Blog do Erich Beting

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05/06/2009

Uma outra visão para o vôlei

Já discutimos muito por aqui a dificuldade de o vôlei sobreviver sem a mídia chamar os times pelo nome do patrocinador. Hoje, na Máquina do Esporte, o presidente da Blausiegel, Marcelo Hahn, diz que o principal retorno sobre o investimento vem da exposição que as atletas dão à marca.

"A Mari, a Sheila e a Fofão, depois de terem vencido as Olimpíadas, foram a vários programas. É a mesma coisa que acontece com o Ronaldo no Corinthians ou o Adriano no Flamengo. Esse é um caminho muito viável", disse Hahn.

Com atletas de renome, ele consegue deixar sempre em evidência a marca da Blausiegel, empresa de medicamentos. Além do trio citado por Hahn, a cubana Regla Bell foi contratada para dar mais visibilidade à marca.

É uma estratégia, mas para isso, exige mais investimentos. Hoje, só com essas jogadoras de renome, a Blausiegel investe 50% de sua verba em marketing. O retorno em exposição é alto. É um caminho para não depender tanto do nome citado na televisão.

Por Erich Beting às 19h06

Pensamento do dia

"A polícia acha viável uma providência enérgica sobre as torcidas organizadas. Ação preventiva não cabe mais, porque antes o efetivo era de quatro motos e agora precisa de 20 e mesmo assim não dá conta" - José Balestiero Filho, subcomandante da Polícia Militar de São Paulo.

A violência nos estádios, ou melhor, de torcidas, é uma questão de polícia. Está previsto na legislação do esporte o banimento do torcedor, desde que devidamente identificado, que for um arruaceiro, muito mais do que um torcedor.

A "providência enérgica" que pede José Balestiero Filho não é promover jogos de uma só torcida, mas saber melhorar, em todos os níveis, o produto futebol. Aprender com a Inglaterra, único país da Europa que soube banir a violência de perto e, principalmente, longe dos estádios.

Comportamento irracional em bando não é exclusividade do brasileiro, pelo contrário.

A diferença é que os ingleses perceberam que o torcedor violento causava a má reputação para o programa "assistir a uma partida de futebol". Melhorou-se a vigília sobre o baderneiro, melhorou-se as condições nos estádios, melhorou-se o acesso aos jogos. O resultado prático está aí. Os clubes ingleses estão entre os que mais conseguem gerar receita a partir do seu torcedor. Os hooligans ainda existem, mas estão cada vez mais longe dos estádios e dentro das cadeias.

Não é preciso generalizar. É só uma questão de agir. De criar uma polícia especial para o torcedor, que entenda seus hábitos, que conheça os pontos de briga, que saiba que não é todo mundo que é um delinquente. Pelo contrário, a maioria não é. E, como cidadão, deveria ter a segurança de poder andar na rua.

A medida enérgica, quem tem de dar, é a própria polícia. O duro é que, em termos de polícia, energia quase sempre é sinônimo de violência, de injustiça, de abuso de poder...

Por Erich Beting às 01h08

Etanol Summit adia patrocínio do Palmeiras

A ideia original da diretoria do Palmeiras era apresentar, na última quinta-feira, o novo uniforme do clube e, de quebra, dois novos patrocinadores até o final do ano. A festa, porém, não foi completa por causa do Etanol Summit 2009, evento que reúne as principais empresas do ramo de combustíveis do mundo.

Não fossem os debates sobre o etanol, a Esso, marca do grupo Cosan, teria sido anunciada como nova parceira do clube, como antecipado por aqui no último dia 15 de maio. O acordo está prestes a ser assinado, mas como a alta cúpula da Cosan está voltada para o evento do setor, o acerto dos detalhes do contrato deve ser assinado na semana que vem ou na outra ainda, por conta do feriado de Corpus Christi.

Com isso, na cerimônia de apresentação da nova camisa, apenas a Fast Shop teve sua marca estampada pela primeira vez no uniforme palmeirense. O acerto com a rede de lojas faz parte do contrato com a Samsung, que vigora desde fevereiro e que previa alteração em junho. Até o mês passado, a fabricante de eletrônicos pagava R$ 12 milhões ao Palmeiras, sendo que a Suvinil desembolsava outros R$ 3 milhões. Agora, a empresa sul-coreana banca R$ 15 milhões e coloca a marca de um de seus parceiros comerciais na camisa alviverde.

 

Por Erich Beting às 00h54

03/06/2009

Pensamento do dia

"O vôlei construiu sua história com a Bandeirantes. Será que a Globo é a melhor opção?"

