Blog do Erich Beting

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02/05/2009

"Marketagem" olímpica

A imprensa faz o seu papel. O COB, também. E, no final das contas, segue em curso a maquiagem do Rio de Janeiro na tentativa de convencer o Comitê Olímpico Internacional de que o sonho olímpico pode deixar de ser apenas um sonho megalomaníaco de Carlos Arthur Nuzman.

Enquanto a imprensa alardeia a tentativa de não mostrar favelas, retirar sem-tetos e afins, os seguranças tratam de dar uma caprichada para que não se fale mal do Rio durante a passagem da comitiva do COI.

Mas será que tanta maquiagem faz diferença?

Oras, o Rio é famoso pelas suas favelas, especialmente por aquela que se orgulha de ser "a maior do mundo", que é a Rocinha. O europeu vem fazer turismo nas favelas e se impressiona com os contrastes genuinamente brasileiros, capazes de colocar lado a lado um carro importado blindado e um garoto maltrapilho pedindo esmola no semáforo.

É impossível que um inspetor do COI não venha ao Brasil sabendo que aqui irá encontrar, além de Pelé, carnaval, praias lindas e clima delicioso, muita pobreza, desigualdade e problemas crônicos.

É muita ingenuidade achar que fará diferença não mostrar o lado "feio" do país. E mais ingenuo ainda é achar que, em plena inspeção do COI, o Brasil fará questão de mostrar o que tem de pior e não ressaltar aquilo que tem de melhor, de Pelé à caipirinha.

Duvido que, na inspeção em Chicago, os americanos vão mostrar o abandono de diversas casas hipotecadas, a alta taxa de desemprego, a dificuldade de uma crise que há décadas não se via na Terra do Tio Sam.

Lá, a imprensa também vai cair matando.

Mas o certo é que a maquiagem olímpica é, muito mais, uma "marketagem" olímpica.

Por Erich Beting às 15h14

30/04/2009

Tiro no pé na F1?

A Fórmula 1 foi a primeira a lançar o conceito de negócio no esporte, tornando-se hoje uma espécie de personificação do que é pensar primeiro em negócio e depois em esporte (que o diga a história de existir, por contrato, um segundo piloto numa equipe). Mas ainda não sei se foi boa a ideia de banir o reabastecimento de combustível a partir da próxima temporada.

A justificativa é a contenção de gastos com a crise. Mas será que a prática não reduzirá o aporte de um grande parceiro que toda escuderia tem?

Afinal, quando voltou a existir o reabastecimento, as equipes da F1 "ganharam" mais uma propriedade para vender a um patrocinador. E quem criou moda foi a Petrobras, que fez o macacão amarelo com o logo da marca para o funcionário que "enchia o tanque" da Williams. A partir daí, todas as outras passaram a imitá-la, e as empresas do ramo aumentaram o aporte de dinheiro por causa dessa aparição na mídia.

E agora, sem reabastecer o carro, como ficará a história? As equipes precisarão continuar com um parceiro de combustível. Mas perderam um importante argumento para barganhar mais dinheiro com o fim do funcionário exclusivo responsável por reabastecer o carro...

Tô sentindo que foi um tiro no pé.

Por Erich Beting às 12h48

Brasil é a Inglaterra da Libertadores

O petardo de Cleiton Xavier garantiu o Palmeiras nas oitavas-de-final da Copa Libertadores e manteve o Brasil como o único país com 100% de aproveitamento na fase decisiva da competição. Dos 16 classificados (falta decidir uma vaga, entre Deportivo Cuenca, do Equador, e Deportivo Táchira, da Venezuela), o país é o líder absoluto, com cinco classificados. Em segundo lugar, empatados, estão México, Argentina e Uruguai, cada país tendo colocado dois clubes na fase de mata-mata da competição.

Mas o que isso tem a ver com negócios do esporte?

Tudo.

Os times brasileiros são, da América do Sul, aqueles com o maior orçamento para o ano. Ou seja, são os clubes do Brasil os que têm mais condições de contar com bons jogadores no elenco e de manter um time forte disputando competições simultaneamente. Um exemplo banal que evidencia bem o abismo. Enquanto São Paulo e Palmeiras têm patrocínios na casa dos R$ 15 milhões ao ano, Boca Juniors e River Plate (para ficar no segundo maior mercado do continente) se contentam com cerca de US$ 3 milhões por ano, menos da metade da verba dos brasileiros.

