Blog do Erich Beting

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13/02/2010

Basquete ainda depende das estatais

Um comunicado à imprensa na tarde desta sexta-feira, emitido pela Rede Globo, confirmou os dois principais patrocinadores para o Novo Basquete Brasil (Leia mais aqui). E, no anúncio, a mesma história de sempre. O esporte continua a ser bancado pelas empresas estatais.

Caixa e Eletrobrás vão investir na transmissão da Globo e, também, no patrocínio ao principal torneio de basquete do país, que continua com a Spalding como fornecedora de material esportivo. 

Era pedir demais que, com apenas um ano de sociedade com a Globo, o NBB já conseguisse buscar na iniciativa privada o seu sustento. Para que o investimento privado aconteça, é preciso que o torneio esteja estruturado, tenha continuidade e, acima disso, certeza de boa organização.

O caminho não é fácil, mas, até que novas vitórias sejam alcançadas, o basquete, como muitas outras modalidades, ainda dependerá do investimento de empresas estatais. 

Por Erich Beting às 02h04

11/02/2010

O que acontece com o tênis brasileiro?

Após quase uma década, o Brasil finalmente tem um jogador entre os 30 melhores do mundo. Além disso, neste início de 2010, o país já conquistou dois títulos expressivos. Um foi o primeiro Grand Slam para jogadores juvenis. O outro, mais uma vitória de ATP de Thomaz Bellucci.

Nesta semana, o país recebe seu mais graduado torneio do circuito masculino. Com quase meio milhão de dólares em premiação, transmissão nas TVs aberta e fechada, presença de nove dos 50 melhores tenistas do mundo e 15 patrocinadores.

Só que, na comemoração de seu décimo aniversário, o Aberto do Brasil de Tênis tem muito pouco a comemorar no que diz respeito à presença de público nos jogos.

Na última terça-feira, Thomaz Bellucci, o grande astro deste ano no Sauípe, encerrou praticamente à meia-noite seu confronto de estreia contra Thiago Alves. A arena, nitidamente, estava vazia. Após o confronto entre os dois brasileiros, João Souza e Victor Hanescu (ROM) entraram em quadra para encerrar os jogos do dia. A arena, que já estava vazia, ficou restrita a familiares e um ou outro cidadão que se aventurou a continuar por lá.

Por que, mesmo com dez anos de história e já tendo tido astros em quadra como Guga, Nadal, Guillermo Coria e outros, o Aberto do Brasil não decola?

Se, antes, o argumento era de que o torneio estava “deslocado” da temporada do saibro e, mais do que isso, do Carnaval da Bahia, agora a justificativa não serve.

A ideia é aproveitar tanto os torneios pela América do Sul nesta época do ano quanto o feriadão que se aproxima para atrair o público. Mas, arena lotada, pelo visto, só se Bellucci conseguir repetir a decisão de 2009.

A promoção foi feita, os ingressos estão a preços mais acessíveis, alguns bons nomes do tênis ajudariam a levar um público mais específico para assistir aos jogos.

Mas por que, então, simplesmente o torneio não vai para a frente?

A resposta é complexa. Mas a solução pode ser simples. Fico com a frase de Vicente Casado, diretor geral do Masters de Madri, que revolucionou os torneios de tênis ao criar as pegadoras de bola modelos e, agora, quer fazer com que o saibro da competição seja azul.

Em entrevista à edição 11 da Revista Máquina do Esporte, ele disse:

“A chave mesmo é que estamos dispostos a criar a e inovar. Isso é um dos segredos da sobrevivência e do posicionamento de um torneio. As pessoas precisam dizer que vão, por exemplo, à semifinal do Madrid Open pelo torneio, e não para ver o Rafael Nadal. Não dá para o torneio se apoiar tanto nos jogadores, porque o Nadal vai passar, e logo chegará outro. Temos que apoiar nosso planejamento no torneio. É preciso criar algo com personalidade, imagem e caráter próprios”.

Talvez o que falte hoje, para o Aberto do Brasil de tênis, é achar a sua personalidade.

Por Erich Beting às 01h31

09/02/2010

Corinthians, hoje, é mais que um clube

O termo "mais que um clube" até já foi usado por aqui para designar ações sociais envolvendo grandes clubes no Brasil. É o lema que o Barcelona adotou, na grande virada de marketing que fez no início da década. E, aos poucos, essa ideia começa a ser usada pelo Corinthians, em nível e propósitos diferentes daqueles que moveram o clube espanhol, mas que são igualmente eficientes para promover a marca do clube.

Muitas perguntas já foram feitas aqui sobre como o vôlei, o basquete e outras modalidades podem trabalhar para não depender de um patrocínio, da mudança de cidade, da grana da TV, etc. A saída, ao que tudo indica, é imitar os clubes de futebol. E, pelo que tem feito em algumas ações nos últimos anos, o próprio Corinthians serve de exemplo.

Os clubes precisam fortalecer suas marcas.

Para isso, têm de fazer iniciativas que mostrem que eles são "mais que um clube". O time de vôlei, por exemplo, não pode se contentar em ter um patrocinador ou a benevolência de uma cidade que deem o nome à equipe. Tem de ir atrás de outras fontes de receita para não depender desse apoio único. Mais ou menos como o futebol fez nos anos 30-40, buscando ir além da boa vontade do dirigente "amador" e captando dinheiro da bilheteria, por exemplo. E que, depois, ao longo do tempo, também soube buscar a receita, seja na venda de direitos de transmissão, nas cotas de patrocínio, venda de produtos oficiais, etc.

