Blog do Erich Beting

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18/07/2009

Belluzzo e o teto salarial

Luiz Gonzaga Belluzzo, presidente do Palmeiras, deu uma palestra ontem na Assembleia Geral do Clube dos 13. Em sua apresentação, o mandatário palmeirense pediu aos colegas que trabalhem para adotar um teto salarial para os clubes de futebol no país.

A ideia é louvável e pode ser um caminho para colocar as finanças em ordem no futebol brasileiro. Só que ela esbarra num "pequeno" problema.

A adoção de um teto salarial funciona muito bem nas ligas americanas, mas foram pensadas e tentadas no futebol europeu em vão. E o motivo é óbvio. A estruturação do esporte de alto rendimento, nos EUA, é a partir liga. Há uma empresa que é responsável por cuidar de todos os interesses dos clubes e, mais do que isso, pensar em como gerar o máximo de receitas para a liga. E é a liga quem estabelece regras para evitar que um clube tenha muito mais vantagem que os seus oponentes. Os executivos impedem que haja discrepância entre os clubes, com os mais ricos sempre ficando próximos dos mais pobres tanto em termos de receita quanto na contratação de jogadores (o draft serve muito para isso).

No futebol, pela estruturação que existe em confederações e federações, o formato de uma liga tão comunitária quanto às dos EUA é praticamente impossível de existir. As ligas só conseguem funcionar, no máximo, até a organização do Campeonato Nacional. Torneios continentais são impossíveis de serem colocados numa única liga, uma vez que todos os clubes de diferentes países têm por direito participar.

E é aí que está o grande problema para criar um teto salarial.

Vamos pensar que o Brasil estabeleça um limite de salário para os atletas. E, na sequência, a Venezuela comece a contratar uma gama de jogadores brasileiros porque lá não há tal limite. A competição, quando sair do âmbito brasileiro, vai para o buraco. Os times do Brasil podem se enfraquecer em comparação com os de outros países.

Para o futebol, a questão não é o teto salarial em valores, mas sim em porcentagem da receita. Mais ou menos como se o limite para um time gastar com salários fosse atrelado ao quanto ele tem de dinheiro no caixa. Não pode passar de 50% do que arrecadar, por exemplo. Quem passar, perde pontos no campeonato.

Esse poderia ser um caminho, até porque provocaria uma disputa cada vez maior dos clubes na busca e otimização de receitas. Ou, então, o futebol impõe um teto salarial mundial. O que, é claro, é impossível de acontecer.

Por Erich Beting às 11h36

17/07/2009

Flamengo dribla conselho e fecha com Bozzano

Com uma semana de atraso, o Flamengo finalmente anunciou o patrocínio com a Bozzano. A diretoria do clube conseguiu convencer o Conselho Deliberativo a assinar o patrocínio, que renderá R$ 2,5 milhões para o combalido cofre rubro-negro.

No domingo a camisa do Flamengo já terá a marca do grupo Hypermarcas estampada nas mangas. Além disso, os uniformes das categorias de base do clube terão também a marca Bozzano. O parto que se transformou a assinatura desse contrato levanta uma discussão boa sobre o modelo de gestão de clubes de futebol no Brasil.

Não temos, nos grandes times daqui, um dono (apesar de muitos dirigentes se apoderarem do cargo anos a fio). Com isso, o conselho do clube adquire uma força importante. É ele quem tem a palavra decisiva para os patrocínios, na maioria dos casos. E aí acontece igual ao que houve no Flamengo desta vez.

Os conselheiros brecam alguns negócios por total falta de conhecimento técnico. Sem ter noção do negócio, baseiam-se na história do clube e no "manto sagrado" para exigirem valores absurdos para alguns patrocínios. O conselho do Fluminense, baseado no estatuto do clube, por exemplo, impediu que a camisa laranja, criada em 1999, pudesse ser usada pelo time durante uma partida. Da mesma forma, diversos outros patrocínios minguaram por força do conselho.

Da maneira como o esporte está estruturado hoje em dia, o Conselho Deliberativo tem de assumir apenas uma função política. Sua intervenção no dia-a-dia dos negócios do clube são, na maioria das vezes, catastróficas. Se não causam o fim de um acordo, acabam atrapalhando o negócio. E, às vezes, podem deixar uma empresa receosa de investir no futebol por conta dessas barreiras que surgem de uma hora para outra.

