Blog do Erich Beting

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18/03/2010

O mercado do "país do esporte" começa a aquecer

Dois novos executivos na área de marketing esportivo, exclusivos para atender à CBAt. Da mesma forma, outros deverão ser contratados para gerenciar o acordo com a CBB. Nos últimos meses, essas foram as novidades na Nike, que desde o início do ano patrocina as confederações de atletismo e de basquete do país. Além de lá, outras empresas começam a se mobilizar e reforçar as equipes para trabalhar com esporte.

Quem já está em alguma modalidade projeta ampliar os investimentos até 2016. Isso acontece não só com a Nike, mas com grandes empresas como o Bradesco, que fechou recentemente com o judô e a natação. Aqueles que não estão no esporte, procuram estudar e entender melhor o mercado para, em breve, não deixar de fora a plataforma de comunicação que o esporte proporciona.

De uma forma indireta, esses são alguns benefícios que as vitórias do Brasil para 2014 e do Rio de Janeiro para 2016 trouxeram para a indústria do esporte no país. O evento em si não será propriamente para o brasileiro, mas a indústria já se movimenta pensando nas oportunidades que surgirão até o meio da década, pelo menos. Quem trabalha no meio sabe que o momento é um dos melhores que já houve para o esporte como negócio.

Por Erich Beting às 16h44

17/03/2010

Patrocínio para dar dinheiro ou exposição?

Essa discussão quase sempre vem à tona. Muita gente pergunta por aqui como é que se faz para conseguir um patrocínio. Na prática, não existe uma fórmula fechada. Mas uma coisa é certa. É preciso, cada vez mais, saber para que serve o patrocínio. E não do ponto de vista de quem precisa da grana!

O melhor xx do mundo todo mundo é. Porque é isso que todos tentam argumentar inicialmente quando buscam o patrocínio. "Não existe ninguém melhor que meu filho". "Ele já foi tricampeão sul-americano até 2 anos de idade"... Os argumentos são infindáveis para tentar mostrar que aquele garoto em potencial será a salvação do patrocinador.

O que ninguém para para pensar é o que o patrocinador busca com o investimento que faz. Uma coisa que se pode ter certeza é de que é cada vez mais raro o surgimento de um patrocínio que tenha a benevolência como maior argumento. Não se investe mais no esporte só por compaixão. Foi-se o tempo que o cara apostava no atleta mais por dó do que por analisar ali uma oportunidade de um bom negócio.

Um caso interessante que mostra bem isso é o patrocínio da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) à Fórmula Indy. A agência pagou cerca de R$ 10 milhões para ser apoiador da Indy. A função da Apex é gerar negócios no exterior para empresas brasileiras. Só no ano passado, foram US$ 370 milhões em negócios gerados a partir das provas da Indy. É um retorno e tanto para o investimento. Retorno palpável, em geração de novos negócios.

Algo bem diferente do que busca, por exemplo, a Hypermarcas no Corinthians. A empresa paga R$ 38,5 milhões ao ano para o Timão. Em troca, não pensa em vender mais de seus produtos que estão na camisa, mas manter suas marcas expostas na mídia durante todo o ano.

Muitas vezes o proponente a um patrocínio não entende que é necessário entender o que a empresa quer de retorno com um patrocínio. E esse é um dos maiores entraves para que o empresário invista no esporte. Sempre chegam as mesmas propostas, as mesmas abordagens, os mesmos "melhores do mundo"...

Por Erich Beting às 18h30

15/03/2010

O valor do patrocínio. E das boas ideias

Durante um bom tempo o banco Santander usou o slogan "o valor das ideias" para tentar se diferenciar da sua concorrência. E, a julgar pelo que o banco vem fazendo no campo do patrocínio esportivo, é de se dizer que talvez a instituição de origem espanhola seja a que mais bem sabe trabalhar as boas ideias que fazem um patrocínio ser ainda mais valioso.

O primeiro "gostinho" dado pelo Santander foi ao assumir o patrocínio da Copa Santander Libertadores. O banco fez tanto estardalhaço que "dominou" a competição. Acertou a compra de espaço na mídia (rádios Bandeirantes e Jovem Pan, entre outras) associada à preservação do naming right do torneio durante as transmissões dos jogos. Além disso, fez anúncio e criou ações para mostrar que era a patrocinadora oficial da competição. 

Antes do banco espanhol, durante 11 anos a Toyota patrocinou a Libertadores e ajudou a tornar a competição atrativa financeiramente, mas pouco fez para comunicar que era o maior apoiador do futebol na América do Sul. 

Agora, o Santander começa a mostrar, aqui no Brasil, que é o patrocinador da Ferrari na Fórmula 1. Depois de bancar uma volta de apresentação do Felipe Massa numa Ferrari em Interlagos, com portões abertos, agora o banco anuncia um novo produto para o consumidor.

Foi criado um fundo de investimentos com o nome "Grande Prêmio". Nele, além de o correntista colocar dinheiro para render, como qualquer outra carteira de investimentos, o bônus é o sorteio de felizardos para acompanharem um GP de Fórmula 1 com a equipe da Ferrari. As corridas serão as de Valência, Monza e São Paulo. A escolha é óbvia. Espanha e Brasil são os países dos dois atletas da Ferrari (Fernando Alonso e Felipe Massa), enquanto que a prova de Monza é uma das mais cobiçadas do circuito.

Com a ação, o banco não só cria um prêmio intangível para o seu cliente, mas cria um estímulo grande para que seja feito o investimento (inicialmente só serão aceitos aportes de R$ 5 mil, no mínimo). Os fundos de investimento em renda fixa são um dos grandes responsáveis pela boa lucratividade dos bancos no Brasil. E, nesse caso, podem gerar para o Santander muito mais do que o reconhecimento como patrocinador da Ferrari. É dinheiro que o banco ganha por patrocinar o esporte.

Por Erich Beting às 17h14

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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