Blog do Erich Beting

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27/06/2009

Judô é a primeira baixa da Globo

A temporada de disputas entre Globo e Record pela transmissão do esporte olímpico começou na última sexta-feira. Record e Confederação Brasileira de Judô (CBJ) anunciaram o acordo para a emissora paulista transmitir todos os eventos da CBJ até os Jogos Olímpicos de 2012.

A escolha pela Record foi feita após a CBJ enviar às duas emissoras uma proposta de exibição de torneios até a próxima Olimpíada. Os valores do acordo não foram divulgados. Mais do que o preço, pesou em favor da Record a possibilidade de o judô ser um dos "queridinhos" na grade de programação. Ontem, em evento no Rio, Alexandre Raposo, presidente da emissora paulista, alfinetou a Globo em discurso.

"Sem patrocínio não se faz esporte vencedor. E por isso fazemos questão de mostrar esses parceiros", disse o manda-chuva da Record.

A guerra está aberta. Por enquanto, a Globo faz de tudo para segurar aqueles que considera as quatro modalidades com mais audiência: futebol (garantido na grade da emissora até 2011), vôlei, basquete e futsal.

O judô, que teve o Mundial de 2007 transmitido pela Globo, seria uma das apostas para os próximos anos. Tanto que, na TV fechada, continua o Sportv como emissora oficial da modalidade.

Por Erich Beting às 11h28

Hierarquia no futebol

Vanderlei Luxemburgo acaba de ser demitido pelo Palmeiras. O motivo foi, segundo o próprio técnico, "desrespeito à hierarquia". Luxemburgo achou que poderia continuar a falar o que quisesse a respeito do time que comandava dentro das quatro linhas. Esqueceu-se que há uma estrutura maior acima dele, que durante alguns meses manteve-o mesmo a contragosto.

Hierarquia tem de existir para um clube de futebol caminhar de maneira saudável. E precisa ser respeitada. Por todos. Na Europa, por mais "managers" que sejam os treinadores que se sentam no banco de reservas, eles sabem que existe um limite para comentários. Por aqui, a moda é sempre jogar nas costas das diretorias ou dos atletas algumas falhas de todo o grupo ou do próprio treinador.

Acertou de maneira gigantesca Luiz Gonzaga Belluzzo, presidente alviverde. Mas com um certo atraso. Caso criticar o atleta em saída do time seja quebrar a hierarquia, o que dizer então de comentar jogo da própria equipe na televisão?

Com mais de meio ano de atraso, finalmente a justificativa da hierarquia veio a calhar...

Por Erich Beting às 01h58

26/06/2009

Olympikus "adia" novo patrocínio do Fla

A festa que a Olympikus promoverá no próximo dia 1º de julho para anunciar o patrocínio e o fornecimento de material esportivo ao Flamengo travou o anúncio de mais um patrocinador do clube. Na última quinta-feira foi assinado contrato para a Hypermarcas expor sua marca nas mangas do uniforme rubro-negro. Só que o anúncio oficial ficará apenas para o dia 3, sexta-feira.

O apoio da Hypermarcas, a exemplo do que acontece no Corinthians, será para exposição da marca Bozzano. E o clube receberá por volta de R$ 2,5 milhões até o final do ano pela exposição.

A princípio, a camisa que será apresentada na quarta-feira terá apenas o logotipo da Olympikus e a marca Olympikus Tube no peito e nas costas, como antecipado por aqui.

Por Erich Beting às 19h41

25/06/2009

Os eventos esportivos para o bem dos políticos

Realizar eventos esportivos é um grande passo para a promoção de políticos. Quando são eventos significativos, então... A Prefeitura de São Paulo alardeia a criação de 160 empregos temporários para moradores da região do autódromo de Interlagos. Nesta sexta-feira, os interessados em trabalhar como "controlador de entrada e saída de pessoas e veículos" durante a etapa da Fórmula 1 histórica que acontece em agosto, poderão se candidatar.

É uma pequena coisa, mas que gera benefício a mais de uma centena de eleitores. E mostra o quanto o evento esportivo é bom para o político. Se quiser usar a ocasião, o sub-prefeito da região pode se promover. A prefeitura já fez a parte dela ao anunciar as vagas. E, assim, esporte e política mostram ser uma ótima combinação para as duas partes que estão à frente dessa história.

Um evento esportivo pode se tornar sinônimo de criação de novos postos de trabalho, mesmo que temporário. E, também, gerar consumo da população, a partir dos serviços envolvidos nesse evento.