Por Erich Beting às 15h54

Como patrocinar com inteligência

Conforme prometido ontem, segue o link para a matéria sobre a entrada da Telhanorte no mercado esportivo. É interessante perceber que a empresa decidiu entregar à agência de publicidade a escolha pelo patrocínio esportivo. E a agência, por sua vez, procurou outra, especializada em esporte, para mostrar qual poderia ser o melhor custo-benefício dessa relação.

Seria o sinal de novos tempos? Ou só empolgação deste que escreve mesmo?

Leia na Máquina do Esporte e tire suas conclusões!

Por Erich Beting às 08h03

16/07/2009

Telhanorte usa estudo para patrocinar Ponte e Guarani

A Telhanorte anunciou hoje o patrocínio a Guarani e Ponte Preta. O mais legal é que a decisão de patrocinar os dois times de Campinas foi tomada após a empresa encomendar um estudo para saber qual seria a melhor maneira de fazer sua primeira incursão no esporte.

Amanhã, na Máquina do Esporte, teremos a matéria completa com entrevista do pessoal da Golden Goal, empresa que fez o estudo para a DM9DDB, a agência de publicidade da Telhanorte. Foram eles que montaram toda a inteligência do patrocínio. De partida, dá para dizer que o conceito é de que apenas a exposição de mídia que o futebol traz não serve para o patrocinador. Ele precisa ir além, tem de se relacionar, procurar o cliente entre os torcedores, levar os seus principais clientes para assistir o jogo no camarote, etc.

É o tal do relacionamento com o consumidor que só o esporte é capaz de proporcionar.

E esse caso é um indício de que as coisas começam a melhorar para o esporte no país. Pelo visto, podemos começar a sonhar realmente com a existência de estratégias de patrocínio.

Por Erich Beting às 20h51

E no final das contas...

O Ibope da Globo foi bom para o Brasileirão (25 pontos para São Paulo, que assistiu à vitória do Palmeiras sobre o Flamengo), mas abaixo do que a emissora conquistou em 2008 quando transmitiu a segunda final da Copa Santander Libertadores (entre Fluminense e LDU, que marcou 31 pontos). E, no comparativo 2008 x 2009, a audiência em São Paulo caiu.

Leia os detalhes na Máquina do Esporte.

Sigo com a mesma tese. A Globo fez o que achava ser bom para ela em termos comerciais. O jornalismo foi deixado de lado nessa história. Pelo visto, o índice de audiência mostra que melhor teria sido se preocupar em mostrar o jogo que as pessoas gostariam de ver.

Mas o maior problema é que a Conmebol continua sendo conivente com esse tipo de atitude. Seus patrocinadores também deveriam pressioná-la para peitar as emissoras que deixaram de exibir o jogo decisivo do principal torneio das Américas. E passar a exigir, no contrato de cessão dos direitos de transmissão, a exibição das duas partidas decisivas do campeonato para todo o país. Pelo menos.

Por Erich Beting às 12h50

A história curiosa. E o abismo entre Brasil e Argentina

Sim, não é inédita a ação que a LG faz no Boca, de ter de mudar a cor de seu logotipo para fazer negócio com o clube argentino. Como muitos lembraram aqui, o Grêmio obrigou isso da Coca-Cola nos anos 80, o Fenerbahçe não permite o vermelho e amarelo do McDonald's e do arquirrival Galatasaray em seu estádio, o Corinthians mudou a cor da Medial Saúde e mais uma série de outros exemplos. Coisas que só o esporte é capaz de fazer, brecando a sanha consumista das empresas para não ferir tradições.

Mas apenas o Ederson Muniz se atentou para outro fato muito mais curioso, que é o abismo que existe entre os mercados de Brasil e Argentina.

A LG fechou por US$ 2 milhões o patrocínio ao Boca. Cerca de R$ 4 milhões por ano. A mesma LG paga, aqui no Brasil, R$ 18 milhões para estampar sua marca na camisa do São Paulo.