Esse desequilíbrio na geração de receita é o que explica o predomínio dos clubes brasileiros na fase decisiva da competição. É só lembrar que, nas últimas quatro edições do torneio, tivemos duas finais entre times do país (2005 e 2006, com São Paulo x Atlético-PR e São Paulo x Inter, respectivamente) e dois vice-campeonatos para o Brasil nos outros anos (com Grêmio em 2007 e Fluminense em 2008).

Por isso não será surpresa se tivermos os cinco brasileiros de novo classificados para as quartas-de-final, fazendo com que mais da metade das equipes na disputa pelo título sejam do país. Qualquer semelhança com a situação dos clubes ingleses na Liga dos Campeões (três equipes entre os quatro semifinalistas) não é mera coincidência.

Como cá, lá são os britânicos os clubes com mais poder econômico do continente.

Por Erich Beting às 00h36

29/04/2009

Vasco pode voltar à Vulcabrás

Nem um ano depois de romper o contrato com a Reebok, o Vasco pode voltar a vestir uma marca da Vulcabrás. As conversas agora apontam para a Olympikus, que a partir de julho vestirá o time do Flamengo

O clube tem penado no relacionamento com a Champs, que desde dezembro passado é a fornecedora de material esportivo do Vasco, substituindo a Reebok, outra marca gerenciada pela Vulcabrás. Os problemas vão desde a entrega de uniforme até o atraso no pagamento de cerca de R$ 500 mil mensais.

As conversas já estão adiantadas com Tullio Formicola Filho, diretor de marketing da Vulcabrás. Agora, com a chegada de Fabio Fernandes, sócio da agência F/Nazca, ao cargo de diretor de marketing do Vasco, a negociação ganha novo fôlego.

Se concretizar o negócio com o Vasco, a Olympikus irá atrás de um terceiro clube para patrocinar. O objetivo é pegar um time entre os de maior torcida do país. Na lista, restam poucas opções. São Paulo, Inter e Cruzeiro já são patrocinados pela Vulcabrás com a Reebok. Palmeiras, Corinthians e Santos estão fechados com Adidas, Nike e Umbro, respectivamente. No que seria o "top ten" das torcidas, restam Grêmio e Atlético-MG.

O projeto gremista para a construção da sua nova arena já seduziu a Vulcabrás...

Por Erich Beting às 15h11

28/04/2009

A Copa do Mundo já começou

A Fifa teoricamente proíbe o Brasil de fazer qualquer ação relacionada à Copa do Mundo de 2014 antes do término da Copa da África. Ou seja, o Brasil não poderia fazer alarde com o Mundial até antes de julho do ano que vem.

Mas, na prática, a história tem sido muito diferente.

Amanhã a taça da Copa do Mundo fará mais uma aparição em solo brasileiro. Na semana passada foi a Visa quem promoveu um giro da Copa. Agora é a vez da Sony levar ao público o troféu, no estádio do Pacaembu.

No caso da bandeira de cartões de crédito, a associação com 2014 não tinha sido tão explícita. Agora, porém, a Sony já fala abertamente que essa ação está ligada também com a Copa brasileira. Amanhã, a empresa fará o "encontro" inédito das taças Jules Rimet (aquela que foi dada ao Brasil com o tri em 70 e depois roubada da sede da CBF nos anos 80) e da Copa do Mundo. Para carregá-las, contratou um time de peso, que terá como ícone maior Pelé.

"O Brasil, primeiro país a ganhar três títulos mundiais, foi premiado com a posse definitiva da taça Jules Rimet em 1970. Reviver essa história junto à exposição do troféu atual da Fifa é uma ótima oportunidade para os amantes do futebol. A Figer, como agência de marketing esportivo da Sony, conseguiu reunir as duas taças que são cobiçadas por muitos e manipuladas por poucos. A Fifa, Pelé e Dunga trarão essa oportunidade para São Paulo, que é certamente um dos polos mais importantes para o palco da Copa de 2014”, afirmou ao blog Alan Cimerman, diretor da Figer.

A agência é a primeira a começar a se mobilizar para 2014. Outras empresas também já estão trabalhando de olho no Mundial no Brasil.