Só para controlar o entra-e-sai de uma etapa da F1 Histórica (reunindo carros do passado), 160 pessoas receberão um extra no período.

Imagine o quanto a Copa do Mundo turbinará a popularidade dos políticos...

Por Erich Beting às 19h41

24/06/2009

Relação Fla e Zico estreita com compra do CFZ

Flamengo e Zico estreitam, cada vez mais, suas relações. Agora é a possibilidade de compra do CFZ, o time de futebol do ex-camisa 10 do Flamengo, que deixa ainda mais próximo o clube carioca do seu maior ídolo.

O negócio está praticamente sacramentado, e caberá à Fundação Getúlio Vargas (FGV) fazer um estudo para analisar qual o melhor modelo para gerenciar o clube.

Para os dois, pode ser um bom negócio. O Flamengo terá mais um formador de atleta e, também, um clube bem estruturado para gerenciar. Zico deixará de ter o peso de ter de administrar um clube que historicamente sempre sofreu boicote do status quo da bola.

Resta saber, porém, como o Flamengo fará para administrar mais um clube, já que as pendências judiciais do Clube de Regatas comprometem boa parte da verba que entra nos cofres...

Por Erich Beting às 17h36

23/06/2009

Para que serve o torcedor?

Matéria recém-publicada no UOL, sobre a venda de ingressos, ou melhor, a não-venda de ingressos do Corinthians para os seus torcedores, assinada pelo repórter Bruno Império, levanta aquela velha questão: para que serve o torcedor dentro de um clube?

Como elucida a matéria, a ação do Corinthians atende três diferentes princípios. Um é a venda de pacotes pela Timão Tur. A outra, a de venda para torcedores cadastrados no projeto de sócio-torcedor e, por fim, a distribuição para membros da torcida organizada Gaviões da Fiel, que fazem a venda dos seus pacotes para associados.

A atitude corintiana é boa apenas em um aspecto. A venda do pacote de viagem pela Timão Tur, agência de viagem do clube, que gera dinheiro para o próprio clube. Todas as outras formas de destinar o ingresso são uma crueldade para as combalidas finanças do alvinegro, como sempre gosta de choramingar o departamento de marketing ao justificar o acordo para mais um patrocínio na camisa do time.

O que o Corinthians faz é não se atentar para o principal gerador de receita do clube, que é o torcedor. Muito mais do que Ronaldo, ou até do que o patrocínio na camisa, quem paga a conta, ou pode ajudar a pagar, é o torcedor.

É ele quem consome o produto oficial. É ele quem compra o pacote de viagem. É ele quem é a razão de existir do clube. Não apenas o torcedor organizado, mas o torcedor de todas as classes sociais. De E a A, ou de A a E, tanto faz. O fato é que não existe qualquer planejamento para fisgar esse torcedor e mantê-lo ligado ao time.

A venda do pacote de viagem pela Timão Tur, por exemplo, é a melhor forma de fazer o clube ganhar dinheiro com o jogo fora de São Paulo. Em todas as classes sociais, o Corinthians é líder disparado na capital paulista. Quantos torcedores não estariam dispostos (e não teriam condições) a pagar R$ 1.189,00 para assistir ao time na final da Copa do Brasil?

É muito mais dinheiro que entraria no cofre alvinegro, com uma simples ação. E, a partir dela, levaríamos a todas as outras pequenas ações que poderiam contribuir para, no final do ano, o clube ter apenas um patrocinador na camisa e ver a sua "Fiel Torcida" bancar todo o restante do clube.

Nesta terça-feira, a Bundesliga, que reúne os participantes das Séries A e B da Alemanha, divulgou o seu relatório anual. Os alemães, pelo quarto ano seguido, possuem a melhor média de público do futebol na Europa. Foram 41.904 torcedores por jogo, sendo que em 2007-08 a média já tinha sido de 38.975 pessoas por partida.

O motivo para isso, entre outros, é o fato de que a Alemanha tem o ingresso mais baratos entre as principais ligas da Europa (Inglaterra, França, Espanha e Itália são as outras). Mas, mesmo assim, esse dinheiro gasto pelo torcedor nos estádios só tem aumentado.

Em 07-08, a média de custo por ingresso foi de 19,47 euros. Na temporada passada, o bilhete atingiu o preço médio de 20,79 euros. Com isso, só em bilheteria, as Séries A e B da Alemanha geraram 407,5 milhões de euros em 2007-08. O relatório desta temporada ainda não apresenta o resultado nos dias de jogos, mas ele deverá aumentar em mais de 10% em relação ao campeonato anterior.

