Blog do Erich Beting

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12/09/2009

Estádios para a Fifa ou para o Brasil?

Bom, conforme prometido, vamos tentar aprofundar mais aqui a discussão sobre a Copa do Mundo no Brasil e os estádios que farão parte dela.

O primeiro e importante ponto a se destacar é o fato de que deve ficar claro que a Copa do Mundo é NO Brasil. E destaco o NO porque ela não é uma propriedade do país, mas da Fifa. Ou seja, é Copa do Mundo Fifa, sendo realizada no nosso país.

Quando, em 2006, Joseph Blatter disse isso a respeito da Copa na Alemanha, o povo alemão enfureceu-se, esperneou, mas de nada adiantou. Bandeira de governo, com o objetivo de mostrar um país reunificado e receptivo a todos os povos, a Alemanha se irritou ao ver Blatter dizer que a propriedade do evento é da sua entidade e que apenas o local onde ele aconteceria era o país europeu.

Antes de as vuvuzelas soarem, explico que esse preâmbulo se faz necessário. Porque ele é importante para invertemos o início da discussão sobre os estádios brasileiros para a Copa do Mundo.

A Fifa estipula o seu caderno de encargos, com tudo o que é necessário ter para um estádio fazer parte do Mundial. E as críticas feitas ao Morumbi são de que ele não comporta as exigências da Fifa. Ou, pelo menos, parte delas. A história, como coloquei no primeiro post sobre o tema, é complicada e envolve um delicado jogo político que pode ter no meio até interesse comercial de Jerôme Valcke, secretário da Fifa, na construção de um novo estádio no Brasil (a notícia é da “Folha de São Paulo” e atribuída a dirigentes do São Paulo).

Pois bem. O caderno de encargos da Fifa traz uma série de sugestões de como deve ser o estádio que receberá jogos do Mundial. Além disso, ele determina algumas especificações que vão além do básico no caso de o estádio receber a abertura do torneio ou o seu encerramento.

Mas, afinal, um estádio deve se preocupar em seguir tudo o que determina a Fifa, não importando o preço dessas reformas?

Obviamente, não. Um estádio não tem de estar adequado apenas para a Copa do Mundo. Ele tem de estar apto para ser um local que seja sustentável antes, durante e depois do Mundial.

E é isso o que ninguém discute. Nos últimos tempos foi criado um mito em cima do caderno de encargos da Fifa que tem feito com que a principal discussão seja deixada em último plano.

Não é a Copa do Mundo quem vai determinar o que deve ser o estádio. É a viabilidade local que deve ser estudada, mais do que as regras da Fifa. Daí vem o meu questionamento não só à situação paulistana, mas a de diversas outras sedes escolhidas para a Copa brasileira.

Manaus e Cuiabá, por exemplo, são cidades em que um estádio dificilmente será viável no longo prazo. A capital amazonense planeja uma arena para 42 mil torcedores. Já no Mato Grosso, a ideia é que o estádio tenha assento para 45 mil torcedores.

E depois do Mundial? O que será feito com tanto espaço? Quantos jogos cada cidade receberá? Provavelmente não mais do que cinco jogos. E quais times locais justificariam o uso do estádio após a Copa?

O mesmo pode valer para Brasília, com um estádio projetado para 70 mil lugares! Ou em Natal, onde há a expectativa de se construir uma arena para 45 mil espectadores.

Antes que se comece a falar do conceito de arena multiuso, uma premissa tem de ficar clara. Não é só do futebol que se vive a arena, é claro, mas é dele que vem a principal fonte de receita. Querer dizer que um estádio se paga com “shows” é uma grande falácia. Afinal, quantos shows assistimos ao longo do ano no país? Além disso, quantos meses do ano um astro da música fica em turnê? Pois é, não é toda semana que se ocupa um estádio com shows, cenário que é bem diferente do futebol.

Por isso mesmo, a cidade de São Paulo não comporta um novo estádio. A não ser que se resolva dar um novo destino a qualquer uma das arenas “restantes”.

