Blog do Erich Beting

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02/10/2009

E o Rio impede a monocultura esportiva no Brasil

A escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016 é a tábua de salvação para as modalides olímpicas no Brasil. Se não fosse a escolha de hoje, com a Copa do Mundo de futebol já confirmada no Brasil, estaríamos fadados a ver o país se preocupar apenas com o futebol pela próxima década.

Agora, com as Olimpíadas, haverá uma polarização dos investimentos esportivos no país. Não na estrutura para os dois eventos, mas sim no esporte em si.

Nem bem a confirmação do Rio como sede aconteceu, e as empresas começaram a se mobilizar. O Bradesco, que financiou parte da campanha do Rio, divulgou comunicado parabenizando o país. A ação é estratégica. Com Itaú (seleção brasileira de futebol e Copa de 2014) e Santander (Copa Libertadores da América) fortes no futebol, restou ao Bradesco abraçar a causa olímpica. O esporte, assim, agradece.

Da mesma forma, a Olympikus lança, semana que vem, a campanha para que o país forme novos campeões olímpicos tendo em vista 2016. Agora sob controle da Vulcabras, a empresa tinha canalizado os investimentos no Flamengo e na cota de futebol da Globo. Agora, como já é patrocinadora do COB, certamente terá de mudar o direcionamento de sua verba para não deixar de capitalizar sobre o patrocínio.

"O investimento não pode ser só em estrutura, tem de investir também em atleta. E com certeza vai haver um investimento muito maior para o atleta". A frase é da ginasta Jade Barbosa, uma das atletas que mais se beneficiou com a realização dos Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro em 2007.

Por Erich Beting às 17h03

A participação pública nos Jogos Olímpicos

Montreal, no Canadá, pagou até 2006 a conta pela realização dos Jogos Olímpicos de 1976! Na ocasião, cerca de 90% do financiamento dos Jogos foram via iniciativa pública. Ou seja, a conta foi do governo.

Barcelona, na Espanha, decantada como exemplo mais bem acabado de como a Olimpíada pode mudar a história de um país, teve quase 68% do custo dos Jogos de 1992 bancados pela população.

Seul, que revolucionou a maneira como o mundo encarava os produtos eletrônicos sul-coreanos, rachou a conta da Olimpíada de 1988. Metade foi bancada pela esfera pública, a outra metade pela iniciativa privada.

Desde 1976, apenas os Estados Unidos não precisaram de tanta participação pública para realizar os Jogos Olímpicos. Quem mais se aproximou disso foi Sydney, na Austrália, que obteve cerca de 30% dos investimentos da esfera pública para fazer a Olimpíada de 2000.

O que diferencia e assemelha o Brasil de todos esses exemplos? O comprometimento da população em fiscalizar e cobrar os responsáveis pelo emprego do dinheiro público. 

Onde não há cobrança das pessoas, o abuso acontece. Onde há uma pressão popular para que os Jogos, de fato, representem a oportunidade de melhorar o país, geralmente o resultado da realização dos Jogos Olímpicos é muito maior.

O Rio de Janeiro será a sede da Olimpíada de 2016. Isso não tem mais como mudar ou gritar contra e reclamar. Agora é hora de cobrar. Mas aí surgem outras perguntas.

Estamos capacitados para saber qual o tipo de cobrança fazer para quem será o responsável pela organização dos Jogos Olímpicos? Estudamos o suficiente para cobrar de quem está no cargo executivo dessa história toda? A imprensa sabe que tipo de investimento é necessário para não fazermos da Olimpíada um escândalo como o Pan-Americano?

Ao que tudo indica, serão seis anos de muito aprendizado no Brasil.

Por Erich Beting às 16h14

Hora de trabalhar. E muito

Agora não tem mais jeito.

Copa do Mundo e Jogos Olímpicos estarão no Brasil na próxima década. Serão cinco anos em que o Brasil ganha dois grandes motivos para que seja um país mais competente.

E isso não servirá apenas para quem está no poder.

