Blog do Erich Beting

Busca

26/03/2010

Até tu, São Paulo?

O São Paulo sempre se vangloriou, e muitas vezes com razão, de ser um dos clubes mais avançados do Brasil na área gerencial. Mas, a partir deste final de semana, o Tricolor paulista mostrará que é um pouco "mais do mesmo". 

O clube jogará com a marca da Locaweb na manga da camisa contra Corinthians (domingo) e Monterrey (quarta-feira). A Swift é outra que deve entrar no peito do uniforme. Leia a matéria completa na Máquina do Esporte.

O que pesou para o clube aceitar o patrocínio pontual foi a grana que vai entrar nos cofres. Muito dinheiro em pouco tempo. Uma tentação, mas que pode ser um tiro no pé na grande maioria dos casos. Tanto para o clube quanto para o patrocinador.

Nesse caso específico do São Paulo, o departamento financeiro falou mais alto que o de marketing. Entre a grana da vez ou o projeto de um patrocinador de longo prazo, comprometido não apenas com exposição de marca, mas com projeto de patrocínio, a presidência escolheu a primeira opção.

O São Paulo se vangloriava de não precisar colocar uma marca na camisa, garantindo-se com outras fontes de receita. Não é o caminho mais fácil, ainda mais com praticamente o mercado inteiro nadando contra a corrente. Mas é o caminho que, lá na frente, pode gerar os frutos que se espera.

Por isso fica um certo sentimento de derrota nessa história. O torcedor pode até aprovar, mas quem precisa vender um patrocínio permanente terá que ser melhor vendedor depois dessa solução pontual do Tricolor.

Por Erich Beting às 13h36

25/03/2010

O fim de um ciclo no vôlei

Montanaro praticamente conheceu cada metro quadrado do Esporte Clube Banespa. Talvez não tenha entrado nos vestiários femininos de lá, mas provavelmente já esteve em cada canto do local que lhe serviu de base para uma das mais interessantes carreiras do vôlei nacional.

Desde a época em que vôlei era considerado um "sub-esporte", Monta defendeu o vermelho, branco e preto do Banespa. Primeiro como atleta, depois como dirigente. Um dos casos raros do esporte nacional de ex-atleta que vira gestor. E dos bons.

Durante duas décadas Monta dedicou-se ao principal projeto de formação de jogadores de vôlei do Brasil. Foi ele que deu projeção ao clube para funcionários do então banco Banespa. Foi ele que ajudou o Banespa a virar um sinônimo de referência no que diz respeito à formação de atletas. Foi ele que vibrou com um clube que revelou, entre outros, Maurício, Marcelo Negrão, Tande, Escadinha (Serginho), Giovane, Gustavo, Murilo e Ricardinho.

Uma escola que praticamente chegou ao fim nesta semana, com o anúncio da contratação de Montanaro pelo time do Sesi. Monta ainda tenta levantar a grana necessária para manter vivo o projeto do Banespa (que depois virou Santander e que agora é conhecido por Brasil Vôlei Clube). No Sesi, ele será responsável pela implementação das categorias de base do clube. É um alívio. Pelo menos o cara que mais entende disso estará à frente do projeto.

Afinal, para o esporte existir, é primordial que exista o atleta. Mas é difícil vislumbrar a continuidade do antigo Banespa sem a presença de Montanaro. Sinal dos tempos. E um alerta para os clubes de vôlei em geral.

Enquanto todos se basearem a sua existência no aporte de apenas um patrocinador, sem buscar fontes alternativas de receita, o clube vai acabar assim que mudar o pensamento de quem patrocina. Foi assim com o Banespa e com muitas outras bonitas histórias que construíram o vôlei brasileiro.

Por Erich Beting às 15h25

24/03/2010

A inócua lei que limita o horário dos jogos em SP

O debate tem ficado mais acalorado nos últimos dias sobre o projeto de lei que tenta obrigar os jogos na cidade de São Paulo a terminarem, no máximo, até 23h15. Ontem, na Câmara Municipal de São Paulo, vereadores estiveram numa audiência com Marcelo Campos Pinto, chefão de esportes da Globo, e Marco Polo Del Nero, presidente da Federação Paulista de Futebol. Os discursos de ambos serviram para tentar demover os vereadores de aprovarem a lei (o projeto, atualmente, depende do aval do prefeito Gilberto Kassab).

