Blog do Erich Beting

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19/02/2010

O bom uso do atleta pelo patrocinador

Primeiro foi com Cacá Bueno, piloto da Stock Car. Agora, é com Giba e Gustavo, jogadores de vôlei. A Sky continua a ser a empresa que melhor trabalha a ativação do patrocínio que faz no esporte. A empresa patrocina equipes no vôlei, no automobilismo e no basquete. Só que usa os atletas que defendem essas equipes para ativar seu patrocínio.

Giba, Gustavo e Cacá Bueno são atletas mais facilmente reconhecidos pelo público. Por isso mesmo, foram escolhidos para protagonizarem campanhas publicitárias da Sky.

Além de fazer a propaganda do seu produto, a empresa consegue, com isso, reforçar sua presença no esporte. E, numa campanha bem planejada, o resultado fica ainda melhor. Quantos patrocinadores não têm a chance de fazer isso e, ao mesmo tempo, economizar milhões na contratação de garotos-propagandas?

Por Erich Beting às 13h25

Pronunciamento de Woods gera nova crise nos EUA

O que seria o início de um trabalho de recuperação de imagem para Tiger Woods parece que se encaminha para mais um episódio conturbado na gestão da imagem do golfista. A princípio, às 14h de hoje, horário dos EUA, Tiger dará um pronunciamento sobre a crise que destruiu a sua imagem de pai de família e bom moço. Digo a princípio porque Woods queria fazer um evento restrito a amigos, assessores e apenas três jornalistas, que não poderiam fazer qualquer pergunta a ele. 

Essa medida já gerou a possibilidade de um boicote por parte dos veículos de imprensa dos EUA ao evento. Só que a polêmica maior está também no mercado publicitário.

A escolha pela sexta-feira para dar o pronunciamento fez com que toda a mídia recolocasse Woods na mira. E, curiosamente, nesta sexta tem início o Accenture Match Play, primeiro grande evento de golfe do ano. Evento bancado pela Accenture, empresa que tinha em Tiger Woods o seu principal garoto-propaganda.

Tinha. Porque a Accenture foi a primeira a cancelar o contrato com o atleta depois de revelados os casos extra-conjugais de Woods. Ernie Els, golfista sul-africano que estará no torneio de hoje e ex-número 1 do mundo, foi direto na ferida ao dar entrevista sobre o que levou o americano a escolher o dia de hoje para dar seu pronunciamento.

"Segundas-feiras são dias ideais para pronunciamentos, não as sextas. Foi muito egoísmo da parte dele escolher fazer o pronunciamento bem no meio do torneio".

Egoísmo ou retaliação ao primeiro patrocinador que abandonou o barco só mesmo Tiger Woods pode dizer. Mas que será muito longo o caminho que ele terá de percorrer para tentar resgatar a imagem que tinha, está cada vez mais claro que será.

Resta saber se haverá disposição e preparo para resolver isso. Ou se os bilhões já faturados por ele ao longo da carreira vão deixá-lo viver uma aposentadoria feliz, longe da fama.

Por Erich Beting às 09h42

18/02/2010

A cadeira do presidente...

Não é fácil ser presidente de um clube de futebol. Pressão de todos os lados. Torcida, imprensa, amigos e familiares (talvez esses dois últimos sejam os mais implacáveis "corneteiros" de um gestor esportivo). Todo mundo dá palpite, diz saber qual a solução para um problema, quer impor seu pensamento, cobra do presidente como se cobrasse o chefe, ou nem mesmo o chefe.

A pressão por resultados no futebol é um componente que dificulta ainda mais essa história. Ou o cara vence ou será considerado um derrotado. E, se ele vence, todo trabalho que foi feito de maneira errada será esquecido, anestesiado pelo sucesso da vitória. Da mesma forma, a derrota é implacável. Não se olha o que teve de bom, apenas o rótulo de perdedor que vai marcar a ferro aquele profissional.

O Palmeiras de 2009 viveu exatamente nessa fina linha que separa o sucesso completo do fracasso retumbante. E, assim como já havia sido desde 2007, quando o clube sempre ficou no "quase" para alcançar o objetivo da temporada e, no final dela, o que sobrou foi o sabor amargo da derrota.

Derrota que custou o início de trabalho de Caio Júnior em 2007. E de Vanderlei Luxemburgo em 2008/09. E, agora, o de Muricy Ramalho em 2009/10.