Os dois eventos são oportunidades raras de o Brasil ser revelado para o mundo. Não apenas pela beleza de praias, pelo futebol ou pelo pré-sal.

O Brasil tem de trabalhar para fazer um grande evento. E isso depende de todos. Desde quem está no topo da pirâmide e, principalmente, de quem está no subsolo, como mero espectador do que considera uma “farra”.

O esporte não é só entretenimento, pode ser fundamental para mudar a condição das pessoas. A oportunidade para que o país eleve o esporte a esse patamar é agora.

Por Erich Beting às 14h42

Rio-16: ame-o ou deixe-o?

Ainda não consegui ler com calma todos os comentários, contra ou a favor, do que falei sobre as "vuvuzelas" e o Rio-2016. Deu para perceber que a maioria está contra. E o motivo é o argumento inicial do meu post. O ridículo exemplo dos Jogos Pan-Americanos.

Como dono da Máquina do Esporte e comentarista do BandSports, fui radicalmente contra o Pan no Rio. Não por ser o Rio, mas pelo projeto que Carlos Arthur Nuzman vendeu do que seria o Pan. Sempre recorro a uma brincadeira que Antonio Roque Citadini, ex-vice de futebol do Corinthians, sobre a definição do Pan-Americano. Ele dizia que o Pan era "o Jogos Abertos do Interior falado em espanhol". E é realmente esse o tamanho do Pan-Americano. Um evento de terceiro grau de importância e que foi "vendido" para imprensa e autoridades como algo fora de série e que alçaria o Brasil a potência olímpica.

O restante da história é mais do que sabido e precisa sempre ser repetido para não nos esquecermos e voltarmos a errar. Atraso nas obras, licitações estranhíssimas, inexistência de apoio da iniciativa privada por conta do tamanho do evento e total despreocupação com o que sobraria para o Rio de Janeiro depois do Pan. No final, um orçamento inicial estourado em mais de oito vezes e a mostra de que o Brasil não sabe planejar e executar um grande evento esportivo.

Com isso em mente, acredito que temos duas lições a tirar do Pan. A primeira é de que o Brasil precisa, mesmo, saber trabalhar com planejamento de longo prazo na formação esportiva. E esse é um assunto que deve vir da base, que é a educação para o esporte. Só que aí voltamos ao problema da falta de projeto para a educação como um todo no país.

O segundo ponto que temos de discutir, e essa é a minha maior crítica feita no post anterior, é que não se pode tomar como base o Pan e a mesma turma que eternamente está à frente do esporte olímpico do país, como justificativa para ser radicalmente contra a realização do evento nas bandas tupiniquins. E, pior ainda, usar o argumento de que "a Olimpíada só servirá para roubarem ainda mais o povo".

Isso é ser radical demais. E pensar pequeno demais.

Muitas críticas dirigidas a mim foram sobre a "ingenuidade" ou à "infantilidade" de crer que exista algo de bom com os Jogos Olímpicos no país. O que defendo não é fazer ou não os Jogos, mas sermos críticos em relação ao que está se propondo ao país por conta de um evento dessa magnitude.

Os Jogos Olímpicos são muito maiores que o Pan, por isso exigem do Brasil um preparo muito maior. Por isso mesmo, começamos a ver que a indústria do esporte começa a se desenvolver a fórceps, antes mesmo de um resultado final sobre a realização do evento no país. O melhor indício é o próprio tipo de debate que já estamos tendo dentro de grandes veículos de comunicação e de espaços como este.

Não estamos aqui preocupados em saber quantas medalhas o país vai ganhar (que é uma parte dos problemas), mas sim em questões como viabilidade do negócio, legado, uso de verba pública, despreparo de quem conduz o processo, má fé na gestão da candidatura brasileira. Isso tudo contribui, e muito, para formar uma massa crítica maior dentro do Brasil sobre como o esporte deve ser tratado.

