Blog do Erich Beting

Busca

09/05/2009

Quarentena na Conmebol!!!!

Primeiro foi a indefinição sobre onde seriam os jogos envolvendo times mexicanos nas oitavas-de-final da Libertadores. Depois, uma falta de tato para discutir o que poderia ser feito a respeito com esses times após a recusa de alguns países em recebê-los. Por fim, ficou nítido que faltou conversar com os clubes para chegar a um consenso que fosse, no mínimo, aceitável.

Porque era perfeitamente plausível anunciar a triste decisão de, neste ano, eliminar os mexicanos da competição. Não é fácil tomar essa decisão, mas é necessária. Em 2003, a Fifa viu-se em dilema parecido, com o vírus do Sars a castigar especialmente a Ásia. Isso era o início do ano. Em setembro, a Copa do Mundo de futebol feminino seria jogada na China. A sete meses do evento, a Fifa mudou a sede do torneio para os Estados Unidos, postergando a sede chinesa para 2007.

Obviamente existiam contratos firmados com empresas chinesas para bancar o torneio no país. Negócios ainda mais importantes que aquele que a Conmebol tem com a Fox Sports, que banca boa parte da Libertadores e, também, impõe a presença dos mexicanos no torneio.

Não é prudente disputar qualquer partida no México pelo atual estágio da gripe suína e pelo fato de o foco de infecção ser o México. Mas também não é possível simplesmente postergar a decisão, tentando agradar a todos.

O bom gestor, geralmente, tem a incumbência de ser o portador de uma má notícia. Ele precisa ter o pulso firme para a tomada de decisões importantes e, especialmente, estratégicas. A incompetência da Conmebol pode até causar um incidente diplomático pela forma como o México tem sido tratado. Não que seja certo jogar no país, mas o mínimo que se espera é uma decisão de pulso da Conmebol.

Para "melhorar" toda essa bagunça, a Conmebol pode arranjar outro grande problema aqui no Brasil. O Sport descumpriria o Estatuto do Torcedor ao mudar a data de seu jogo contra o Palmeiras de terça para quarta-feira. Uma boa carga de ingressos já está impressa e vendida com a data inicialmente prevista...

Será que não daria para colocar em quarentena a Conmebol, só retornando ao batente em 2010?

Por Erich Beting às 20h54

08/05/2009

Ronaldo liga sinal de alerta na Globo

Oficialmente, todos negam. Corinthians, Globo e Ronaldo. Mas começou a repercutir dentro da emissora do Jardim Botânico (nenhum trocadilho com o fato de a Globo não dizer o nome de empresas, é só para não repetir o nome Globo mesmo...) a história de que o banco Panamericano é o novo patrocinador do Corinthians. Para quem não sabe, o banco faz parte do grupo Silvio Santos, que por sua vez é dono do SBT...

O Corinthians já jogou com Tele Sena e Carnê do Baú estampados na omoplata dos jogadores. Até aí, nada demais para a Globo, que até exibiu as marcas sem qualquer problema. Da mesma forma, não haveria nenhum problema para a emissora do Jardim Botânico ver Ronaldo anunciando um desses dois produtos ou até mesmo o banco na telinha. Afinal, 80% do valor do contrato com o Corinthians é destinado para Ronaldo prevendo exatamente a cessão de sua imagem para uma campanha publicitária.

O problema é que o SBT já fez a proposta para que Ronaldo endosse a mudança de grade da emissora. Aí é que o bicho pega.

A Globo já sondou o Corinthians para tentar evitar que isso aconteça. Para o blog, Marcelo Campos Pinto, diretor executivo da Globo Esportes, diz que não sabe de absolutamente nada sobre o assunto e que acredita não ver problemas em Ronaldo anunciar o SBT.

Mas internamente a história não é bem essa. Ronaldo é a plataforma de elevação do nível de audiência da Globo no futebol neste começo de ano. E sempre está "à disposição" da reportagem da emissora para entrevistas exclusiva. Do outro lado, o Corinthians está numa sinuca de bico. Não quer evitar uma crise com a principal emissora do país e detentora dos direitos de transmissão dos campeonatos. Mas também não pode desagradar o novo patrocinador.

Vamos ver no que vai dar...

Para acompanhar mais detalhes, vá até o site da Máquina do Esporte a partir desta manhã. Lá estaremos com a história mais atualizada e colocando novas informações tão logo elas surjam.

Por Erich Beting às 00h13

07/05/2009

E a Ulbra também vai sair...

