Blog do Erich Beting

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22/05/2009

Atletas e TV mantêm clubes

Relatório em cima do balanço financeiro dos clubes brasileiros, feito pela Casual Auditores Independentes, deixa evidente um dos crônicos problemas da gestão do futebol no Brasil. A maior parte dos times brasileiros depende, essencialmente, da venda de atletas e do dinheiro da televisão para turbinarem suas receitas.

O ranking feito pela Casual revela uma arrecadação recorde de R$ 1,7 bilhão pelos clubes. Mas por outro lado mostra claramente que essa turbinada nas contas dos clubes se dá por conta da venda de jogadores. O melhor exemplo é o Palmeiras, que foi o time que mais aumentou a arrecadação em 2008. O salto se deu graças à venda de atletas, principalmente as negociações de Diego Cavalieri, Valdívia e Henrique (esse último com a maior parte da receita indo para a Traffic). Depois do Palmeiras, as maiores turbinadas em receita foram de Portuguesa, Fluminense, Flamengo e Coritiba.

Dos quatro, Lusa e Coxa estavam na Série B do Brasileiro em 2007 e voltaram para a Primeira Divisão em 2008, o que significou a volta do recebimento integral de suas cotas de transmissão do campeonato. O Flu também ganhou mais dinheiro da TV, por chegar à final da Copa Santander Libertadores. E o Fla vendeu jogadores para fazer caixa.

Os líderes do ranking seguem sendo São Paulo e Internacional. Curiosamente, o relatório aponta que, em 2008, ambos ganharam menos. O motivo foi a diminuição da receita pela venda de jogadores. Em compensação, a liderança foi garantida com o aumento da receita em outras fontes, como a bilheteria do estádio.

Para o ano que vem, provavelmente teremos algumas boas mudanças no relatório. O Corinthians, com Ronaldo e títulos, deve destronar o São Paulo, líder desde 2006 do levantamento. Já a esperada queda de receita com a venda de jogadores por conta da crise financeira também promete mudar um pouco o balanço dos clubes.

Infelizmente, porém, a arrecadação dos clubes de futebol no Brasil continua a depender, e muito, da venda de jogadores e das cotas da televisão. Ainda.

Por Erich Beting às 19h30

21/05/2009

Mais um golpe para o vôlei

O vôlei sofreu mais um baque nesta quinta-feira. A Salonpas Cup não será realizada em 2009. O anúncio foi feito pela Hisamitsu Pharmaceutical Co. Inc, empresa que detém a marca Salonpas. O motivo, pelo menos dessa vez, é realmente a crise financeira.

De origem japonesa, a Hisamitsu optou por não aportar os cerca de R$ 5 milhões que gastava (a compra de mídia na TV para transmitir os jogos já está incluída nessa conta) para manter anualmente o evento. O torneio era bem legal, servia para fazer uma grande competição de vôlei num período de entressafra e gerar receita para os clubes participantes.

É uma pena deixar de existir, principalmente porque era uma boa forma de divulgação da modalidade, especialmente por ocorrer em mês de férias nas escolas...

Por Erich Beting às 12h39

20/05/2009

Mais que um clube

O slogan é usado pelo Barcelona, mas bem que o Grêmio poderia pegá-lo emprestado um pouquinho...

O clube anunciou hoje a criação de uma linha de roupas de surfe com a sua marca. O lançamento dos modelos será no próximo sábado.

É uma iniciativa muito interessante. Afinal, é a mostra de que o clube entendeu que ele é mais do que simplesmente um clube. É uma marca. E que marca! Acostumamo-nos, nos últimos anos, a bater na tecla de que os clubes de futebol no Brasil não sabem o valor de suas marcas.

Atitudes como essa do Grêmio mostram que, pelo contrário, já tem muita cabeça pensante dentro de um clube de futebol. Não são todos, sem dúvida, mas uma ação aqui, outra acolá, mostram que o caminho tem ficado menos nebuloso para quem quer trabalhar com marketing no futebol do Brasil.

A ação gremista tem como objetivo levar para o torcedor jovem mais uma alternativa de vestuário com a marca do Grêmio. E o raciocínio é até simples. Ele já compraria uma roupa para surfe. Então porque não comprar uma que leve as cores e o distintivo do seu clube de coração?

Não é só marketing, é negócio, gera receita. Não é por coincidência que iniciativas como essa (e também a do boneco do Giñazu, discutida aqui embaixo) vêm de clubes fora do eixo Rio-SP. A maior concentração de receita está no eixo. Quem não tem, acha maneira de atrair dinheiro. E vai ganhando terreno...

Por Erich Beting às 19h52

Os ídolos do Inter

O Inter de Porto Alegre anunciou ontem que fará mais um boneco de um ídolo da torcida. O escolhido agora é D'Alessandro, o bom de bola argentino que comanda o meio-campo colorado. Ele é o segundo atleta a ser transformado em miniatura para colecionar. O primeiro foi Giñazu, que teve o brinquedo lançado no ano passado.

Mera coincidência o fato de eles serem argentinos? Sinceramente, não.

Os dois são hoje os atletas de maior identificação com a torcida. Um dos motivos é o estilo de jogo aguerrido, característico do atleta argentino em qualquer circunstância, seja na pelada com os amigos, seja na final de campeonato. Essa demonstração de gana de vencer contagia a torcida. E reflete diretamente na empatia do torcedor com o jogador, transformando-o num produto de marketing. Foi assim com o mesmo Inter e seu grande guerreiro Fernandão. Não era argentino, mas jogava com a alma de um. E, em breve, mesmo tendo saído do clube, terá a sua miniatura.