Só que é curioso como esse tipo de discussão é muito menor quando o tema é a Copa do Mundo. As pessoas parecem ver muito menos problema numa Copa bancada pelo dinheiro público do que nos Jogos Olímpicos. Quando o raciocínio deveria ser exatamente o oposto. O futebol movimenta a maior parte da indústria do esporte no país. As empresas estão interessadas, de fato, em investir no futebol. Os clubes de elite têm faturamento que ultrapassa os R$ 100 milhões ao ano, a mídia paga centenas de milhões de reais para exibr o futebol. E olha que ele ainda está muito abaixo do desejável em termos de qualidade como produto e como gestão!

Em compensação, praticamente todos os outros esportes no país sobrevivem apenas graças ao aporte da iniciativa pública. Seja via patrocínio estatal, seja pelas loterias ou pelas Leis de Incentivo. O fato é que o Brasil é APENAS o país do futebol no que diz respeito a interesse enquanto negócio.

E, mesmo assim, o escândalo é maior quando a verba pública será usada para realizar um megaevento poliesportivo no país do que para um que não precisa, comprovadamente, de ajuda governamental para existir, que é a Copa do Mundo de futebol.

Daí a minha tendência a acreditar que a Olimpíada pode ser o ponto de virada para o esporte no Brasil. Estamos mais maduros para cobrar projetos de formação no esporte. Aprendemos, com o Pan, que não se pode permitir a farra excessiva de uso do recurso público num evento esportivo, que deve se cobrar do gestor um comprometimento maior com a criação do atleta, do ídolo. A cobrar da mídia uma postura multicultural no que diz respeito a esporte. A cobrar do torcedor uma participação maior na tomada de rumos para o crescimento do esporte no país.

E, em vez de arregaçar as mangas e trabalhar para esse quadro melhorar, preferimos a acomodada decisão de que é para se odiar o Rio de Janeiro como sede olímpica. Não se trata de uma questão de amor ou ódio, como propalada pelos governos anteriores lá do passado.

Mas sim de refletir o que pode ser bom para o Brasil enquanto potência esportiva. É uma chance rara de perceber que o esporte pode ser uma mola para impulsionar diversos outros setores de nossa economia, ou então para melhorar a qualidade de ensino nas escolas, na vida das pessoas, etc.

Obviamente que essa é a visão idealista do negócio, mas um país sem ideal de realização permitirá sempre que seus políticos mandem e desmandem nos rumos da nação. É assim com um ato secreto no Senado, segue a ser assim na farra que é a Copa do Mundo tupiniquim.

Mas só pelos exemplos existentes vamos nos declarar contra? Por que não nos mobilizarmos para melhorar a condição do esporte no Brasil tendo como pretexto a necessidade de o país não dar vexame em sua participação nos primeiros Jogos Olímpicos da América do Sul? Ainda temos seis anos para montar essa base esportiva, para aprender que esporte não é apenas uma bola, um par de chinelos e qualquer espaço livre.

Em vez de gastar fôlego com a corneta, porque não trabalhar a partir de uma chance única como uma Olimpíada?

Por Erich Beting às 01h39

01/10/2009

Hamilton terá capacete "brasileiro" no GP Brasil

O Brasil estará na cabeça do inglês Lewis Hamilton no GP Brasil de Fórmula 1. Pela primeira vez no mundo, o nome de um fã estará estampado no capacete do piloto britânico nos três dias de treino e na prova brasileira.

A ação é a novidade que a Johnnie Walker, patrocinadora da McLaren, preparou para o GP Brasil neste ano. Dentro do projeto "Piloto da Vez", que a marca de uísque encampa desde 2006, a proposta agora é mudar um pouco a cara da ação.

Depois de apostar na mesma mecânica, que era dar a um torcedor o direito de dar uma volta de carro com um piloto consagrado da equipe (Kimi Räikkönen e Hamilton foram alguns deles), a empresa agora decidiu colocar o nome do torcedor no capacete que será usado pelo britânico durante a prova.

O capacete "brasileiro" de Hamilton é uma ação similar a outra promovida pela Red Bull há dois anos na Fórmula 1, quando ela vendeu espaços em seu carro para torcedores colocarem suas fotos. Na ocasião, a ideia da empresa foi arrecadar dinheiro para uma causa social.

