Blog do Erich Beting

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10/07/2009

Vale investe R$ 300 milhões no esporte

A mineradora Vale, antiga Vale do Rio Doce, decidiu mergulhar no investimento do esporte. A empresa anunciou nesta semana um projeto para formar atletas em judô, atletismo e natação. Investirá cerca de R$ 300 milhões com todo o plano, que envolve também capacitação profissional para jovens de seis estados brasileiros.

Em entrevista à Máquina do Esporte, Silvio Vaz, diretor-presidente da Vale, diz que o objetivo é social e esportivo, e tem como foco a formação de atletas para as Olimpíadas de 2016.

Pode ser um bom indício de que o Rio de Janeiro está próximo de ganhar o direito de abrigar as Olimpíadas de 2016. Afinal, com os Jogos por aqui, o país terá de investir, e muito, na formação de campeões olímpicos. Mas, teoria da conspiração à parte, o movimento da Vale é um alento para quem trabalha com esporte.

Quanto mais empresas resolverem usar o esporte como bandeira para seus projetos sociais, mais crescimento da indústria esportiva haverá. Não adianta, agora, diversos proponentes a patrocínio bater na porta da Vale atrás de alguns milhares de reais. O plano já foi traçado, e envolve a criação de atletas, não o patrocínio de estrelas.

Agora, precisamos de mais "Vales" no esporte. Não pela grana investida, mas pelo conceito implementado. O aporte é o típico investimento que parte da estratégia da empresa, e não do empresário. E mostra o quanto o esporte pode ser valioso na comunicação da empresa. Ou seja, mesmo se mudar o comando da empresa, dificilmente o programa sofrerá alteração.

Por Erich Beting às 12h04

09/07/2009

Conselho mela festa no Flamengo

O Flamengo já estava preparado para anunciar, na próxima sexta-feira, que se tornaria o dono da camisa mais valiosa do Brasil.

A diretoria do clube e da Hypermarcas, dona da Bozzano, tinham programado para esse dia o anúncio do contrato de patrocínio para a manga da camisa rubro-negra até dezembro, no valor de R$ 2,5 milhões, dos quais R$ 2 milhões entrariam nos cofres do clube.

Só que o Conselho Deliberativo do Flamengo vetou o negócio. E melou a festa programada.

O resultado mostra o quanto, hoje, é difícil gerenciar um clube de futebol no Brasil. Com uma estrutura baseada na política, o conselho ganha uma importância maior do que o entendimento do negócio. O argumento contra a Bozzano era de que havia uma cláusula de preferência para renovação do acordo.

Em compensação, o Flamengo acertou um contrato de R$ 3,5 milhões por mês, durante três meses, com a empresa de combustíveis Ale. Ela substituirá a Olympikus Tube de outubro até o final do ano. Ou seja, em meio ano o Flamengo conseguiria alcançar um valor recorde de patrocínio. Só com o peito e as costas da camisa são R$ 13,5 milhões (R$ 3 mi da Olympikus e R$ 10,5 mi dos postos Ale). Com a Bozzano, seriam outros R$ 2,5 milhões. A camisa do Fla continua valendo. E muito. Mas, não fosse o conselho, a situação financeira do clube estaria mais bem resolvida.

Tem tudo a ver o fato de haver eleições para presidente no final deste ano...

Por Erich Beting às 01h02

08/07/2009

Recordar é viver?

Ainda em cima do post sobre Corinthians x Fluminense ou Estudiantes x Cruzeiro.

Matéria do dia 3 de julho de 2008, na Máquina do Esporte: "Flu rende mais que Corinthians na Globo".  

Ou seja. A discussão não é nova. E continuará a gerar muita polêmica. Será que pelo segundo ano seguido o tiro vai sair pela culatra? Amanhã daremos a resposta. Tanto aqui quanto na Máquina do Esporte.

Mais tarde respondo aos comentários que ainda faltam. Agora vou para casa. Ver a Libertadores!

Por Erich Beting às 20h17

Culpa da Globo ou da Conmebol?

Pego carona, aqui, em comentário enviado por alguns leitores a respeito do jogo que a Globo vai transmitir hoje. Sim, para a maioria das praças (e inclusive Portugal, pelo que nos noticia de lá o nobre colega Juca Kfouri), será possível assistir apenas a Corinthians x Fluminense, partida atrasada do Campeonato Brasileiro.

