada agora na Máquina do Esporte.

Por Erich Beting às 11h40

31/03/2009

A eminência parda da Série B

Não foi só o Corinthians quem minou a participação da Futebol Brasil Associados (FBA) na gestão da Série B do Campeonato Brasileiro. O relacionamento turbulento entre os dirigentes da FBA e a cúpula da agência Sport Promotion foi determinante para que tivesse fim a primeira entidade representante de todos os clubes de uma divisão do futebol nacional.

Desde o ano passado a FBA tenta diminuir a participação da Sport Promotion na gestão comercial do campeonato. Em 2002, quando a entidade foi criada, os contatos comerciais da agência foram fundamentais para garantir a realização do torneio. Depois, com o passar dos anos, gradativamente a Sport Promotion foi se “apoderando” da venda de propriedades do torneio, ao passo que, com o sucesso da Segundona (leia-se a presença dos grandes), ficou menos complicado vender a competição.

O grande problema para a FBA nesse processo de “fritura” foi a relação de longa data da Sport Promotion com a cúpula da CBF. Desde 1989 a agência é parceira da entidade na venda da Copa do Brasil. Também, em 2007 a Sport Promotion criou o projeto “Marcas da CBF”, com o objetivo de montar um padrão de comunicação visual e comercialização para os Campeonatos Brasileiros das Séries A, B e C, além da Copa do Brasil.

A Sport Promotion não costuma aparecer muito na mídia, mas se relaciona muito bem com as emissoras de TV. Seus donos, o publicitário José Francisco Coelho Leal (conhecido como Quico Leal), o ex-radialista Paulo Roberto Bastos e o engenheiro Alberto Belotti, são avessos a entrevistas, mas circulam com bom trânsito nos grupos de TV, com os quais constroem e comercializam eventos. A empresa, inclusive cresceu desenvolvendo projetos para as emissoras de TV.

Foi nos anos 80, com a criação do “Show do Esporte”, na Band, que a Sport Promotion ganhou terreno no esporte. Depois, com a união à CBF, a empresa deu seu grande salto para dentro do futebol. A FBA, com menos histórico de relacionamento com a cúpula futebolística do país, sentiu agora na pele a influência da empresa.

Será muito natural que, a partir de agora, a venda da Série B, tal qual acontece na Copa do Brasil, fique a cargo da Sport Promotion, que de fato se tornará a “representante oficial” da Segunda Divisão Nacional.

Por Erich Beting às 19h37

Traffic vai cuidar até de arenas

Para quem já achava cada vez maior a presença da agência de marketing esportivo Traffic no futebol brasileiro, o barulho ficará ainda maior a partir dos próximos meses.

Nesta terça, a Traffic oficializou a criação da Traffic Arenas, que atuará na comercialização de arenas de futebol no Brasil. O novo braço da empresa tem como meta a Copa de 2014, que será no Brasil. Os novos estádios já têm as construtoras definidas, mas faltava alguém para vender as propriedades comerciais, entre elas o tão sonhado “naming right” da arena.

A Traffic, valendo-se da influência de J.Hawilla no mercado, decidiu abraçar a "causa". E agora cuidará de mais uma ponta da indústria do futebol no Brasil, talvez até a com maior potencial de crescimento nos próximos anos.

Empresa que começou vendendo placa de publicidade estática nos gramados, agora a Traffic é uma das mais influentes atoras do mercado de futebol na América do Sul. Na Conmebol, a agência é responsável por comercializar todas as propriedades das Eliminatórias da Copa, da Copa América e das Copas Sul-Americana e Libertadores. No Brasil, a Copa do Brasil é vendida pela empresa, que neste ano fechou patrocínio de naming right do evento com a Kia Motors.

Além disso, a menina dos olhos da empresa até então era a Traffic Talentos, braço criado há quase quatro anos para trabalhar com compra e venda de atletas. O negócio cresceu tanto que hoje, além de um Centro de Treinamento de primeira grandeza, a empresa conta com atletas contratados em diversos clubes grandes, como Palmeiras, Santos e Flamengo, entre outros.

Para quem acha que a força da Traffic para por aí, Hawilla também é conselheiro do Ministério do Esporte...

Para ler a matéria completa, clique aqui.

Por Erich Beting às 15h52

Muito além do patrocínio

Quase sempre uma boa estratégia de marketing deve estar associada a um projeto de patrocínio no esporte. A tática da Samsung com o Palmeiras, de usar a camisa do clube para promover o lançamento de um novo aparelho de telefone celular (leia a matéria aqui) é um ótimo exemplo de como o marketing pode ampliar os resultados da exposição que um patrocínio garante a uma marca.

Até amanhã, no Rio de Janeiro, a Puma fará uso desse artifício para ampliar a ligação da marca ao patrocínio da Volvo Ocean Race, maior regata de vela oceânica do mundo. A VOR, como é conhecida, é uma espécie de Copa do Mundo da vela. Lá estão os melhores velejadores, os melhores barcos e, claro, grandes marcas patrocinadoras.