Agora, o projeto da marca de uísque Johnnie Walker é criar a campanha para incentivar ainda mais a responsabilidade no consumo de bebida alcoólica. A mídia espontânea em torno do evento será grande, e é uma boa forma de mostrar como o esporte pode ser aliado a questões de responsabilidade social.

                                          Crédito: Divulgação

Por Erich Beting às 18h31

30/09/2009

As vuvuzelas soam mais forte contra o Rio

A opinião pública no Brasil começa a demonstrar cada vez mais uma certa "aversão" à realização dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. E, é claro, o maior argumento contra é o papelão que foi a preparação brasileira para os Jogos Pan-Americanos no mesmo Rio de Janeiro em 2007.

Todos os argumentos são válidos. O Pan revelou claramente a falta de competência na gestão do esporte no país, antes sempre traduzida pela ineficiência do Brasil em quadro de medalhas nas competições. Com a responsabilidade de realizar um grande evento, revelamos a incapacidade dos dirigentes esportivos em planejar e executar qualquer projeto. Isso se formos considerar que todo o superfaturamento do Pan foi causado apenas por incompetência, e não por maldade para atrasar prazos, derrubar licitações e derramar um caminhão de dinheiro público em algo que não se precisaria gastar mais do que algumas dezenas de milhões de dólares.

Só que o mesmo argumento que é válido soa, pelo menos para mim, como um típico estado de conformismo que temos em relação a quem está no poder. É muito fácil reclamar e dizer que "será tudo igual ao Pan".

Por que em vez de se conformar de que sempre há roubalheira ou desonestidade não se esforçar para fazer com que as coisas melhorem?

Sem dúvida não estamos maduros o suficiente para fazer com que uma Olimpíada ou uma Copa seja sinal de eficiência plena na gestão esportiva e na construção de toda a infraestrutura necessária para eventos desse porte. Mas, se os dois eventos acontecerem no Brasil, poderemos assistir a um salto gigantesco na qualidade do gestor esportivo nacional.

O país estará obrigado a disputar todas as modalidades numa Olimpíada, a mídia dará maior atenção para um maior número de modalidades, as empresas vão procurar saber mais não só onde, mas também como investir, o campo de trabalho vai se abrir para quem é apaixonado por esporte e sempre sonhou em fazer disso o meio de vida. Além disso, teremos de estar preparados para receber turistas, teremos de acelerar a melhoria de infraestrutura de transportes nas cidades, receberemos a atenção de investidores do mundo inteiro.

Esses são alguns dos pontos positivos que eventos gigantescos como Copa do Mundo e Jogos Olímpicos podem gerar ao país.

É muito mais fácil dizer que não estamos preparados para isso e reclamar que haverá um desvio de recursos maiores que os próprios eventos e onde não há necessidade de se investir nem bem um centavo. Sem dúvida isso é revoltante, deixa aquele sentimento de uma grande oportunidade perdida. Mas será que não tiraremos nada de bom mesmo com um evento mundial aqui no Brasil?

Nós não saberemos promover o turismo para o visitante estrangeiro? Nós não saberemos qualificar mais quem trabalha no esporte para formarmos mais e melhores atletas? Nós não aprenderemos a pensar grande na formação esportiva do país? Nós não aprenderemos que o Brasil não é apenas o país do futebol?

Para tudo isso acontecer, a mesma opinião pública que se baseia na "farra do dinheiro" para criticar um grande evento esportivo, deveria se preocupar em ir mais a fundo, em investigar, em estudar, em conhecer o que é feito de bom e de ruim nesses grandes eventos.

Os Jogos Olímpicos podem representar uma rara oportunidade de tirar a atenção plena da mídia e dos patrocinadores do futebol. A Olimpíada pode ensinar ao país que o esporte é algo muito legal, que um jogo de handebol, uma competição de atletismo ou de beisebol podem ser tão ou mais emocionantes que um jogo da Série Z do Campeonato Interbairros de futebol.

Em vez de cornetar, poderíamos discutir muito mais a fundo o que de fato é importante para o país quando abriga um evento desses.

