Blog do Erich Beting

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23/10/2009

O peso do doping no esporte

Maureen Maggi acaba de anunciar que vai deixar o grupo Rede Atletismo. Além dela, o técnico Nélio Moura, que fez os dois últimos medalhistas de ouro no salto em distância, abandonou o time de Bragança Paulista, no interior de São Paulo.

Há quase um ano, o Rede surgiu para se apoderar do atletismo no país. Contratou atletas de peso como Maureen e injetou milhões no centro de treinamento em Bragança. Os escândalos de doping envolvendo seus atletas, que foram sendo um a um revelados, manchou e minou todo o projeto da empresa de energia elétrica.

É o risco do doping. Não só o fato de o atleta ser flagrado no exame e ser punido, mas de colocar em ruínas todo um projeto envolvendo uma modalidade esportiva.

O grupo Rede planejava criar um dos maiores e mais completos programas de atletismo do país. A pressão por vitórias, colocada pela própria empresa devido ao grande volume de investimento feito e, também, pela quantidade de atletas de ponta que contratou, acabou fazendo o esquema desmoronar.

No esporte, o importante é competir, de preferência para ganhar. Mas a vitória sempre tem de ser honesta. Porque é a única maneira de conseguir sustentar toda a estrutura esportiva.

O caminho fica cada vez mais aberto para que a Rede deixe o atletismo.

Por Erich Beting às 18h59

Heineken promove pegadinha na Itália

Muitas vezes discutimos como um patrocinador pode ir além numa ação para comunicar que apoia um determinado evento, atleta ou equipe esportiva. Na última quarta-feira, a Heineken deu uma mostra de como, com um pouco de dinheiro, muita criatividade e, principalmente, contando depois a história, uma ação de patrocínio pode ser muito valiosa.

A empresa preparou uma espécie de "pegadinha" com o torcedor do Milan no dia do confronto contra o Real Madrid pela Liga dos Campeões da Europa. Numa ação com pessoas da imprensa e alguns torcedores-chave, criou uma espécie de concerto musical justamente no dia e horário do jogo. Só que, na hora que as pessoas se acomodavam para assistir ao concerto, o telão começou a mostrar algumas mensagens. Ao mesmo tempo, os músicos começaram a tocar a já conhecidíssima música-tema da competição.

O resultado você vê abaixo. Simplesmente uma excelente forma de mostrar como é fácil você ir além no patrocínio esportivo com um pouco de criatividade. É impossível não associar, cada vez mais, a música da Liga dos Campeões da Europa à Heineken.

Por Erich Beting às 16h55

22/10/2009

Indy no Rio: mais um legado olímpico

A Fórmula Indy acaba de confirmar que a etapa de abertura do Mundial de 2010 será no Rio de Janeiro. Depois de começar a flertar com Ribeirão Preto (SP), engatar um namoro com Brasília e noivar com Salvador, a categoria do automobilismo decidiu criar uma prova em circuito de rua na Cidade Maravilhosa.

Não foram revelados os valores para o acordo, mas o fato é que, até pouco tempo atrás, Sérgio Cabral e Eduardo Paes diziam que o investimento público necessário para o evento não valeria a pena.

Ribeirão queria se aproveitar do fato de ser uma das capitais do etanol. Salvador estava quase certo pelo interesse dos políticos locais de investirem em um autódromo, tão carente na região nordeste do país. E Brasília contava com o fato de ser a capital brasileira.

No fim, deu Rio, impulsionado por ter se tornado a "bola da vez" em virtude da realização dos Jogos Olímpicos de 2016.

Mas automobilismo não faz parte do programa olímpico. E, mesmo sendo circuito de rua, por que não levar para outra cidade a etapa brasileira da Indy? Os Jogos são uma grande oportunidade para promover o país como um todo e, mais do que isso, mostrar um Brasil esportivo em mais lugares.

Aqui em Copenhague, na Dinamarca, essas foram as tônicas das perguntas endereçadas ao secretário paulistano de esportes, Walter Feldman, após sua apresentação no Move 2009, congresso que debate o esporte e as cidades.