Só que o baque da perda do mais conquistado título de campeão brasileiro de 2009 foi demais para seu presidente. Luiz Gonzaga Belluzzo mostrou todos os defeitos de um mandatário de um clube. Deixou, do começo ao fim, ser levado pela emoção. Belluzzo cedeu demais às pressões. E desmoronou no final do ano, no famigerado episódio com Carlos Eugênio Simon. Como já dito aqui em 27 de novembro do ano passado, sentar na cadeira de presidente não é fácil.

Ainda mais se o dirigente resolve ouvir bastante as outras pessoas e, pior ainda, tome as decisões com base na emoção.

Agora, meio ano depois de se esforçar e buscar o dinheiro que não tinha (ou que não deveria gastar) para contratar Muricy Ramalho, Belluzzo decide demiti-lo após mais um resultado ruim. Mas o time é limitado, o clube está bagunçado internamente, ainda há problemas no fluxo de caixa, a parceria com a Traffic força o clube a gastar o que não tem em salários, o mercado não está tão aberto assim à contratação de jogadores, etc.

O problema não está com Muricy. Cadeira de presidente exige firmeza nas decisões e, mais do que isso, transmitir segurança para quem está abaixo dela.

Qualquer que seja o novo treinador do Palmeiras, ele não terá facilidade para trabalhar enquanto não for feita uma reformulação na parte de cima do clube. Para isso, é preciso ter habilidade política e, principalmente, tranquilidade para tomar a decisão, desprovido da emoção que o futebol proporciona.

A cadeira do presidente é um dos mais complexos lugares para se sentar.

Quando assumiu o Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, renomado economista, talvez uma das mais brilhantes mentes da economia brasileira, era um sopro de esperança para acabar com o casuísmo da cartolagem que sempre comandou o futebol nacional. Era a cabeça pensante que faltava chegar no lugar certo.

Mas uma coisa é a teoria. Outra, muito diferente, é a prática. Belluzzo mostrou não estar preparado para sentar na cadeira mais importante do Palmeiras. Continuou a agir como um torcedor apaixonado, que vê no resultado dentro de campo o reflexo do sucesso e do fracasso de uma gestão. Não pensou no longo prazo, não equacionou as dívidas, não soube dar fôlego financeiro ao clube.

Atitudes que não teriam reflexo imediato dentro de campo, mas que precisavam ser feitas para que rendessem grandes frutos no médio e longo prazo. Mas Belluzzo cedeu à pressão. A cadeira do presidente fritou o pensamento racional que se exige de um gestor. 

Agora, a saída de Muricy tem muito mais a ver com governabilidade do clube do que decisão apoiada em série de resultados ruins. Belluzzo escolheu ter um pouco mais de paz política ao não bater de frente com o vice Gilberto Cipullo, a manter-se fiel à decisão de contar com o badalado treinador.

Decisão que pode ser inteligente internamente, mas que, para as cornetas de plantão, deixam no ar aquele sentimento de despreparo para estar no comando. Não é falta de boa intenção, um mal que abalou durante anos a estrutura do futebol brasileiro e que levou diversos clubes de grande torcida (o Palmeiras entre eles) à Segunda Divisão nacional. 

Só que mais uma vez ficou claro que falta mais firmeza para estar na cadeira do presidente.

Por Erich Beting às 19h53

NBA volta a investir mais no Brasil

Não, ainda não está próximo de termos um tão sonhado jogo da Liga Americana de Basquete aqui no Brasil. Mas, aos poucos, a NBA já começa a dar mais as caras em terras brasileiras. Desde que a liga passou a ter em Nenê, Varejão e Leandrinho jogadores mais populares, começaram os planos de olhar o mercado brasileiro com mais carinho.

E, agora, um passo mais audacioso foi dado pela liga. Em parceria com a Panini, a NBA vai lançar um álbum de figurinhas para o público em geral. Contando com a força de penetração da empresa no mercado editorial brasileiro, a ideia é fazer com que o álbum vire febre entre os jovens, sonho de consumo da liga em todo o mundo.

O objetivo, com o lançamento, é fazer com que o torcedor se acostume mais com a liga americana, conheça mais os jogadores e os times e, naturalmente, demonstre mais interesse em consumir tudo o que diz respeito à NBA.

