Blog do Erich Beting

Busca

21/08/2009

O vencedor do Mundial de Berlim

Mais do que Usain Bolt, o Mundial de atletismo de Berlim teve um outro vencedor. Ou melhor, por conta de Bolt essa marca sorri de orelha a orelha com os feitos do maior velocista do mundo. Os recordes do jamaicano ajudaram a turbinar a marca Seiko em todo o mundo.

Os recordes de Bolt foram fotografados e sincronizados pelos veículos do mundo inteiro. Com isso, a exposição da marca Seiko, cronômetro oficial da competição, foi gigantesca. E o retorno foi tão grande que a marca já renovou o contrato com a Iaaf por mais quatro anos.

Tão importante quanto o recorde de Bolt é o relógio que marca o tempo. E, nessa hora, o patrocinador ganha o retorno sobre o investimento.


Foto de Dominic Ebenbichler, da Reuters

Por Erich Beting às 12h46

20/08/2009

Adidas se valoriza com camisa azul do Palmeiras

Finalmente a Adidas decidiu se valorizar no lançamento de um uniforme do Palmeiras. Parceira do clube desde 2006, a empresa apresentou hoje à tarde a camisa azul, que será o uniforme número 3 palmeirense pelo menos até o segundo semestre de 2010.

A ideia é repetir o estrondoso sucesso da camisa verde-limão, lançada em 2007 e que passou 2008 inteira com o time, chegando a abandonar até o uniforme branco. O curioso foi ver, na apresentação, o diretor de marketing, Luciano Kleiman, e o gerente de marketing esportivo, Ricardo di Sora, ressaltarem a participação da empresa nessa história recente de sucesso de marketing com as camisas palestrinas.

O verde-limão foi um marco na questão dos terceiros uniformes dos times brasileiros. E a Adidas, até então, tinha feito pouco barulho em cima disso.

O que está por trás desse discurso é, também, reflexo de uma mudança violenta, de dois anos para cá, no mercado de patrocínio de uniformes. A concorrência ficou ainda mais pesada, e as marcas que antes eram as queridinhas dos clubes (Adidas e Nike especialmente) tiveram de começar a mudar o posicionamento para não perder participação.

A entrada de Reebok, Olympikus e Lotto mudaram um pouco o prato da balança de lugar. Mais do que a marca, passou a valer o atendimento dado ao clube e o estardalhaço que se consegue fazer no relacionamento com ele.

A Vulcabrás, usando a bandeira Reebok, nadou de braçada nesses dois quesitos com São Paulo e Inter, tanto que pegou o Cruzeiro e, depois, com a marca Olympikus, fez um contrato revolucionário com o Flamengo. A Lotto conseguiu pegar bons clubes, sendo Atlético-MG o mais popular deles.

E isso obrigou Nike e Adidas serem mais ousadas em mostrar sua relação com os seus patrocinados. Afinal, tratam-se de torcidas entre as cinco maiores do país, o que pode representar, potencialmente, milhões de consumidores.

Em breve colocarei aqui o vídeo da campanha da camisa azul, que ficou muito bom e reforça a ligação da marca com o Palmeiras.

Por Erich Beting às 18h13

O absurdo da transmissão livre do esporte na TV pública

O deputado Silvio Torres quer fazer com que vire lei um projeto de que o esporte deva ser transmitido de graça pelas TVs públicas quando envolver competições internacionais que tenham representantes brasileiros e cujos detentores dos direitos de transmissão não tenham interesse em exibir o evento.

O projeto, que foi aprovado pela Comissão de Turismo e Desporto da Câmara, até que procura impedir que as TVs públicas faturem com isso. Ele veta, por exemplo, a exploração publicitária da transmissão.

Só que a ideia é absurda na sua essência, mesmo tentando criar alguns anteparos para não virar festa.

Ao longo dos anos o Brasil se acostumou a dar o esporte de graça para a população. Só que não nos referimos, aqui, ao acesso à prática esportiva, que é um dever de Estado. Mas sim ao esporte de alto rendimento, que tem custos altíssimos e uma necessidade de se desenvolver a partir da base, e não o contrário.

Permitir que empresas de TV públicas transmitam uma modalidade é querer tapar o sol com a peneira. Enquanto não se criar uma base para produzir atletas, o país continuará a apresentar resultados pífios em torneios internacionais (o Mundial de atletismo que o diga) e, assim, continuará a não atrair interesse da mídia e, consequentemente, do público.

Levar a transmissão para a TV pública é uma medida inócua. O dever do governo é de fomentar a base esportiva do país a partir de instalações decentes, projetos públicos de prática de diferentes modalidades e construção de centros de capacitação de atletas e treinadores. Se houver tudo isso, naturalmente a TV pagará milhões para exibir um país de vencedores na telinha.

Por Erich Beting às 23h57

19/08/2009

A "falha" do supertime feminino do Santos

O Santos finalmente decidiu criar barulho com seu time de futebol feminino. Depois de Marta, foi a vez de anunciar Cristiane e o patrocínio da Copagaz para as "Sereias da Vila". A mesma Copagaz que falei por aqui, dizendo que poderia investir no time das meninas e não nas animadoras de torcida do Peixe.

Agora a Copagaz decide aportar meio milhão de reais nas "Sereias". E o motivo é mais do que lógico. Com Marta e Cristiane, até o Jornal Nacional dá bola para as garotas boas de bola do Santos. Está claro que o objetivo santista é ser campeão da primeira edição da Copa Libertadores feminina, que terá uma das sedes na cidade.

Mas será que, no longo prazo, esse modelo se sustenta?

Marta e Cristiane no mesmo time é mais ou menos como colocar Paula e Hortência para jogarem juntas. Ok, Cristiane pode estar um pouco abaixo do nível da Marta, mas elas são, disparadas, as melhores jogadoras do futebol feminino no país.

