Blog do Erich Beting

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11/06/2009

O limite do Real

E agora é Cristiano Ronaldo quem passa a fazer parte do Real Madrid. Junto de Kaká, os dois melhores do mundo nos dois últimos anos se juntam ao clube presidido por Florentino Pérez.

Em 2002, o Real Madrid encontrava-se na mesma situação. Tinha os dois melhores do mundo nos anos anteriores, Zidane (2000) e Figo (2001). Em campo, o resultado foi a conquista da Liga dos Campeões da Europa pela nona vez na sua história.

A continuação desse enredo a gente se lembra bem. No mesmo ano veio Ronaldo e, no seguinte, David Beckham. Foi a consagração do que se chamou de time "galáctico", formado pelos melhores jogadores de cinco importantes países: Figo (Portugal), Zidane (França), Ronaldo (Brasil), Raúl (Espanha) e Beckham (Inglaterra).

Essa constelação fez com que o Real se tornasse o clube mais rico do mundo. Com atletas de fama mundial, os espanhóis se tornaram o time de futebol mais cobiçado por torcedores, patrocinadores e mídia do mundo todo. Não havia um canto do mundo em que não se falava dos "galácticos" e, especialmente, da "cereja do bolo" David Beckham.

Esportivamente, porém, o clube degringolou. Concedeu regalias às estrelas, não soube armar um time com todos os craques, trocou de treinador até descobrir que não haveria um que colocasse em campo o "quinteto mágico" madridista. E aí, sem Florentino Pérez, o Real começou a desmontar sua constelação cada vez mais (de)cadente.

Agora Pérez volta com carga total. Gasta o que tem (porque o clube soube se manter no topo do faturamento do mercado da bola, alcançando ) para reforçar a equipe. Injetou, só em Kaká e Cristiano Ronaldo, 158 milhões de euros. O valor não assusta o clube, que no ano passado faturou 365,8 milhões de euros.

Mas preocupa o torcedor e boa parte da crítica. Esportivamente, Kaká e Cristiano são indiscutíveis. Resta saber se o novo velho presidente do Real vai saber se controlar.

O Real precisa, hoje, do principal ingrediente do marketing esportivo, que é a vitória.

Já ficou provado que um time de craques não faz milagres. Dois jogadores que desequilibram dentro de campo já são mais do que suficientes para levar um clube à glória, e o próprio Real campeão da Europa em 2001-02 está aí para contar essa história. Essa é a fórmula real, e não a era surreal que invadiu Madri em anos recentes.

Agora, Pérez tem de se cuidar para não fazer, da limonada, um amargo limão... O limite que ele tem para isso, já deve saber muito bem.

Por Erich Beting às 12h03

10/06/2009

O sucesso do futebol

O Cruzeiro e o banco Bonsucesso anunciaram nesta quarta-feira um acordo de patrocínio até o final do ano. É a primeira vez que o Bonsucesso decide investir no esporte. Já o Cruzeiro comemora a permanência de Kléber com o dinheiro do patrocínio.

De fato é um alento. O clube já se desfez de Ramires para tentar conseguir manter o restante dos jogadores até o final da temporada.

Por outro lado, a justificativa de Paulo Henrique Pentagna Guimarães, presidente da instituição, é de que o patrocínio fará com que o Bonsucesso se torne uma marca conhecida nacionalmente.

"Foi à junção da vontade com a oportunidade. O Cruzeiro tem sido um dos clubes mais comentados do Brasil nos últimos anos. Participa como favorito nas mais importantes competições do país e do continente. Então, acreditamos que esse patrocínio irá gerar uma grande visibilidade para a marca do Bonsucesso", afirmou o executivo em comunicado publicado no site do banco.

A frase representa a essência do que é o futebol no Brasil. Uma exposição gigantesca para uma marca que decide investir num clube. Mesmo desconhecido do grande público, a tendência é que o Bonsucesso faça parte do dia-a-dia das pessoas a partir de agora. Ainda mais em Minas Gerais, local com maior concentração de torcedores do Cruzeiro.

É uma nova empresa que decide investir no esporte. Se não houver um projeto consistente, porém, o negócio pode desandar. Vale lembrar que, nos últimos dois anos, o Cruzeiro teve dois diferentes patrocinadores de camisa: Xerox e Tenda. Além disso, a marca Fiat apareceu com boa visibilidade nas mangas durante o ano passado.

A troca constante de marcas é ruim. Afinal, a mudança não consegue dar o devido retorno de fixação da marca na mente do torcedor. E isso faz com que a influência positiva do patrocínio não dure por mais tempo.

O futebol é um sucesso para ampliar a exposição de uma marca no país. Mas, se mal explorado, o sucesso pode acabar tão rápido quanto durar o patrocínio.

Por Erich Beting às 20h11

Ainda sobre o patrocínio do Fla

"Será a primeira vez no Brasil que um fabricante de uniformes de um clube também atuará como patrocinador principal da camisa". Essa frase, publicada ontem em meu post sobre o acordo Flamengo-Vulcabrás para o patrocínio do Olympikus Tube no peito e nas costas da camisa rubro-negra gerou bastante crítica de alguns torcedores.

Lembraram-me muito bem [rono.jane] e [Jonas] que Figueirense e Atlético Paranaense já fizeram uso de tal expediente com a Umbro no final dos anos 90. A diferença, porém, é que naquela época a exposição da marca era uma espécie de ampliação do acordo de fornecimento do uniforme. Agora, porém, uma outra marca será exposta, que não a do patrocinador, e a empresa pagará a mais por isso.