E o que o Corinthians tem a ver com isso?

Bom, mais uma vez, o clube mostrou que está à frente dos outros. Pelo menos nas iniciativas ousadas de marketing. O Timão anunciou ontem a parceria com Ricardo Zonta para ter um carro na Copa Caixa Stock Car em 2010. Carro que vai ter a marca do Corinthians e o número 100, referente ao centenário alvinegro.

Não é só o futebol que explica a força de um Corinthians. Ela transcende o gramado e assume qualquer espaço em que haja um torcedor do clube disposto a consumi-lo. 

E, ao fechar um acordo para levar sua marca à Stock, o Corinthians prova essa capacidade de ir além do futebol e ser, de fato, uma "empresa", "uma grife", uma "marca". Não importa o termo a ser usado, mas o conceito que se transmite.

O maior mérito, nessa história toda, é que a diretoria de marketing alvinegra não atropela o planejamento financeiro em busca dessa "ostentação" de eventos para participar com a marca Corinthians. A política do clube é não investir dinheiro nesses projetos. Até agora, isso tem dado resultado. O risco é minimizado e, o marketing, valorizado.

Hoje, pode-se dizer que o Corinthians já começa a pensar como algo além de um clube de futebol. Entre erros e acertos, é verdade, mas sabendo que é mais do que um clube.

Por Erich Beting às 18h07

08/02/2010

A Visa e o marketing de oportunidade

Num espaço de 11 meses, a Visa protagonizou provavelmente um recorde no marketing de oportunidade mundial. Em 8 de março de 2009, a empresa patrocinou a camisa do Corinthians para o clássico contra o Palmeiras. O jogo marcou mais uma das "voltas definitivas" do atacante aos gramados, com a realização do gol de empate aos 47 do segundo tempo, garantindo a invencibilidade e a arrancada alvinegra para o título estadual.

No dia 7 de fevereiro de 2010, eis que a Visa ressurge, patrocinando a camisa do Santos no clássico contra o São Paulo. O jogo marcou a reestreia de Robinho com o uniforme santista. E eis que, aos 41 do segundo tempo, o atacante faz o gol que dá a vitória ao time do litoral paulista.

Mais do que nenhuma outra marca, a Visa soube aproveitar o momento certo para fazer uma ação de patrocínio.

Sem estardalhaço, comprou o espaço da mídia que representa uma camisa de futebol, nada além disso. Ela não busca relacionamento com o torcedor, venda de ingressos ou produtos oficiais.

Está dentro da estratégia da marca. Ela não cria longos vínculos com clubes, mas com competições. É em busca disso que se tornou patrocinadora da Fifa em 2007 (pagando R$ 100 milhões ao ano pela cota), é por isso que já é há décadas parceira do Comitê Olímpico Internacional (com mais cerca de R$ 100 milhões de investimentos anuais). 

O aporte ao Santos foi uma estratégia para ter exposição de marca, assim como já tinha sido com o Corinthians. Investimento relativamente baixo para o potencial de exposição que aquele jogo teria. 

Para coroar a estratégia, o gol de Robinho, assim como tinha sido o de Ronaldo, rodou o mundo. E a marca Visa, multinacional, também percorreu o mundo junto com os atacantes.

Um gol de letra, tal qual o de Robinho. Mas que beneficia, exclusivamente, a empresa. Para o clube, não resolve a pendência financeira que vai perdurar até o final do ano. Para o torcedor, não cria um novo serviço que o faça se sentir especial.

Só que é por isso mesmo que o patrocínio é considerado de oportunidade. Ele não foi feito para gerar relacionamento com o torcedor, mas para expor o máximo possível a marca da Visa. Melhor resultado é difícil de se obter. Ainda mais em tão curto espaço de tempo.

 

Por Erich Beting às 15h47

07/02/2010

McDonald's "tira" hamburger das Olimpíadas!!!

Agora é para encerrar de vez qualquer discussão sobre até onde o COI quer expandir os seus tentáculos para preservar os seus direitos sobre os Jogos Olímpicos e também preservar o negócio de seus parceiros comerciais.

Ontem, sábado, o restaurante oficial dos povos aborígenes das Olimpíadas de Inverno de Vancouver, o Four Host First Nations, anunciou que mudou o nome de seu mais tradicional sanduíche no cardápio. O Bison Burger foi retirado do menu. Em seu lugar, o genérico "Sliders" para designar a iguaria.

A mudança beira o irracional. O fim do nome no cardápio foi para atender a um pedido do Comitê Organizador dos Jogos, que recebeu uma solicitação do McDonald's, patrocinador das Olimpíadas, para que só ele pudesse, dentro dos restaurantes oficiais dos Jogos, usar o termo "hamburger" para designar seu sanduíche.

Sim, chegou-se a esse ponto. Nem mesmo o hamburger pode ser usado por "ferir" os direitos dos patrocinadores das Olimpíadas

Se o objetivo do McDonald's era "minar" o concorrente, provavelmente o tiro saiu pela culatra. Agora a curiosidade pelo tal hamburger de bisão aumentou. E os "Sliders" do primeiro restaurante destinado a um povo local de Jogos Olímpicos deverão começar a sair como um Big Mac do cardápio...

Como já dito por aqui desde a tentativa de proibir o uso do termo "olímpicos" num livro, o COI tem todo o direito de preservar os Jogos que ele organiza. Mas não dá para ser tão radical.

Por Erich Beting às 16h03

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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