Num comunicado à imprensa, distribuído agora há pouco, a Ulbra, Universidade Luterana do Brasil, anunciou praticamente sua saída do esporte de alto rendimento. Uma das únicas universidades que seguiam o modelo americano de incentivo ao esporte, unindo estudos e alto rendimento esportivo, a Ulbra justificou a saída pelo momento de crise financeira que a instituição atravessa.

A necessidade de reduzir custos fará com que apenas o time de vôlei continue. E, mesmo assim, apenas até maio de 2010, quando os contratos de patrocínio que sustentam a equipe se encerram. As demais modalidades, incluindo o futebol profissional, serão encerradas até julho.

Por trás da saída, além da crise, está a mudança na reitoria da Ulbra, que decidiu mudar a política de investimentos.

É mais um baque para o esporte. E outro ainda maior  para a pretensa ideia de formar, no Brasil, uma base esportiva similar à dos Estados Unidos, com as universidades sendo formadoras de atletas. A Ulbra era a única instituição de ensino "poliesportiva" do país.

O único alento é que a estrutura construída nesses quase 15 anos de incentivo ao esporte será mantida. Tanto em projetos sociais quanto em cessão de espaço para atletas, agora porém sem o incentivo financeiro. É pouco, mas pelo menos é a manutenção de uma parte fundamental ao esporte, que é a base.

Mas, sem o alto rendimento para receber os atletas, só a base não sustentará o esporte no país.

Por Erich Beting às 23h45

06/05/2009

Sport põe torcida "contra" time

Em meio à disputa da vaga nas quartas-de-final da Copa Libertadores, o Sport criou uma ação muito legal para o seu torcedor. O clube fará, no próximo dia 16, uma ação inédita no Brasil. Por R$ 170, o torcedor poderá comprar uma "vaga" para disputar uma partida contra o time sub-20 do Sport, vice-campeão brasileiro da categoria em 2008.

Além do jogo, que será limitado aos 25 primeiros inscritos, haverá uma feijoada após a partida, em que acompanhantes dos "jogadores" poderão participar. Mulheres pagam R$ 30. E homens, R$ 50. A ação está sendo chamada de "Desafio Sport - sua chance de desafiar nossos leões".

Mais do que o dinheiro que será arrecadado, a iniciativa aproxima ainda mais o torcedor do clube. E faz dele um consumidor de produtos dos mais variados. É a tal da "experiência única" que todo mundo quer ter.

E mostra que, em matéria de marketing, muitos clubes têm se mexido bastante...

Por Erich Beting às 17h50

05/05/2009

Copa rende novo acordo à CBF

A realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil tem aumentado substancialmente os lucros da Confederação Brasileira de Futebol, a CBF, administradora do futebol nacional. Na próxima quinta-feira mais um novo patrocinador será anunciado pela entidade.

A Gillette passará a ser parceira oficial da seleção brasileira. É o primeiro contrato anunciado em 2009, após uma série de acordos estabelecidos no ano passado. Até antes do anúncio do Brasil como sede da Copa do Mundo, a CBF tinha o patrocínio da Nike, da Ambev, da TAM e da Vivo.

A partir de novembro de 2007, porém, o que se viu foi um corre-corre de empresas em busca de contratos que garantiriam a parceria até 2014. Nike e Vivo renovaram seus acordos, pagando muito mais do que a soma anterior. Além disso, novas marcas entraram no jogo. Só em 2008, Itaú e Hugo Boss se juntaram à lista de patrocinadores da seleção.

Resultado prático de tudo isso: em 2008, ano tradicionalmente morno por causa da ausência de comptições da Fifa e obrigação de custos com as Olimpíadas, a CBF lucrou R$ 32 milhões. Mais de três vezes o que tinha lucrado no ano anterior, quando os cofres da entidade foram reforçados em R$ 10,4 mi.

Para 2009, a expectativa é de aumento ainda maior, já que pode entrar no bolo de receita premiação por conta da Copa das Confederações, além de um possível acerto com uma empresa de cartões de crédito, propriedade ainda livre na seleção.

A Copa do Mundo, apesar de insistirem que é da Fifa, é um ótimo negócio para a CBF...

Por Erich Beting às 13h40

Flamengo quer R$ 21 mi de patrocínio

O Flamengo quer R$ 21 milhões pelo patrocínio em seu uniforme durante um ano. O valor é referente às três propriedades que o clube colocou à disposição: peito e costas, mangas e calção. Esse pacote foi oferecido a quatro empresas até o momento, sendo que o martelo ainda não foi batido. Com a conquista do tricampeonato estadual, a expectativa é de que aumente o interesse pelo clube.

