Blog do Erich Beting

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27/11/2009

O esporte e as mídias sociais

Agora que restou um pouco mais de tempo, vamos para um post um pouco mais "filosófico", algo que há tempos tenho devido por aqui.

Em meio à crise Belluzzo e o vídeo "vamos matar os bambis", a Máquina do Esporte publicou hoje uma entrevista muito legal com o vice-presidente da United States Sports Academy, TJ Rosandich. Legal porque ela traz uma visão um pouco mais radical (e como toda visão radical nos faz pensar um pouco mais) sobre um assunto que é cada vez mais recorrente não apenas no esporte, mas em todo o mundo, que é a revolução que as mídias sociais têm causado no relacionamento entre as pessoas e, especialmente, na forma de divulgar uma informação.

"A comunicação agora não se preocupa apenas em mandar uma mensagem. Com as novas mídias, ela precisa estar antes da mensagem, buscar notícias e juntar pedaços para se antecipar", afirmou Rosandich, comentando exatamente sobre como Twitter, Facebook e Orkut estão mudando a maneira de se comunicar no esporte.

O atleta, o treinador e o dirigente esportivo têm, cada vez menos, condições de terem uma vida social "relaxada". Por serem figuras públicas, têm cada vez menos o direito de "escorregar". No passado, escândalos envolvendo atletas e dirigentes esportivos só eram notícia quando o caso parava na delegacia. Hoje, com celulares equipados com câmeras e, principalmente, com o consumidor no papel de reprodutor da informação, a situação é totalmente diferente.

Michael Phelps é flagrado fumando maconha numa festa. Quantos atletas não viveram tal situação? A diferença é que Phelps foi flagrado por uma câmera de um telefone celular, e depois foi parar na rede... Belluzzo foi cantar "vamos matar os bambis" na festa da torcida do Palmeiras. Quantos dirigentes não cometeram absurdos iguais ou até maiores ao longo da carreira?

Mas, na era em que as mídias sociais colocam o consumidor no papel de dono da "mídia", o esporte e as figuras públicas têm de abrir os olhos. A vida social tem de se tornar muito menos interessante para essas pessoas. Do contrário, as mídias sociais serão as novas "culpadas" pelos atos falhos que todos estão sujeitos a cometer, mas que as figuras públicas não podem se dar ao luxo de ter.

Por Erich Beting às 19h32

Bolt e o marketing da vitória

Já falei de Usain Bolt diversas vezes por aqui. Carismático, midiático e, acima de tudo, vencedor. O velocista jamaicano reúne todas as boas características de um atleta para ser "adotado" por uma marca patrocinadora. E, agora, Bolt está próximo de atingir um novo recorde mundial.

O jamaicano pode atingir a marca de US$ 10 milhões entre patrocínio, premiações e cotas de participação em eventos. Só da Puma, que faz hoje seu nome entre os calçados para velocistas graças ao jamaicano, serão US$ 250 mil por corrida que ele disputar.

Não é de surpreender que toda vez que está prestes a completar uma prova Usain Bolt dá uma olhadinha para o relógio que marca o seu tempo. A cada recorde mundial quebrado, mais bônus do patrocinador... Para que, então, ir até o fim na primeira vez?

Bolt, hoje, é a essência de como o marketing no esporte pode ser acelerado pelas vitórias.

Por Erich Beting às 16h30

Londres vibra por reduzir custos de 2012. E o Brasil?

O Comitê Organizador dos Jogos de Londres-2012 celebrou hoje uma conquista pessoal. As instalações provisórias para a disputa da ginástica rítmica e badminton não serão mais construídas. Em vez de erguer o espaço para as competições, o COI aceitou usar o estádio de Wembley como espaço alternativo para as duas modalidades.

Com essa alteração, a redução de custos será de cerca de R$ 115 milhões, aliviando o combalido orçamento de Londres, que dá sinais de estouro desde o início da crise financeira mundial. A crise estourada em 2008 pegou o Comitê Organizador local de surpresa. Reduziu-se, e muito, a previsão de receitas com patrocínio, dificultou-se a projeção de lucro com a área de venda de ingressos e produtos licenciados, gerou-se uma incerteza do investidor em aportar grana nos projetos olímpicos.

No Brasil, a cultura de que a conta final sempre é paga pelo poder público explica, e muito, a festa que é feita com o dinheiro alheio. Será que o Brasil estará preparado para, tendo em vista os Jogos de 2016, se preocupar tanto assim com o tamanho da conta das Olimpíadas? Em nosso favor, vale lembrar que o comitê britânico tem sido muito pressionado pelo próprio COI a manter os custos, dentro do possível, no azul.

Por Erich Beting às 12h15

26/11/2009

O Brasileirão da certeza

Acabo de chegar à óbvia conclusão sobre o Campeonato Brasileiro. Ele está tão definido, mas tão definido, que só dá para ter certeza de uma coisa.

Até o final do campeonato, o STJD ainda tomará uma decisão absurda e contraditória.

Por Erich Beting às 18h48

25/11/2009

Mais um?

A Lusoarenas anunciou na última segunda-feira a construção de um estádio para Bahia e Vitória, que ficará pronto até janeiro de 2013. O projeto independe da Copa do Mundo de 2014, segundo a empresa.

Mais um estádio na Bahia? E a nova Fonte Nova? Quem jogará nela? O projeto vai ser desfeito?

Os projetos da Copa do Mundo no Brasil são, a cada dia que passa, mais obscuros... A oportunidade se aproxima de um grande pesadelo.