Sim, é isso mesmo! O que o São Paulo recebe em três meses do seu patrocinador é mais do que o que o Boca recebe ao longo do ano. Com um detalhe ainda mais intrigante. O Boca detém quase 50% da torcida do futebol na Argentina. O São Paulo é a terceira maior torcida do país.

E o que essa diferença acarreta?

Como comentei por aqui quando saíram os classificados para as oitavas-de-final da Copa Santander Libertadores, a lógica da bola é cada vez mais a lógica da grana. Com isso, quem tem mais dinheiro em caixa, geralmente vai mais longe nos campeonatos que disputa. Os times do Brasil geralmente têm, de longe, os elencos mais caros das Américas. E isso permite ter também os melhores times. Não à toa, desde 1998 só duas vezes (2001 e 2004) não havia pelo menos um brasileiro na decisão do torneio.

Não é difícil termos, em 2010, brasileiros e argentinos decidindo a Libertadores. Mas aí, quando a bola rola, esqueça a lógica da grana. Como bem mostrou ontem o Estudiantes, times mais limitados podem, perfeitamente, se superar quando joga com o coração. E é isso que faz o futebol ser muito diferente dos outros esportes. A chance do pequeno vencer um maior é muito real.

Por Erich Beting às 10h04

15/07/2009

Uma história curiosa

Qual a curiosidade da foto abaixo?

Resposta na Máquina do Esporte. E amanhã, comentário no blog sobre esse assunto intrigante que envolve o futebol.

Por Erich Beting às 20h49

O patrocínio de forma bem explorada

Sabia que o post sobre o aporte da Eletrobrás no Vasco iria causar bastante polêmica. Para não ficar apenas nas palavras, seguem dois exemplos de como não ficar apenas no trivial na hora de ter um patrocínio no esporte.

Um deles vem da meca do marketing esportivo, os Estados Unidos. Uma ação da Gatorade com Michael Jordan, para mostrar o novo produto com a marca do eterno astro do basquete (qualquer semelhança com as campanhas publicitárias que Pelé faz por aqui é mero devaneio de uma mente otimista). A foto abaixo é a reprodução do que foi feito pela empresa em Chicago, com a imagem de Jordan estampada a partir da colocação de 19 mil garrafas do produto.

A outra é aqui do Brasil, numa forma que a Electrolux encontrou para comunicar a ação que realizou no Rally dos Sertões. É importante perceber, nos dois casos, que a marca procura explorar ao máximo a relação com o patrocínio.

Para encerrar, fica a pergunta. Será que haverá interesse da Eletrobrás em fazer algo do tipo no Vasco? Até agora, no basquete, outro esporte que a estatal atua, nada disso foi feito. Para não me acusarem de bairrista, torcedor, etc. Alguma empresa faz isso no futebol? Ou em diversos outros esportes?

Por Erich Beting às 18h44

O Vasco e a Eletrobrás

O Vasco anunciou ontem o contrato com a Eletrobrás. Depois de meio ano de pendência judicial, houve festa para celebrar a assinatura do contrato. O valor é alto: R$ 14 milhões por ano, sendo que envolve também os esportes "olímpicos" do clube carioca.

Por quatro anos, a estatal estará com a marca estampada nos uniformes vascaínos. Por aqui vários leitores cobraram de mim um posicionamento sobre o patrocínio. Bom, vamos a ele.

É um alento o Vasco ter um grande patrocínio após tanto tempo. Um pouco dessa demora é parte da herança de Eurico Miranda, mas tem muita política envolvida na história, até mesmo para brecar um avanço do grupo de Eurico na política interna do Vasco. Por isso, não vejo como algo bom para o clube da maneira como está sendo construído esse patrocínio.

Os clubes têm de parar de ver no patrocinador uma ajuda, ou apenas um cheque no final do mês. Eles devem querer construir uma relação com os seus parceiros comerciais. Só assim conseguirão aumentar suas receitas e fazer com que a empresa decida investir no clube pelo valor que ele realmente agrega à marca.

Por isso que o movimento feito pelo Flamengo, de romper com a Petrobras e ir em busca de uma empresa privada, é interessante. Mesmo sabendo que por trás disso tem também uma questão de dívidas com o governo que impediam o clube de ganhar dinheiro da estatal.