Não conseguiremos (em São Paulo, no Rio, em Pernambuco, no Mato Grosso do Sul e em diversas outras regiões) assistir à primeira decisão da Copa Santander Libertadores entre Estudiantes e Cruzeiro.

Mas a "culpa", se é que existe, é de quem?

Neste ano, das 12 melhores audiências da Globo, 11 envolviam jogos do Corinthians. E com Ronaldo em campo. Sim, também a maioria era partida decisiva de Copa do Brasil, na quarta-feira à noite, que geralmente atrai mais audiência pelo estapafúrdio horário de realização da partida.

Então por que a Globo haveria de "arriscar" transmitir uma final de Libertadores, mesmo sendo jornalisticamente mais importante e justificável?

Esse é o grande ponto. A cada dia que passa, o esporte, na televisão, é um produto de entretenimento, e não jornalístico. Com isso, o que gera mais audiência é geralmente o produto que mais se adequa ao interesse da televisão.

Mas o erro maior, nesse caso, é o da Conmebol. Por que não ceder os direitos de transmissão do seu principal campeonato interclubes e exigir que a emissora mostre, OBRIGATORIAMENTE, a final da competição em cadeia nacional? Mesmo que não envolva um time do país?

A Globo faz o que ela acredita ser melhor para ela do ponto de vista comercial. Podemos até questionar essa atitude. Mas não se pode aceitar, de qualquer maneira, que a Conmebol permita que se faça isso com o evento mais valioso hoje do futebol na América (tanto que ele é exclusivo da Globo).

No ano que vem, não importa o horário, o time ou qualquer outro fator, a mesma Globo está obrigada a transmitir a final da Liga dos Campeões da Europa, em cláusula embutida pela Uefa, organizadora do campeonato.

Definitivamente, o erro não é da Globo...

Por Erich Beting às 13h05

Galo depenado

Alexandre Kalil, presidente do Atlético Mineiro, fez com que o Galo desse cinco passos para trás. Pelo menos no que diz respeito à estruturação do marketing do clube. Ok, o Galo está muito bem no Campeonato Brasileiro, como há muito não se via. Mas Kalil simplesmente resolveu adotar uma cruzada contra o departamento que mais havia crescido nos últimos anos.

Kalil pretende alcançar uma austeridade financeira no Atlético. Atitude corretíssima. Mas ele acredita que, para isso, não precisa de um departamento de marketing!!!!

Sim, na visão do dirigente, marketing representa custo. Sócio-torcedor é algo que só serve para times sem torcida. O curioso é que o argumento de Kalil é totalmente contraditório para explicar o porquê de não querer investir em marketing. Para ele, o importante é pagar jogador em dia, e não funcionários no departamento.

Ué, mas como fazer isso?

O dirigente esportivo tem de compreender que o departamento que vai financiar o clube é o de marketing. É ele quem buscará a receita diferente, aquela que não está no patrocínio da camisa, que não está na venda do jogador, até mesmo na venda de ingresso. Além disso, é o marketing quem faz o torcedor ser tratado como consumidor (e o projeto de sócio-torcedor é uma dessas ferramentas).

O Galo, do jeito que está, ficou sem as penas. É, literalmente, uma pena o pensamento de Kalil, figura extremamente carismática e que tem todas as condições de tirar o Atlético da difícil situação em que está. Mas carisma, sem projeto, não se sustenta. O resultado dentro de campo pode até mascarar a realidade. Mas, em breve, o clube precisará desesperadamente de novas fontes de receita. E aí, sem o marketing, isso fica praticamente impossível de alcançar...

Por Erich Beting às 07h21

07/07/2009

Record encontra dificuldade em bater a Globo

Será árduo o trabalho da Record em tentar bater a Globo. Pode-se dizer que o último domingo marcou o início mais acirrado do duelo entre as emissoras pela audiência esportiva. Finalmente a Record estreou o seu Esporte Fantástico, programa dominical que tem como objetivo bater de frente com o Esporte Espetacular da Globo.

Na estreia, já ficou claro que será difícil. Apenas quatro pontos de média na audiência.

