Blog do Erich Beting

Busca

23/12/2009

A volta que a Fórmula 1 dá

Em menos de um ano, a Fórmula 1 foi do inferno ao céu. Do escândalo envolvendo a Renault, Nelsinho Piquet e Flávio Briatore à confirmação de Michael Schumacher como piloto da Mercedes na temporada 2010 da principal competição do automobilismo foram meses de muita insegurança. E, no final, a F-1 provou que o mundo dá muitas voltas.

Depois de ter sido ameaçada pela restrição da publicidade da indústria do cigarro, de ter migrado para fora da Europa e de ter vivido a incerteza da crise econômica mundial, a F-1 dá sinais de que está ainda mais fortalecida e consagrada como categoria número 1 do automobilismo. A ponto de dar um bico na crise e ser a modalidade que viu não só a manutenção dos patrocinadores como o incremento no número de participantes em 2010.

A volta de Schumacher é o mais novo grande ingrediente desse monstro de marketing que é a Fórmula 1. Assim como o futebol, que em época de crise vira investimento seguro, a F-1 parece ter se tornado o porto no qual as marcas decidem atracar quando precisam de garantia de que o dinheiro será bem empregado.

A F-1 de 2010 será um evento ainda mais global, com boas chances de ter um aumento de repercussão e interesse nos quatro cantos do mundo. Está para se tornar um ótimo exemplo de união das principais ferramentas necessárias para se ter um evento esportivo "infálivel". Grandes atletas, apelo da mídia, competitividade e, lógico, patrocinadores.

Há meio ano era impossível prever um cenário tão interessante para a F-1 em 2010. Agora, ancorado pelos garagistas, mais comprometidos com o negócio do que os donos de montadoras, a F-1 faz a curva e inicia a aceleração numa longa reta.

Por Erich Beting às 16h11

22/12/2009

E o Oscar vai para...

A saída, via Justiça do Trabalho, do atacante Oscar do São Paulo ainda vai dar muito pano para discussão. Até com boas chances de termos um filme digno de concorrer ao Oscar de maior dramalhão do ano, seja para dirigente, advogado, jogador, torcedor ou o que mais for. Mas o caso levanta uma questão que já se debateu em algumas outras oportunidades, mas sem tanto alarde na mídia.

Talvez porque são poucos os dirigentes como os do São Paulo, que sabem, como poucos, promover um debate que lhe é absolutamente favorável na mídia.

O São Paulo quer posar de "coitadinho" na história, sendo que no passado já se aproveitou de brechas legais para convencer atletas a deixarem outros clubes e assinarem com ele (Ilsinho, Josué, Aloísio e Dagoberto são exemplos recentes disso). Do outro lado, empresário, jogador e advogado posam de "indefesos", alegando uma coação tricolor lá atrás para fazer com que o clube emancipasse Oscar para fechar um contrato mais longo com o atleta.

Cabe à Justiça dar o entendimento desse longo processo. E, à imprensa, não tomar partido de um ou de outro nessa história, mas sim promover um novo tipo de discussão.

Por que o futebol não cria um sistema que permita ser mais livre tanto o atleta quanto o clube para negociar contratos? Por que os dirigentes de clubes, entre eles, não criam regras para evitar essa "rasteira" que costumeiramente um passa no outro quando se trata de negociação de jogadores?

O atleta, como qualquer cidadão, tem o direito de escolher onde e com quem vai trabalhar. Se há uma multa para ele sair de um lugar antes de terminar o contrato, que ela seja paga. Mas esse contrato também não pode ser demasiadamente lesivo ao atleta, nem ao clube.

Por que não se criar uma padronização para os contratos com atletas menores de 18 anos de idade? Por que não criar um protocolo entre os clubes de "não-agressão" ao atleta alheio? Não seria muito mais correto se Oscar e qualquer outro atleta pudesse ter um contrato que lhe desse direitos e deveres em iguais proporções, sem distorções, sem promessas "de boca"?

É tênue a linha que circunda a ética dentro dos clubes de futebol. O São Paulo sofre, hoje, com algo que lhe foi benéfico em diversos casos no passado recente. A diretoria que sempre se vangloriou de ter um departamento jurídico de "primeira linha" sofreu uma grande derrota. Assim como Palmeiras, Goiás, Atlético Paranaense e outros sofreram no passado.

