Blog do Erich Beting

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09/04/2010

A incrível valorização da Hypermarcas pelo futebol

A Hypermarcas vai anunciar na manhã deste sábado um patrocínio de R$ 4 milhões para o São Paulo até a final do Campeonato Paulista (correndo o risco de ver a exposição na marca acabando após os dois jogos contra o Santos). O valor é absurdamente alto, sem dúvida. Assim como já tinham sido absurdos os R$ 38,5 milhões pagos ao Corinthians para ter o direito de expor quatro marcas na camisa.

O caso mostra duas coisas. O primeiro, e óbvio, é o de que o São Paulo conseguiu um negocião. Poderá jogar só três partidas e ganhar uma nota alta. Se for à final do Paulista, fará cinco jogos com as marcas em seu uniforme.

O segundo, e mais emblemático, é o quanto esse negócio representa para a Hypermarcas. E o quanto a exposição na camisa de um time de futebol pode ser valiosa para gerar outros negócios.

Na manhã desta sexta-feira, a empresa fez lançamento de ações na bolsa de valores. Captou R$ 1.232.616.000,00 de investidores estrangeiros, fundos de investimento, pessoas físicas, etc. Sim, você não leu errado. Ao valor de R$ 21 cada ação, a Hypermarcas captou mais de R$ 1 bilhão do mercado, que serão reinvestidos na própria empresa.

A exposição dada pelo futebol ajuda nesse processo. Quanto mais a empresa estiver em evidência, mais ela consegue ser lembrada e, assim, é mais valiosa. Em 2009, a Medial Saúde deixou o patrocínio do Corinthians, mas concluiu a venda da empresa para a Amil. Em 2010, a Hypermarcas capitalizou-se em mais de R$ 1 bilhão. Sob essa ótica, investir menos de R$ 50 milhões no patrocínio esportivo, mesmo sem cuidar tanto da ativação dessa propriedade, parece muito pouco...

Por Erich Beting às 20h00

Mais efeitos de 2014: Seara patrocina a CBF

Na manhã de segunda-feira, no Rio de Janeiro, a Seara vai anunciar o patrocínio à seleção brasileira de futebol. É o décimo patrocinador da CBF, que com isso engorda ainda mais o seu caixa. Leia a matéria com mais informações na Máquina do Esporte.

É mais um patrocinador na conta da CBF, mais uma empresa que se aproxima da entidade desde que o Brasil virou sede da Copa do Mundo de 2014. E mais um motivo para Ricardo Teixeira comprovar sua força, que será colocada um pouco à prova na segunda-feira.

A eleição para a presidência do Clube dos 13 pode mudar o panorama do mercado de futebol para os próximos anos. Os clubes não estão fortes o suficiente para comprarem briga contra o continuísmo dentro do C13, engessado há anos apenas na venda de direitos de televisão do Brasileirão, sem querer de fato chamar para si a gestão comercial do futebol nacional. Muito menos estão fortes para peitar a cada vez mais forte CBF.

Não é mera coincidência que, no mesmo dia em que o C13 discute a eleição de seu novo presidente, a CBF anuncia um novo patrocinador. É mais uma forma de mostrar poder. E de começar a pairar nuvens escuras no futuro da organização dos campeonatos do Brasil. A Liga do Nordeste é um indício de que muita coisa pode estar próxima de mudar...

Por Erich Beting às 18h20

A Liga do Nordeste vem aí. Para ficar?

Não, essa daqui não é uma manchete referente ao ano de 2001. É fato. E começa dois dias antes da Copa do Mundo. Foi divulgada nesta manhã de sexta-feira a tabela da Liga do Nordeste, edição de 2010!!!!

E é uma volta no tempo, literalmente. São 16 times de sete estados da região: Bahia, Vitória e Fluminense (Bahia); Ceará e Fortaleza (Ceará); Sport, Náutico e Santa Cruz (Pernambuco); Sergipe e Confiança (Sergipe); CRB e CSA (Alagoas); América e ABC (Rio Grande do Norte); e Botafogo e Treze (Paraíba). Até mesmo quem fará a comercialização do torneio remonta ao início da década, quando havia um sopro de novidade no ar com os campeonatos regionais.

Assim como foi no passado, a Liga do Nordeste será "vendida" pela TopSports, empresa que começou no marketing esportivo e hoje também atua na área de mídia, sendo a dona da TV Esporte Interativo. A Top fará tanto a venda das cotas de patrocínio quanto dos direitos de transmissão.

O ano de Copa ajudará na realização do evento, que era cobiçado pelo público e, mais do que isso, idolatrado pelos dirigentes dos grandes clubes nordestinos, preocupados com o excesso de gastos e falta de geração de receita dos Estaduais. Sem a realização de Campeonato Brasileiro durante o mês, a Liga fará a maioria dos seus jogos entre junho e julho. Depois, a final só em dezembro.