O caminho para conquistar o público e acostumá-lo a acompanhar o esporte pela Record é longo. Demorará alguns anos, e quem sabe o retorno disso só virá com os Jogos Olímpicos em 2012. O maior problema é que, para isso, será preciso muita persistência da emissora. Ou seja, não é só criar a cultura no telespectador, mas dentro da própria Record, de que o começo será meio que na base da audiência perdida, que não serve tanto para conseguir anunciante, mas sim para marcar território.

Outra chave para ganhar respeito do espectador é sair em busca de grandes eventos para transmitir. O judô já foi. O handebol está a caminho. As Olimpíadas são a "cereja do bolo". Mas é preciso mais. Isso dá confiança até para quem trabalha com esporte.

Hoje, notícia do site Tazio dava conta de que a Copa Nextel Stock Car pode ser a próxima a migrar para a emissora paulista. A história causou alarde entre os patrocinadores da categoria, preocupados com a queda de visibilidade que uma eventual mudança pode ter. A Stock é parceira da Globo na venda de propriedades comerciais do evento. Além do pacote para ser patrocinador da Stock, a empresa tem uma entrega de mídia via veículos da rede dos Marinho.

É esse o contexto no qual está inserida a entrada da Record no mercado. Para conseguir incomodar, ainda levará muito tempo. O Show do Esporte, na Band, foi o percursor desse movimento, numa época em que a TV aberta não dava tanta importância para o esporte como negócio. Hoje, a realidade é outra. E, mudá-la, será uma tarefa de muito investimento e muito tempo para obter retorno palpável. Tanto em grana quanto em audiência...

Por Erich Beting às 20h29

Um caminho para as receitas no esporte

O Corinthians já projeta ter de vender um jogador para conseguir fechar a conta no final do ano, prevista para apresentar um déficit de R$ 15 milhões no cenário atual do clube. Da mesma forma, o São Paulo precisa estar na Libertadores no ano que vem para não ter de vender ninguém para continuar no azul... Diversos outros clubes encontram, na venda de atletas, o sucesso financeiro no ano.

E como mudar essa realidade no futebol? Ou, melhor, no esporte em geral?

A chave para uma mudança está na diversificação das fontes de receita. É aquela velha história. Quando você aumenta as despesas dentro de casa, começa a fazer bico em tudo quanto é lugar para conseguir pagar as contas. No esporte, a realidade é a mesma, com um bom diferencial. É possível ganhar dinheiro de várias formas diferentes.

Os clubes de futebol, agora, parece que começam a perceber o potencial de negócios que representam. Foi-se o tempo em que o dirigente conseguia pagar a conta só com receita de patrocínio, de TV e de bilheteria. Com a ampliação do conceito de marketing no esporte, o futebol percebeu que é preciso fazer do clube uma marca poderosa. E isso significa, necessariamente, o clube passar a ser visto como um gerador de negócios nas mais diferentes áreas.

Ontem, em São Paulo, foram lançadas as bicicletas infantis dos cinco maiores clubes do estado. Um projeto simples, mas que mostra o potencial de consumo do futebol no Brasil. Afinal, hoje a criança compra bicicleta pelo produto que ela representa. E o futebol vai concorrer com o Ben10, a Barbie, as Princesas, o Hot Wheels...

O esporte percebeu, finalmente, que ele é produto do entretenimento. Quem puxa a fila dessa história, obviamente, é o futebol, que representa a maior fatia de consumidores do esporte no Brasil. O vôlei começa, timidamente, a buscar esse caminho também a partir da criação de uma coleção de roupas da CBV, que deve ser implementada em breve pela Vulcabrás, dona da marca Olympikus. Da mesma forma, o COB deverá ter a sua linha, denominada "Time Brasil".

Além de uma maior maturidade de quem trabalha com o esporte, outro fator que explica esse movimento é a estabilidade da economia no Brasil. Hoje as pessoas consomem muito mais o esporte do que há questão de cinco, dez anos. E isso melhora a economia esportiva como um todo, permitindo que a diversificação dos planos de licenciamento seja algo palpável. O que é preciso fazer, agora, é trabalhar ainda mais para analisar e aumentar o potencial de geração de receita das modalidades.

