Blog do Erich Beting

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31/03/2010

E o Morumbi segue sua "sina" na Copa do Mundo

"Em termos de estrutura, São Paulo é uma das melhores, se não a melhor cidade para receber jogos da Copa. Mas não o seu estádio". A frase foi dita agora há pouco por Rodrigo Paiva, diretor de comunicação do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014, na rádio "Eldorado/ESPN".

Segue a pressão contra a presença do Morumbi na Copa do Mundo de 2014. Por questões políticas, muito mais do que pelos supostos problemas estruturais que existem no estádio são-paulino.

Enquanto a atitude da diretoria são-paulina nos bastidores não se alterar, dificilmente mudará a situação do Morumbi. O estádio continua a ser a solução mais coerente para a cidade de São Paulo na Copa do Mundo.

Como já repetido à exaustão por aqui, não há sentido em se fazer um novo estádio na cidade. Muito menos se o pensamento for apenas para o Mundial.

Mas onde há fumaça, há fogo.

Por Erich Beting às 22h14

O profissionalismo no esporte vale para todos

E depois de alfinetar os são-paulinos em seu perfil no Twitter, Alex Glikas acabou demitido da Locaweb... Isso todo mundo já sabe, claro. Mas o caso mostra a necessidade de, quando se trabalhar com o esporte, ser profissional sob quaisquer circunstâncias.

Muitas vezes cobra-se o profissionalismo do lado do esporte. Gestores muito pouco preparados conduzem hoje milhões e milhões de torcedores e cifras astronômicas de dinheiro, cometendo erros primários de gestão ou até mesmo deixando a paixão falar mais alto do que a razão. Mas o torcedor releva esses erros, acreditando num lado "falível" de quem está na condução do esporte. Não pode ser assim. É cada vez menos assim.

Só que muitas outras vezes não se percebe que o patrocinador não está preparado para trabalhar com o esporte. Ainda hoje, muitas decisões sobre o que patrocinar ou como patrocinar são tomadas apenas tendo como base a intuição, a vontade, a paixão. Não se sabe mensurar o que um patrocínio pode dar, até onde é possível chegar, de que forma ter o melhor retorno com o menor investimento possível.

Faz parte de um amadurecimento do mercado esportivo compreender melhor essas e outras questões. Não podemos achar que o gestor esportivo está plenamente preparado para controlar a paixão em algo tão emocionante quanto o esporte. Da mesma forma, o executivo do mercado corporativo não está maduro para entender o esporte. São poucas empresas que já têm uma área de esporte dentro do departamento de marketing. E, geralmente, são essas as companhias mais "racionais" na gestão de um patrocínio.

O caso Glikas marca uma espécie de "divisor de águas" para o meio corporativo em relação ao patrocínio. A paixão tem de ser deixada totalmente em segundo plano. Por mais que você torça para o time contrário à empresa, é preciso vestir a camisa do trabalho na hora do jogo.

É uma relação difícil, pela qual todo jornalista esportivo já foi testado algum dia na vida. Mas que, com o tempo, vira natural. Aprende-se que não dá para torcer.

O passo que faltava na evolução de toda a indústria do esporte era, exatamente, a profissionalização da gestão. Seja ela do meio esportivo, seja de quem investe no esporte. Na base da porrada, vai-se aprendendo. 

Quem quiser gerenciar um patrocínio, hoje, tem de separar a emoção da razão. A paixão tem de ser o combustível do negócio. Mas não pode ser a faísca para colocar fogo em tudo.

Por Erich Beting às 20h11

29/03/2010

E a mídia social virou a mídia da vez

Aqui no blog já comentei, ainda em setembro do ano passado, que as mídias sociais seriam a grande vedete da Copa do Mundo. Nada de mesa-redonda pós-jogo, com a análise modorrenta de comentaristas. Tudo em tempo real, com a opinião e a participação do torcedor, alçado à condição de comentarista da vez, podendo ainda dar o recado para os atletas, serem de fato ouvidos, conectarem-se a eles.

E isso vale para o bem e para o mal! Neste domingão tivemos um exemplo claro de como isso acontece. Alex Glikas é diretor comercial da Locaweb. Não é uma figura pública. Mas representa a empresa que, neste domingo, estreou o patrocínio de dois jogos para o São Paulo. Corintiano (assim como são os donos da empresa), Glikas não se conteve e tirou sarro do Tricolor em sua página na internet. São pouco mais de 200 seguidores, provavelmente quase todos eles amigos e conhecidos de Glikas, passíveis de entenderem a brincadeira e darem risada dela.

Só que algum jornalista (tinha de ser!!!!) viu a gozação de Glikas ao rival. E a história se espalhou. Ganhou chamada de capa nos sites, revoltou a torcida tricolor. Glikas retirou seu comentário do ar e publicou um pedido de desculpas aos torcedores.

Em seu perfil no microblog, agora, diz ele: "Sinceras desculpas à torcida e ao SPFC. No calor do clássico, o torcedor tomou conta do profissional. Não acontecerá de novo".

Em 140 caracteres veio a frase que comprova o quanto o torcedor, hoje, está ligado nas redes sociais, interagindo, interferindo, palpitando, mudando o rumo das coisas. A Locaweb teve de publicamente dizer que não vai retirar o patrocínio ao São Paulo. E que a opinião foi dada por um funcionário, não representando o sentimento da empresa. É a mídia da vez, que reforça o quanto é importante, para as empresas, para o esporte e para as figuras públicas, se policiarem com essa exposição aparentemente inofensiva.

É claro que Glikas não queria ofender o Tricolor, muito menos relacionou seu ato com o patrocínio recém-acertado. Foi a opinião de um torcedor. Como se estivesse na mesa do bar, ou no estádio, ou em frente à televisão.

A força das mídias sociais é tão grande que outra empresa, a Vivo, decidiu basear sua campanha de mídia para a Copa do Mundo nas redes. Comunicação feita por meio de personalidades selecionadas do meio esportivo e também da arte e da cultura. Para a empresa, que patrocina a seleção brasileira, será na mesa-redonda virtual o grande retorno de comunicação desse patrocínio. Blogs, Twitter, Facebook e outras quetais entram no escopo de atuação. Mídia nada convencional, mas que tem como grande diferencial a força de mobilizar as pessoas.

Por Erich Beting às 00h28

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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