Ainda é pouco, mas já é um processo para fazer da competição algo mais próximo da realidade de um país carente de basquete de primeira grandeza nas quadras tupiniquins. E, sem dúvida, é uma mostra de como o marketing traz ganho não diretamente na venda, mas também na fidelização do público com o esporte.

Por aqui, desde a cisão entre os clubes de futebol (alguns foram para a Abril, outros ficaram com a Panini), nem mesmo o álbum de figurinhas oficial do Campeonato Brasileiro tem à disposição do jovem. Das competições em solo nacional, apenas a Stock Car faz um álbum oficial para se aproximar do torcedor mais jovem. É muito pouco. E uma baita oportunidade de negócios para quem quiser se desbravar nessa aventura.

Por Erich Beting às 12h18

15/02/2010

Esporte é cada vez mais artigo nobre na TV*

“Não me conte o final daquele filme, que eu ainda vou ver!”. “Vou chegar em casa e então ver o capítulo final da novela que eu deixei gravando”. “Só estou esperando dar o horário para ver a reprise daquela série que eu não consegui ver hoje na hora em que ela sempre passa”.

Provavelmente você já se deparou com alguma dessas três situações. Com você mesmo, ou um parente próximo, um amigo. Tanto faz. Alguma vez na vida alguém já te falou uma dessas frases. Mas, sem dúvida, é quase certo que você nunca ouviu as expressões que vem a seguir.

“Não me fala quanto foi o jogo que eu ainda não vi!”. “Vou chegar em casa e ver aquele jogo que eu deixei gravando”. “Não vejo a hora de mostrarem de novo o jogo que eu não vi quando foi transmitido ao vivo”.

O que vale para a vida comum, não vale para o esporte. E, talvez em especial, para o futebol. Nunca soube de ninguém que não quisesse ver um jogo ao vivo. Claro, desde que o jogo tivesse, de fato, um significado especial para a vida daquela pessoa.

Só que quantos capítulos finais de novela, filmes que todos comentam (“Avatar”, por exemplo, ainda está na minha lista dos filmes a serem vistos) ou séries imperdíveis nós já deixamos para ver no outro dia, com mais calma, quando não tinha outro compromisso? Tenho certeza que várias vezes deixamos passar com a certeza de que dá para “deixar para depois”.

Algo que nem casamento consegue fazer para o esporte. Quantas vezes o radinho não foi o companheiro fiel para o torcedor desesperado no banco de uma igreja? E o pai do noivo, o noivo, o tio da noiva, o pai da noiva e, às vezes, a noiva não agradeceram a transgressão alheia?

Por esses motivos, aparentemente tão banais, que o esporte tem se tornado cada vez mais um produto altamente importante para os canais de televisão. Em tempos de revolução na forma como as pessoas consomem a TV, não haverá nada mais nobre do que a emissora ter o esporte dentro da sua grade de programação.

Com o desenvolvimento das ferramentas que permitem ao telespectador decidir qual programa vai assistir e, em qual momento, só o esporte manterá ainda a “ditadura” do canal de TV.

A grade fixa de programação, que foi uma das chaves para o sucesso da Globo como empresa de mídia, está com os dias contados. Se eu puder programar a minha TV para captar o sinal com aquele programa e só exibi-lo (sem intervalos comerciais) quando eu estiver em frente ao aparelho, tudo o que não for esporte está fadado a “ficar para depois”.

O capítulo final da novela, o filme que todos comentam, a série favorita. Não importa qual seja o programa, basta um clique no botão e ele ficará disponível para mim quando eu estiver disponível para eles.

Só que não dá para alguém querer ficar imune a um evento esportivo. Deixar “passar”. Esperar para ver mais tarde. Conhecer o resultado apenas quando eu estiver disponível para assistir àquela partida.

Não! Quando o tema é esporte, eu quero ver ao vivo. Não quero melhores momentos, apenas o gol, ou os cinco segundos finais de um jogo de basquete. Quero ver a história toda. E no momento em que ela acontece. Afinal, é só aí que é impossível prever qualquer resultado.

Quando, aqui no Brasil, o esporte perceber o grau cada vez maior de importância que ele tem para o futuro da televisão, provavelmente veremos dias melhores nas modalidades.

*Coluna publicada originalmente na Universidade do Futebol.

Por Erich Beting às 10h42

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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