E isso passa, necessariamente, pela conscientização de que o esporte tem de fazer de tudo para impedir que o artista vá embora. Sem ele, o produto perde qualidade, e a possibilidade de gerar mais dinheiro acaba. É assim que os EUA pensam o esporte. Foi assim que a Inglaterra reinventou o futebol no seu país.

Nova iniciativas de licenciamento esportivo sempre são uma mostra de que há luz no fim do túnel. Mas a ideia de que é preciso vender um jogador para "fechar a conta" não pode mais ser vista como algo inerente ao futebol brasileiro. Assim como o vôlei não pode existir apenas quando há patrocínio. Ou o basquete, o handebol, etc.

Por Erich Beting às 08h22

06/07/2009

O limite do marketing no esporte

Ampliar as chances de negócio dentro do esporte é muito legal. Hoje é uma das essências do futuro de qualquer modalidade. Afinal, num mundo voltado para o dinheiro, o esporte tem de se inserir como um produto de entretenimento, gerando receita e pagando toda a sua cadeia de trabalho.

Mas, por mais que o marketing esteja bem enraizado na estrutura esportiva, o gestor esportivo não pode se esquecer do básico. No fim, a essência do seu negócio é o esporte. Ele não é o meio para ganhar dinheiro. Digo isso porque nesta segunda-feira o jornal Sport, de Barcelona, publicou uma interessante matéria comparando Florentino Pérez, o presidente do Real Madrid, a Joan Laporta, comandante do Barcelona.

Ambos são endeusados pelos torcedores de cada clube. Florentino é apontado como o responsável por ter recolocado o Real Madrid no lugar que lhe é devido após a formação da primeira era galáctica, sendo o clube mais rico e, principalmente, mais admirado da Europa por muitas pessoas. Laporta é consagrado por ter feito o Barça voltar a ser campeão da Liga dos Campeões e, também, por ter saneado as finanças mais do que combalidas do clube catalão.

Só que o mais divertido dessa história toda é que o título da matéria já diz tudo. "Laporta gasta menos e ganha mais do que Pérez".

Num apanhado histórico, o diário relembra que, em sua gestão, o dirigente do Barça venceu duas vezes a Liga dos Campeões e três o Campeonato Espanhol. Para isso, Laporta investiu 306 milhões de euros em contratações, sendo a mais badalada a de Ronaldinho Gaúcho. Já o seu rival de Madri faturou uma Liga dos Campeões, um Mundial de Clubes e duas ligas locais durante sua primeira passagem pelo clube (2000-2006). Para conquistar esses quatro títulos, porém, Pérez teve de desembolsar 422 milhões de euros, sendo que o time dos galácticos, que tinha Beckham, Zidane, Figo, Ronaldo e Robinho naufragou dentro de campo.

Por mais marketeiramente sensacional que tenha sido todo o bafafá criado pelo time galáctico do Real, a essência do esporte é a vitória. E, de preferência, vitória alcançada de maneira racional, sem quebrar o clube para a próxima gestão.

Não há marketing que sustente uma péssima campanha dentro de campo. O gestor tem de sempre ter isso em mente quando, pretensamente, monta um "supertime".

Por Erich Beting às 17h52

O Real Madrid agora quer vaga cativa na Liga!

Essa já me tirou o sono logo cedo. Notícia que chega da Europa, após uma entrevista de Florentino Pérez, presidente do Real Madrid para uma rede de TV da Espanha.

O manda-chuva endinheirado do clube espanhol pede, agora, que os grandes clubes da Europa tenham cadeira cativa na Liga dos Campeões. Melhor que isso, Pérez sugere que seja criada uma Super Liga da Europa, apenas com os maiores times.

Por trás de seu discurso tem uma briga de egos com Michel Platini, presidente da Uefa e ferrenho crítico da política de contratações milionárias de Pérez. O ex-craque francês já disse que foi irracional contratar a peso de ouro Cristiano Ronaldo e Kaká. A frase de Pérez, com isso, atinge direto Platini e seu compromisso, desde que assumiu a Uefa, de tentar deixar mais igualitária a sua principal e mais rentável competição.

Sim, os campeões continuarão apenas a ser os grandes. Mas, ao levar vários "nanicos" de zonas periféricas da Europa para a Liga, Platini agrada e melhora as condições financeiras desses clubes. Anos atrás, apenas a Copa da Uefa estava disponível para eles, com premiação cerca de três a quatro vezes menor que a da Liga.