O que precisa ficar claro é que a discussão não deve ser sobre a qualidade de um ou outro estádio, mas sim sobre a condição financeira de se ter um novo estádio no Brasil da Copa do Mundo. Porque as exigências da Fifa levam em conta apenas a preocupação dela com o evento, sem considerar se o estádio que ficará está localizado numa cidade de 10 mil ou de 10 milhões de habitantes. E isso tem um impacto gigantesco no longo prazo.

Não é de se estranhar que não haja interesse privado em investir nos estádios do Mundial. Qual a certeza de retorno financeiro do empreendimento? Como fazer com que, no longo prazo, esse espaço tenha rentabilidade?

A cada exemplo que vemos, notamos que o Brasil não está preparado, ainda, para esse nível de discussão. Por enquanto, a maior preocupação é política e, na maioria das vezes, levada para o lado passional. Preocupação com conforto do torcedor, com a qualidade do espetáculo, com boas opções de estacionamento, com a área de hospitalidade, com o acesso via transporte público ao estádio, bem como com os serviços de comida e bebida. Tudo isso é assunto para não mais ser debatido, mas sim aplicado nos estádios de futebol do Brasil.

E tudo isso não depende da Copa do Mundo, mas sim de uma nova leitura para o futebol e, especialmente, para o relacionamento com o torcedor. É ele o principal cliente da modalidade, e não a Fifa, ou o dirigente.

Só que, até agora, o que se vê é exatamente o contrário. Um falatório generalizado de que os estádios devem se adequar plenamente às normas da Fifa para poder estar na Copa do Mundo, sem se preocupar com o que vem antes e depois.

Uma Copa do Mundo representa para o país-sede uma grande oportunidade. É momento para aprender como fazer, de fato, um estádio de futebol ser um espaço moderno e que represente boa chance de receita para o seu dono.

Enquanto o torcedor não se der conta de que o maior problema não é fazer o estádio como manda a Fifa, mas sim como exige a demanda do país, a Copa do Mundo representará um fracasso financeiro para o Brasil.

Sim, não tem como não seguir a Fifa se quiser ter a Copa. Mas os estádios poderiam, ao mínimo, estarem projetados para sofrerem uma redução de público tão logo passasse o Mundial. Porque, realmente, não dá para pensar como Cuiabá, Manaus, Natal e diversas outras sedes farão com estádios imensos depois que o furacão passar. Ou, ainda, como a cidade de São Paulo fará para construir um novo estádio sem ser com dinheiro público.

Ou a população entende que a discussão tem de ser essa, e não se o estádio se adéqua à Fifa, ou estaremos fadados a permitir que a política determine o destino da verba da Copa.

E, aí, já viu...

Por Erich Beting às 17h57

11/09/2009

Óleo na pista da Fórmula 1

A Fórmula 1 sempre gostou de se gabar de ser a mais profissional categoria do automobilismo, de ser o negócio esportivo em sua essência. Sim, de fato a relação entre equipes, pilotos, patrocinadores e mídia é uma das mais profissionais que existem. Talvez não haja no esporte algo que resuma tão bem o que é marketing esportivo.

Mas negócio, no esporte, não pode significar negociata, bravata, arranjo de resultados.

A confissão de Nelson Piquet Jr. coloca mais uma boa porção de óleo na pista da categoria. Que já vinha enfrentando alguns problemas pelo alto custo que tem, pela insanidade de alguns gastos, pelo fato de ser uma competição extremamente agressiva ao meio-ambiente, por estar cada vez mais contaminada pelos negócios...

Mas e agora? A imagem da Renault será arranhada com o episódio? A FIA, que não puniu seu máximo dirigente após um escândalo que envolvia prostitutas e alusões ao nazismo, fará algo para dar o exemplo e banir do esporte quem deliberadamente forja um acidente para ajudar o companheiro de equipe? O caso de Nelsinho não é apenas uma versão um pouco mais sofisticada de diversos outros "trabalhos em equipe" que já foram feitos lá atrás (é só lembrar do Rubinho no lugar mais alto do pódio quando brecou o carro e deu a vitória a Shcumacher há alguns anos)? Que exemplo fica para quem quer se inspirar no esporte?

São algumas perguntas que perduram. E elas deixam, cada vez mais, um grande ponto de interrogação sobre a participação de grandes empresas no "circo" da F-1.