Os times do Rio são aqueles que estão com as maiores dívidas com o governo, de acordo com os balanços publicados. E, em vez de serem cobrados a racionalizarem essa dívida (não questiono aqui o oba-oba infrutífero da Timemania), são estimulados a manterem a irresponsabilidade da gestão com o aporte de dinheiro de empresas estatais.

As empresas públicas são hoje as mantenedoras do esporte fora do futebol. Vôlei, basquete, handebol, atletismo, judô... Todas as modalidades de maior destaque possuem um dedo do governo no investimento. No futebol, o Vasco é hoje a "bola da vez". E, assim, o negócio vai ficando em segundo plano.

Por Erich Beting às 13h13

Pela atualização do mercado

Muito já discutimos aqui no blog sobre a falta de profissionalização de diversos setores da indústria do esporte. Em quatro anos à frente da Máquina do Esporte, também já foi possível detectar diversas falhas na gestão do esporte no país. Muitas vezes, não por falta de vontade, mas sim por puro despreparo de quem deve tomar a decisão dentro do clube, da empresa, do atleta, etc.

Por isso, neste segundo semestre decidimos criar um projeto para atualizar os conhecimentos sobre a indústria do esporte. No próximo sábado, haverá o lançamento do projeto "Academia Máquina do Esporte". Uma série de palestras com o objetivo de tratar de diversos temas que fazem parte hoje do dia-a-dia do profissional que trabalha com a gestão e o marketing esportivo.

Na estreia, além de apresentarmos o projeto, haverá também uma palestra sobre a evolução do marketing esportivo no Brasil e no mundo. Para mais informações, veja a matéria no site da Máquina. Espero vocês lá!

Por Erich Beting às 08h36

14/07/2009

O erro de conceito na gestão do futebol brasileiro

Há um claro erro de conceito na dança das cadeiras que voltou a acometer o futebol brasileiro. No ano passado, parecia que os dirigentes do país tinham aprendido que o importante é manter uma base para ter um resultado de longo prazo. Ou melhor, resultado de curto prazo. Em 2008, a maioria dos times que foi bem no Brasileirão não trocou de técnico. Só o fez antes da competição ou ao término dela. Verdade dizer que, em 2007, também isso já tinha sido feito.

A questão é simples. O treinador é quase sempre o primeiro a rodar para que o clube tenha "sangue novo", "recuperação", "volta ao rumo" ou qualquer outro termo que valha para explicar uma queda brutal de rendimento, ou ao menos um resultado abaixo do esperado.

Só que o buraco é bem mais embaixo. A começar pela imprensa, que bate o bumbo a toda hora cobrando resultado dos times e, quando o treinador é demitido, volta ao velho bordão de que os dirigentes não sabem ser pacientes. É só reparar. Agora, o Tite é a bola da vez. Ninguém diz que ele vai continuar no cargo. A todo segundo surge uma informação e, pior, uma certeza, de que ele sairá do Inter para dar lugar a Muricy, Parreira, Mãe Dinah...

O problema é que o conceito está errado. Ou, pelo menos, invertido. Não ter uma boa temporada é absolutamente normal no esporte. Ninguém consegue ficar no topo por tanto tempo seguido. Os que ficam, geralmente, são aberrações. No futebol, o ciclo de vitórias em média dura até quatro anos. Mais do que isso é muito difícil, ou é a prova de que há um desnível muito grande entre os competidores (o Lyon, na França, é o melhor exemplo disso).

Só que o futebol, antes no Brasil, hoje também na Europa, cobra do treinador o resultado imediato, sem tempo de maturação para o trabalho de formação de uma equipe. O São Paulo de Muricy foi formado ao longo do tempo e, desde 2006, é o melhor time do Brasil. Mesmo assim parecia ser necessário trocar o treinador. O motivo? Ele não tinha conseguido fazer o time voltar a ser campeão da América.

Oras, mas onde está o problema?

Numa empresa, raramente a primeira cabeça que rola é a do chefe. Antes dele são trocados diversos executivos de escalões menores, sempre com o objetivo de montar uma equipe, entrosá-la, dar um período para maturação e então cobrar resultados. Da mesma forma que o título ao final do ano é a obrigação, o lucro anual da empresa também é vital.