Não adianta culpar a lei, porque ela vale para o bem e para o mal. Agora é mais uma boa oportunidade para o futebol dar mais uma mostra de que pode ser inteligente e criar mecanismos para deixar mais igualitária a relação entre os clubes e, mais do que isso, modernizar ainda mais a gestão, com planos coletivos de negociações e de proteção do principal produto: o futebol.

Tal qual acontece nos Estados Unidos. A meca do capitalismo sabe muito bem que, para o bem do negócio, a melhor forma que existe é deixar todos em condições iguais de competir. E, aí, que vença o melhor.

Do jeito que está, o Oscar vai continuar a ir para vários lugares. Até surgir um novo astro juvenil para ocupar a mente de dirigentes sedentos.

Por Erich Beting às 15h32

21/12/2009

Os melhores (e mais ricos) do ano

Messi, Cristiano Ronaldo, Xavi, Kaká e Iniesta. Pela ordem, esses foram os cinco melhores jogadores de futebol do ano de 2009, na eleição feita por treinadores e jogadores dos países filiados à Fifa. A lista não traz grandes surpresas, talvez exceção feita à presença de Kaká, que não foi brilhante no Milan no primeiro semestre e no Real Madrid no segundo, e também não fez grandes coisas pela seleção brasileira.

Só que a lista da Fifa tem, representando os cinco melhores atletas, apenas dois clubes: Barcelona e Real Madrid.

Não é à toa que Real e Barça têm hoje os melhores do mundo em seu elenco. Afinal, há cinco anos os dois clubes estão entre os três mais ricos do mundo, sendo que o time de Madri é o líder do ranking elaborado pela consultoria Deloitte desde 2004/05.

É a velha história. Com mais dinheiro em caixa, há maior poder competitivo do clube pelos melhores atletas. Não apenas para contratá-los e pagar salários astronômicos (casos de Kaká e Cristiano Ronaldo no Real Madrid), mas também para criar um grande centro de formação de jogadores (como o Barça fez para ter os seus três top 5).

Nos próximos anos, Barça e Real deverão continuar a ter os melhores do mundo. A lógica da bola é, invariavelmente, a da grana.

Por Erich Beting às 23h51

A vez das mulheres

O futebol feminino do Brasil parece que começou a encontrar seu espaço dentro da grade esportiva nacional. Domingo sem futebol dos homens, oportunidade rara para lotar um estádio do Pacaembu na esteira do feriadão de Natal que se aproxima. Foram quase 40 mil torcedores na ensolarada tarde de domingo paulistana, mais um bom tanto de audiência pela telinha.

É um alento para o futebol feminino. Sim, o torneio não valia nada, não trouxe novos patrocinadores para as meninas e muito menos assegura a existência de uma liga nacional decente para a modalidade no país. Mas é uma excelente forma de fazer com que o esporte fique mais próximo do dia-a-dia das pessoas.

Se fizermos um balanção do ano, pode-se dizer que o futebol feminino ganhou bastante espaço na temporada, sendo uma das modalidades que mais progrediu neste 2009 meio que abalado pela crise.

Primeiro, com a Copa Santander Libertadores para elas. Para melhorar a situação em solo tupiniquim, a vitória mais do que anunciada do time do Santos atraiu a mídia para o esporte. E, agora, com o desafio internacional, idealizado e organizado pela prefeitura de São Paulo, a mídia e o público voltaram a dar bola para as meninas.

É o começo de um processo. E, nesse caso, vale a ressalva do que foi a disputa deste domingo entre Brasil e México.

Um evento que não contou com participação da CBF na sua organização, e que não teve transmissão da Globo na TV. Os outros esportes poderiam se espelhar no exemplo do futebol feminino para que repensassem se vale mesmo a pena ficar nas mesmas amarras de sempre e reclamar da falta de apoio da mídia para seu desenvolvimento...

Por Erich Beting às 01h47

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

Histórico

© 1996-2009 UOL - O melhor conteúdo. Todos os direitos reservados.