Foi uma brecha encontrada no calendário da CBF para conseguir organizar a competição. Claro que não haverá conflito com os horários de jogos da Copa. Resta saber se o público vai comprar de novo a ideia e, mais do que isso, se as empresas continuarão a se interessar pelo torneio.

A dúvida, porém, é se ele terá força para continuar em 2011. Ou poderíamos pensar em ter o "Nordestão" de quatro em quatro anos...

Por Erich Beting às 16h50

08/04/2010

A lógica da não-lógica no futebol

"A lógica da bola é, cada vez mais, a lógica da grana". Há cerca de um ano usei essa expressão aqui mesmo no blog para falar um pouco mais sobre as semifinais da Liga dos Campeões da Europa. O objetivo era mostrar que não era mera coincidência termos três times ingleses entre os quatro melhores do continente. 

Gestão de gastos mais racional, aumento na geração de receita, especialmente com a bilheteria, contrato de TV bilionário, patrocínios fortes. A receita do sucesso inglês fora das quatro linhas se reproduzia claramente no desempenho dos times britânicos dentro do continente europeu. O raciocínio se estendia para a América do Sul, em que a supremacia brasileira na Copa Santander Libertadores (desde 2005 o Brasil faz pelo menos um finalista no torneio) é explicada em parte pela maior capacidade de geração de receita dos times do Brasil, o que os leva a ter equipes mais qualificadas, melhor estrutura, etc.

Só que o futebol leva para o espaço qualquer lógica.

Um ano depois e os ingleses não fizeram nenhum semifinalista desta edição da Liga dos Campeões. O último a cair foi o Manchester, que durante quase uma década foi o time mais rico do mundo e que agora sofre desde a saída de Cristiano Ronaldo.

É isso que faz o futebol ser tão diferente dos outros esportes. Nem sempre quem é melhor no papel, ou quem tem mais condições financeiras de se sobressair, consegue ser o melhor. Nos demais esportes coletivos, a força da grana faz muita diferença. No vôlei, por exemplo, os times com verbas maiores e melhor estrutura geralmente são os que vão mais longe, cobrem-se de mais glórias. No basquete, idem.

No futebol, por mais dinheiro que se tenha, o imponderável é sempre um componente a mais. Talvez isso ajude a explicar como ele é o esporte número 1 do mundo. E, mais ainda, explica por que é tão interessante para uma empresa se associar a esse grande negócio. 

Por Erich Beting às 01h05

06/04/2010

Uma imagem...

Esse é o Rio e o Brasil que queremos para os Jogos Olímpicos? Ou seria melhor parar de tentar encontrar culpados para colocar a mão na massa? O clique de Antonio Scorza, da AFP, não precisa nem de legenda...

Por Erich Beting às 16h34

O problema é a estrutura

O Maracanãzinho, o aeroporto Santos Dumont e o Brasil da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 mostram onde está o problema para o pensamento de um novo país a partir dos dois maiores eventos esportivos do planeta.

Sou otimista em relação à oportunidade que o país tem de dar um salto gigantesco de qualidade a partir do momento em que se preparar, de fato, para sediar esses megaeventos. Rio e o Brasil já começaram a receber competições esportivas de maior magnitude desde os anúncios para o futebol e a Olimpíada. 

Mas o problema é a estrutura. Não temos saneamento básico, aeroportos, rodovias, sistema público de transporte, segurança. Porque o desafio de se ter arenas esportivas é minúsculo frente a esses outros "entraves" que não dependem do esporte, mas da vontade de o político governar por uma cidade, um bairro, uma esquina melhor. Enquanto o plano de um governante for se manter no poder, e não melhorar a vida das pessoas, a estrutura continuará deficiente.

É como se preocupar em mudar a hora do jogo, mas não a condição de vida da pessoa. Ou como se enfrentar pelo direito de ser sede da abertura da Copa, e não dar as condições para o esporte sobreviver depois que o furacão do Mundial passar.

A infraestrutura no Brasil é o que mais preocupa. E o que mais poderia ser modificado a galope por conta de Copa e Olimpíada.

Esse é o grande problema para o país não fazer feio num grande evento esportivo. Os políticos ainda não se deram conta de que mais importante do que receber um megaevento é dar condição para que ele ocorra bem. Se isso acontecer, novos megaeventos virão. 

Mas, se a cada chuva mais forte o país tiver de parar e esperar a água baixar, o estrago será irreversível. Estádios e ginásios são apenas um reflexo da falta de cultura brasileira em sanear os problemas em vez de remendá-los.

Por Erich Beting às 01h07

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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