Só que, se o resultado não aparece, não existe uma troca de toda a equipe. Senta-se, discute-se, tenta-se rever os conceitos, troca-se peças que não encaixaram bem, etc. E, quase sempre, o principal executivo é mantido no cargo, sabendo que precisa motivar mais seus funcionários, estimular a competição saudável entre todos, obter melhor desempenho no ano seguinte.

E por que o futebol não consegue pensar desse jeito? Será que o problema do São Paulo era o treinador ou alguns funcionários/jogadores que não estão rendendo o esperado?

Claro, o atleta continua a ser o maior ativo dentro de um clube, mas será que não é melhor dispensar o jogador a sempre trocar de treinador? A mudança de comando do time exige muito mais período de adaptação. É uma nova mentalidade implementada no time, são novos jogadores a ter oportunidade, é uma nova forma de trabalhar...

Na Inglaterra o conceito de treinador permanente é muito enraizado. Até porque os clubes têm um dono, que escolhe quem fica e quem sai. Por aqui, até mesmo a alternância de dirigentes, que é extremamente benéfica pela forma como o futebol está estruturado, atrapalha um pouco na cultura de manter um treinador. 

Mas parece que voltou a ser difícil enxergar o óbvio. Nem sempre demitir o chefe significa que a equipe vá entrar nos eixos.

Por Erich Beting às 00h52

13/07/2009

Corredores despertam disputa entre marcas

O universo dos corredores de rua entrou na rota de investimento pesado das empresas de material esportivo. Febre nos Estados Unidos, bem posicionada na Europa, a corrida de rua, que tem no atleta amador muito mais um sinônimo de qualidade de vida do que de esporte competitivo, passou a ser obrigatória nas ações de marketing das grandes marcas.

Hoje a Olympikus anunciou o modelo Tube Tech. Segundo a empresa, foram investidos R$ 10 milhões, ao longo de três anos, para a concepção do modelo. A empresa ouviu os atletas amadores, os não-atletas e os corredores profissionais para chegar no tênis. Para a Olympikus, o maior diferencial do calçado é o preço: R$ 250,00. De fato, algo que cabe no bolso da maioria dos praticantes de corrida. Resta saber se a empresa conseguirá vencer o preconceito dos próprios corredores, que têm nas líderes Mizuno e Asics a referência de preço (acima de R$ 500) e qualidade no mercado.

Na semana passada, a Nike fez estardalhaço para falar da criação da Nike 600K, prova que reúne atletas "meio-amadores, meio-profissionais", mas praticantes assíduos de corrida. O grande barato é que a prova sairá do Parque do Ibirapuera, em São Paulo, e se encerrará em Ipanema, no Rio de Janeiro. Ao longo dos 600 quilômetros entre as duas cidades, muita mídia, um estardalhaço entre as assessorias de corrida participantes e uma ampla divulgação do serviço Nike Plus, criado pela empresa no ano passado para o corredor regular.

O que está por trás dessas e de outras ações de outras marcas (a Mizuno, por exemplo, tem sua prova de 10 milhas de distância, já a Reebok trabalha com uma prova noturna, assim como a Fila, e por aí vai) é a febre de consumo que o corredor de rua tem.

Assim como aconteceu com o mercado de skate e de surfe, a corrida tem se tornado muito mais do que um esporte, um estilo de vida. É o cara que acorda cedo, que consome aparelhos portáteis de som, protetor solar, etc. Correr é fácil, democrático e não agride o meio-ambiente, dizem os que trabalham com isso.

Pode até ser. Mas o que explica essa febre das corridas é o estilo de vida mais saudável. E, na carona dessa mudança de hábito, as marcas tentam faturar. Em qualquer fabricante de material esportivo, a venda de calçados é o carro-chefe do lucro. E, no final, as marcas criam necessidades cada vez maiores aos corredores para estimular, neles, o consumo. No frigir dos ovos, a própria indústria do esporte se beneficia disso.