Ontem, felizmente, o anúncio Santander-Ferrari não sufocou o escândalo da Renault, da família Piquet e de Flávio Briatore. Prova de que o negócio ainda não sufocou o esporte.

Afinal, o bom para o negócio esportivo é que o esporte seja forte. E esporte forte significa, antes de tudo, jogo limpo. Algo que, ao que tudo indica, a Fórmula 1 precisa voltar a descobrir o que é.

Por Erich Beting às 08h56

10/09/2009

Time brasiliense de vôlei sobe no telhado

Comissão técnica e atletas tinham até sido definidas. Mas começou a subir no telhado o projeto de criação de um novo time de vôlei na cidade de Brasília. O entrave, ao que tudo indica, está na burocracia exigida pela CBV para a filiação da nova equipe.

O prazo dado pela confederação está próximo do fim (inicialmente era até hoje), e o risco de o time não conseguir se inscrever é cada vez maior. Até mesmo o que teoricamente é o mais difícil, que é encontrar o patrocinador, já não é problema. Uma empresa de química bancaria o time.

Se o negócio não vingar, é mais uma baixa para o vôlei, que na semana passada viu o Bento Gonçalves desistir de ter um time na Superliga masculina.

Por Erich Beting às 18h32

Enquanto o post não vem...

Enquanto não consigo terminar e enxugar o texto sobre a visão inicial da Copa do Mundo no Brasil e dos estádios, segue um link interessante. É o resumão, bem didático, do caderno de encargos da Fifa para o que diz respeito ao estádio de um Mundial.

Antes que as vuvuzelas comecem a soar, quero usar esse material para começarmos a refletir um pouco mais sobre o que, de fato, é necessário num estádio de Copa do Mundo.

E, mais do que isso, se quem tem de determinar como será o estádio de um país é a Fifa ou a necessidade que a cidade tem em usar aquele estádio não apenas para um evento em que haverá, no máximo, cinco a seis jogos dentro daquela arena...

Por Erich Beting às 13h18

09/09/2009

Sobre o Morumbi e a Copa

Ainda não consegui ler e começar a responder aos comentários deixados por aqui referentes ao post anterior. Mas, numa visita superficial, o que deu para perceber é que muita gente fala mais com o coração do que com a razão. Por isso, já vou deixar aqui um breve comentário.

A princípio, nenhum estádio brasileiro tem condições de receber a Copa do Mundo. Não pelos padrões exigidos pela Fifa. Os ajustes são necessários e alguns já começaram a fazê-los (o Inter iniciou a cobertura do Beira-Rio, por exemplo).

A minha maior crítica é ao jogo político que existe para minar uma possível sede do Morumbi. Aos que responderam com ironia ao fato de que coloquei aqui de que há um jogo político envolvendo até a FPF na história, infelizmente é a realidade. É só lembrar como andam as relações entre São Paulo e federação desde o caso Madonna.

Aos que também acham ser impossível a CBF manipular os interesses da Fifa, é só olhar com mais carinho todo o processo de escolha do Brasil como sede da Copa, para ficar só no superficial. E lembrar quem foi o padrinho político de Joseph Blatter na Fifa e de Ricardo Teixeira na CBF.

Quando se pensa numa Copa do Mundo no país, o ideal é que ela sirva para melhorarmos instalações esportivas e, de quebra, a infraestrutura das cidades-sedes sob diversos aspectos. Como o Brasil ainda tem inúmeros problemas estruturais, a Copa pode ser um excelente catalisador de reformas que precisam ser feitas, mas sempre são adiadas por questões políticas.

O problema é que o Mundial tem servido como desculpa para que "verdades absolutas" sejam estabelecidas no que cocerne à gestão e construção de arenas aqui no Brasil. O tema é absolutamente novo no país. Basta lembrar que, desde 1994, apenas três novos estádios foram construídos no país (Arena da Baixada, Volta Redonda e Engenhão) ao passo que, na Europa, os números ultrapassam facilmente os 50 nesse mesmo período de 15 anos.

Essa falta de conhecimento faz com que coloquemos muito mais a emoção do que a razão na hora de questionar a realização da Copa, principalmente no que diz respeito às instalações esportivas. Não há capacidade econômica para São Paulo ter um quinto estádio, assim como a construção de uma arena para 45 mil pessoas em Cuiabá é economicamente difícil de se viabilizar no curto, no médio e no longo prazo.

