Blog do Erich Beting

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18/09/2009

A Virada Esportiva e o marketing esportivo

São Paulo recebe, neste final de semana, a Virada Esportiva. Serão 24 horas de muita promoção de eventos dos mais variados. A iniciativa é uma excelente oportunidade para promover nas pessoas a vontade de praticar esporte, algo absolutamente necessário se a indústria esportiva como um todo quiser crescer.

Porque a Virada pode ajudar numa grande carência que o país tem hoje, que é a qualificação do gestor público do esporte. Não existe, no país, um programa de governo para fazer com quem trabalha em qualquer uma das três esferas públicas ter capacidade para organizar grandes eventos esportivos.

Na prática, quem está nas secretarias de esporte têm duas alternativas. Terceirizar todos os serviços (o que representa mais custo ao erário público) ou buscar a profissionalização do gestor a partir da prática. São Paulo tem buscado mais essa profissionalização a fórceps, o que ajuda a explicar um pouco dos erros que acontecem e, também, da evolução ainda um pouco lenta de alguns pontos da Virada. Mas já é um passo para termos mais profissionalização no trabalho com o esporte.

Mas o maior legado da Virada é conseguir fazer com que o país comece a ter a cultura do voluntariado na organização de eventos esportivos. A partir das pessoas que querem ajudar, conseguimos formar cidadãos conscientes para detalhes importantes de um evento. Algo que, numa Copa do Mundo, pode fazer toda a diferença.

No final das contas, mesmo que ainda com muitas falhas, a Virada Esportiva pode representar, no longo prazo, uma virada na maneira como o país trabalha com o marketing esportivo.

Por Erich Beting às 09h44

17/09/2009

A resposta da Renault foi rápida o suficiente?

Essa é a questão que fica em todo o caso Nelsinho-Briatore-Renault. Será que a Renault, de fato, deu uma rápida resposta para amenizar os reflexos dessa crise? Além disso, será que a imagem da Fórmula 1 não fica prejudicada com toda essa polêmica?

Antes que todo mundo diga que é "normal", ou pelo menos não é inédito um escândalo assim na F1, fica sempre aquela dúvida sobre o futuro dos investimentos privados na categoria. A Renault se comprometeu, antes do escândalo, a seguir até 2012 na F1. Mas era perfeitamente compreensível que usasse o caso para pular fora e não correr grandes riscos (nem manter altos os gastos) para a sua imagem em permanecer no esporte.

Sim, sabemos que as montadoras usam a F1 como uma espécie de "campo de provas" para levar inovações a seus carros. Mas a um custo que chega a quase US$ 300 milhões ao ano e para correr um risco como o de agora? As saídas de BMW e Honda mostram que não vale tudo a qualquer preço.

E isso leva a outra discussão. A cada vez mais clara decisão da FIA e da FOM de resgatar os "garagistas", aqueles caras que vivem do automobilismo, mostra-se também uma estratégia que aumenta as dúvidas para o futuro.

O cara que faz de tudo pelo automobilismo, teoricamente, vai se comprometer a não deixar a equipe "na mão". Só que, sem investimentos de uma montadora, como manter o mesmo nível da Fórmula 1 das montadoras?

O caso Renault é a ponta de um complicado dilema que começa a se colocar para a Fórmula 1. Ou ela se repensa como modalidade esportiva, ou terá de rebolar, e muito, para manter o status que tem atualmente.

Por Erich Beting às 16h43

16/09/2009

Cielo faz marca italiana voltar ao Brasil

Os resultados de César Cielo despertaram o interesse da marca italiana Arena, patrocinadora do medalhista olímpico e mundial, no mercado brasileiro. Depois das conquistas de Cesão nas piscinas de Roma, durante o Mundial, a Arena decidiu relançar seus produtos no país.

A expectativa é de que, com o brasileiro bem nas águas, as vendas também decolem pelo interesse maior do país pelo esporte. E, também, o potencial do mercado brasileiro tem atraído cada vez mais as fabricantes esportivas para o país. Cielo, obviamente, será o principal símbolo da marca nessa sua nova empreitada no Brasil, quando espera obter 10% das vendas de artigos de natação no território nacional no próximo ano.

"O César Cielo é um ídolo como o Brasil não via fazia tempo, e o material nos pontos de venda será baseado nele até por solicitação dos clientes", afirmou à Máquina do Esporte Pedro Zannoni, diretor geral da Tennis Sport, empresa que cuidará das ações e distribuição da marca Arena no Brasil.

É o peso do ídolo na formação de novas modalidades esportivas no país. E, mais do que isso, é a entrada de uma marca que, junto com a Speedo, revolucionou o mercado da natação, a ponto de fazer a Nike, maior fabricante do mundo, desistir de ter uma linha de performance de produtos para a natação.

Por Erich Beting às 10h04

15/09/2009

Referendo para 2014! Quem vai?