Apenas para estampar a marca no peito e nas costas da camisa, que é a principal propriedade, o Flamengo quer R$ 15 milhões. O montante se aproxima do que Palmeiras e São Paulo recebem de seus patrocinadores (Samsung e LG, respectivamente), e fica abaixo do que o Corinthians ganha da Batavo (R$ 18 mi).

A hipótese de alcançar os R$ 21 milhões ainda é trabalhada com cautela na Gávea. O primeiro objetivo é vender todas as propriedades a uma única empresa. Mas, se esse plano não vingar, existe a possibilidade de esperar a definição do patrocinador principal para então buscar empresas que tenham afinidade com ele, o que facilitaria o negócio.

Por Erich Beting às 09h13

04/05/2009

Salvem as camisas!

Finalmente o futebol brasileiro começou a tornar obrigatória a exploração de uma estratégia simples de marketing. As camisas comemorativas dos campeões no futebol.

Os títulos estaduais mostraram o quanto já virou regra um clube fazer a camisa que comemora a conquista. Algo simples, de bom gosto e, principalmente, acessível para o público, com preços mais em conta do que as camisas oficiais de jogo.

Os produtos comemorativos geram receita para o fabricante da camisa, para o clube e, também, ajudam a combater a pirataria. Além disso tudo, fazem com que o torcedor se sinta privilegiado por poder vestir uma camisa que celebre um título.

Algo banal, que cria o hábito de consumo do torcedor, mas que até pouco tempo atrás era simplesmente ignorado pela maioria.

Salvem as camisas!

Por Erich Beting às 18h48

O "democrático" Nuzman

"O resultado da eleição na Confederação Brasileira de Basquete demonstra que as Federações Estaduais não estavam satisfeitas com a CBB e decidiram pela mudança. Essa é uma demonstração clara da forma democrática que o esporte está estruturado e que garante a renovação dos quadros dirigentes, sempre que a comunidade daquele esporte assim entender".

A frase acima foi dita, em comunicado distribuído à imprensa, por Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro desde 1995. Antes de comandar o COB, Nuzman foi presidente da Confederação Brasileira de Vôlei entre 1975 e 1995.

E agora dá essa aula de democracia no caso da CBB. As reeleições do COB são todas feitas seguindo a vontade das federações. Mas o comitê peca apenas num item que é primordial numa democracia. A liberdade de manifestação contrária de pensamento...

E exportou esse modelo para a CBB, justamente na época mais interessante do basquete brasileiro, em 2005, quando, apoiada pelo COB, a confederação conseguiu suprimir um movimento de "levante" com a criação da Nossa Liga de Basquete pelos ídolos Hortência, Oscar, Paula e Janeth.

Não é só a CBB que precisa de novos ares no esporte.

Por Erich Beting às 16h39

A melhor notícia para o basquete

Acaba de ser dada a melhor notícia para o basquete brasileiro após muitos anos.

Gerasime Bozikis, o Grego, finalmente decidiu deixar o cargo de presidente da CBB. A decisão foi anunciada há pouco, antes da derrota que Grego sofreria na votação pelas federações. No cargo desde 1997, o mandatário conseguiu fazer com que o basquete nacional deixasse de ser um dos maiores do mundo para se tornar, dentro do Brasil, o quarto esporte na preferência popular, isso sem falar no vexame de não ter o time masculino desde 2000 nas Olimpíadas.

Assim como no judô anos atrás, quando a dinastia de Mamede levou o esporte para o buraco, o basquete não via futuro no Brasil.

Carlos Nunes, o novo presidente, assume dizendo que vai mudar o modelo de gestão da CBB. Esperamos que não fique apenas no discurso. É um alento para um dos esportes mais admirados no país, mas que nos últimos tempos havia sido abandonado.

Quem sabe agora a seleção contará com os craques que estão na NBA. É o primeiro passo para o basquete do Brasil voltar a ser o que era antes. Talento não falta. É hora de colocar a boa gestão em prática.

Por Erich Beting às 13h13

Vídeo da Nike celebra vitória corintiana

Um vídeo com um minuto e meio de duração, inteiro em preto e branco, foi a maneira encontrada pela Nike para celebrar a conquista do Campeonato Paulista pelo Corinthians. Com imagens em branco e preto, o vídeo narra a caminhada alvinegra para o título estadual.

Não por coincidência, o início da "aventura" é também o do jogo da estreia de Ronaldo, principal atleta da empresa no país, no empate por 1 a 1 com o Palmeiras. O encerramento do vídeo mostra o atual slogan da campanha da multinacional. A mensagem "rala que rola" refere-se à conquista invicta do Paulistão.