É criar uma base multiesportiva? É investir em centros formadores de atletas? É se preocupar apenas em ter a arena esportiva que aí o atleta surge naturalmente? É criar um mecanismo para que a mídia não fique restrita ao futebol? É exigir que os gestores sejam mais transparentes para que o esporte cresça como um todo? As questões não acabam. E nem devem acabar.

E o impressionante é que, enquanto as vuvuzelas soam contra o Rio, ninguém levanta ferrenhamente a bandeira contra o uso da verba pública na Copa do Mundo, não critica a falta de planejamento em relação à construção dos estádios de futebol para o Mundial, não questiona e pressiona, da mesma forma, as mudanças de prazo, as contradições e os desmandos que já foram feitos no processo de oficialização do Brasil como sede da Copa de 2014. Pelo contrário, confundem isso com bairrismo ou com "paixão clubística".

É curioso, também, como se critica a África do Sul sem parar para pensar que, a cada minuto que passa, o Brasil está muito mais para a África do que para a Alemanha. Sendo que as condições financeiras e de desenvolvimento do país estão, hoje, mais para a Europa do que para a África.

Se cobrássemos dos gestores do esporte o mesmo que se cobra de um treinador ou um atleta quando derrotado, sem dúvida estaríamos muito mais preparados para discutir o que, de fato, é importante numa Copa do Mundo ou numa Olimpíada no país. É só uma questão de usar o fôlego da corneta em outro tipo de discussão...

Por Erich Beting às 12h04

29/09/2009

Como usar o atleta em favor do marketing do clube

O Corinthians acaba de lançar a campanha para turbinar a venda do programa de sócio-torcedor do clube. Críticas à parte ao projeto alvinegro, o vídeo que pede a participação do torcedor é uma boa mostra de como usar o atleta em favor do marketing da equipe.

William, Edu, Dentinho, Elias e Mano Menezes compuseram o "time" corintiano na filmagem. Ronaldo, que seria a cereja do bolo da história, tinha sido dispensado no dia da gravação, de acordo com o clube. Acho até que foi melhor assim, já que ainda não é certeza que o jogador estará na disputa da Copa Santander Libertadores de 2010, apelidada de "Libertadores do Centenário" no comercial.

O fato é que ao promover a imagem do atleta ligada à do clube, o Corinthians reforça ainda mais não apenas o seu marketing, mas também a permanência desses jogadores e do próprio Mano Menezes no time. Afinal, as campanhas comerciais ajudam ainda mais a criar um vínculo do atleta com o torcedor.

Raramente os clubes no Brasil se preocupam em usar o atleta para campanhas institucionais. Rogério Ceni e Marcos, por exemplo, promovem muito pouco São Paulo e Palmeiras. E olha que os dois têm muita história para isso. O Inter fez, no passado, boas campanhas com Fernandão, tanto que causou espanto ele não ter retornado ao clube gaúcho em 2009.

E o uso do atleta como garoto-propaganda está até previsto em contrato. Quando se tem o acordo de direitos de imagem com um jogador ou treinador, ele muitas vezes cede o uso de sua imagem para o clube. É uma forma de pagar menos impostos, mas também pode ser uma boa maneira de o clube poupar alguns trocados com jogadores.

Veja a seguir o vídeo da campanha alvinegra.

 

Por Erich Beting às 18h43

Botar a culpa em quem, então?

"Botar a culpa em quem então?". Agora há pouco um seguidor meu no Twitter fez esse questionamento a respeito do post de ontem, em que falei do não-adiamento de Inter x Flamengo e do quanto ficou claro que existe um limite do poder da televisão sobre o esporte em geral.

Quase todo mundo que comentou e cornetou aqui no blog (e por isso o post de hoje ser genérico, em resposta a quase todos eles) se preocupou rapidamente em atacar a Globo pela decisão de jogar a partida de domingo no Beira-Rio.

Mas será que temos de culpar alguém pelo não-adiamento? Ou melhor, porque temos de insistir em achar algum culpado e não em resolver o problema das coisas?