Por Erich Beting às 12h17

24/11/2009

As contradições do Galo

Alexandre Kalil anunciou na semana passada três patrocínios "históricos" para o Atlético Mineiro. Diz ele que são os maiores contratos da história do clube. Assim como já havia sido em alguns outros contratos, de vários outros clubes.

Só que o problema maior não é esse. Kalil, o homem que considera marketing um departamento que só traz custos para o clube, anunciou na sexta a Alpargatas como fornecedora de material esportivo do Galo para os próximos três anos.

A história foi desmentida pela empresa. O marketing, provavelmente, não teria a coragem de falar uma história dessas sem antes ter o contrato assinado. Ainda mais quando o rompimento com o atual fornecedor tem multa rescisória...

Por Erich Beting às 17h00

23/11/2009

18 jogos em 1

O Goiás quer tentar, em um jogo, conseguir praticamente a mesma arrecadação que teve nos outros 18 jogos que fez em seus domínios neste Campeonato Brasileiro. Está na capa do UOL a notícia de que o clube pensa em majorar o preço dos ingressos para o jogo contra o São Paulo, que mais uma vez pode selar o título nacional para o clube paulista.

Até agora, segundo os dados da CBF, o Goiás arrecadou R$ 3.165.507,50 com bilheteria em 18 jogos em casa. É apenas o 14° melhor time no ranking dos que mais ganharam dinheiro com bilheteria, mesmo jogando no gigantesco Serra Dourada.

Em vez de se preocupar em ganhar muito num jogo só, porque o Goiás e muitos outros clubes não tentam melhorar a qualidade de seus estádios para o torcedor e, aí sim, não depender de uma partida para fazer o caixa do ano?

Por Erich Beting às 17h13

A cadeira do presidente*

Diz a história que, certa vez, o presidente Juscelino Kubitschek, cansado das críticas insistentes de um jornalista, convidou-o a passar um dia como presidente da República. Golpe de mestre de JK, a história que passou é que, a partir dali, o antes ferrenho opositor se tornou um grande defensor da maneira como o presidente governava.

Durante anos, Luiz Gonzaga Belluzzo foi opositor de Mustafá Contursi no Palmeiras. Talvez, até, o melhor opositor da história palestrina. Belluzzo já reclamava de Mustafá mesmo nos tempos das vacas gordas da Parmalat, quando o resultado dentro de campo apagava muitas coisas ruins que aconteciam e que a Série B foi mostrar que existiam.

Pois bem. Foram quase 10 anos entre o golpe que fez de Mustafá presidente mumificado no posto dentro do Palmeiras e finalmente a chegada de Belluzzo à tão sonhada cadeira de presidente.

Carismático dentro e fora do Palestra Itália, Belluzzo representava uma “novidade” no futebol, de tanta má fama criada pelos cartolas que governam pelo poder, e não para o clube.

Mas o final deste primeiro ano de mandato de Belluzzo deixa aquele gosto amargo na boca de quem sonhava com renovação. Sim, sem dúvida foram feitas diversas mudanças dentro do Palestra Itália desde a chegada do novo comandante. O time passou a sonhar e disputar títulos, voltou a ter ambição de ser grande, pensou em se modernizar com o projeto da nova Arena, tenta implementar uma política de corte de custos para equacionar as finanças, etc.

Só que Belluzzo deu a cara a tapa, literalmente. E foi no dia em que saiu da condição de presidente do clube para ser um torcedor comum, um apaixonado irracional com a dor e a frustração de uma derrota.

Os xingamentos de Belluzzo a Carlos Eugênio Simon seriam até aceitáveis se fizessem parte de um comentário de um apaixonado, como quando o hoje governador José Serra disse, lá em 1998, que o Palmeiras só seria grande se tivesse um técnico que pensasse grande. Coisa de torcedor apaixonado. No ano seguinte, Serra vibrou com o título da Copa Libertadores ganho pelo Palmeiras de Felipão, o técnico que pensava “pequeno”.

Só que Belluzzo não está nas tribunas como um mero torcedor. Ele é o comandante do barco, o responsável por passar ao clube (funcionários e associados) e à torcida a serenidade e, principalmente, a confiança de um chefe.

Por mais que seja bem intencionado, Belluzzo não pode achar que ainda está na cadeira do torcedor. Seu lugar é mais em cima, é na presidência. A irracionalidade do torcedor deve ser esquecida, sob qualquer pretexto, qualquer hipótese.

O stress que o cargo de presidente de clube traz a um torcedor apaixonado que lá chegou é imenso. Andres Sanchez e Marcio Braga que o digam. Ambos tiveram de ficar um tempo afastado do cargo por problemas de saúde. Só que os dois tiveram outro mérito que está presente no cartola tradicional. Saber zelar pela instituição que dirige.

O maior mérito de Belluzzo é ser um presidente de clube com um projeto de governo, e não de poder. A ele, não interessa continuar sentado na cadeira o maior tempo possível, a qualquer custo, mesmo que seu time de coração vá para a Segunda Divisão.

Só que, enquanto estiver na cadeira, Belluzzo e qualquer outro presidente de clube têm de pensar na instituição que representa, ser coerente com as dificuldades inerentes ao cargo, saber respeitar o erro dos outros e lamentar a derrota.

Porque é, no mínimo, incoerente um presidente dizer que daria uma bofetada na cara de um sujeito num dia e, nem duas semanas depois, demitir dois de seus funcionários que fizeram exatamente o que ele tinha dito que faria.

Cadeira de presidente, de fato, não é fácil...

* Coluna publicada originalmente na Universidade do Futebol.

Por Erich Beting às 09h57

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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