E até o dia 12, os barcos da VOR estão ancorados no Rio, uma das paradas da prova. E a Puma, que tem um barco na disputa além de ser patrocinadora oficial do evento, decidiu convocar o carioca para conhecer de perto como é o seu barco, que tem o desenho de um tênis da marca.

Para isso, a fabricante se associou ao grupo SBF, dono das lojas Centauro e By Tennis. Os compradores das duas lojas poderão conhecer de perto o barco patrocinado pela marca que estará ancorado no Rio, respondendo à pergunta “Qual o nome do barco da Puma na VOR?” (veja abaixo o cupom distribuído nas lojas).

Além disso, haverá o sorteio de dois convites para a pessoa acompanhar a relargada da regata, num barco que acompanhará os competidores e terá a narração de Bruno Prada, um dos maiores velejadores do país, que destrinchará o reinício da prova.

No caso, a grande sacada é dar uma chance exclusiva para o consumidor da Puma e usar para essa ação um parceiro importante, que é a loja que vende produtos da marca. Com isso, a tendência é que essa pessoa associe cada vez mais a Puma aos tops do esporte. Na ponta final, essa lembrança pode levar a um desejo maior de consumir a marca e, assim, aumentar a receita com vendas.

A fórmula não é nova, mas para ela dar certo depende de um planejamento mais amplo para fazer com que o patrocínio valha a pena. Se não for assim, só com exposição na mídia se justificaria um aporte milionário que a Puma faz na vela. E, convenhamos, a vela não é tão queridinha da mídia assim...

Por Erich Beting às 13h26

30/03/2009

Marketing sob medida

Sempre achei que as camisas da seleção inglesa eram, ao lado das da Escócia, umas das mais lindas do futebol mundial. E agora os britânicos resolveram mais uma vez golear a concorrência com o uniforme mostrado no final de semana, em amistoso da Inglaterra contra a Eslováquia.

O uniforme inteiro branco é simples, mas luxuoso. E, mais divertido ainda, tem toda uma história marketeira por trás que pode fazer dele peça ainda mais valiosa.

Em parceria com a Umbro, o English Team criou um uniforme “feito sob medida”. A graça toda é dizer que a peça lembra uma coleção de alfaiate, feita para o jogador. A sacada de marketing é muito boa.

O alfaite Charlie Allen, um dos mais badalados de Londres, foi chamado para “desconstruir” a camisa e redesenhá-la pensando em alta costura e performance esportiva. O resultado foi um uniforme muito semelhante ao usado em 1966, quando os ingleses foram campeões do mundo.

E, para dar um toque de marketing a mais, a Umbro decidiu fazer a venda do uniforme pelo tamanho do colarinho, tal qual um alfaiate. O resultado pode ser visto logo abaixo, em reprodução de foto enviada pela assessoria de imprensa da Umbro.

O gosto depende de cada um, mas o fato é que, desde que a Nike comprou a Umbro, no final de 2007, que as sacadas de marketing começaram a brotar cada vez mais na mente da fábrica britânica, sempre conhecida por ser meio careta.

Por Erich Beting às 17h42

Só seleção faz frente a Ronaldo

Na ausência de Ronaldo, só a seleção brasileira salva. A máxima pode ser apontada a partir da análise dos índices medidos pelo Ibope da audiência da transmissão do futebol pela Globo desde que o Fenômeno voltou ao futebol, no dia 4 de março.

Ontem, o jogo Brasil x Equador teve uma média de 25 pontos na medição do Ibope. O número é igual ao rgistrado nos clássicos Palmeiras x Corinthians e Corinthians x Santos, que contaram com a participação do atacante. E fica abaixo de Itumbiara x Corinthians, o jogo de reestreia do Fenômeno e que marcou 30 pontos de média no Ibope maior índice global no ano às quartas-feiras.

Mas a maior surpresa não é essa. Desde que Ronaldo começou a jogar, apenas três partidas transmitidas pela emissora não tiveram qualquer menção ao atacante. Foram nos jogos Santo André x Corinthians, Defensor x São Paulo e no São Paulo x Palmeiras de sábado. E esses três foram os únicos jogos desde a reestreia de Ronaldo que não alcançaram os 25 pontos.

As demais partidas exibidas ou tiveram o atacante como protagonista pelo Corinthians ou abusaram de mostrar imagens do Fenômeno em campo, mesmo transmitindo outro jogo. Foi o caso de Palmeiras x Ituano, quando mais de dez minutos foram dedicados a mostrar Ronaldo em ação no Pacaembu, contra o São Caetano. Na ocasião, além do gol do atacante, a Globo registrou 25 pontos de média no Ibope.

Por Erich Beting às 17h32

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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