O brasileiro tem uma mania de primeiro tentar identificar o culpado para só então se preocupar em começar a olhar o que deu errado e impedir que o erro seja cometido novamente. É uma característica do nosso povo, que não dá para afirmar se é só nossa.

O intuito da discussão com o meu post anterior não foi descer o cacete na Globo. Ou no árbitro. E sim olhar mais para a frente. Para o esporte gerido de uma maneira mais preocupada em preservar o que ele tem de mais importante, que é a qualidade do evento.

A meu ver, existiu um erro no gerenciamento da crise que surgiu. Choveu demais, seria impossível praticar o jogo da maneira como o torcedor que ali está (e que está na TV também!) esperaria poder assistir. O que fazer numa hora dessas? O sentido de preservação, não só de canelas, diria que o melhor é esperar a chuva diminuir e remarcar a partida para o dia seguinte.

Se isso acontecer, a TV entende, o patrocinador entende, o torcedor que ali está também entende. Isso sem contar as duas equipes. Por mais que o Inter tenha partida da Copa Nissan Sul-Americana na quarta-feira, ou que os dois times percam um dia de descanso. Preserva-se a qualidade do espetáculo. E dá a ambos a chance de conseguir a vitória na partida, algo fundamental pela circunstância do campeonato.

O poder de decisão sobre qualquer coisa no esporte tem de continuar a ser do esporte. Seja no futebol, no vôlei, no basquete, na bocha. A TV é o meio para ele se propagar, entre diversos outros que existem. E cabe ao detentor do direito esportivo ter o pulso e as condições para manter o alto nível do seu produto.

Não se trata de culpar alguém. Mas de aprender com o erro. Botemos, por assim dizer, a culpa na eterna mania nossa de querer achar algum culpado...

Por Erich Beting às 16h07

28/09/2009

Até onde a TV pode dominar o esporte*

Que a TV é essencial para a promoção do esporte, não há dúvida alguma. Mas, neste final de semana, tivemos uma mostra de que os interesses dos meios de televisão não podem ser superiores ao esporte em si.

Internacional x Flamengo disputaram uma maratona aquática no estádio Beira-Rio. O jogo era o escolhido pela TV para compor a grade de programação da emissora no domingo. Só que o aguaceiro que castigou Porto Alegre fez com que o óbvio aparecesse: era impossível jogar futebol no gramado do Beira-Rio.

Só que o árbitro Sandro Meira Ricci, do Distrito Federal, achou melhor não contrariar os interesses daquela que pagou R$ 400 milhões para exibir o campeonato em 2009. E, assim, decidiu fazer a bola rolar (?) no gramado (?) do Beira-Rio.

O que se viu a partir daí foram 90 minutos de nenhuma bola rolando e de muita água espalhada, chute errado, canela preservada... Futebol, daquele que a gente gosta de assistir, não teve absolutamente nada.

Em vez de preservar a qualidade do espetáculo, o árbitro da partida preferiu dar bola para a emissora de TV, que por sua vez teve de tudo para mostrar, menos a bola de fato!

Imprevistos acontecem, e a própria emissora que detém os direitos de transmissão sabe disso. E, se é para exibir um jogo de futebol em que não se há jogo, o melhor é reprisar um filme enlatado ou até mesmo mudar o sinal para outra partida que acontece no mesmo horário, algo que é absolutamente compreensível para o torcedor. Além de ser mais justo para ele.

O poder de decisão da TV no futebol tem um limite. Ela até pode determinar alguns horários, escolher quando será uma partida para atender seus interesses de grade de programação ou pedir que um determinado time esteja mais vezes na TV. Afinal, é ela quem paga a maior parte da conta de um torneio.

Mas o limite da TV é, claramente, o limite da preservação da qualidade do produto. Se esse status inviolável do esporte for preservado, todos saem ganhando. Inclusive a TV. Afinal, não seria melhor se neste último domingo houvesse um jogo de futebol transmitido na telinha em vez da maratona aquática do Beira-Rio?

* Coluna publicada nesta manhã na Universidade do Futebol.

Por Erich Beting às 13h51

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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