Blog do Erich Beting

Busca

26/09/2009

O preço da trapaça

Ainda não tinha dado tempo de comentar, mas ficou claro o preço que a Renault pagou pela trapaça no GP de Cingapura em 2008. As saídas de ING e Mutúa Madrileña mostram o quanto o esporte depende da ética para ter sucesso no mundo dos negócios.

O grande barato do esporte é a imprevisibilidade. Quanto mais a certeza que o torcedor tiver de que tudo pode acontecer dentro de uma competição esportiva, mais o interesse dele pelo evento. E, por conta disso, as empresas decidem investir milhões para suas estratégias de marketing.

Quando o torcedor perde a confiança na imprevisibilidade de um esporte, o empresário deixa de investir, não tem como. Se não é pela hegemonia de um só time ou atleta, como foi anos atrás na mesma Fórmula 1 por conta de Michael Schumacher, é pela falta de lisura nos resultados do evento.

Assim como o ciclismo sofreu tempos atrás por conta dos casos de doping (algo que perturba agora o atletismo de elite do Brasil) e o tênis com a manipulação de alguns jogos por causa de apostas, agora é a vez de a Fórmula 1 ter de repensar sua estratégia. Porque as pessoas começam a não confiar mais que exista ética na modalidade.

E aí o estrago é ainda maior. A Renault que o diga.

Por Erich Beting às 14h35

25/09/2009

O dilema das feiras esportivas no Brasil

Para quem não sabe, até domingo rola em São Paulo a Running Show, principal feira do mercado de corridas de rua no país. Teoricamente não há como dar errado. Evento no principal centro econômico do país, mercado em franco crescimento e que trata daquilo que é o objeto de desejo de qualquer marca esportiva: a venda de calçados para as pessoas.

Mas a Running Show, em sua segunda edição, sofre o mesmo dilema da maior parte das feiras esportivas do país. Um decréscimo no número de expositores e, principalmente, dos grandes do setor, mesmo com o público continuando a fazer parte do evento.

À exceção da Adventure Sports Fair, que adquiriu o status de principal feira do setor na América Latina, nenhum outro evento voltado para o mercado esportivo decolou, de fato, no Brasil.

E por que será que não se consegue emplacar grandes feiras esportivas no país?

No caso da Running Show, o evento deste ano não conta com a presença de Asics, Adidas, Nike, Olympikus e Reebok, algumas das grandes marcas do setor de fabricantes esportivos.

A ausência dessas marcas revela um dos principais motivos para as feiras não decolarem. Elas quase nunca se decidem se são feiras para fazer negócios ou para atender ao público em geral. E isso faz grande diferença na decisão de uma empresa estar presente ao local.

Sem esse objetivo definido, uma marca do porte de uma Nike, por exemplo, prefere ir para os caminhos tradicionais de comunicação a participar de um evento no qual não há a certeza de ter mais de 10 mil pessoas.

Para piorar, no caso da Running Show, o setor de calçados, que é a menina dos olhos de qualquer marca esportiva, está repleto de encontros de negócios entre lojistas e fabricantes. E isso faz com que se perca a força de um evento como a feira.

Mas o alento pode estar na mesma Running Show. Neste ano, foi criado o “Espaço Golfe”, com uma mini-feira da modalidade. Para o ano que vem, a ideia é conseguir a adesão de outros esportes relacionados com o segmento de luxo. Mas por que não expandir a ideia para se criar uma única feira nacional com todos os esportes?

Por Erich Beting às 20h05

24/09/2009

Legado de Rogge se torna aliado do Rio para 2016

Não é apenas o "carisma" de Carlos Arthur Nuzman que pesa a favor do Rio de Janeiro nas eleições à sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Dentro do Comitê Olímpico Internacional existe uma forte corrente favorável à escolha da cidade brasileira.

Quem mais pressiona em favor do Brasil é Jacques Rogge, o presidente do Comitê Olímpico Internacional. Para ele, é politicamente importante ser conhecido por levar os Jogos pela primeira vez para a América do Sul. Dentro do COI, a corrente pró-Rio considera que Rogge teria na escolha da cidade uma bandeira para levantar depois que deixasse o Comitê.

Até hoje, o espanhol Juan Antonio Samaranch, ex-presidente do COI, é visto como o homem que recolocou os Jogos Olímpicos nos eixos após escândalos, atentados terroristas, boicotes, etc. Sua imagem de "grande presidente" paira sobre as cabeças de quem ocupa a cadeira lá na Suíça.

E Rogge acredita ter a oportunidade única de mudar essa história. Se isso ajuda ou atrapalha a candidatura do Rio de Janeiro é difícil de dizer. Vale lembrar que, na escolha da sede de 2012, o mesmo Jaques Rogge era ferrenho defensor de Paris, que acabou derrotada por Londres.

