Blog do Erich Beting

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16/10/2009

O marketing de oportunidade

"Que sigam chupando" virou a versão Maradoniana para o "Vocês vão ter que me engolir" de Zagallo. E todo o barulho criado em torno da frase/desabafo nada gentil do treinador da seleção argentina serviu para que o marketing de oportunidade viesse à tona.

Desde quinta pela manhã os argentinos podem comprar a camisa "Que sigam chupando", reforçando o bordão que cada vez mais vira mantra nas bocas de Diego Maradona.

O caso é uma espécie de adaptação argentina para o sucesso "Eu nunca vou te abandonar" criado pelo Corinthians em 2007 logo após ser rebaixado à Série B do Brasileirão. O marketing da oportunidade é daqueles que tem a maior chance de dar certo.

Mas é curioso, nesse caso específico da Argentina, que a AFA e o próprio Maradona sigam chupando os dedos, sem ver a oportunidade passar em frente às combalidas finanças do futebol argentino.

Por Erich Beting às 02h00

15/10/2009

O impacto da F-1 para São Paulo

Realizar grandes eventos esportivos no país é uma possibilidade enorme de atrair grandes recursos financeiros. São Paulo está, há mais de 20 anos, com um dos melhores eventos para se organizar na cidade, que é o GP do Brasil de Fórmula 1.

Mais do que apenas os três dias de corrida, a cidade aprendeu a promover o evento como um todo. Nesta semana, por exemplo, além da corrida de F-1 haverá o Salão Duas Rodas, voltado para veículos movidos a duas rodas.

O objetivo, claro, é atrair ainda mais gente para a cidade na semana do maior evento esportivo do calendário paulistano. O resultado, segundo os órgãos oficiais, é que a cidade terá um impacto de cerca de R$ 260 milhões por conta desta semana.

Imagine o quanto representarão Copa do Mundo e Jogos Olímpicos nos próximos anos...

Por Erich Beting às 18h15

Estatuto do Torcedor segue em segundo plano

A CBF continua sem dar tanta bola assim para o Estatuto do Torcedor. Hoje, dia 15 de outubro, e o site da entidade continua sem publicar o borderô de todos os jogos da rodada dos dias 10 e 12 passado. As súmulas e borderôs das partidas, na íntegra, deveriam estar publicadas desde as 14h do dia posterior ao jogo.

Por conta disso, ainda não consegui atualizar o ranking de público e renda do Campeonato Brasileiro.

Um dos objetivos da medida de exigir a publicação dos borderôs do jogo, quando foi criado o Estatuto do Torcedor em 2003, era de tornar mais transparente as informações sobre a renda das partidas, algo que no passado sempre foi motivo para desvios de receita.

A CBF evoluiu em muitas coisas desde que a cobrança sobre ela ficou mais forte. Mas é impressionante como o borderô das partidas continua a ser um tabu.

Por Erich Beting às 09h00

14/10/2009

As eliminatórias em pontos corridos

Muitas vezes questiona-se o porquê de as Eliminatórias Sul-Americanas serem disputadas em pontos corridos, ocupando 18 datas ao longo de três anos. Parte da explicação pode vir de matéria publicada hoje na "Folha de S. Paulo".

Só em bilheteria, a seleção brasileira arrecadou R$ 30 milhões em nove jogos feito em casa pelas Eliminatórias. A média é de R$ 10 milhões por ano, ou pouco mais de R$ 3 milhões por partida, mais do que o dobro do jogo que mais arrecadou neste Brasileirão.

Isso sem contar a venda dos direitos de transmissão, que nunca tem o valor revelado... A questão, definitivamente, não é o calendário.

Por Erich Beting às 15h45

Pelo bem da pátria?

Brasileiro sempre costuma falar sobre o amor argentino pela pátria. E, na noite desta quarta-feira, veremos mesmo uma pátria inteira unida por um objetivo. A Argentina joga a vida pela classificação à Copa da África do Sul. Mais do que preservar a história de Maradona com a camisa que o consagrou, o jogo contra o Uruguai pode significar uma quebra de paradigmas para o futebol argentino.

Mas será que é bom para o nosso vizinho classificar-se para a Copa do Mundo?

"Tomara que nos classifiquemos. Mas acho que não seria de todo ruim neste momento ficarmos fora do Mundial. Para vermos que o bairro mudou, que a casa precisa ser melhorada, reformada, pintada. Não ir ao Mundial é uma catástrofe econômica e esportiva. Mas não acho totalmente negativa porque às vezes, quando se vai ao fundo do poço, você se dá conta de onde está, e tem de repensar um monte de coisas".

A frase acima está publicada hoje no diário argentino "Olé", e é de autoria de Claudio Borghi, treinador do Argentinos Juniors.