E, pensando no desenvolvimento da modalidade no Brasil, vale a pena ter duas craques de bola jogando juntas?

O esporte precisa ter competitividade para ser atrativo para o público. Qualquer competição em que já se tem uma ideia clara de quem será o vencedor deixa de ser uma disputa interessante para o torcedor. A Fórmula 1 na época de Michael Schumacher batia constantemente os recordes negativos de audiência em todo o mundo. Até na Alemanha, já cansada de mais uma vitória de seu piloto.

Esse é um princípio adotado pelas ligas americanas, que fazem o draft de atletas com a ordem inversa de escolha. Quem tem mais escolhe por último, quem tem menos tem o direito de escolher o melhor jogador.

Marta e Cristiane juntas são excelentes do ponto de vista de exposição na mídia e chance de vitória para um dos clubes que mais investe no futebol feminino no Brasil. Mas no longo prazo a modalidade pode se ressentir desse predomínio de uma única equipe. Sim, o contrato de Marta é temporário. Mas, mesmo assim, seria muito melhor para a competição se ela e Cristiane jogassem em times diferentes.

O duelo entre elas renderia ainda mais mídia do que mais uma goleada acachapante. O futebol feminino teria muito mais a crescer se houvesse mais espaço para a competição.

Por Erich Beting às 12h16

18/08/2009

O que você quer ler no blog?

Bom, como venho defendendo muito por aqui que os clubes e o esporte como um todo passem a ouvir mais o consumidor, não poderia deixar de dar o exemplo, né?

Alguns já fizeram via comentários, mas acho mais produtivo organizarmos melhor essa história. Qual assunto você gostaria de ler aqui no blog? Lembrando que o tema central é sempre o esporte como negócio, falando de gestão, marketing e outras cositas mais dessa área que cresce a cada dia tanto dentro do esporte quanto no consumidor e no investidor.

Mande sua sugestão diretamente para o e-mail negociosdoesporte@uol.com.br

Aos poucos vou colocar os assuntos em pauta por aqui! Afinal, a lista de temas em dívida ainda está correndo...

Por Erich Beting às 20h07

O risco extra de patrocinar a seleção

O Extra decidiu patrocinar a seleção brasileira. Criou até jingle para “dar uma força extra para o Brasil na Copa”. O anúncio feito na segunda-feira revelou um pouco mais dos planos do Pão de Açúcar ao patrocinar o time nacional. E deixou no ar aquela dúvida.

Será que é tão valioso assim patrocinar o Brasil apenas no ano de Copa do Mundo?

O contrato é de apenas um ano. Nesse período, os hipermercados Extra e os veículos de comunicação serão invadidos por uma maciça campanha de divulgação do patrocínio. A música é daquelas para cair no gosto do torcedor na época da Copa do Mundo.

Mas e se o hexa não vier em gramados sul-africanos?

Esse é o grande risco desse patrocínio. Talvez fosse mais interessante assegurar não apenas a promoção maciça no ano da Copa de 2010, mas olhar mais para a frente e se associar de vez à seleção até 2014, quando o Brasil será o país do Mundial.

Sem dúvida que o aporte ficará ainda mais caro a partir de outubro de 2010, quando finalmente o Brasil poderá dizer que é o país da próxima Copa. Afinal, 2014 é logo ali...

Por Erich Beting às 18h48

17/08/2009

Puma pega carona e cria "os braços de Bolt"

Patrocinadora do maior velocista do mundo, a Puma já começou nesta segunda-feira uma agressiva estratégia para atrelar a sua marca a Usain Bolt. E a mais bacana das ações foi captar o que há de mais característico no carismático Bolt e transformar isso num produto para os fãs.

A marca anunciou a criação do "Bolt Arms" (na tradução livre, "os braços de Bolt"). A foto abaixo mostra o que são esses braços. E revela, mais do que isso, como é preciso ter vibração e vontade de fazer as coisas acontecerem durante um patrocínio esportivo. Só assim é possível gerar lembrança de associação de marca.

Por Erich Beting às 12h11

16/08/2009

Como ser campeão nos pontos corridos

O Campeonato Brasileiro por pontos corridos tem obrigado os clubes a mudarem a maneira como pensam a construção de um time de futebol. O terceiro empate consecutivo do ainda líder Palmeiras mostrou claramente que, para ser campeão, uma equipe precisa ter mais do que 11 titulares.

No início do campeonato, fiz a pedido do UOL uma previsão da performance dos 20 times. E, passada a metade inicial do torneio, seguem as mesmas previsões. São Paulo e Internacional são os dois times com maior capacidade para terminar a temporada como campeão.

A junção de dois fatores faz com que ambos tenham mais possiblidade de título do que os demais. Tanto São Paulo quanto Inter são times que não dependem exclusivamente dos 11 jogadores titulares para terem sempre um desempenho acima da média. E, além disso, são clubes que estão em sintonia com a torcida pela conquista do título.

Os pontos corridos exigem um planejamento para um campeonato de oito meses de duração. Um time, dessa forma, não pode depender de apenas 11 jogadores. Lesões, transferências para o exterior e suspensões são comuns no decorrer do torneio e, por isso, uma equipe só vai mais longe se tiver mais do que um time titular. O São Paulo tricampeão percebeu que essa era a chave para a conquista. O Inter segue a mesma forma para ser campeão no ano do centenário.

Para ser campeão nos pontos corridos, a chave é pensar num time com pelo menos 15 jogadores. Do contrário, o time estará fadado a ser um figurante, mesmo que lidere boa parte do campeonato.

Por Erich Beting às 14h08

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

Histórico

© 1996-2009 UOL - O melhor conteúdo. Todos os direitos reservados.