Blog do Erich Beting

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22/01/2010

Em um ano, Corinthians bate Manchester na história

A "hypermarcas" que se transformou o uniforme do Corinthians rendeu ao clube o patrocínio recorde de uma camisa no Brasil e, também, um outro dado interessante. Apenas no acordo com o grupo Hypermarcas, o clube paulista conseguiu ter mais patrocinadores estampados na camisa do que o Manchester United em toda a sua história.

O clube inglês, que a partir de agosto jogará com a marca AON na camisa, só teve até hoje três patrocinadores de camisa. Sim, você não leu errado. Entre 1982 e 2000, a empresa de eletrônicos japonesa Sharp estampou sua marca no uniforme vermelho. Depois, foi a vez de a Vodafone, de telefonia celular, patrocinar o clube, que nos últimos anos teve a instituição financeira AIG na camisa. Dela, o Manchester recebe cerca de 21 milhões de euros ao ano. Com a AON, o valor vai ficar ainda maior: 23,25 milhões anuais.

A distância econômica, cada vez menor, entre Europa e Brasil, justifica parte dessa diferença entre os aportes que os dois clubes conseguem. Só que há também uma explicação técnica para essa diferença. O Manchester vende, ao patrocinador, uma exposição limpa da marca. Não há disputa com outras empresas pelo reconhecimento e associação do logotipo da empresa. No caso do Corinthians, serão ao menos seis logotipos diferentes estampados apenas na camisa. Os quatro da Hypermarcas, o da Nike e o símbolo do clube.

É muito bom o Corinthians bater recorde de arrecadação com o patrocínio em sua camisa. Mas, para o futuro do patrocínio nos uniformes de futebol, esse modelo pode estar com os dias contados. Não só pela poluição visual que causa, mas por exigência dos próprios patrocinadores.

Por Erich Beting às 13h14

19/01/2010

Alerta para 2014! A manada da Euro-04 assola Portugal

Em tempos de pré-Copa do Mundo brasileira, seria interessante que o digníssimo ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., passasse a ler o noticiário de Portugal.

Cinco anos e meio após a Eurocopa que revolucionou alguns velhos estádios portugueses, dando aparentemente novo fôlego ao futebol na terrinha, a esfera pública está atolada em dívidas e com dificuldade para manter em dia o pagamento da construção dessas magníficas arenas que vivenciaram cerca de um mês de festa.

Por ano são mais de 13 milhões de euros que o governo gasta para manter de pé os elefantes coloridos, porque muitos deles já têm cadeiras multicores para dar a falsa impressão de que o estádio está cheio.

A situação menos pior é o estádio de Braga. O clube, que lidera o Campeonato Português, consegue encher cerca de 40% da arena por partida. O Beira-Mar, que joga as partidas da Segunda Divisão portuguesa no estádio de Aveiro, completa por volta de 5% dos 30 mil lugares do estádio municipal. Por isso mesmo, a prefeitura já cogita demolir o estádio e vender o terreno para a especulação imobiliária.

Seria interessante que o ministro, tão bem informado a ponto de afirmar que o investimento para receber uma Copa do Mundo já se justifica ter investimento em arena esportiva em locais onde não há um grande consumo do futebol, pensasse no que será dos nove estádios programados para o Mundial de 2014 e que não são da iniciativa privada.

Lá em 2019, aposto que Maracanã e Mineirão ainda estarão com as contas em dia, sendo exaltados como exemplos de como a Copa ajudou a melhorar ainda mais o país do futebol. As outras sete formidáveis arenas, se continuarem pensando apenas no Mundial tupiniquim, estarão desesperadas para que alguma empresa compre o espaço e o transforme num shopping.

E isso que nem estamos falando aqui do fato de que estamos a apenas quatro anos da Copa de 2014 e simplesmente nenhuma obra teve início. Não de estádios. Mas de infraestrutura, algo que é muito mais importante para a população e, aí sim, justifica os gastos.

Por Erich Beting às 09h58

18/01/2010

Globo veta patrocinadores para Band ter vôlei

Sempre alardeando ser uma “grande parceira” do esporte no Brasil, a Globo colocou uma exigência para que a Band voltasse a exibir a Superliga de vôlei (na próxima quarta-feira o primeiro jogo irá ao ar): a emissora paulista não poderá citar o nome dos patrocinadores durante as transmissões.

A informação não foi, logicamente, confirmada pelas duas empresas (leia a matéria completa na Máquina do Esporte). Mas é curioso como o comportamento da Globo acaba sendo “parceiro” do esporte só no que lhe interessa.

A volta do vôlei à TV aberta é para ser comemorado. A exposição de atletas, marcas e afins ajuda o esporte a crescer. Só que apenas exposição não basta. É lógico que não dá para querer, de uma hora para outra, que tudo fique perfeito no cenário do esporte no país.

Só que não custava nada mostrar que é possível ser parceiro, de fato, do esporte. E não só quando isso lhe é interessante.

Por Erich Beting às 16h18

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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