Acabei de conseguir colocar em dia a minha "caixa de mensagens" do blog. Ou quase toda ela. A quem postou sobre algum tema lá, é só entrar para ver minha resposta. Com os mais de 50 comentários sobre o post dos estádios da Copa, com o teor das indignações e teorias da conspiração, cheguei à seguinte conclusão.

Que tal propormos um referendo a respeito da Copa do Mundo de 2014?*

Assim, cada cidade decidiria se gostaria ou não de investir na construção de um estádio. E, mais do que isso, se gostaria ou não de ser uma das sedes do Mundial.

Só assim começaríamos a entender que a real discussão não é ser bairrista ou fazer a defesa de um clube. Mas sim a melhoria no entendimento do futebol como um negócio no país. Muita gente não consegue perceber o básico. Não é função do estado dar estádios para a população. Porque, se isso é dever do estado, então também quero o meu cinema, o meu ginásio, a minha casa de shows, etc.

Ficou claro que boa parte das pessoas não entende que o nível de discussão não é defender uma cidade ou um estádio para isso ou para aquilo, mas sim questionar a validade de erguer um novo estádio apenas para uma Copa do Mundo. E, pelo visto, também as pessoas confundem estádio da Copa com uso de verba pública.

Por que precisamos achar que terá dinheiro público de qualquer jeito e se conformar com isso? Por que não brigar para dizer "meu dinheiro, não!"?

O entretenimento tem junto consigo uma indústria que movimenta bilhões, sendo o futebol um dos mais eficientes geradores de receita no país, com patrocínios milionários e fãs ávidos pelo consumo. Por que só ele tem direito a usar verba pública para construir um estádio?

* Para quem leu aqui antes o "Plebiscito para 2014", fica a correção técnica. Plebiscito é a votação popular para algo que ainda não foi escolhido pelo governo. Referendo é para referendar uma escolha já tomada pelo governo. Nesse caso, a escolha pela Copa do Mundo já foi feita. Mas o referendo pode servir para dizer sim ou não para o Mundial na sua cidade. E aí, vamos nessa?

Por Erich Beting às 17h25

A expansão da marca dos clubes

Dono da maior torcida do Brasil, o Flamengo sempre se orgulhou de ser o mais nacional dos clubes do país. Todas as pesquisas sobre torcidas confirmam isso. Mas, até agora, o Fla tinha feito muito pouco para atingir o seu torcedor de fora da capital fluminense. Digo até agora porque hoje foi anunciada a abertura da primeira franquia de loja oficial do Flamengo.

A loja será em São José dos Campos, interior de São Paulo, num quiosque de 12 m² dentro do principal shopping da cidade.

“A cidade é sede de grandes empresas, de Faculdades Federais e Estaduais e também de Institutos de Pesquisa, e por isso atrai um grande número de pessoas de todas as partes do país, sendo muitos deles flamenguistas”.

Essa é a justificativa dada por Jorge Carvalho, que adquiriu a franquia para a loja oficial do Fla. Ao todo, serão 350 produtos licenciados à venda para o torcedor rubro-negro em São José dos Campos.

É uma pequena atitude, mas que mostra o quanto pode ser interessante investir em expansão das marcas dos clubes.

 

Por Erich Beting às 12h33

14/09/2009

A internet será a mesa redonda de 2010

Falou-se que seria em 2002. Depois, que não passava de 2006. Mas parece que é agora, na África do Sul, que de fato vamos ver embalar a tal da Copa do Mundo pela internet. Mas, curiosamente, fica cada vez mais evidente que, ao contrário do que se pensava, a internet não vai ocupar o lugar da televisão como veículo de preferência do torcedor para o Mundial.

O fenômeno já pode ser observado por quem gosta de esporte. Atualmente, os fóruns de discussão nos grandes portais e, principalmente, o bate-papo nas redes sociais, ganharam o papel de “barzinho” do pós-jogo. Daquele lugar em que todo mundo vai para falar sobre o principal evento esportivo do momento.

US Open de tênis, Campeonato Brasileiro, Brasil x Argentina, Fórmula 1... Em todo Twitter que se tem por aí, alguém comenta em tempo real o acontecimento daquele evento. A vitória de Kim Clijsters foi celebrada em 140 caracteres. A aparência de Maradona comentada o tempo todo no microblog. Os lances polêmicos da rodada do brasileirão, idem. E por aí vai.

Imagine como será, então, a febre desta próxima Copa do Mundo? O torcedor, no trabalho, ficará ligado na rede, comentando suas impressões sobre Bahrein x Honduras (sim, é possível assistir a esse confronto histórico na África do Sul!!!), a roupa de Dunga, o estilo de jogo da Eslováquia, o craque da Austrália, etc.

As mesas-redondas se transformarão em salas de bate-papo virtuais, com o sonho de todo torcedor sendo realizado, que é a sua participação como comentarista. E sem censura! As TVs e as empresas que se preparem, porque, com os jogos acontecendo no horário de trabalho, a audiência dos programas de discussão e a produtividade no trabalho deverão cair sensivelmente.

Por Erich Beting às 09h27

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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