Blog do Erich Beting

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09/04/2009

Programa olímpico inglês está em ruína

Uma disputa entre os principais atletas ingleses e o Comitê Olímpico Britânico pode causar um racha na preparação de Londres para abrigar os Jogos Olímpicos de 2012.

Nesta quinta-feira, representantes dos atletas saíram à imprensa para criticar proposta feita pelo comitê britânico aos grandes astros do esporte do país. Os cartolas ingleses querem que os atletas cedam sua imagem para campanhas publicitárias dos patrocinadores oficiais do comitê. Em troca, o órgão financiaria a preparação britânica aos Jogos.

Na prática, isso permitiria que fossem arrecadadas cerca de 50 milhões de libras (R$ 159 milhões) para o fundo de formação de atletas criado no ano passado pelos ingleses para ajudar a desenvolver as modalidades olímpicas na Terra da Rainha. O projeto consiste em repassar parte do que as loterias britânicas arrecadam para os competidores olímpicos.

Para que os cerca de 1400 atletas tenham direito ao benefício (que pode chegar às 70 mil libras anuais, algo em torno de R$ 220 mil), porém, todos devem assinar o contrato.

E o enrosco é justamente esse.

O contrato com cada atleta prevê a cessão da imagem por três dias para realização de campanhas promocionais dos patrocinadores do Comitê Olímpico Britânico. O problema é que cerca de 80 atletas tem patrocínios pessoais conflitantes com os do “British Team”. E não vão abrir mão deles para apenas dois anos de benefício.

E você, se fosse um atleta de elite que estaria entre o patrocinador pessoal e a ajuda para o restante da classe, o que faria?

Por Erich Beting às 17h11

08/04/2009

Confederação busca estado para ressuscitar autódromos

A qualidade dos autódromos brasileiros é hoje uma das maiores reclamações dos pilotos e organizadores de prova no Brasil. Tendo a pista de Jacarepaguá, no Rio, como seu maior exemplo de abandono e deterioração, a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) tenta agora apoio governamental para solucionar os problemas.

Nesta semana o governo do Mato Grosso do Sul e a prefeitura da capital Campo Grande se uniram para reformar o autódromo local. E, nos próximos dias, a diretoria da CBA vai atrás de Caruaru (PE) e Goiânia (GO) para tentar o aporte de dinheiro público em reformas. Outra iniciativa é com o novo autódromo do Rio de Janeiro, promessa que ainda não vingou.

Mas qual o motivo de colocar mais dinheiro público no esporte?

O auxílio público ao automobilismo só se justifica pelas competições de grande porte. Não dá para pensarmos numa corrida de kart tendo o mesmo impacto econômico que uma prova de Fórmula 1. Mas, sem dúvida, ter autódromos melhores pode significar ter, de novo, grandes eventos do automobilismo como MotoGP, Indy e congêneres.

Restam o automobilismo nacional e a infra-estrutura das cidades com autódromos estarem preparados para conseguirem recolocar o país na trilha das grandes provas.

Do contrário, será mais dinheiro público gasto para benefício de poucos.

Por Erich Beting às 18h39

Crise não tira bancos do esporte no Brasil

A crise financeira mundial quebrou bancos, retraiu os investimentos gerais em patrocínio esportivo (especialmente na Europa e nos EUA) e praticamente varreu as instituições financeiras do esporte.

No Brasil, porém, os bancos são os que mais têm investido em esporte nesse começo de ano. A Caixa Econômica Federal anunciou a renovação do contrato de patrocínio com a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt). Vai pagar R$ 1,5 milhão a mais para estampar sua marca em eventos e atletas que competem pelo país e pelo mundo (leia a matéria completa aqui).

O movimento do banco estatal segue aquele já traçado pelos outras principais instituições financeiras do país. Enquanto os bancos quebravam nos EUA e Europa, o Itaú anunciava o patrocínio à seleção brasileira de futebol, o Bradesco aumentava o uso da Lei de Incentivo ao Esporte para apoiar as mais variadas modalidades e eventos, e o Banco do Brasil e o Santander continuavam a política de investimentos.

Tanta vontade de aparecer se explica. Por aqui, concessão de crédito sem o mínimo de critério não é política dos bancos. Além disso, as taxas cobradas do cliente fazem essas instituições baterem recordes anuais de lucro. Com dinheiro sobrando, a concorrência aumenta, e paulatinamente cresce também o investimento em marketing.

Com o Banco do Brasil virando sinônimo de vôlei, o Santander investindo milhões na Copa Libertadores e a Caixa se apoderando do atletismo, Bradesco e Itaú tiveram de se mexer. E o uso do esporte como plataforma de comunicação tem cada vez mais saída para essas empresas.

Por Erich Beting às 12h28

07/04/2009

Mano Menezes é o novo xodó da Nike

Ele já estrelou o novo comercial da Nike, participou de eventos da empresa com os jornalistas e tem se tornado presença obrigatória nas principais discussões relacionadas a futebol da fabricante americana.

O comportamento de Mano Menezes na campanha vitoriosa da Série B pelo Corinthians chamou a atenção da Nike, que resolveu fazer do treinador uma espécie de “representante” da marca no Brasil.

Mano é o primeiro treinador a receber tal cargo dentro da Nike no Brasil, e é o primeiro técnico de futebol contratado pela empresa no país.