E, até agora, nada de definição das sedes... 

Por Erich Beting às 17h48

27/04/2009

Corinthians filmará retorno de Ronaldo

O Corinthians já começa a preparar o roteiro para um novo filme. Após fazer o "Fiel", sobre a volta à Série A, o tema agora será o de outro retorno.

O de Ronaldo.

A informação foi confirmada há pouco para o blog por Luis Paulo Rosenberg, vice de marketing do Corinthians. A ideia ganhou força após o show de Ronaldo na Vila Belmiro, na primeira final do Campeonato Paulista. E começará a ser trabalhada pelo marketing corintiano após o desfecho do campeonato. Por enquanto a ideia só está na cabeça, e em breve começará a ser passada para o papel.

É mais uma ação do estilo que tem consagrado Rosenberg e a nova diretoria de marketing do clube, em atuação desde o final de 2007. O dirigente geralmente alardeia o projeto para depois começar a viabilizá-lo. Em algumas tacadas, deu certo, como a camisa "Eu nunca vou te abandonar". Em outras, não foi tão bem assim, como a camisa com as fotos dos torcedores.

Mas pelo menos é mais barulho a se criar em torno do Fenômeno. E, se bem executado, promete ser um sucesso. Como esses quase cinco meses de Ronaldo no Corinthians.

Por Erich Beting às 18h37

Quem ganha com a crise

A crise na economia mundial tem representado lucro para pelo menos um setor do esporte. As empresas de apostas têm aumentado o recorde de faturamento - e de lucro - nos últimos meses.

Hoje foi a vez da Sportingbet, a única das gigantes de apostas a atuar também no Brasil, anunciar números recordes das apostas relacionadas ao esporte. Só no segundo trimestre do ano fiscal (entre novembro de 2008 e janeiro de 2009), em meio à crise que derrubava bancos pela Europa e Estados Unidos, a empresa teve um lucro de 11,3 milhões de euros (ou cerca de R$ 32 milhões). O valor foi 35% maior do que o lucro obtido no mesmo período do ano anterior.

Esse resultado se explica pela própria crise. Com receio do futuro, ou mesmo sem emprego, o apostador se sente mais confiante em tentar a sorte na loteria dos resultados esportivos. Esse sentimento, aliado a uma forte estratégia de marketing, que envolve o patrocínio a clubes e campeonatos, fez com que o dinheiro entrasse ainda mais no caixa das empresas.

No Brasil, a aposta online ainda é controversa. As empresas do setor ainda não entraram com força no país. Quando fizerem, tentarão mudar a lei e conseguirem patrocinar clubes. Foi assim que a Bwin avançou no mercado europeu, patrocinando forças como Milan, Real Madrid e Werder Bremen. Hoje, é uma gigante, usando sempre o esporte como bandeira da aposta.

E você, o que acha da entrada de empresas de apostas no Brasil? Seria uma saída para os clubes que estão sem patrocínio, como Flamengo, Cruzeiro, Atlético-MG e Vasco, só para ficar na lista das dez maiores torcidas do país?

Por Erich Beting às 18h18

Corinthians vende camisa e "dá" treino

Reflexos da saída da Nike do Flamengo, está cada vez mais atencioso o tratamento que a empresa americana tem dado ao Corinthians. Prova disso é a ação que será feita a partir de amanhã com os torcedores corintianos. A empresa e o clube farão uma promoção para o torcedor que comprar a nova camisa, que será lançada no Campeonato Brasileiro.

Aqueles que fizerem a pré-reserva do novo uniforme (disponível em seis lojas na capital paulista) terão direito a assistir a uma "pré-estreia" da camisa, em sessão exclusiva. No dia 9 de maio, véspera do primeiro jogo corintiano no Brasileirão, os jogadores farão o treino no estádio do Pacaembu. E apenas quem comprar o uniforme poderá comparecer ao exercício.

No Pacaembu, uns poucos privilegiados terão o direito de conhecer detalhes do uniforme e sairão do estádio usando a nova camisa.

É uma sacada interessante, já que cria um fato novo para o torcedor mudar de camisa e, também, dá um benefício a quem comprar antes o material. No final, a chance é de aumentar as vendas com a ação e, assim, gerar mais receita para clube e fornecedor. Simples, mas diferente.

Por Erich Beting às 12h28

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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