O estrangeiro quer saber de que forma o país pode se beneficiar dos Jogos Olímpicos. Como as cidades brasileiras vão trabalhar o evento para incentivar e disseminar a prática da atividade física. Até agora não temos essa resposta.

E, para piorar, se apenas o Rio de Janeiro começar a concentrar os grandes eventos esportivos, que ajudam a despertar o desejo de praticar esportes, teremos um sério problema. A Indy pode ser um prenúncio desse novo cenário.

Por Erich Beting às 15h25

A capital mundial do esporte

Há cerca de 15 dias, a cidade de Copenhague, na Dinamarca, recebia todas as atenções da mídia do mundo com a realização do congresso do Comitê Olímpico Internacional que acabou decidindo, entre outras coisas, pela escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016.

Quase três semanas depois, Copenhague volta a abrigar um evento sobre esporte. O debate, agora, é sobre "Esporte, Saúde e Cidadania", reunindo gestores públicos de diferentes partes do mundo para debater como as cidades podem fazer para promover a atividade física e o que isso melhora na qualidade de vida da população.

A promoção que a cidade dinamarquesa tem feito para o evento é gigantesca. Tudo dentro do conceito de que é preciso desenvolver o esporte nos mais diferentes níveis, e não apenas para o alto rendimento.

Se, no início do mês, as atenções para Copenhague eram por conta do mais elitista dos eventos esportivos, agora os olhos se voltam, obviamente em menor escala, para o esporte como meio de inclusão social.

É esse conceito que deve nortear o real interesse público no esporte. E não injetar milhões apenas para o que inspira o torcedor a se tornar um atleta. De que adianta pensarmos somente nos grandes eventos se a base não está feita?

Por Erich Beting às 03h18

21/10/2009

Vasco convoca torcida em marketing viral

A presença de um publicitário no comando do departamento de marketing do Vasco começa, finalmente, a mostrar um clube um pouco mais antenado às formas de comunicação mais atual. Sob o comando de Fábio Fernandes, da F/Nazca, o clube carioca decidiu criar um vídeo e usar o marketing viral para convocar o torcedor para o jogo de sábado, contra o Bahia.

Dono de uma das mais fanáticas torcidas na web, o Vasco aposta na propagação do vídeo como uma forma de encorajar o torcedor a bater recorde de público nos jogos da Série B do Campeonato Brasileiro. Veja abaixo o vídeo da campanha. 

Por Erich Beting às 12h31

20/10/2009

A vez dos gestores no esporte

A realização de Copa do Mundo e Jogos Olímpicos no Brasil poderá levar a um boom na formação de gestores esportivos no país. A visão é de J. Hawilla, presidente do grupo Traffic. Hoje, em palestra dada a alunos da USP, em São Paulo, Hawilla falou que o momento no esporte será para os novos gestores.

"É uma carreira que vai crescer muito. Você precisa se preocupar em ter uma formação de gestores. Esse é o ponto central do negócio. Os gestores e administradores hoje são dirigentes, que trabalham sem nenhuma formação acadêmica, de mercado", afirmou Hawilla.

O caminho, sem dúvida, é qualificar as pessoas para, só depois disso, conseguir começar a melhorar a estrutura esportiva do país.

Por Erich Beting às 13h01

19/10/2009

Pontos corridos ou mata-mata?

A discussão voltou um pouco às manchetes nesta última semana, quando a "Folha de S. Paulo" e o colega Juca Kfouri levantaram a lebre de que a Globo voltou a mexer os seus pauzinhos para que o Campeonato Brasileiro deixe de ser em pontos corridos, retornando o mata-mata.

Bom, para começar, é preciso ver o que fazer com o Estatuto do Torcedor se isso vier a acontecer. A lei diz que ao longo do ano, ao menos um torneio nacional deve ter seu campeão decidido numa competição que seja em turno e returno. Não, isso não abre brecha para que se façam os dois turnos e, depois, as finais em mata-mata como deseja a Globo e uma parte da opinião pública.