Melhores estádios e jogos importantes são considerados pela Bundesliga como determinantes para se alcançar esses resultados. Mas, além disso, o alemão percebeu, com a Copa do Mundo, que ele tem de trabalhar com a paixão do torcedor, que é quem está preparado para gastar o que for preciso para consumir o futebol.

E é isso que o Corinthians tem jogado fora. Essa paixão do torcedor em pagar o que for preciso para ver seu time numa final de campeonato. Pode ter certeza que os Gaviões da Fiel vão ganhar muito dinheiro com as caravanas que estão sendo organizadas para viajarem até Porto Alegre.

Por Erich Beting às 19h39

Copa-14 pode mudar Oktoberfest para julho

A tradicionalíssima Oktoberfest, em Blumenau (SC), poderá ter a sua data alterada para o mês de julho em 2014, ano da Copa do Mundo no Brasil. Alguns setores da política de Santa Catarina já defendem a alteração para que a festa atraia mais turistas para o estado por conta do Mundial.

Importante lembrar que Florianópolis ficou de fora da lista dos 12 da Fifa e, agora, tenta de todas as formas lucrar com a Copa.

Apesar do interesse de políticos, a ideia de fazer a antecipação da Oktoberfest é absurda. Tanto que o organizador do evento, Norberto Mette, afirma ser muito mais inteligente fazer outra festa típica em julho e, com ela, atrair o público da Copa para voltar a Blumenau em outubro e curtir a farra na sua data correta.

Muito mais lógico, principalmente porque o público presente à Oktoberfest é predominantemente de brasileiros. A Copa poderia ser um motivo para fazer o turista estrangeiro ter conhecimento da festa. Mas, para isso, nada melhor do que outra festa...

Por Erich Beting às 13h34

Patrocínio racha opiniões nos EUA

Afinal, vale ou não colocar um patrocínio na camisa de uma equipe esportiva? A pergunta, no Brasil, tem resposta óbvia. Coitado é aquele que não consegue colocar um patrocinador no peito e nas costas do uniforme. E, muitas vezes, errado é aquele que divide a sua camisa em diversas marcas (sim, é uma alusão direta ao Corinthians!).

Mas, nos Estados Unidos, esse conceito tem dividido opiniões. A ponto de o mercado esportivo no país que praticamente o inventou começar a questionar se essa prática é ou não correta.

Ontem o jornal "Detroit News", dos EUA, trouxe uma extensa reportagem sobre o tema. O motivo da matéria eram os patrocínios firmados pelos times Los Angeles Sparks e Phoenix Mercury, da WNBA, a liga feminina de basquete. Ambos vão "manchar" suas camisas na atual temporada do basquete feminino, pelo qual vão receber cerca de US$ 1 milhão pelo patrocínio.

Agora, ambos deverão abrir as portas para outras equipes.

"Estamos pressionados pelos salários dos atletas e, combinado com a atual conjuntura econômica, é quando as pessoas buscam soluções radicais. A venda de bilhetes não vão mais sustentar as contas. Os times que estão mais desesperados são aqueles que vão buscar essas alternativas. Nós vamos devagar. Não queremos correr o risco de uma 'Nascarização' dos uniformes".

A frase presente na matéria é de Tom Wilson, presidente do Detroit Shock, da WNBA, e do Detroit Pistons, da NBA. E deixa bem clara a atual situação de gestão do esporte nos EUA.

Chegou-se a uma encruzilhada, em que um paradigma provavelmente será quebrado. Não dá mais para continuar a ser tão puritano assim. Hoje, as quatro grandes ligas dos EUA, que são NFL (futebol americano), NBA (basquete), NHL (hóquei) e MLB (beisebol), têm em seu regulamento a proibição de os times ostentarem patrocínios em suas camisas.

O problema é que as receitas dessas equipes sempre vieram de acordos comerciais que envolviam ações de ativação de patrocínio nos ginásios e com o público torcedor do time. Só que, agora, com a crise, além de as empresas disporem de menos dinheiro, o fã, em retração econômica não consome tanto o seu time quanto antigamente.

E mesmo o grupo da "Big Four", que são essas quatro maiores ligas, já começa a abrir concessões. A NFL permitirá que o logo do patrocinador apareça no uniforme de treino da equipe. A MLB deve abrir a concessão para a pré-temporada. A NBA já conversa como pode fazer para inserir logomarcas de patrocinadores, algo até então rechaçado pela liga.

Sinal dos tempos. E que mostra, claramente, que não existe um modelo fechado de gestão do esporte. O que cada país precisa fazer é encontrar o seu modelo de gerenciar as finanças e partir para o básico. Aumentar ao máximo suas receitas sem elevar de grande forma os seus gastos.

