Blog do Erich Beting

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21/11/2009

As casas de aposta invadiram o futebol

Um dado interessante, do último levantamento da agência alemã de marketing esportivo Sport+Mkt. Entre todos os patrocínios de camisa dos times das seis principais ligas europeias, o segundo setor da economia que mais representa investimentos é o de casas e sites de apostas.

Ao todo, dos quase 400 milhõe de euros em patrocínio nos times de futebol, 56,4 milhões são investidos pelas casas lotéricas ou sites de apostas, como o Bwin, que está na camisa do Real Madrid. O líder no quesito continua a ser o setor financeiro, mesmo com a crise: 75,6 milhões injetados pelas empresas do setor.

O maior problema, porém, é a situação desses patrocínios em meio à maior crise da história do futebol europeu, com mais de 200 jogos com suspeita de manipulação de resultados.

A partir do momento que passou a ser legalizada, e proliferada via internet, a aposta no futebol, o campo para a manipulação de jogos ficou ainda mais amplo. Os escândalos na Itália e na Alemanha há três anos mostraram o quanto os sites e casas de apostas são usados para faturar, e muito.

Só que, o que pouco se discute é que, para as próprias empresas do setor, o jogo arranjado não é bom. Sem a credibilidade sobre o resultado da partida, diminui a confiança do apostador, que assim prefere não gastar o seu dinheiro com a aposta. E isso diminui o lucro das empresas.

A credibilidade do esporte é fundamental para que o negócio continue a ser lucrativo. Até mesmo nas casas de aposta.

Por Erich Beting às 13h18

20/11/2009

Galo empenado

Alexandre Kalil, presidente do Atlético Mineiro, acaba de anunciar os três parceiros do clube para 2010. O banco BMG, de propriedade do ex-presidente do clube Ricardo Guimarães, será o principal patrocinador da camisa do Galo. A rede de lojas Ricardo Eletro ficará com a manga do uniforme. A maior surpresa do "pacotão" porém foi o anúncio da Alpargatas como fornecedora de material esportivo do clube pelos próximos três anos. Desde 2006 que a fabricante estava fora do futebol, quando a Topper deixou de patrocinar São Paulo, Inter e Goiás. Agora, com uma marca atuante em mais modalidades (especialmente o tênis), a companhia volta a apostar no futebol.

O anúncio de Kalil mostra que a turbulência de 2009 nas contas do Galo está próxima de ter passado. Mesmo sem um departamento de marketing para trabalhar o aumento de receitas do clube, o Atlético conseguiu trazer parceiros para turbinar a verba disponível em 2010. A aposta da diretoria foi no marketing do resultado.

Conseguiu um desempenho muito acima do esperado, ainda mais por mim que apostei num Galo brigando para não ser rebaixado neste Brasileirão. Mas ainda não é um alento completo para o torcedor atleticano. A marca do Galo é muito forte para não ter nenhuma pessoa pensando em estratégias de marketing para a massa atleticana.

Por Erich Beting às 20h46

Aleluia!

"Realmente há essa possibilidade, mas por enquanto não passa de um estudo. Pensamos em fazer isso por causa da média de público nos estádios de Natal nos últimos anos. Essa redução na capacidade implicaria também em uma redução de custos". A frase é de Fernando Fernandes, secretário de turismo do Rio Grande do Norte, publicada na edição online do jornal "Tribuna do Norte".

Pode ser ainda apenas uma fase de estudos, mas a notícia é que Natal já repensa se vale manter um estádio para 45 mil torcedores após a realização da Copa do Mundo de 2014. O projeto, ao que indica, é reduzir a Arena das Dunas para 30 mil torcedores após o Mundial e, no espaço livre, erguer uma outra arena, preferencialmente para o futebol de areia, com capacidade para 15 mil pessoas.

Finalmente começam a aparecer boas notícias sobre o pensamento dos estádios não para a Copa do Mundo, mas para as cidades onde eles estarão pela vida toda...

Por Erich Beting às 13h24

19/11/2009

Camisa azul do Brasil será apresentada no Carnaval

A camisa azul que a seleção brasileira vestirá na Copa do Mundo de 2010 será apresentada à torcida no Carnaval do Rio de Janeiro.

Nike e Brahma fecharam um acordo para que o uniforme seja apresentado pela primeira vez dentro do tradicional camarote da cervejaria na Sapucaí. A temática do espaço deverá ser voltada para o futebol, celebrando o patrocínio à seleção brasileira e, também, o direito que a Brahma passou a ter de ser patrocinadora da Fifa (e da Copa do Mundo) após a compra da Anheuser Busch pela Inbev, no ano passado.