Por Erich Beting às 12h19

23/09/2009

Uma pergunta que não quer calar

"Será um investimento importante para a cidade poder receber os navios de cruzeiro, que serão usados como leitos para a Copa. Nem toda cidade pode incrementar o setor hoteleiro, pois, após o evento, pode não haver uma demanda suficiente para ocupar os quartos."

A frase acima foi extraída de trecho de matéria de hoje da Folha de São Paulo sobre o investimento do governo federal na infraestrutura das cidades que abrigarão jogos da Copa do Mundo. O autor da frase é Luiz Barretto, ministro do Turismo, e se refere aos investimentos em hotelaria em Manaus.

A pergunta que fica é simples. Porque será que, para se discutir o aumento da infraestrutura hoteleira, tem-se o mínimo de preocupação com a viabilidade pós-Copa de um hotel? Porque não se pode levar o mesmo questionamento para os estádios?

Por Erich Beting às 12h38

22/09/2009

Descobriram o planejamento!!!

A palavra "planejamento" fez parte de quase todas as explanações da Rodada de Negócios da Copa de 2014 promovida pela Câmara Portuguesa de Comércio ontem e hoje em São Paulo. Desde as palestras de abertura até o encerramento, o que mais se falou é que o país precisa planejar direito as ações que permearão o Mundial no país.

Quase todos os palestrantes bateram na tecla de que já estamos a cinco anos do evento. Esqueceram-se que três meses já se passaram desses cinco anos. E que, muito pior do que isso, a eleição do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014 está muito próxima de completar o seu segundo ano.

Ou seja, dos sete anos que estavam previstos para preparar o Mundial no Brasil, dois se perderam em discussões políticas e nenhuma ação efetiva para o torneio. Parece que só agora descobriram o planejamento para a Copa do Mundo.

Competição que, aliás, vai muito além do futebol. E que tem no planejamento e, principalmente, boa execução dos projetos, uma importante ferramenta para mostrar um país pronto para qualquer negócio no mundo.

Mas, a cada dia que passa, é um dia a menos de planejamento para ser feito.

Por Erich Beting às 16h18

21/09/2009

Ministro "lava as mãos" sobre estádios da Copa

Achei que o problema de falta de conteúdo na discussão sobre o legado dos estádios de uma Copa do Mundo no Brasil fosse uma questão mais geral, que envolvesse mais aqueles que não estão no dia-a-dia do esporte como profissão. Mas agora há pouco surpreendi-me com a total falta de comprometimento e de conhecimento do ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., sobre o legado da infraestrutura esportiva do Mundial no Brasil.

Estava presente à Rodada de Negócios sobre a Copa do Mundo de 2014 que foi promovida pela Câmara Brasil-Portugal de Comércio. O evento é o primeiro do gênero sobre o Mundial no Brasil. E, como deverá ser praxe a partir do ano que vem, qualquer proposta de discussão do torneio conta com a presença maciça de políticos e empresários interessados em "não ficar de fora" do negocião que promete ser a Copa brasileira.

Depois da solendidade de abertura, o ministro Orlando Silva Jr. estava conversando com alguns jornalistas e discursando que uma Copa do Mundo não pode ser vista apenas sob o ponto de vista do futebol, que envolve também a promoção turística de um país e que, por isso, a cidade de Manaus era absolutamente compreensível como sede do torneio, mesmo sem ter um time hoje nem na Série C do Campeonato Brasileiro.

Até aí, não há dúvidas, não é por causa disso que não se fará de Manaus uma sede do Mundial. Realmente não faria sentido, principalmente pelo potencial turístico da Floresta Amazônica e do ganho que isso gera ao se levar uma Copa e, muito provavelmente, centenas de milhares de turistas para a região durante o torneio. Só que aí veio a total pisada de bola de Orlando Silva Jr. Para ele, isso justifica fazer um estádio sem se preocupar com a viabilidade financeira do mesmo.

"É uma conta que deve ser feita. Você tem um investimento no estádio para ter o ganho no turismo", argumentou o ministro.

Quando interpelado se não era mais eficiente fazer um estádio maior, mas que depois da Copa pudesse ser reduzido para um tamanho adequado ao tamanho do futebol no Amazonas, começou o show de baboseiras argumentativas, entre elas a pérola de que "estádio não dá lucro", isso em meio a um festival de engasgadas e contra-argumentações. Mas o preocupante mesmo não foi nem o despreparo do ministro, e sim a lavada de mãos sobre o investimento de dinheiro público nos estádios do país.

"Se o governo e a prefeitura decidem que vão pagar pelo estádio, quem sou eu para questioná-los? Uma cidade não receberá a Copa se não tiver estádio", tentou argumentar o ministro, lembrando a eterna ameaça de Ricardo Teixeira e cia. para justificar o injustificável uso de dinheiro público naquilo que seria apenas "bancado pela iniciativa privada" como se dizia lá atrás.