Só que, mais uma vez, o debate está no foco errado. Por acaso o problema está na hora em que começa o jogo ou na condição que é dada ao torcedor que vai ao estádio?

Obviamente que o projeto de lei, além de interesse meramente político, tem como pretexto tentar criar barulho em cima da Globo, jogar mídia para o vereador que propõe a regra, tentar botar a culpa de um problema estrutural do país nas costas do maior grupo de mídia tupiniquim.

É estúpido pensar que, ao mudar o horário de início dos jogos em São Paulo (teoricamente as partidas teriam de começar, no máximo, até 21h), os problemas de baixa presença de público e de falta de segurança para o torcedor estariam sanados.

Por acaso os jogos que têm início às 20h30 sempre estão com o estádio lotado? Ou aqueles que começam às 19h? Nas partidas aos finais de semana há espera de cinco meses para conseguir um ingresso?

É claro que não! Não é porque o jogo se encerra por volta da meia-noite que o torcedor não vai ao estádio. Claro que isso pode diminuir um pouco o interesse do torcedor em ir à partida, mas ele vai continuar longe dos estádios enquanto eles não oferecerem conforto, enquanto o transporte público continuar sucateado como é hoje, enquanto as condições de segurança continuarem a simplesmente não existir para a população.

Além disso, o projeto é de uma estupidez imensa ao tentar atingir o horário colocado pela Globo, que paga a maior parte da conta do futebol no país hoje. Por ano, quantos jogos que ocorrem na capital no meio de semana são transmitidos ao vivo para a capital? No máximo as partidas da Copa Santander Libertadores e os jogos decisivos da Copa Kia do Brasil. Todas as outras partidas são, geralmente, disputadas fora da cidade. E, como bem lembrou Marcelo Campos Pinto ontem na Câmara paulistana, a cidade de Barueri é logo ali...

O problema da baixa presença de público nos estádios brasileiros não é o horário em que começa o jogo, mas a falta de condição que é dada ao torcedor para ir à partida.

Parece que é politicamente mais eficiente colocar a culpa sobre a Globo e tentar ganhar mais votos nas eleições do que trabalhar para melhorar a condição de vida da população.

Por Erich Beting às 11h57

22/03/2010

A Copa do Mundo centraliza o patrocínio no futebol

Na manhã desta segunda-feira, a Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil, anunciou o segundo patrocínio local para o evento. Depois de o Itaú ter fechado lá atrás seu patrocínio à Copa brasileira, agora é a vez da operadora de telefonia Oi firmar contrato com a Fifa.

O acordo, válido apenas para 2014, revela uma tendência no patrocínio esportivo do mercado nacional, que felizmente terá a "concorrência" dos Jogos Olímpicos para não acabar de vez com o apoio às outras modalidades além do futebol.

Em 2007, um dos grandes patrocinadores dos Jogos Pan-Americanos foi a Oi. Além de ser parceiro oficial do evento, a empresa tinha um time de mais de uma dezena de atletas patrocinados. A marca da operadora foi uma das que obteve maior exposição ao longo da quinzena de realização do Pan, além de ter recorrido a diversas estratégias de ativação de patrocínio tanto na mídia em geral quanto no Rio.

No ano seguinte, já "preocupada" com a presença da concorrente Vivo na seleção brasileira e com o anúncio do Brasil como sede do Mundial, a Oi começou a repensar os investimentos no esporte. O time de atletas foi abolido ao término do Pan, mesmo em ano olímpico. Depois de dois anos apoiando esporadicamente um ou outro evento no esporte, agora vem o anúncio da parceria de peso com a Fifa. 

Parceria que deverá render ótimos frutos para a empresa, especialmente em 2014, quando a cobertura de seus telefones deverá ter um alcance de fato nacional. Mas que mostra o quanto os outros esportes vão sofrer, até 2014, com a canalização do patrocínio para o futebol. Sorte que os Jogos Olímpicos de 2016 serão no Rio de Janeiro. Não fosse isso e, muito provavelmente, começaríamos a ver, lentamente, os outros esportes morrerem.

Por Erich Beting às 15h48

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

Histórico

© 1996-2009 UOL - O melhor conteúdo. Todos os direitos reservados.