O acordo é o primeiro que as duas empresas, patrocinadoras da seleção, fazem, após quase nove anos como apoiadoras conjuntas do time nacional. É mais uma mostra de que as empresas finalmente acordaram para aquilo que é fundamental dentro do projeto de patrocínio, que é a ativação dessa propriedade.

Não basta colocar dinheiro, é preciso fazer barulho e criar ações diferenciadas para vincular a marca ao patrocinado. Ainda mais quando a propriedade comprada é a seleção brasileira, que não estampa a marca na camisa. Mais informações sobre o acordo na Máquina do Esporte.

Por Erich Beting às 15h26

Samsung contrata Robinho como garoto-propaganda

Está aberta a temporada de contratações de atletas que estarão na Copa do Mundo de 2010 como garoto-propaganda. Depois de Luís Fabiano encampar a propaganda da Brahma para a Copa do Mundo, mais um novo contratado será anunciado nesta quinta-feira. Robinho foi contratado pela Samsung para ser a estrela da campanha publicitária da empresa em 2010. Cotista da transmissão do Mundial na Band, a empresa vai usar Robinho para promover seus produtos.

A decisão de contratar o atleta mostra uma outra característica interessante da seleção de Dunga. Robinho, que não atua desde setembro, é ao lado de Kaká o rosto mais conhecido da população em geral. Luís Fabiano e Júlio César, dois grandes destaques do time brasileiro, ainda não são tão populares quanto a dupla. 

No final das contas, a renovação do time nacional acabou dificultando o trabalho das empresas em busca de um garoto-propaganda para 2010.

Por Erich Beting às 09h31

18/11/2009

STJD, Belluzzo, São Paulo e afins

E, depois de quatro anos, o STJD voltou a ser figura principal numa edição de Campeonato Brasileiro. Tinha esperado para me manifestar sobre o tema Belluzzo e sua ode a Carlos Eugênio Simon exatamente esperando a definição do tribunal de justiça desportiva. Eis que agora vem outra importante decisão do tribunal, referente à punição ao trio de expulsos do São Paulo contra o Grêmio.

Longe de fazer qualquer relacionamento das decisões recentes do STJD com o favorecimento a um ou outro clube, o fato é que já é hora de rever não apenas o Código Brasileiro de Justiça Desportiva, mas principalmente o funcionamento do órgão STJD. Repensar a função de seus auditores, as ambições pessoais e profissionais de muitos deles para usarem o esporte na promoção de seu trabalho ou até como pessoa pública.

O propósito do tribunal é regulamentar o esporte, dar as condições para que a disputa seja a mais limpa possível. Dos seus auditores, espera-se decisões lógicas para determinados temas. No caso de Belluzzo, até que foi razoável a punição de 9 meses, principalmente por se tratar de penas previstas claramente no CBJD. Mas aplicar a mesma suspensão para três diferentes tipos de expulsão parece, no mínimo, falta de critério.

A sensação que fica é de que o tribunal, depois dos tempos de Zveiter, voltou a ter critérios impossíveis de se entender para assuntos básicos. E isso, para a credibilidade do campeonato mais interessante dos últimos anos, é algo péssimo.

Por Erich Beting às 21h31

Não conta para ninguém...

Está no site do Senado a notícia (com a foto acima para ilustrá-la) de que, nesta manhã, Carlos Arthur Nuzman se encontrou com José Sarney para pedir mais verba para o Ministério do Esporte em 2010. Pasta com menor previsão orçamentária do país, o Esporte quer usar Copa do Mundo de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016 como motivos para angariar mais fundos.

Pelo visto não será com atos secretos. Mas será que precisa mesmo turbinar a verba do Ministério por conta desses eventos?

Melhor contar para todo mundo antes que isso aconteça...

Por Erich Beting às 17h59

17/11/2009

Brasil, o levantador de medalhas

"Aqueles que não tiverem [chances de medalhas], nós temos que apenas mantê-los no esporte, agradecer. Não adianta gastar os recursos com quem não tem condições de chegar". Quem for assinante do UOL, pode ler a matéria completa na edição de hoje da Folha de São Paulo. Quem não é, esse é um trecho da reportagem feita por Ítalo Nogueira ontem, no Rio de Janeiro, no primeiro evento organizado pós-escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

O autor da pérola é Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro. E revela o quanto é ruim, para o país desenvolver o esporte, termos ainda essa mentalidade tacanha de achar que apenas o alto rendimento esportivo, e com medalhas, seja o meio de se criar uma cultura esportiva geral no Brasil.

Sim, Nuzman mais à frente na reportagem é coerente no discurso ao creditar boa parte dessa "mentalidade" à imprensa, que é ávida por medalhas, nem que para isso elas tenham sido "importadas" com treinadores australianos, estrutura americana, metodologia sueca e por aí vai.

