Blog do Erich Beting

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22/04/2009

Nike deixa o Fla em julho

Após quase um ano de disputa judicial, foi decidida a data para o fim do acordo entre Nike e Flamengo. A partir de 1º de julho, o clube carioca passará a vestir a Olympikus.

Na semana passada foi assinado um termo entre Fla e Nike para o término do contrato a partir de julho. Entre os pontos estabelecidos está a compensação à Nike pelos dias em que o Flamengo deixou de vestir a marca americana, em maio do ano passado, e usou uma camisa fabricada pela Olympikus.

A ruptura feita pelo clube carioca no ano passado gerou uma revolta da Nike, que na Justiça conseguiu bloquear a camisa com os três pontos de interrogação feita pela Olympikus.

Oficialmente o novo acordo só será divulgado cerca de um mês antes de os jogadores vestirem o novo uniforme.

O negócio Fla-Olympikus é o maior já feito no país por um fabricante de material esportivo. Entre produtos, pagamento de royalties e luvas, o clube carioca receberá cerca de R$ 21 milhões ao ano. A Nike pagava R$ 5,5 mi anuais.

No mês de março, o Flamengo chegou a montar uma licitação para substituir a Nike. O processo, porém, só teve a participação da Olympikus. O Fla é o primeiro clube a vestir a marca, que em 2007 foi comprada pela Vulcabrás. O objetivo da fabricante é, em breve, ter mais dois clubes entre os dez de maior torcida do país.

Por Erich Beting às 20h51

Por que o Finasa saiu do vôlei

A decisão do Finasa de descontinuar o seu time profissional de vôlei pode ser entendida por uma série de fatores, que o blog conseguiu apurar e juntar as peças ao longo do dia (o que explica em parte a ausência de outros posts por hoje).

A primeira decisão foi interna. Em março deste ano, o Bradesco mudou de presidente. Márcio Cypriano deu lugar a Luiz Carlos Trabuco Cappi. A missão do novo mandatário do banco é recolocá-lo em posição de liderança entre as instituições privadas do país, perdida na fusão de Itaú e Unibanco e abalada com a junção de Real e Santander.

Com o novo presidente, uma nova filosofia começou a ser implantada dentro da instituição. E o projeto do Finasa, que nunca foi uma unanimidade no Bradesco, passou a ser questionado pela nova direção do banco. Até aí nenhuma novidade, mas na hora de pesar na balança os prós e os contras de uma decisão dessas, vários outros pontos começaram a ser levantados, e a opção pela descontinuidade do time principal ficou foi ganhando força.

O primeiro deles, mais do que óbvio e seguidamente discutido no meio esportivo, é a rejeição ainda existente de muitos veículos (em especial os das Organizações Globo) em falar o nome do Finasa, que era quem assegurava o aporte de R$ 12 milhões anuais para manter o time.

Outro peso foi o patrocínio do Banco do Brasil à Confederação Brasileira de Vôlei e à Superliga. Posterior ao início das atividades do Finasa (na época ainda BCN), o patrocínio do BB estava começando a sufocar a marca da instituição concorrente nas partidas. E a CBV não fez nenhum esforço para evitar isso, pelo contrário.

Por fim, o desgaste da direção do time com a CBV por conta da fórmula de disputa (em adequação às exigências da Globo, a decisão do título passou a ser em apenas um jogo) ajudou a não ser tão defensável assim a permanência do time principal.

O resultado de sábado, em mais uma derrota para o Rexona, não influenciou em nada a decisão. Em organizações gigantescas, com conselho de administração influente, nunca se muda uma ação estratégica tão rapidamente, ainda mais quando essa tomada de decisão envolve um projeto de 20 anos de patrocínio e apoio ao vôlei. Se o time tivesse ganho a Superliga, o mesmo anúncio seria feito às atletas, mas a saída da empresa teria uma cara extremamente vitoriosa, diferentemente do que foi agora.

Mas o desejo de manter uma ligação com o vôlei continua. Tanto que o projeto de formação de atletas não será alterado, mantendo-se a previsão de inauguração do centro de treinamentos para este ano, tal qual já havia sido definido em 2008, antes mesmo da troca de comando no banco.

A saída do time principal, porém, poderia servir para que as empresas de mídia entendessem que, se não houver patrocínio, não haverá time. E aí, não haverá esporte.

Ou seja: não falar o nome de quem patrocina é, definitivamente, um tiro no pé.

Por Erich Beting às 00h08

20/04/2009

Carta na manga

O Corinthians já recebeu uma proposta para um patrocínio na manga do seu uniforme para os dois jogos decisivos do Campeonato Paulista contra o Santos.

Os valores ainda são mantidos em sigilo, bem como o nome da empresa que fez a proposta. Mas devem beirar os R$ 150 mil por partida pela exposição, tendo como base o acordo fechado com a Panasonic para o clássico contra o Palmeiras, que marcou a estreia de Ronaldo no Paulistão.

A diretoria de marketing do clube ainda estuda se aceitará o acordo, considerado um pouco abaixo da expectativa.

Enquanto isso, seguem as negociações para um patrocinador "permanente" na manga e no calção. Como o blog já havia antecipado, por essas duas propriedades o Timão quer R$ 12 milhões. A maior oferta recebida foi de cerca de R$ 10 milhões.

Por Erich Beting às 19h18

19/04/2009

O gol contra de R$ 1 milhão

O gol contra de Emerson, no Flamengo 1x0 Botafogo, levou o Estadual do Rio para a decisão em duas partidas. O jogo poderia representar, para o Fogão, a vitória e o título estadual sem a necessidade das duas partidas.

Mas será que foi tão ruim assim fazer mais duas partidas?

A renda do jogo deste domingo foi de R$ 1,5 milhão. Considerando que os dois clubes racham a conta de bilheteria, e que cerca de 63% da renda bruta ficam com os times, o gol contra de Emerson valeu, para Flamengo e Botafogo, cerca de R$ 1 milhão.

Se a bilheteria continuar em R$ 1,5 milhão em cada um dos dois jogos restantes, Fla e Bota vão ganhar quase um milhão de reais. Um gol que vale, para clubes com dificuldades financeiras, tanto quanto um título.

Por Erich Beting às 18h33

Um bom exemplo?

Ronaldo é um gênio. Dentro de campo, poucos dominam tão bem a técnica quanto ele.

Mas ainda não compreendi sua comemoração do gol sobre o São Paulo.

Foi uma provocação barata, na referência direta ao gesto de Cristian no primeiro jogo? Ou teria sido uma resposta às cada vez mais infelizes colocações dos dirigentes são-paulinos, uma espécie de tapa com luva de pelica?

Só acho que foi um péssimo exemplo. Por mais que tenha sido marketeiramente engraçado e até bom.

O certo é que Ronaldo continua a ser ótimo em polêmicas. E, a cada dia, a dar dentro de campo a resposta que nunca se espera dele.

Por Erich Beting às 18h18

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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