Mas ignoremos a lei e sigamos com o debate. Afinal, pontos corridos ou mata-mata, o que é melhor?

A lenga-lenga de que "brasileiro adora final" é batida. Nos últimos anos, com economia estabilizada, times reforçados e promoção correta do torneio por pontos corridos, a média de público nos estádios só tem crescido. E olha que mesmo com o campeonato tendo o mesmo campeão nas últimas três edições houve esse interesse maior por parte do torcedor.

Não gosto de me ater à questão do mérito esportivo para defender os pontos corridos. Afinal, se um time quiser ser campeão, tem de estar preparado para bater todos os adversários, independentemente do formato da competição. E, além disso, regras são regras. Se estão combinadas desde o início, que o time se prepare a elas e vença.

O que discuto, realmente, é a questão financeira entre as diferentes fórmulas. Para um patrocinador, qual fórmula é mais interessante?

Nesse caso, a balança pende mais para o lado dos pontos corridos. Diferentemente do mata-mata, o torneio em turno e returno garante ao patrocinador a realização de 19 jogos do clube em seus domínios. Isso facilita o planejamento de ações por parte de clube e empresa. Se eu quiser criar uma promoção válida apenas para as rodadas 10 e 36, eu posso planejar com antecedência. E meu time com certeza estará na disputa.

O torneio mata-mata, pela imprevisibilidade maior que tem, não permite um planejamento de longo prazo do patrocinador. Nao dá a ele a certeza de que o time estará em exposição até o término do campeonato. Nos pontos corridos, mesmo sem a chance de conquista de título, um time pode fazer uma partida decisiva, que dê boa visibilidade ao seu patrocinador, por exemplo.

Da mesma maneira, para o clube, uma das piores coisas que podem acontecer é ficar sem atividade, mas precisando investir em atletas. Antigamente, um time corria o risco de em setembro ficar fora da disputa do Brasileirão e, mesmo assim, ter de pagar todos os atletas até o final do ano, sem ao menos ter uma fonte de receita para isso. No torneio por pontos corridos, mesmo que o time esteja cambaleante, ele continua a jogar, a levar torcedor para o estádio, a faturar com a venda de ingressos, etc. É uma forma mais racional de a "empresa" não ter de dar férias forçadas para todo mundo durante três ou até quatro meses!!!!

E, por fim, até mesmo para a TV essa discussão não é tão primordial assim. Jogar na fórmula de competição a queda de audiência dos últimos anos é uma tremenda bobagem. Em média, a TV aberta perdeu parte do alto índice que tinha pelo aumento da concorrência. Internet, TV a cabo, telefone celular, cinema, eventos... Tudo isso contribuiu para que as emissoras tivessem uma queda no número absoluto da medição do Ibope. Só que o share, que é o índice que mostra a audiência a partir do número de aparelhos ligados, continua a ser extremamente favorável, especialmente quando o assunto é futebol.

O torcedor se acostumou aos pontos corridos. E já sabe que, nessa disputa, todo jogo vale. A mídia também já sabe promover muito mais o campeonato com essa fórmula. Afinal, são várias "mini-decisões" apresentadas em jornais, internet e TV espalhadas pelo país. O jogo de domingo entre Palmeiras e Flamengo, por exemplo, foi um deles.

No final das contas, os pontos corridos trazem mais planejamento e menos imprevisibilidade para o futebol. São dois fatores essenciais para gerar mais receita a um clube. E, se bem administrado, esse time consegue trazer jogadores de maior qualidade para defender suas cores. E, consequentemente, isso empolga o torcedor, que passa a consumir mais o produto futebol, aumentando os índices de audiência e, também, a média de público nos estádios...

O resultado disso tudo, porém, nunca aparece de um dia para o outro. Mas, num ciclo de dez anos, será visível essa melhoria na economia da bola. Se tudo não cair por terra numa canetada que envolve muito mais a questão política do que técnica. Para variar. E atrapalhar!

Por Erich Beting às 00h56

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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