A sede pela vitória é o maior prejuízo que o esporte pode ter se quiser se estruturar num país. A imprensa tem sua parcela de "culpa" nessa história, já que é de seu feitio glorificar os vitoriosos e relegar ao limbo os "derrotados", casos emblemáticos já vividos por tantos Gugas, Rubinhos e Ronaldos que temos e tivemos no esporte nacional.

Na semana passada participei de um debate organizado pela ADVB, em São Paulo, que discutia o papel da imprensa na promoção e desenvolvimento do esporte, tendo como motivo os Jogos Olímpicos de 2016. Sérgio Xavier, diretor de redação das revistas Placar e Runner's World, foi preciso ao cunhar a expressão de que, a cada quatro anos, o jornalismo esportivo brasileiro é invadido pela sua modalidade predileta, que é o "levantamento de medalhas".

De fato a imprensa costuma só dar bola para quem vence. Thiago Pereira foi pulverizado pelos recordes de Cesar Cielo. Isso não desmerece nem um nem outro. Mas o que se pode esperar dos gestores esportivos é dar muito menos pelota para a imprensa do que ela merece.

Não adianta jogar nas costas da imprensa a "culpa" de termos uma cultura esportiva que privilegia apenas os vencedores. O que se espera de quem comanda o esporte no Brasil é o trabalho para que tenhamos, de fato, uma nação que pratique esportes. E, para isso, muito mais do que medalhas, temos de ter estrutura. E é exatamente aí que se encontra o grande dilema. A imprensa é parte importante do desenvolvimento e especialmente da promoção do esporte no Brasil. Mas não é a única ponta dessa estrutura.

Em vez de usar mais de dois terços da verba da Lei Piva para custear "gastos administrativos" do COB, Carlos Arthur Nuzman poderia desenvolver condições para o maior número de atletas praticarem o maior número de modalidades esportivas possíveis no Brasil. Essa é a responsabilidade que o Comitê Olímpico Brasileiro deveria ter com o esporte. Afinal, sem atleta não há esporte. E, sem esporte, não há o COB.

A imprensa?

Oras, para que dar bola a imprensa só na hora que é conveniente justificar o privilégio aos mesmos de sempre? Por que não trabalhar pelo bem do esporte como um todo, mesmo que isso não signifique, num primeiro momento, vitórias? Mais importante do que ser primeiro no quadro de medalhas é poder dizer que os Jogos Olímpicos serviram para que o Brasil, de fato, deixe de ser monotemático quando o assunto é esporte. Gugas, Daianes, Cielos e outros tais mostraram que isso é possível. Só que não podemos depender só do resultado para sairmos da mesmice.

Por Erich Beting às 12h31

16/11/2009

O tênis sempre longe da TV aberta

Ontem tivemos uma mostra de como o tênis é um esporte difícil para ser trabalhado sem ser na TV fechada. A final do Masters 1000 de Paris, entre Novak Djokovic e Gael Monfils, foi o típico exemplo de como a TV aberta tem todas as razões para não querer abrir espaço para o tênis em sua grade de programação.

O primeiro set do jogo teve meia hora de duração e uma arrasadora vitória do sérvio Djokovic sobre o "local" Monfils. O segundo set começou na mesma toada. Djokovic sacava vencendo por 3 a 1 se aproximando cada vez mais de um repeteco do que havia sido o set inicial. Nessa hora, qualquer entusiasta do tênis usaria a partida como um exemplo de como é simples você ter o esporte na TV aberta. O jogo decisivo, afinal, duraria no máximo 1h30, o mesmo tempo de uma partida de vôlei ou quase uma de futebol.

Só que foi exatamente nesse quinto game que o tênis mostrou sua cara mais divertida para os fãs e, ao mesmo tempo, mais proibitiva para os programadores da televisão. Inesperadamente Monfils começou a dificultar o jogo. Se o primeiro set durou apenas meia hora, o quinto game da partida chegou a quase dez minutos.

No final, Djokovic frustrou a torcida francesa. Venceu o jogo por 2 sets a 1, após 2h43min de partida. Sim, é isso mesmo. Um set durou meia hora. Os demais, duas horas...

Essa é uma das graças do tênis, um esporte que não tem hora para acabar, sujeito a muitas mudanças no caminho, imprevisível e emocionante. Só que, para a televisão, não dá para se ter na tela um jogo que pode acabar com toda a programação do dia. E, com isso, o tênis precisa de programas paralelos de massificação, como a criação de quadras públicas, para deixar de ser um esporte restrito a uma elite.

Por Erich Beting às 12h22

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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