Por Erich Beting às 12h54

22/06/2009

Sucesso pode custar caro à Brawn

A Brawn GP pode pagar, em 2010, pelo preço do sucesso que alcançou nesta atual temporada da Fórmula 1. A escuderia de Ross Brawn já vê mais distante a possibilidade de manter seu principal patrocinador de 2009 para o próximo ano.

A Virgin anunciou hoje que dificilmente continuará na equipe em 2010. O motivo foi o estrondoso sucesso alcançado pela estreante escuderia. Com o carro valorizado pelo ótimo desempenho de Jenson Button e Rubens Barrichello, o time estará mais caro para ser patrocinado no ano que vem.

Não dá para dizer ainda se é só jogo de cena, até porque a própria F1 ainda é uma incógnita em 2010. Mas o fato é que o sucesso fará com que a Brawn tenha mais visibilidade e cobre mais de um eventual patrocinador no ano que vem. O problema é, em época de orçamentos enxutos, ter a certeza de que haverá alguém disposto a bancar a equipe.

Ainda é cedo para dizer, mas no final das contas, o peso do sucesso pode prejudicar a escuderia. Pesa muito nesta hora a tradição, na F1, de times como Williams, McLaren e Ferrari. Apesar de não terem sempre um desempenho ótimo, são equipes em que o retorno sobre o investimento é sempre mais mensurável e, principalmente, justificável dentro de uma empresa.

Por Erich Beting às 19h41

A pressa que mina o resultado

Muricy Ramalho se foi, após três anos e meio no comando do São Paulo, que valeram ao tricolor três Campeonatos Brasileiros, um vice da Libertadores e algumas outras boas participações em torneios no Brasil e no exterior. Com Muricy, o clube mais internacional do país se tornou também o mais nacional. Invejado e às vezes criticado por ganhar mais fora do que dentro do Brasil, o São Paulo se tornou o time mais vitorioso do país pelas mãos de Muricy.

E a corda finalmente roeu para ele. Depois de tanto a imprensa questionar e instigar a queda, Juvenal Juvêncio achou por bem "encerrar o ciclo" do treinador que mais títulos ganhou na década.

No mesmo final de semana em que Muricy dava mais um adeus ao Morumbi, Dunga comandava um passeio da seleção brasileira em gramado sul-africano. O derrotado da vez, a atual campeã mundial Itália. Ah, Itália! Já não é mais a mesma, assim como o Brasil não é mais um mesmo. É um time coeso, que encontrou a forma certa de jogar.

E Dunga, depois de tanto a imprensa questionar e instigar, vai se garantindo até a Copa de 2010, para não dizer de 2014. Sim, o Brasil em 2006 também morreu no ano de véspera da Copa, também na Copa das Confederações, ao passear sobre a Argentina e achar que já havia ganho a Alemanha antes mesmo de chegar lá. Mas hoje até a imprensa reconhece que Dunga é Dunga, que saberá brecar essa euforia.

Mas a mensagem que fica é outra.

Só o tempo permite que um bom trabalho seja montado. Neste ano, o São Paulo mudou parte do seu elenco, reforçou-o bem, mas Muricy é notadamente um treinador que precisa de um tempo de maturação para acertar a equipe. E o São Paulo, que tinha tudo para ser tetra, deverá se contentar em ver a festa alheia. Claro, perdeu a Libertadores este ano, mais uma vez... Mas será que estará nela em 2010? 

No futebol, como em qualquer outro meio, o resultado é fruto também da paciência, do desenvolvimento de longo prazo. O bom gestor deve entender que é preciso ter pulso firme e manter-se firme em alguns conceitos para conseguir ter um bom resultado. É uma das virtudes de Ricardo Teixeira, que aprendeu que o entra-e-sai de treinador só prejudica o desempenho da seleção brasileira e, consequentemente, torna quase inviável permanecer à frente da galinha dos ovos de ouro que é a CBF.

O Corinthians até agora finalista de tudo o que disputou em 2009 foi moldado e forjado lá em 2008, em plena Série B. E Andrés Sanchez teve a virtude de manter Mano Menezes mesmo diante da improvável derrota na final da Copa do Brasil contra o Sport.

O segredo é deixar o homem trabalhar, mas cobrando dele o resultado que se espera e que ele mesmo se propõe a obter. Trocar é só em último caso. O São Paulo não precisava disso. A pressa pode minar o bom desempenho do time na temporada...

Por Erich Beting às 13h24

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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