A inspiração vem da maior rival dos americanos, a Adidas, que tem um contrato semelhante com Carlos Alberto Parreira, durante muitos anos um consultor dos alemães. Foi ele, por exemplo, quem deu aval para a fabricante fechar contrato com Kaká quando ele havia acabado de surgir no São Paulo.

Com o treinador corintiano, a ideia é muito parecida. A Nike quer trabalhar a imagem de Mano como uma espécie de “papa” do futebol no país. A diferença é que, assim como sempre faz com seus patrocinados, a empresa americana faz um bom barulho em campanhas comerciais.

Resta ver como será o trabalho com Mano, quase sempre um cara avesso à polêmica.

Por Erich Beting às 18h26

Máquina do Esporte na rádio

Na noite desta terça-feira teremos mais uma conquista para a Máquina do Esporte. Às 21h estreia o programa Máquina do Esporte na rádio Bandeirantes, de São Paulo. Com 15 minutos de duração, falaremos sempre nas noites de terça sobre esse tal de marketing esportivo...

É mais um espaço para quem olha o esporte com a ótica do negócio. E mais uma forma de tentarmos profissionalizar ainda mais a gestão esportiva do país.

Mais detalhes no site da Máquina!

E, às 21h, sintonizem na rádio (90,9FM e 840AM)!!!! Para quem não é de São Paulo, é só clicar em www.radiobandeirantes.com.br.

Assim como qualquer pessoa, estou ansioso para a estreia, que vai falar mais um pouco sobre Flamengo e Petrobras.

Por Erich Beting às 13h27

06/04/2009

Futebol e Política 2

Quem disse que futebol e política não se misturam? Pois é, já falei disso aqui antes. E agora veio mais essa...

O presidente Lula recebeu, na última reunião do G-20, uma camisa da Inglaterra (opa, também já falamos disso!) autografada por David Beckham, como mostra a foto abaixo.

                                       Crédito: Divulgação

O mimo foi devidamente agradecido pelo presidente da República, que parecia uma criança ao mostrar o regalo dado por Gordon Brown, primeiro-ministro britânico (veja abaixo).

                                       Crédito: Divulgação
 

Bom, mas e daí?

Lula pode começar a fazer lobby pela Copa de 2018 na Inglaterra, objetivo maior da terra da rainha atualmente. E a Umbro segue na sua divulgação da camisa de alfaiate, que também já foi falada por aqui...

No final das contas, o curioso mesmo é que Beckham é o astro-mor da Adidas, rival da Umbro. E o máximo que os alemães podem fazer é impedir que Beckham pose ao lado de Lula na foto. E a política continua a se beneficiar do futebol. E vice-versa.

Por Erich Beting às 14h56

05/04/2009

A festa Colorada

O Internacional completou, neste sábado, 100 anos de fundação. O número, além de colocar o clube gaúcho entre os times de futebol centenários do Brasil, permitiu ao Inter fazer uma das principais celebrações “marqueteiras” daquelas já registradas no futebol nacional (é só conferir a foto abaixo com a vista aérea da avenida em que fica o Beira-Rio).

                                                                                                  Crédito: VIPCOMM


Não há nada de errado em fazer marketing sobre uma data comemorativa. Pelo contrário, é apenas mais um motivo para vender mais, que o digam os dias das Mães, dos Pais, das Crianças, dos Namorados...

O interessante é que o centenário do Inter revelou também o motivo de o clube fazer tanto barulho: dinheiro.

Campeão da América e do Mundo em 2006, da Sul-Americana em 2008, o Internacional recebe cerca de cinco vezes menos do seu patrocinador em relação a Palmeiras, e seis vezes menos que São Paulo e Corinthians, para ficar apenas nos times de São Paulo (não por acaso os que mais recebem grana dos seus patrocinadores de camisa).

Do Banrisul, marca estampada em sua camisa há quase dez anos, o Colorado ganha R$ 3 milhões ao ano. Mas como pode o time atual ter craques como Nilmar e D’Alessandro?

É nessa hora que a festa se justifica.

O Inter campeão da América e do Mundo em 2006 marcou uma quebra de paradigma na relação clube-torcedor. Amparado em seus sócios, o Colorado encheu o Beira-Rio e começou um plano para ter cada vez mais torcedores dispostos a contribuir mensalmente com o clube tendo em troca algumas regalias na compra de ingressos para os jogos.

Regalias porque o plano teve de ser revisado depois que não havia mais espaço no Beira-Rio para garantir a entrada de novos sócios, que então passaram a ter apenas facilidades para a aquisição de bilhetes.

Hoje, por mês, os mais de 80 mil associados do Inter contribuem com cerca de R$ 2,5 milhões aos cofres do clube. Ou seja, o torcedor paga, por mês, o mesmo que o patrocinador por ano.

Por necessidade, o Inter foi buscar em seu torcedor a principal fonte de receita para o clube. Para convencer esse torcedor a consumir, o clube precisou fazer uso do marketing. E é por isso que vimos, na última semana, o Colorado anunciar que lançou de relógio a camisa dourada em celebração ao seu centenário. Com tanta novidade, sem dúvida que aumentará o desejo de consumo do torcedor. E o consumo irá diretamente para o caixa do Inter.

Por Erich Beting às 12h51

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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