Essa frase é muito interessante. A fonte, porém, pediu para não ser citada, por fazer hoje parte do dia-a-dia do vôlei.

Mas é para se pensar. E vale não só para o vôlei, sem dúvida alguma!

Por Erich Beting às 21h39

Palmeiras volta à origem italiana

O Palmeiras voltará, a partir de amanhã, um pouco para a sua origem italiana.

A apresentação dos novos uniformes confeccionados pela Adidas, prevista para amanhã, quinta-feira, terá como maior novidade a volta do uniforme branco, que tinha sido deixado de lado no ano passado com o sucesso da camisa verde-limão desde 2007.

A camisa, porém, não será inteira branca. Uma manga do uniforme será vermelha e a outra verde, remetendo às cores da bandeira da Itália, origem do Palmeiras, fundado Palestra Itália em 1914.

O novo uniforme deverá ser utilizado pelo time no decorrer do Campeonato Brasileiro. No segundo semestre haverá outro lançamento, do terceiro uniforme. Curiosamente, o evento deverá marcar a aposentadoria da camisa verde-limão, como mostra reportagem no UOL.

Por Erich Beting às 16h22

Pensamento do dia

Hoje com atraso, mas vamos a ele!

"A Copa de 2014 poderá ser muito perigosa para o futuro dos outros esportes no Brasil" - José Carlos Brunoro, executivo de marketing, que trabalha, entre outras coisas, com o futebol e com o basquete

De fato a preocupação levantada pelo Brunoro em entrevista ao programa Máquina do Esporte na rádio Bandeirantes é, no mínimo, curiosa. O futebol já domina, hoje, mais de 60% do noticiário do país. Com a Copa do Mundo, o tema estará ainda mais presente. Se as demais modalidades não se prepararem, teremos um grande problema pela frente...

Por Erich Beting às 08h48

02/06/2009

Falta de TV tira patrocínio no vôlei de praia

A falta de transmissão na TV das etapas do vôlei de praia já causou o primeiro baque para os atletas da modalidade. As duplas formadas por Carol e Maria Clara e Pedro Solberg e Pedro Cunha perderam o patrocínio que tinha da Cimed.

A decisão de tirar o apoio foi tomada no início deste ano, depois que as etapas do Circuito Banco do Brasil deixaram de ser transmitidas pelo Sportv. Segundo Renan Dal Zotto, gerente de esportes da Cimed, a fuga da TV fez com que o patrocínio se tornasse insustentável para a empresa.

No segundo semestre do ano passado, a Cimed havia substituído a Medley, sua rival na área de medicamentos genéricos, no patrocínio às duplas.

O caso ilustra bem a força que a mídia tem na promoção do esporte. Uma das razões para uma empresa apoiar uma modalidade é o retorno de exposição que ela permite à marca. Se o esporte não estiver na grande mídia, a justificativa do patrocínio é praticamente inexistente, como foi agora com a Cimed.

O esporte precisa, urgentemente, entender como trabalhar melhor a ferramenta de exposição na mídia. E a mídia, por sua vez, precisa entender melhor como tirar ótimo proveito do conteúdo que só o esporte é capaz de lhe oferecer.

Por Erich Beting às 10h05

01/06/2009

Pensamento do dia

Virada de mês, novas ideias surgem. Decidi criar uma seção para "encerrar o dia" do blog. É o "Pensamento do dia", sempre com alguma frase que nos faça pensar um pouco mais sobre os destinos do esporte como negócio no Brasil. E a primeira delas foi uma pérola que exprime bem a preocupação que temos com a Copa do Mundo no Brasil. E com nosso dever cívico de exigir uma exploração racional da Copa.

"O grande ponto de interrogação que ainda existe é de onde virão os recursos para a Copa" - Edgard Jabbour, sócio da consultoria Deloitte e responsável pela área da empresa ligada à Copa do Mundo de 2014.

A declaração faz parte de uma longa entrevista que fiz com o executivo hoje à tarde, e que publicaremos na Máquina do Esporte nos próximos dias. E olha que a Deloitte foi quem planejou as candidaturas de Manaus e Cuiabá, talvez a maior surpresa entre as 12 escolhidas. Segundo Jabbour, os investimentos terão de acontecer, só não se sabe, ainda, como...

Por Erich Beting às 22h46

Copa gera efeito cascata

O anúncio das 12 cidades que abrigarão os jogos da Copa do Mundo de 2014 já começa a movimentar o mercado em torno do Mundial. A partir desta segunda-feira, uma série de eventos já está programada envolvendo o torneio como tema. Além disso, vários outros negócios começam a surgir.