O movimento que Pérez tenta criar é o mesmo que Silvio Berlusconi fez com o Milan no final dos anos 90. A pressão, naquela época, serviu para criar o G-14, grupo que reunia os clubes mais poderosos do continente, e também para fazer a Uefa ceder e inflar a Liga dos Campeões, levando-a ao atual formato, em que os times mais ricos quase sempre estão na fase final da disputa.

O problema do espanhol é que sua política de contratações irrita os rivais. A agressividade de negociação de Pérez deixa seus colegas preocupados com inflacionamento do mercado e, mais do que isso, revoltados com a política de controle de gastos que hoje é praticamente regra na Europa. Definitivamente a ideia da Super Liga não passará de devaneio de Florentino Pérez.

E é isso o que mais preocupa. Nessa sua segunda passagem pelo Real Madrid, parece que o dirigente repete, a cada dia, os mesmos erros que fizeram do clube uma potência comercial, mas nada além disso.

Por Erich Beting às 07h08

05/07/2009

A Indy e os grandes eventos esportivos no país

Primeiro, a opinião dos leitores:

[Eduardo Prado] [aviprado@bol.com.br]
Isso é normal o governo ter investir em algo que não compete a ele e depois a iniciativa privada só vai querer ficar com os lucros...acho que este é um grande malque existe no esporte brasileiro os empresários tem medo de investir sem ter certeza de retorno assim torna muitos eventos inviaveis.

[chloffler] [chloffler@hotmail.com]
É impressionante como algumas pessoas só veem potencial para relização de grandes eventos, em grandes capitais como Rio de Janeiro e São Paulo, já esta na hora de direcionar investimentos para as cidades do interior, Ribeirão Preto é uma cidade extraordinaria com grande potencial. Com relação ao investimento publico, se o evento tivesse previsão para ser realizado no Rio ou São Paulo o cenário não seria diferente. Um exemplo claro, são as obras para realização da Copa do Mundo. Então não venham com essa conversa de que Ribeirão não tem autódromo decente, ou vocês acham que os estádios brasileiros são decentes.

[emcampos] [emcampos@usp.br]
É uma pena abrir a net e ter que ouvir comentários infelizes como esses. Sim, Ribeirão é a capital mundial do etanol e a indy quer isso. Os investimentos da mesma forma que a copa será com dinheiro público municipal, e pense no retorno que terá para a cidade. Tem algumas pessoas que moram em grandes centros e que foram criados no video game no tapete da sala da vó que deveria viajar e conhecer melhor o país em que vive antes de sair e escrever besteira na internet. Lastimável. 

Agora, mais um pouco sobre a Indy e grandes eventos esportivos no Brasil:

Dá para perceber que pegou mal por aqui meu comentário de que a Indy em Ribeirão Preto (SP) é meramente jogada política e que, mais uma vez, teremos uma farra com o dinheiro público para algo sem tanto retorno palpável para a população.

Peço, de antemão, desculpas àqueles que se sentiram ofendidos, mas reitero a minha posição. E não é nada contra Ribeirão ou cidades fora dos grandes centros, mas o fato é que realizar uma Indy em Ribeirão não trará qualquer retorno para a cidade.

E quem diz isso é o próprio mercado investidor. Já ouvi, de mais de um potencial patrocinador da etapa brasileira da Indy, que o projeto de Ribeirão não se sustenta. Nada contra a cidade, que é ótima, muito mais bem-resolvida que diversos outros lugares do país, inclusive grandes centros. O problema é que o investimento não vale a pena.

No Brasil, a logística de fazer um evento fora de São Paulo ou Rio de Janeiro é extremamente complicada. A começar pelo fato de não haver um aeroporto internacional fora dessas duas cidades. Usando como exemplo a Indy em Ribeirão, consideremos que os voos que chegam ao país terão de parar em São Paulo para depois as pessoas se deslocarem à cidade. Para um patrocinador, também é complicado realizar qualquer ação com camarotes. Como levar os clientes para aproveitar o evento? É difícil e muito mais caro do que se a corrida fosse, por exemplo, no Rio ou em São Paulo.