Por Erich Beting às 17h23

12/07/2009

Como controlar a informação no esporte

As apresentações de Kaká e Cristiano Ronaldo no Real Madrid mostraram uma tendência criada há tempos nos Estados Unidos e que, na Europa, os clubes de futebol já conseguem implementar. As imagens mostradas pelas emissoras de televisão, em todo o mundo, foram apenas aquelas divulgadas pela TV do Real Madrid. Ou seja, foram imagens oficiais, produzidas por uma equipe de reportagem do próprio clube.

Com isso, o Real conseguiu assesgurar uma vida muito mais tranquila em relação à imprensa interessada em fazer a cobertura do evento (todas as emissoras de TV não puderam enfiar suas câmeras e microfones para captar a melhor imagem e o melhor som dos atletas) e, principalmente, os patrocinadores do clube tiveram uma exposição limpa, sem qualquer tipo de corte abusivo para evitar a aparição de suas marcas.

Anos atrás, o Manchester United tentou implementar algo do gênero, só que com os fotógrafos deslocados para a cobertura de jogos no estádio Old Trafford. A ideia foi prontamente rechaçada pelas associações de cronistas esportivos da Inglaterra, desesperadas com o controle total até das imagens geradas nas partidas.

Aqui no Brasil, aos poucos, também há um crescimento dessa prática. E a pioneira nesse tipo de ação foi a Reebok, com a sua agência de comunicação, a VipComm. Ambas investem pesado na produção de conteúdo em foto e vídeo para a imprensa. Disponibilizam, gratuitamente, imagem e som para os veículos que não têm condições de escalar uma equipe para cada partida e treino dos times patrocinados pela marca (São Paulo, Inter e Cruzeiro).

Aos poucos, os grandes veículos começam a usar também as imagens em vídeo produzidas pela empresa. Nela, não há o corte grotesco na pupila do jogador, sem mostrar qualquer marca e também qualquer traço que possa deixar agradável a imagem para o espectador em casa. É um meio de controlar a informação divulgada, mas também se torna uma boa ferramenta de marketing.

Tanto para a empresa quanto para o clube. E a mídia, ansiosa por informação e, na mesma porporção, pelo corte de custos, adota a imagem "oficial" como padrão...

Por Erich Beting às 17h55

O país dos atletas

O Brasil, notadamente, é o país em que a base de formação esportiva não está nem no clube, cada vez mais falido, e muito menos nas escolas, em estado permanente de inércia no que diz respeito à existência de uma cultura esportiva. Os exemplos que vemos, cada vez mais, vêm dos atletas, tanto aqueles que ainda estão na ativa quanto os que se aposentaram.

Depois de Gustavo Kuerten ter preparado a Semana Guga Kuerten, no começo de junho, com o objetivo de começar a desenvolver melhores profissionais no tênis, é a vez de Felipe Massa se preocupar com o futuro do automobilismo no país. Na semana passada, Antonio e Eduardo Massa, respectivamente pai e irmão de Felipe, apresentaram à Confederação Brasileira de Autombilismo os planos da família para o esporte.

Em breve, os Massa deverão anunciar a criação de duas novas categorias no automobilismo. Uma delas é na categoria turismo, que geralmente movimenta mais dinheiro e envolve empresas interessadas em relacionamento, como bem mostra a Stock Car. A outra é uma nova categoria, com o objetivo de ajudar no desenvolvimento da carreira de jovens pilotos.

Ainda não se tem ao certo todos os detalhes dos projetos, mas é algo que pode ajudar no crescimento do automobilismo. O grande problema, no Brasil, é que para um jovem se tornar um piloto de competição, tem de ter muito dinheiro para investir. Por isso mesmo, geralmente piloto no Brasil é sinônimo de pessoa da classe média alta ou classe alta mesmo. É raro, para não dizer inexistente, a história de um ex-mecânico que ganhou a vida no automobilismo.

Da mesma forma, o tênis é extremamente elitista no país.

Quem sabe os atletas, com a força de seu prestígio com o público e com a noção de como é difícil chegar ao topo, não conseguem dar um exemplo de como desenvolver e popularizar o esporte no Brasil. Esperar essa atitude dos dirigentes, infelizmente, ainda é utópico. E isso explica, em boa parte, porque o país não chega ao alto rendimento sempre em condições de produzir um campeão.

Por Erich Beting às 17h38

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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