Pelézinho, histórico personagem de Mauricio de Sousa, será relançado pelo ilustrador. No anúncio à imprensa, Sousa deixa claro que o relançamento está atrelado à Copa do Mundo brasileira. Até a primeira ilustração parabeniza as 12 cidades escolhidas para abrigar os jogos. Da mesma forma, tivemos nos últimos meses uma onda de criação de publicações (revistas e livros) com a temática futebol.

É a velha história de pegar carona com a realização de um grande evento no país.

Na Alemanha, depois da febre da Copa, só a revista Kicker, tradicional e não-dependente do Mundial, sobreviveu. Até a empresa que fez o mascote Goleo anunciou a falência antes mesmo de o Mundial começar...

É bom conhecer bem o mercado antes de embarcar numa dessas. A Copa é uma boa oportunidade, mas não pode ter tudo voltado só para ela...

Por Erich Beting às 18h51

31/05/2009

Você acredita?

"- A Copa do Mundo será melhor quanto menos dinheiro público for investido. Essa equação é que norteia o projeto desde o início. Ao Governo, em todos os seus níveis. caberá os gastos com obras que lhe dizem respeito. O investimento maior terá de vir da inciativa privada - diz Ricardo Teixeira."

O trecho acima foi retirado na íntegra do site oficial da CBF, em matéria exaltando o resgate histórico da candidatura e hoje realidade brasileira para abrigar a Copa do Mundo de 2014.

Numa cerimônia com transmissão ao vivo pela TV, soubemos as 12 cidades que terão o direito de receber os bilionários investimentos para, durante dois ou três jogos, não muito mais do que isso, ter a honra de receber uma das principais competições esportivas do mundo.

Mas, olhando a lista das escolhidas, você acredita que não haverá dinheiro público em nenhum estádio? O "investimento maior", como apregoou Teixeira, será da iniciativa privada?

Dos 12 escolhidos, apenas São Paulo, Porto Alegre e Curitiba terão estádios que já são de propriedade privada. Todo o restante é do governo municipal.

É muito grande a chance de revivermos os Jogos Pan-Americanos, em que as licitações demorarão a sair, as empresas terão receio de investir e, no final, o governo (ou nós, como queira) paga a conta para terminar a obra. Afinal, um dos primeiros passos para o Brasil abrigar o Mundial foi assinar a garantia, de todas as esferas públicas, de que, se necessário, elas investiriam para assegurar a ocorrência da Copa do Mundo.

Bom, vindo a afirmação do mesmo dirigente que se cansou de dizer que nunca acumularia o cargo de presidente da CBF com o do presidente do Comitê Organizador da Copa de 2014, pode-se esperar que não teremos, de fato, investimento público nos estádios da Copa. As obras de melhoria de infraestrutura é obrigação do Estado. Mas, os estádios...

Por Erich Beting às 03h15

Florianópolis já se revolta

O anúncio oficial só será feito logo mais, às 14h deste domingo. Mas a informação publicada por Ancelmo Gois em "O Globo", na última sexta-feira, revoltou os principais envolvidos na candidatura da cidade de Florianópolis a uma das 12 sedes brasileiras a abrigar jogos da Copa do Mundo de 2014.

Estive em Floripa nos últimos dias, participando do 8º Fórum Internacional de Esportes, da Unesporte. Nos debates ocorridos no evento, Joceli de Souza, que esteve à frente dos trabalhos da candidatura da capital catarinense, afirmou que a proposta feita pela cidade era "imbatível" do ponto de vista técnico. O próprio Joceli, que é consultor de relações com o mercado da Secretaria de Estado de Turismo Cultura e Esporte de Santa Catarina, porém, sabia que o Calcanhar de Aquiles do projeto de Florianópolis era o lobby político.

A perda do direito de ser sede já é dada como certa na cidade, porém a indignação é com o fato de que, apesar de ter sido propalada por Ricardo Teixeira de que a escolha das sedes seria uma decisão técnica, tomada pelos membros da Fifa, sabe-se que a realidade é muito diferente.

Obviamente, se fosse uma decisão meramente técnica, a escolha das sedes poderia ter acontecido há mais de um ano. Afinal, todos os projetos das candidatas haviam sido entregues quando da escolha do Brasil para abrigar a Copa, em outubro de 2007.

Um ano e oito meses depois, as 12 contempladas serão reveladas. Das duas, uma. Ou é muita dificuldade técnica, ou é muito lobby que rolou nesse tempo todo...

Dá para ficar com o mínimo de dúvida?

Por Erich Beting às 23h29

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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