Em 2002, Japão e Coreia do Sul realizaram o mundial com 20 sedes, sendo dez em cada país. Desse total de 20 estádios, metade não tem funcionalidade hoje. E estamos falando de japoneses e coreanos!

Por fim, um relato pessoal que serve de explicação para quem acha que o Morumbi é um estádio ultrapassado.

Estive em Berlim, na final da Copa do Mundo de 2006. O estádio Olímpico é muito similar ao Morumbi no que diz respeito à distância do torcedor até o campo. Tanto que foi impossível entender o que Zidane fez em Materazzi ali, dentro do estádio. O árbitro da partida foi vaiado até o final do jogo, porque parecia que tinha sido uma expulsão injusta. O Olímpico de Berlim foi construído em 1936 e reformado para a Copa do Mundo. Com pontos cegos presentes e o torcedor muito distante do gramado.

Em Munique, o Allianz Arena, construído especialmente para o Mundial, tem uma visão absolutamente fantástica do gramado. Mas, para você chegar ao estádio, tem de caminhar quase um quilômetro da estação de metrô até a entrada.

A Copa do Mundo no Brasil é uma tremenda oportunidade para aprendermos muito sobre o esporte como negócio. E uma lição fundamental é sabermos que um estádio precisa ter muito mais do que apenas uma boa visão do campo e ausência de pontos cegos. Ele precisa ser viável economicamente. Qual plano de viabilidade foi apresentado pelas 12 sedes? Viabilidade para antes, durante e depois da Copa do Mundo. Essa é que tem de ser a discussão!

O Morumbi, do jeito que é hoje, não pode abrigar uma Copa do Mundo. Mas, com algumas reformas, ele estará capacitado. O metrô estará próximo e o estacionamento também será feito para comportar mais carros. Essas duas obras ficarão para depois do Mundial.

Existe sentido em gastar mais dinheiro para um novo estádio? Se ele vier, qual outro será abandonado? Pacaembu, Morumbi, Palestra Itália, Canindé?

Enquanto o torcedor pensar com o coração a respeito do estádio paulistano para a Copa de 2014, é muito provável que ele se veja, em 2050, pagando a conta dessa quinta arena...

Por Erich Beting às 11h51

08/09/2009

A quem não interessa o Morumbi na Copa-14?

Lá da África do Sul vem mais uma alfinetada para o Brasil em relação à Copa de 2014. A pressão invisível da Fifa já começa a rondar o país, antes mesmo do prazo para o Brasil poder dizer que é a sede do Mundial de 2014, algo que só acontecerá em julho do ano que vem.

Agora, a bomba é para cima do Morumbi, que aliás tem sido o mais bombardeado dos estádios da Copa brasileira. Mas é claro que tanto "aviso" não é em vão. E a quem interessa não ver o Morumbi como um dos estádios de 2014?

Além da rixa CBF e São Paulo, que voltou à tona no início dessa década, há uma interferência política no projeto tricolor que abrange tanto gente do governo municipal quanto pessoas de dentro da mesma Federação Paulista de Futebol.

O sonho de Marco Polo del Nero é criar um estádio de propriedade da FPF. O terreno seria próximo aos CTs de Palmeiras e São Paulo, numa região de bom acesso via metrô, com facilidade para criar estacionamento e afins.

Mas a pergunta que fica é uma só.

A cidade de São Paulo tem condições de abrigar cinco estádios de futebol? Lembrando que já temos Canindé, Morumbi, Pacaembu e Palestra Itália, cada um ocupado por um clube.

Até mesmo onde não haveria tanto problema para se discutir o estádio da Copa parece que, cada vez mais, surgem novos problemas... A disputa política mostra que, quanto mais próximos ficamos do Mundial, mais ele vai ganhando a cara dos Jogos Pan-Americanos de 2007.

Por Erich Beting às 21h01

Relações perigosas

Esse foi o título de uma coluna que escrevi no "Lance!". Desde então já se vão quase sete anos. E continuam, cada vez mais perigosas, as relações entre a política e a bola. A notícia da vez é o patrocínio que a CBF fez ao IV Congresso Nacional de Delegados da Polícia Federal. Sim, a CBF decidiu apoiar uma reunião de delegados da PF!!!!!!

