Blog do Erich Beting

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10/12/2009

Crise diminui venda corporativa da Copa de 2010

A crise financeira derrubou a procura por compra de ingressos de empresas para a Copa do Mundo da África. Horst Schmidt, responsável da Fifa pela venda de bilhetes para empresas (que depois fazem ações com o consumidor final), disse que a procura tem sido menor do que há quatro anos, para o Mundial da Alemanha.

Uma parcela desse desinteresse é ocasionada, sem dúvida, por conta da crise mundial. Se, antes, os marketeiros das empresas viam na chance de levar um grande cliente para a África a chance de fazer uma boa média e garantir fidelidade à marca, agora a situação financeira não é tão abundante assim. O deslocamento até a África do Sul é mais caro do que para a Alemanha, e a verba para ações do gênero nas empresas encolheu.

Mas tem fatores estruturais dentro da África do Sul que emperram essa venda também. Um deles é a própria insegurança do europeu com relação ao  país-sede do Mundial. Com receio da integridade dos convidados, as empresas tiram o pé nas ações. Mas ainda contribuem para esse cenário uma menor condição de infraestrutura hoteleira para o turista, que faz com que as vagas em grandes hotéis sejam em menor número do que as ofertadas na Alemanha, além da dificuldade de fácil locomoção dentro da África do Sul. Se, na Europa, um trem resolve boa parte do problema de transporte, na África o deslocamento prioritariamente tem de ser de avião. Algo que eleva sensivelmente o custo das ações.

No final das contas, ganha o torcedor. Se cerca de 1/3 das entradas para a Copa do Mundo param na mão de empresas, agora o que sobrar voltará a ser vendido para o público em geral. Mas isso só acontecerá mais próximo da Copa. Até porque o valor que se recebe da venda corporativa é muito maior e mais interessante comercialmente para a Fifa.

Por Erich Beting às 11h03

09/12/2009

Tiger Woods e o dilema dos patrocinadores

Tiger Woods perdeu seu primeiro patrocinador. A Gatorade anunciou nesta semana que não vai mais ter a linha de produtos com o principal golfista do mundo. A decisão, apesar de dizer que foi tomada "há alguns meses", claramente se deu depois do até agora incompreensível acidente de carro que Woods teve há poucas semanas.

Principal golfista do mundo, único atleta da modalidade a bater os US$ 1 bilhão em prêmios, garoto-propaganda de diversas marcas e conhecido pelo excelente comportamento fora dos gramados, Tiger Woods tem a sua imagem envolta num escândalo que envolve traição no casamento e até suspeita de overdose para causar o acidente de carro que sofreu perto de sua casa.

Nem mesmo no desenvolvido mercado de gerenciamento de carreira de atletas dos Estados Unidos é possível minimizar os efeitos de uma atitude fora da linha de conduta de um atleta top como Tiger Woods, ou Michael Phelps.

O risco de um patrocínio pessoal a um atleta é exatamente esse. Ele não se comportar decentemente fora da sua atividade profisisonal. Com a mídia em cima do atleta 25 horas por dia, a margem para erro é cada vez menor.

Tiger Woods, até agora, confessou ter sido infiel no casamento. Até aí, um problema de não tão grande proporção. Mas o enrosco todo é que, desde que o americano bateu seu carro na Flórida, quase todas as matérias referentes a ele são negativas.

Nessa hora, o patrocinador acaba numa encruzilhada. Ou deixa o patrocínio, preservando a sua imagem, ou simplesmente "engaveta" o uso do atleta em campanhas publicitárias e eventos. Aí o patrocínio passa a ser um custo, e não mais um investimento que o patrocinador faz.

Por Erich Beting às 11h47

08/12/2009

O "jeitinho" de Cesar Cielo

Cesar Cielo, principal atleta olímpico do país das Olimpíadas, treinou nesta terça-feira em São Paulo. A reportagem do UOL esteve lá para conferir o desempenho do recordista mundial dos 100m livre da natação. E, entre as fotos dos treinos de Cesão, uma delas chamou a atenção.

Cielo "tatuou" as marcas do Esporte Clube Pinheiros e do energético TNT em seu peito. Nas competições oficiais, como os Jogos Olímpicos, ele não poderá estampar a marca de ambos. Mas, num simples treino, que teve a cobertura de diversos veículos de imprensa, não há mal nenhum.

E o divertido é ver o local escolhido. O peito, geralmente filmado e fotografado pela mídia por uma característica específica de Cielo, que é o tapa no peito antes de entrar na água. Não deixa de ser um bom jeitinho de de dar mais exposição aos patrocinadores...