Para complicar ainda mais, e esse é o ponto da minha maior crítica, o que aconteceria com o autódromo de Ribeirão depois da passagem da Indy? Quantos eventos seriam realizados para conseguir fechar a conta de uma manutenção mensal da pista? Nem em Interlagos, o mais movimentado dos autódromos do país, as despesas mensais são pagas de maneira redonda, o que dirá de um local que precisaria criar uma cultura de eventos para começar a ter movimento?

No final das contas, é bem provável que tenhamos em 2011 um lobby forte de patrocinadores e pilotos para mudar a Indy brasileira de lugar por conta da operação logística. E aí o que veremos é uma situação de abandono deplorável do autódromo, tal qual acontece em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.

Infelizmente a situação é a mesma para diversos outros grandes eventos esportivos. O Aberto de Tênis, realizado desde o início da década na Costa do Sauípe, na Bahia, vive sempre com dificuldade para levar público e, mais do que isso, ter patrocinador para bancar a conta e levar gente para os camarotes de relacionamento.

Na Copa do Mundo, as mesmas dúvidas pairam sobre o futuro de estruturas em locais onde não há tanto interesse pelo futebol, como Manaus e Cuiabá. A política ainda interfere, e muito, na decisão técnica. E o que se vê, ao final disso, é o governo tendo de investir a fundo perdido. Do contrário, acontece o pior, que é o cancelamento do evento.

Por Erich Beting às 22h02

A Nike e o "marketing instantâneo"

Nem bem terminou Wimbledon e a Nike já aprontou mais uma. Na forma de marketing viral, característica da empresa desde as famosas bolas na trave de Ronaldinho Gaúcho, em 2005, o Youtube virou o canal para a empresa prestar a sua primeira homenagem a Roger Federer, maior campeão de Grand Slams da história do tênis mundial.

O vídeo é curioso, e brinca com os 15 títulos dos quatro principais torneios de tênis. E os parabéns mostra a força da marca no esporte: Michael Jordan, Tiger Woods, Pete Sampras, Serena Williams e John McEnroe dão o seu pitaco sobre a conquista de Federer.

Em tempos de internet, o marketing da vitória é praticamente instantâneo.

Por Erich Beting às 18h39

Tênis é marketing, e não mídia

O tênis não é, definitavemente, um esporte feito para a televisão aberta. Até mesmo para a TV por assinatura dá para se pensar em algumas restrições. A conquista de Wimbledon por Roger Federer deixou isso bastante claro.

Foram mais de quatro horas de jogo para consagrar o maior vencedor da história. E só o fanático por esporte e, especificamente, pelo tênis, provavelmente aguentou acompanhar a maratona que foi a vitória sobre Andy Roddick.

Mas a vitória do suíço mostrou, também, um aspecto muito interessante do tênis na atualidade, e que explica porque a modalidade continua a faturar com patrocínio e a distribuir muito dinheiro em premiação, apesar da crise financeira que afugentou muitas empresas.

O tênis não é um produto para a mídia. A indefinição do tempo de duração do jogo afasta de vez o interesse da TV em exibir os jogos. Por isso a ATP, que organiza os eventos do circuito, percebeu que tinha de explorar o marketing. E fez isso muitíssimo bem.

O grande barato, hoje, não é ver o jogo pela TV, mas sim levar o torcedor ao evento. Foi isso o que mais se viu na quadra central de Wimbledon. Alex Ferguson (técnico do Manchester United), Michael Ballack (meia do Chelsea), Russel Crowe (ator), Woody Allen (ator e produtor) e David Coulthard (ex-piloto de F1) foram algumas das figuras que foram flagradas pelas câmeras na Inglaterra, assistindo ao jogo. Isso sem contar os antigos astros do tênis, como Pete Sampras, Boris Becker, John McEnroe, Rod Laver e Bjorn Borg.

O patrocinador busca, no tênis, exatamente esse relacionamento. Poder se comunicar com um público de alta classe dentro das arenas, nos jogos. Levar clientes importantes para um evento único. A exposição em mídia acaba se tornando algo superficial. Tem o seu valor, mas não é o que mais interessa.

Por que o vôlei, o basquete e até mesmo o futebol não percebem esse diferencial que o esporte pode ter?

Por Erich Beting às 17h26

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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