Para início de conversa, não há nada de ilegal nisso. O patrocínio é permitido, a CBF é uma entidade privada, faz o que quiser com o dinheiro dela, assim como a PF pode receber apoio para o evento que organiza.

Só que, considerando todo o histórico de envolvimento da CBF e de seus principais dirigentes em atitudes no mínimo suspeitas e que foram levantadas pelas CPIs lá no ano 2000, sabendo das dificuldades enfrentadas por diversos outros setores do futebol nacional (feminino, categorias de base, Séries C e D do Brasileirão, para ficar no superficial) e conhecendo a política de que "uma mão lava a outra" no país, não dá para enxergar com bons olhos um patrocínio desse calibre.

A CBF não tem nada que se meter em congresso para delegados da PF, assim como teoricamente a PF não precisaria se meter na vida da CBF se ela fosse uma entidade sem nenhuma suspeita de atitude limpa e, também, se não tivesse tantas supostas irregularidades reveladas nas CPIs cada vez mais distantes no tempo e na mente das pessoas.

As relações perigosas entre os mundos da política e do esporte são cada vez maiores. E só contribuem para que tudo fique como está. E olha que a Copa ainda nem começou...

Por Erich Beting às 17h21

07/09/2009

Como salvar o Fluminense?

A pergunta é constante. Será que o Flu tem alguma boa perspectiva no horizonte? A cada rodada que passa do Campeonato Brasileiro, fica mais evidente que o possível destino do clube seja a volta para a Série B. O péssimo resultado dentro de campo, porém, é nitidamente o reflexo do desmando que o Flu se tornou fora dele.

Desde a derrota para a LDU na Libertadores de 2008 que o Flu se tornou um clube "ingovernável". As disputas entre Unimed e diretoria parecem não ter fim. E, para piorar, atingem níveis que beiram o inacreditável. Como a frase dita pelo vice-presidente geral do clube, José de Souza, reproduzida na última sexta-feira pelo UOL.

"Ele (Celso Barros, presidente da Unimed) não gosta de mim, porque uma vez, eu dei uma camisa retrô sem a marca do patrocinador para o presidente Lula, quando ele esteve nas Laranjeiras. Ele ficou uma fera porque achou que fiz de propósito. O presidente chegou, o marketing me deu aquela camisa e dei para o Lula. Mas também não sou obrigado a fazer propaganda. Não ganho para isso e nem faria", disse à Rádio Manchete.

O destaque em negrito fica a meu critério. E vale para um momento de reflexão importante sobre até onde vai o relacionamento entre patrocinador e clube.

A Unimed é, até hoje, o exemplo mais próximo daquilo que foi a parceria tão bem-sucedida entre Palmeiras e Parmalat nos anos 90. Tal qual fazia a empresa de laticínio, a Unimed injeta dinheiro para construir um time vitorioso. Mas as semelhanças acabam exatamente aí!

O propósito da Parmalat, lá atrás, era apoiar um projeto de marketing na gestão de um clube de futebol. A companhia de seguros, por sua vez, tem um presidente apaixonado pelo Fluminense e que deseja ver seu time no topo. A empresa não faz uma estratégia para se beneficiar diretamente desse relacionamento e, especialmente, da exposição de marca que o clube é capaz de lhe proporcionar.

Com isso, o patrocínio da Unimed é um mero mecenato. Uma injeção de dinheiro em astros para tentar montar um time vencedor. Só que aí entra o segundo problema grave dessa história. A injeção de grana serve apenas para alguns jogadores, não é para gerenciar todo o departamento de futebol do Flu. E é nessa hora que a coisa desanda, com um desnível no salário dos atletas e, o que é pior, com metade do time ganhando em dia e, a outra, penando para receber.

Soma-se a esse barril de pólvora uma guerra de vaidades entre dirigentes e Celso Barros, presidente da Unimed. E joga-se a faísca, com o time desandando dentro de campo e na lanterna do Brasileirão.

Como salvar o Fluminense?