É um caso inédito investir mais ainda no clube para ter a marca no peito da camisa. Se a estratégia dará certo, ainda não dá para dizer. Mas que é uma forma de tentar fazer com que a peteca dos jogadores do Flamengo não caia com mais dinheiro em caixa, disso não há dúvidas.

Por Erich Beting às 15h21

09/06/2009

Olympikus vai também patrocinar camisa do Fla

Por conta do contrato em vigência com a Nike, Flamengo e Olympikus estarão impedidos de falar até o próximo dia 1º. Mas já está acertado que, a partir desta data, além de fornecer o material esportivo para o clube rubro-negro, a marca do grupo Vulcabrás vai estampar o produto Olympikus Tube no peito e nas costas do uniforme de jogo do clube.

O acordo tem validade de apenas dois meses, e renderá R$ 2 milhões aos cofres do Flamengo.

Será a primeira vez no Brasil que um fabricante de uniformes de um clube também atuará como patrocinador principal da camisa. E o negócio faz total sentido para a pretensão de vendas da Olympikus em sua estreia no futebol.

Com o dinheiro a mais que colocará no Flamengo, a fabricante vai permitir que o clube pague os salários em dia. Isso garante ao Flamengo um melhor desempenho esportivo. Que, por sua vez, gera mais euforia no torcedor.

E a combinação de tudo isso permite à empresa vender mais camisas do clube nas lojas...

Por Erich Beting às 08h39

08/06/2009

Pensamento do dia

"Toda essa crise financeira mundial pegou os clubes de surpresa, principalmente os clubes-empresas como o Milan. Isso foi passado para mim, entendi a situação, e a melhor forma de ajudar o clube no momento seria aceitar minha transferência" - Kaká, novo meia do Real Madrid

É, a justificativa de Kaká é muito boa para explicar a situação. Mas é fato, também, o quanto faz falta para um time como o Milan ficar de fora da disputa da Liga dos Campeões da Europa. É desse dinheiro, principalmente, que o time de Silvio Berlusconi se ressente para a próxima temporada.

Mais do que a crise financeira, o Milan sofre pela ausência do time na competição mais importante da Europa na última temporada. Isso deixou os cofres do clube combalido. Kaká não pode falar isso abertamente, mas o rombo nas finanças foi causado pelo fraco desempenho esportivo.

Agora, com o Milan de volta à Liga dos Campeões e com os euros da venda de Kaká, até a hegemonia da Inter poderá ser colocada em xeque para 2009-2010. Nada como muito dinheiro no bolso...

Por Erich Beting às 22h44

Dinheiro gera dinheiro

Esse é o conceito amplamente defendido por Florentino Pérez, novo velho presidente do Real Madrid.

Em 2001, quando o Real estava cambaleante e via o seu grande rival Barcelona liderar a mídia e a bola na Espanha, Florentino assumiu a presidência do Real e prometeu, a cada ano, contratar o melhor jogador do mundo para o clube, a começar por Figo, estrela maior do inimigo Barça.

Visto como um lunático, assim que eleito o dirigente começou a montar o Real Galáctico. Após Figo quebrar o recorde de uma transferência entre clubes (58,5 milhões de euros), no ano seguinte Zidane estraçalhou a marca (76 milhões). E o Real passou a ser, dois anos depois, ainda com Ronaldo e Beckham no time, o clube mais rico (e mais conhecido) do mundo.

Pérez saiu do Real em 2006, quando o projeto dos galácticos afundou. Agora, ressurge como grande nome para resgatar o período de início do seu mandato, quando o Real conquistou a Liga dos Campeões em 2002. Só que seu projeto segue a ser o mesmo. Gastar milhões para construir times excepcionais tanto dentro quanto fora de campo.

Será que dará certo? Tudo depende de como o clube se comportará na condução dessa nova era Pérez.

É hora de o Real passar por um choque de gestão esportiva, já que as finanças vão muito bem, obrigado.

Por Erich Beting às 19h56

A crise ronda a NBA

Sempre que se discute sobre gestão, planejamento e marketing no esporte, invariavelmente o exemplo das ligas esportivas americanas vem à tona. E, na maioria das vezes, o debate mostra que o modelo americano de gerenciamento do esporte deve ser adotado pelas outras modalidades ao redor do globo.

Mas talvez não seja bem assim...

A NBA já começa a pensar em adotar o patrocínio na camisa dos times. É uma forma de tentar aplacar a crise financeira que começa a respingar nos clubes. Apesar da eletrizante reta final, a liga de basquete dos EUA vive, neste 2009, uma de suas piores crises dentro dos ginásios.

Com a grana curta, o torcedor deixou de comparecer aos jogos, preferindo assistir às partidas da televisão, já que se gasta muito menos dinheiro ao consumir o esporte de dentro de casa. O resultado direto é que os recordes de audiência na TV americana da temporada da NBA são quebrados a cada partida.

E isso interfere diretamente no comportamento do patrocinador, que antes tinha como maior benefício poder se comunicar com o torcedor presente aos jogos, ou então realizar campanhas para levá-lo aos ginásios. Só que isso representa um gasto ainda maior de dinheiro na ativação do patrocínio.

A crise ronda a NBA. E isso poderá derrubar um dos poucos dogmas do esporte nos Estados Unidos. As camisas dos times sempre esteve "limpa", sem nenhum patrocinador. Pode ser que, em breve, tenhamos as primeiras marcas a mancharem os uniformes do basquete. Na WNBA isso já acontecerá em 2009. Sinal dos tempos...

Por Erich Beting às 15h41

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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