                   Crédito: Bruno Doro/UOL
<strong>NOVO VISUAL - </strong>Na segunda, Cielo nadou com uma bermuda preta. Ainda não é o material que ele vai usar nas competições em 2010. Essa bermuda é uma versão antiga, não é o melhor que temos. As novas vão chegar mais pra frente, com visual diferente.

Por Erich Beting às 17h41

07/12/2009

Flamengo consagra o tetracampeonato de fabricante

O título brasileiro conquistado pelo Flamengo criou uma situação inédita no futebol brasileiro. Pela primeira vez uma fabricante de material esportivo conquistou o tetracampeonato da principal competição de futebol do país.

A Vulcabras/Azaleia assumiu, em julho deste ano, a confecção da camisa do Flamengo, por meio da marca Olympikus. Depois de três anos como campeã nacional com o São Paulo, a fabricante acabou com o tetra por meio do Flamengo, usando a estreante marca da Olympikus.

Na guerra entre as grandes marcas (Nike e Adidas incluídas na conta) pelos bilhões de exposição em mídia que os times de futebol oferecem, a Vulcabras conseguiu o que parecia improvável, ser quatro vezes campeã nacional desde que voltou ao mercado, em 2006, com o patrocínio a São Paulo e Internacional via Reebok.

Geralmente dizem que time campeão precisa ter sorte. No caso da fabricante, a máxima também vale. Porque era impossível pensar, em 1º de julho, que o Flamengo, ainda treinado por Cuca, seria campeão brasileiro...

Por Erich Beting às 14h47

Quebrei a cara! Ainda bem! Parabéns, Flamengo

Quando, no começo do Campeonato Brasileiro, o pessoal do UOL me pediu para dar os palpites do Brasileirão, decidi fazê-los baseado não tanto no time e na qualidade dos jogadores, mas sim no que acontecia nos bastidores dos clubes, principalmente no modelo de gestão dos 20 participantes do campeonato.

Deu no que deu... Quebrei a cara!

Porque palpitei que o título dificilmente sairia das mãos de São Paulo ou Internacional. Para mim, os dois eram os mais claros candidatos ao título, não pela bola que vinham jogando, mas por terem uma estrutura melhor que a dos outros.

Para o Flamengo, previ um torneio turbulento, em que o clube precisaria resolver seus dilemas internos (falta de pagamento da Petrobras, atraso de pagamento de salários, discussão política, falta de estrutura, etc.) se quisesse chegar a sonhar com vaga na Copa Santander Libertadores.

E não é que, 38 rodadas depois, o Flamengo se sagra campeão brasileiro? Sim, em agosto nem o mais otimista Rubro-Negro apostaria na arrancada decisiva, na qualidade de Petkovic ou na eficiência de Adriano. Muito menos sonharia com o Ronaldo Angelim fazendo o gol do título!

Os pontos corridos tornam menos imprevisíveis os títulos no futebol. Mas o grande barato do esporte é esse mesmo. Ser imprevisível!

Como já falei em outras oportunidades, o campeão é quem sabe decidir. E essa qualidade sobrou ao Mengão.

Parabéns, Flamengo, grande campeão brasileiro de 2009. Uma vitória que foi conquistada, principalmente, com o reforço do time no meio da temporada, mostrando que, nessa nova era que o futebol brasileiro atravessa, ter apenas 11 jogadores não resolve. Por isso as contratações de Maldonado e Álvaro foram tão importantes, assim como a "reciclagem" do Pet.

Apesar da gestão bagunçada, num ano em que trocou de patrocinadores, brigou dentro do Conselho e teve dois presidentes (!!!), o Flamengo faz história a ser o primeiro time do Rio de Janeiro a ser campeão nacional na era dos pontos corridos. Mostrando que nem tudo é tão previsível assim. Ainda mais no esporte...

Por Erich Beting às 00h33

06/12/2009

Agora quem dá bola é o Santos

Após dez anos, o Santos finalmente elegeu um novo presidente. Em meio a uma demonstração de muito amor ao clube, até a última hora pessoas da situação, acomodadas há dez anos com a mesma situação, tentaram fazer de tudo para melar a derrota cada vez mais anunciada.

Alento para a torcida alvinegra, que poderá respirar novos ares. Alento para o futebol brasileiro, que mais uma vez derruba o apego ao poder de dirigentes apaixonados, que se esquecem de que o segredo de governar é não se perpetuar no cargo.

Em 2010, o Santos, dentro de campo, deve passar por muitas turbulências. Assim como já passaram Palmeiras, Corinthians, Vasco e Atlético-PR nos últimos anos nos seus processos de transformação de ares dentro do clube.

Por Erich Beting às 12h38

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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