O vídeo é mais uma forma de agradar e ligar a imagem da Nike ao Corinthians, com quem tem contrato até 2014. O clube se tornou o xodó da empresa desde que o Flamengo decidiu romper seu contrato, em maio do ano passado. A partir de julho, quando o clube carioca vestirá a Olympikus, o Corinthians será o único clube de futebol da multinacional no Brasil, além da seleção brasileira.

Veja abaixo o vídeo da celebração corintiana:

 

Por Erich Beting às 10h07

03/05/2009

Com Ronaldo, SBT aparece na Globo

A tacada genial do banco Panamericano em fechar com o Corinthians, e com Ronaldo, já rendeu o primeiro fruto ao SBT.

Ronaldo acaba de dar entrevista na Globo, minutos antes de a bola rolar no gramado do Pacaembu. E o logotipo da "Tele Sena" apareceu claramente no ombro do atacante corintiano. É reflexo do patrocínio anunciado na última quinta-feira.

E a Globo vai ter de rebolar para evitar que as marcas do Grupo Silvio Santos apareça na camisa do Corinthians...

A situação, diga-se de passagem, é muito diferente daquela vivida pela mesma Globo na decisão da Copa João Havelange em 2000.

Para quem não se lembra, foi quando o Vasco entrou no gramado do Maracanã com o logotipo do SBT estampado no peito e nas costas da camisa. A ação, à época, foi só para encher a paciência da emissora carioca. E custou ao clube quase seis anos sem um patrocinador, pelo fato de o Vasco ter tirado a marca do sabão em pó Ace da camisa de forma unilateral justamente no jogo mais importante da temporada e pelos mandos e desmandos de Eurico Miranda no clube na sequência desse ato.

Agora, o SBT pagou para estar com a propriedade no uniforme corintiano. E, mais do que isso, 80% do dinheiro investido será para Ronaldo, que poderá vir a ser garoto-propaganda dos produtos do Grupo Silvio Santos. Já imaginou o Fenômeno anunciando a Tele Sena???

Por Erich Beting às 16h18

O futuro dos estádios no Brasil

A Copa do Mundo revolucionou o futebol na Alemanha. A partir das mudanças de infraestrutura dos estádios para o Mundial, os alemães entenderam que tinham de mudar a maneira como tratavam seus torcedores. Com a reforma dos estádios, o público passou a ser mais exigente quando começou a ir para os jogos.

E isso fez com que, na Alemanha, os gestores começassem a fazer com que a ida a um jogo de futebol não se resumisse apenas àquela 1h30 de disputa da partida. Assentos marcados e confortáveis, melhoria nos acessos, sistema público de transporte mais eficiente, opções de entretenimento como lojas e praça de alimentação, preocupação com o bem-estar do torcedor.

Tudo isso passou a ser algo obrigatório para se promover um jogo na Alemanha. Tal qual os Estados Unidos sempre fizeram em qualquer evento esportivo e como a Inglaterra aprendeu a fazer em meados dos anos 80.

Resultado prático dessa mudança de pensamento comprovei hoje, ao comentar Colônia x Werder Bremen, pela 30ª rodada do Campeonato Alemão. A partida não mudaria a situação das duas equipes, respectivamente em 13º e 10º lugar na tabela antes de a partida começar. Para piorar, o Bremen poupou alguns atletas pensando nas semifinais da Copa da Uefa. Ou seja, Diego, astro maior do time, não estava em campo. E o torcedor, o que faria em plena tarde de domingo no Rhein Energie Stadion?

Os 50 mil assentos estavam ocupados, e a torcida do Colônia festejou a vitória por 1 a 0. Entre os flagras das câmeras, senhoras na casa dos 70 anos de idade e garotos tomando sorvete no meio do jogo. Além, é claro, do torcedor "uniformizado", aquele típico que canta o tempo todo para empurrar o time e para se sentir parte de um grupo.

A festa foi completa. E o público, sabendo que poderia passar uma tarde de festa no domingão, decidiu comparecer. Não é o fanatismo que leva o torcedor para o estádio, mas o programa que ele pode fazer, no qual o jogo de futebol é apenas um dos bons argumentos para se deslocar até o jogo.

Será que a Copa promoverá a mesma mudança de comportamento nos estádios brasileiros? É claro que essa alteração fará termos um ajuste no preço do ingresso. Mas, pelo menos, será um espetáculo mais adequado também para o torcedor, que não se sentirá incomodado em gastar mais por um produto de maior qualidade.

Esse pode ser o futuro dos estádios no Brasil. Basta ter vontade para mudar.

Por Erich Beting às 15h02

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

Histórico

© 1996-2009 UOL - O melhor conteúdo. Todos os direitos reservados.