Borghi se refere à situação cambaleante do futebol argentino não só em sua seleção, mas na América do Sul. Entre outras coisas, diz ele que faz tempo que os times argentinos não chegam com facilidade às quartas-de-finais da Copa Santander Libertadores, que o time nacional pena quando joga em La Paz...

Vale lembrar que, hoje, o governo é quem banca o futebol na Argentina, estropiado após a quebra econômica do país.

Talvez, para a pátria, seja o momento de se ver alijado de uma Copa do Mundo para perceber que é preciso repensar o futebol na Argentina. O Brasil teve duas CPIs para expor boa parte dos problemas e, mesmo que com os mesmos de sempre, mudar parte das coisas no nosso planeta bola.

Hoje pode ser um dia histórico para a Argentina. Para o bem de toda a pátria e, principalmente, do futebol em todo o mundo.

Por Erich Beting às 12h11

13/10/2009

Campeão de público ou de renda?

Finalmente o Botafogo conseguiu colocar bastante gente no Engenhão. Mas a qual custo?

Os mais de 33 mil pagantes presentes ao estádio João Havelange foram ocasionados pela promoção criada pelo clube, de liberar a entrada de crianças. A ideia foi boa, mas mostrou total despreparo do clube em atender esse torcedor "novo" no estádio.

Até o jogo de ontem, a média do Engenhão era de 10 mil torcedores. A receita não passava dos R$ 150 mil por partida. Além do público recorde, o Botafogo conseguiu inéditos R$ 320 mil de receita bruta no empate contra o Avaí. Mas causou tanto problema com o torcedor que a promoção de quase nada adiantou.

Os gestores precisam entender que não é colocando gente de graça no estádio que se tem sucesso de público. É preciso oferecer boas condições para o torcedor, dar um espetáculo decente para ele e, principalmente, tratá-lo bem.

Ao fazer a promoção de ontem, o Botafogo sem dúvida levou novos torcedores ao estádio. Mas a balbúrdia que se transformou a entrada, que precisou ter os portões abertos para o público, pode ter causado uma impressão tão ruim no jovem torcedor que, a partir de agora, ele pensará muito antes de ir para um jogo de futebol.

Parece que o futebol no Brasil ainda não entendeu que é melhor ser campeão de renda a ser campeão de público. Obviamente que o melhor é ser os dois. Mas, para isso, temos de aprender a tratar o torcedor como o principal - e melhor - cliente. Se continuarmos a tratá-lo como "mais um", o futuro está fadado à extinção do bom torcedor nos estádios. E entenda-se por bom torcedor não apenas a criança, deslumbrada com seu time, mas o cara que vai colocar cada vez mais dinheiro dentro do clube.

Por Erich Beting às 17h10

O quinhão para o rúgbi e o golfe

Nos bastidores já começou a disputa entre rúgbi e golfe, junto com as diversas outras modalidades. Afinal, com a inclusão dos dois esportes no programa olímpico, automaticamente começou o lobby para a inclusão de ambos, também, na divisão da verba da Lei Piva.

Na semana que vem o COB deverá tomar uma posição a respeito. Nos bastidores, o golfe já se articula para tentar ter, pelo menos, R$ 800 mil anuais do dinheiro das loterias.

Esportes dominados por pessoas de alto poder aquisitivo, o jogo político deverá ser forte pela verba, que se sair será inédita na história das modalidades. Nunca houve tanto dinheiro de maneira tão fácil para rúgbi e golfe no Brasil...

Por Erich Beting às 15h25

11/10/2009

E o Estatuto do Torcedor?

Ainda não há qualquer confirmação. Mas, durante a transmissão de Bolívia x Brasil, Galvão Bueno falou que o jogo da próxima quarta-feira, entre Brasil e Venezuela, poderá ter o seu horário alterado.

De acordo com o narrador da Globo, como agora o jogo não tem mais validade (a Venezuela está virtualmente eliminada), existe uma tratativa para alterar o horário de início da partida, que teve ingressos comercializados para as 19h.

Mais uma vez é interessante para as emissoras de TV mudarem o jogo para não atrapalhar a grade de programação. Até aí não há nada de errado. Mas, de novo, fica a pergunta.

E o Estatuto do Torcedor nessas?

Vale lembrar que a legislação, que passou a vigorar em 2003, prevê que apenas em partidas mata-mata o horário do jogo pode ser definido com tão pouca antecedência. Como o jogo é realizado no Brasil, o Estatuto do Torcedor é aplicado. O torcedor que comprou ingresso para as 19h não pode ser lesado pela alteração de horário, seja ele qual for.

É hora de o esporte saber se posicionar. Mesmo não concordando com a lei (como já demonstrou lá em 2003 quando ela foi aprovada), aCBF não pode ir contra o torcedor.

Por Erich Beting às 20h06

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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