Nilmar é outro que terá seu boneco, mas é apenas a terceira opção entre os jogadores atuais do clube. Afinal, ele é cria da casa, mas saiu cedo do Beira-Rio, se aventurou no exterior, voltou para o Corinthians e agora sim podemos dizer que reencontrou o seu lugar. A identificação com o torcedor existe, mas sempre sobra aquele gosto de desconfiança, de que em algum momento ele irá deixar o Inter para ganhar em euros...

E é exatamente isso que faz com que o licenciamento de artigos relacionados a atletas, no Brasil, não pegue tanto.

Cada vez mais o jogador de futebol brasileiro sonha em ser o quanto menos brasileiro. Mídia e meio convencem-no de que o legal é jogar na Europa, ganhar em euro, ser astro de Milan, Juventus, Inter, Manchester, etc. Atuar por um grande clube no país é mera formalidade, é parte da caminhada rumo ao estrelato. E assim a roda gira.

D'Alessandro e Giñazu já tiveram suas experiências fora da América do Sul. Vivem no Brasil porque aqui estão habituados e, mais do que isso, ganham mais dinheiro do que se estivessem no futebol argentino. Mas são atletas que jogam com a alma, não pensando em fazer do clube uma mera escala em busca de um outro lugar melhor para jogar, apesar de às vezes o time representar isso mesmo. E o torcedor capta essa energia.

Essa identificação cria o ídolo, que por sua vez cria a oportunidade de marketing.

Hoje é impensável qualquer atleta representado pelos grupos de investimento que estão pulando por aqui (Traffic, Sondas e afins) conseguir ser ídolo de uma torcida. Ele pode até jogar bem e ajudar o time a conquistar títulos, mas não vai deixar o nome gravado na mente das pessoas. E o clube perde não só em marketing, mas, no longo prazo, não consegue manter uma equipe de ponta por muito tempo.

Por Erich Beting às 08h34

18/05/2009

Vasco faz dona da Champs vender até casa

A disputa travada entre Vasco e Champs, fornecedora de material esportivo do clube, resultou até na perda de patrimônio de Mari Leandrini, dona da empresa de material esportivo. Em entrevista à Máquina do Esporte, a executiva afirmou que teve de vender uma casa que tinha em Ilhabela para levantar dinheiro.

O objetivo era, com a verba, pagar parte do compromisso assumido com o Vasco. Em novembro do ano passado, a Champs anunciou acordo com o clube carioca, no qual se comprometeu a pagar por volta de R$ 6 milhões por ano.

Até agora, porém, o negócio só tem rendido dor de cabeça para os dois lados. O Vasco prepara a ida à Justiça para quebrar o contrato, reclamando de atraso no pagamento da verba e dificuldade em ter o produto nas lojas. Já a Champs alega ter sido sabotada e também "empurra" a culpa para o clube, afirmando que a demora na definição do novo patrocinador travou a entrega das camisas para o mercado. A empresa também reclama do comportamento dos dirigentes vascaínos, que tornaram públicos os problemas na parceria.

O caso é, no mínimo, emblemático para o mercado esportivo. A Champs, no ano passado, parecia querer concorrer com as grandes marcas do setor de material esportivo na disputa pelos clubes de maior torcida. Flertou com Palmeiras e Corinthians, e assinou com o Vasco. A Ponte Preta já rompeu o vínculo com a empresa. O Vasco está a caminho. Náutico, Vitória e Avaí já reclamaram publicamente dos mesmos problemas.

O fato é que as cifras do futebol tornaram o investimento em clubes grandes impraticável para empresas de médio porte, como a Champs. Até mesmo companhias tradicionais, como Penalty e Topper, desistiram de brigar pelos grandes.

Prova disso é a divisão dos fabricantes na Série A do Brasileirão. Nos dez clubes de maior torcida, seis marcas aparecem: Reebok (Cruzeiro, Inter e São Paulo), Adidas (Flu e Palmeiras), Nike (Flamengo e Corinthians), Umbro (Santos), Puma (Grêmio) e Lotto (Atlético-MG).

A briga, hoje, é só de gente grande...

Por Erich Beting às 20h18

Mundo distante

Nesta terça-feira, as equipes de Fórmula 1 se runirão em Monaco para discutir alternativas ao regulamento proposto pela FIA para 2010. Depois que Ferrari, Renault, Toyota e Red Bull ameaçaram não correr mais caso as alterações fossem impostas, as equipes decidiram entrar num consenso.

Ainda há muito jogo de empurra. Williams e Ferrari debatem quem está blefando mais que a outra. A FIA deu até sexta-feira para esperar uma resposta das equipes que vão querer participar do torneio em 2010 (as inscrições vão até 29 de maio).

É, de fato, um mundo muito distante do nosso. Enquanto por aqui as equipes se silenciam e aceitam imposições da TV, das federações e confederações, pela Europa uma Ferrari bate o pé e diz que não aceita as regras que valeriam para o ano que vem. O exemplo da Fórmula 1 mostra o quanto quem faz o esporte pode e deve se unir para garantir alguns de seus direitos.

Não discuto aqui se é válido equipes milionárias se unirem para gritar contra a estipulação de um teto salarial, medida que considero absolutamente louvável e necessária. Mas o que é importante é perceber quão longe pode ir um gesto de insatisfação. Os donos do negócio da F1 estão a ponto de perder a queda de braço.

Imagine isso no esporte brasileiro?

Por Erich Beting às 18h10

17/05/2009

Dois pesos...

Pois é, e acaba de terminar o Grande Prêmio São Paulo Rede Globo no Jockey Club de São Paulo. Com direito à transmissão ao vivo pela TV Globo, no intervalo de Inter x Palmeiras pelo Campeonato Brasileiro.

Curioso como o naming right desse evento foi respeitado...

Por Erich Beting às 17h07

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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