A primeira resposta que vem à cabeça só pode ser uma expressão muito usada no meio empresarial para empresas à beira do colapso: "choque de gestão". Enquanto não adotar um novo tipo de comando para o clube, o Flu terá como destino, na melhor das hipóteses, a Série B...

Por Erich Beting às 16h51

Obrigado, seo Rui!

Quem gosta de tênis é obrigado a conhecê-lo. Em 1976, o Brasil assistiu à primeira final de Wimbledon. Numa época em que nem se pensava em TV a cabo, uma emissora abrir espaço para exibir um jogo ao vivo de tênis era algo de outro mundo. Mas ele sempre foi de outro planeta.

Hoje, infelizmente, acordamos com a notícia de que, aos 79 anos, Rui Viotti nos deixou. Ele não era apenas o dono de uma das vozes mais deliciosas da televisão nacional. Para quem não lembra, Rui Viotti foi quem narrou - com uma emoção desproporcional, mas sem deixar de lado a técnica e a lucidez na transmissão - aquele que até hoje foi o momento máximo do tênis do Brasil, a vitória de Guga sobre Brugera em 1997. Sim, jogo transmitido na TV aberta, para todo o país, com picos de audiência que chegaram aos 16 pontos naquela manhã de domingo na TV Manchete.

Foi a partir daquele dia que me tornei fã do seu estilo de narrar tênis. Sabendo respeitar os limites da transmissão equilibrada, mostrando conhecimento da técnica do esporte e, principalmente, dos talentos e falsos talentos que apareciam nas quadras. De fã, tive o privilégio de me tornar colega de trabalho, nos últimos anos, dentro do BandSports. Oportunidade mais do que única, que revelou o quanto Rui Viotti, mais do que um brilhante narrador, foi um cara espetacular em todos os sentidos.

Inclusive foi um gênio para algo que pouco se fala, mas que felizmente conseguimos resgatar recentemente na Revista Máquina do Esporte. Poucos sabem a importância que Viotti teve para massificar o tênis no Brasil. Sim, Guga foi fundamental para fazer com que o esporte deixasse de ser um mito restrito à elite. Mas muito desse trabalho também se deve a "seo" Rui.

Nas emissoras por onde passou, Viotti sempre fez questão de tentar levar a transmissão do tênis. Mesmo numa época de vacas magras como a de hoje, em que o Brasil não vinha tão bem, ele acreditava que a TV aberta só tinha a ganhar exibindo partidas ao vivo, mesmo que não se soubesse quanto tempo aquele jogo iria durar. Tanto que, sempre por onde passou, seo Rui fez com que a emissora comprasse os direitos para exibir os grandes torneios de tênis do mundo.

O Brasil perdeu, hoje, um dos maiores incentivadores do esporte e especialmente do tênis. Fica sempre aquela sensação de vazio, mas sem dúvida fica o exemplo para nós de continuar trabalhando em busca do sonho de poder ver o Brasil ser, de fato, um país do esporte.

Obrigado, seo Rui!

Por Erich Beting às 12h37

06/09/2009

Uma vitória que vale até para a economia do país

O presidente Lula, que tanto gosta do futebol e das analogias do mundo da bola com o da política, deve estar sorrindo. Dunga foi peça fundamental para que o Brasil conquistasse a vaga para a Copa do Mundo de 2010. E que raios isso tem a ver com a felicidade de Lula?

Nunca, na história desse país, o Brasil se classificou tão cedo para uma Copa do Mundo. E isso significa, especialmente em ano de eleições presidenciais, uma excelente perspectiva para a economia brasileira.

O Natal das TVs Led, Plasma, LCD e afins está garantido. Da mesma forma, o primeiro semestre será repleto de promoções e incentivo para o torcedor brasileiro embalar o seu amor pela seleção. O clima de euforia em torno do time de Dunga pode ajudar, e muito, a manter o consumo em alta.

É possível que a Copa represente um aumento de até 0,3% do PIB brasileiro. Pelo menos é o que, em média, aumenta o consumo de um time que é campeão mundial. O cenário é o mais otimista possível para a disputa política e, especialmente, para quem faz parte da situação. Com o Brasil na Copa, e ainda por cima numa boa campanha, é bem possível que o otimismo se reflita nas eleições.

Por Erich Beting às 00h04

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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