Outra pérola do político foi dizer que "a esfera federal não pode interferir nesse assunto. Isso acontecia na era de Vargas". Sem dúvida não se deseja que, com uma canetada, o governo federal decida como estados e municípios usem seus dinheiros. Mas não se pode aceitar que não seja preocupação do ministro do Esporte a eficiência econômica de uma arena esportiva do país.

Silva Jr. disse que não cabe ao governo federal se preocupar com os gastos públicos em um estádio, mas foi lembrado na hora pelos jornalistas que é função do governo federal, em última instância, pagar a conta de uma Copa do Mundo. Sem muitos argumentos, depois ainda quis jogar para as outras cidades a responsabilidade de pensar o problema dos estádios.

"Essa é uma questão que deve ser discutida localmente, não cabe a nós decidirmos isso à força".

Não ministro, sem dúvida não cabe. Mas o senhor deveria ter o mínimo de coragem de tomar a iniciativa e, pelo menos, exigir mais responsabilidade sobre os estádios de futebol do país. Algo que, pelo que consta, é uma das funções do seu ministério.

Por Erich Beting às 20h41

A Fórmula 1 virou o Senado!

O post já é meio "velho", mas agora consigo parar um pouco, ler sobre o tema, entender um pouco mais com os especialistas da modalidade e, finalmente, tecer um comentário sobre o aparente fim do caso Renault-Briatore-Nelsinho Piquet, não necessariamente nessa ordem.

O fato é que a Fórmula 1 virou, depois dessa, uma espécie de Senado brasileiro.

Quem está no topo sofre uma tremenda pressão para ser derrubado, quem está embaixo sabe dos esquemas que existem e, no final das contas, fica a grande sensação de que tudo não passa de uma tremenda tirada de sarro da cara de quem é apaixonado por aquilo.

A punição de faz-de-conta para a Renault. A "absolvição" de Nelsinho Piquet e de Fernando Alonso. E, por fim, a suspensão de cinco anos para Symonds e o banimento de Briatore. Tudo não passa daquele mesmo jogo de cena que infelizmente nos acostumamos a ver no Senado.

A Fórmula 1 funciona tal qual a política de Brasília, em que o presidente da casa é abalroado por todos os lados e tenta se segurar de qualquer jeito no cargo, mostrando a todos o que todos sabem, que ter um cargo público se confundiu hoje com o uso do dinheiro dos outros para a parentada toda, para ficar no mínimo do que é feito de errado por aí. É tudo mero jogo de cena, é jogada para ver quem tem mais poder, e não para quem consegue fazer melhor.

A diferença básica é que a Fórmula 1 depende de gigantescos investimentos privados para continuar a existir, enquanto que os políticos se mantêm graças ao voto das pessoas. Seria muito interessante se, em 2010, as pessoas decidissem simplesmente deixar de ligar a TV e de ir aos autódromos como abdicassem de votar... Como se comportariam as duas "categorias"? A Fórmula 1 provavelmente assistiria a uma fuga de patrocínios, enquanto seríamos obrigados a realizar novas eleições até alguém decidir ir lá votar e eleger alguém.

A cada nova decisão da FIA, assim como a cada novo ato secreto em Brasília, a impressão que se tem é de que o que menos importa, seja no Senado ou na Fórmula 1, é aquele que faz existirem senadores e profissionais do esporte. No caso da política, quem sofre é o eleitor. No do esporte, o sofrimento é do torcedor.

Por Erich Beting às 12h26

O peso do ídolo na economia do esporte

Ronaldo e Adriano mostraram neste final de semana o quanto a presença de um grande ídolo em atividade no país faz a diferença para a economia do esporte em geral. Os dois jogadores estiveram em campo nos jogos de Corinthians e Flamengo neste final de semana pelo Campeonato Brasileiro. E o resultado foi uma explosão demográfica nas arquibancadas.

Somando-se os jogos das duas maiores torcidas do país, 86.300 torcedores foram ao Pacaembu e ao Maracanã assistir aos jogos entre Corinthians e Goiás e Flamengo e Coritiba.

Com tanta gente na torcida, aumenta-se também a receita de ambas as partidas. Somadas as rendas brutas dos dois jogos, Corinthians e Flamengo faturaram R$ 2 milhões. Imagine se cada time tivesse um craque de peso como tiveram ontem os donos das maiores torcidas do país?

Só em bilheteria seria possível pagar o salário desses jogadores. Sem contar o quanto aumentaria a arrecadação em venda de produtos oficiais, camisas, contrato de patrocínio, camarote corporativo...

Por Erich Beting às 07h23

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

Histórico

© 1996-2009 UOL - O melhor conteúdo. Todos os direitos reservados.