Blog do Erich Beting

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16/04/2010

A África é logo aqui...

Em menos de um ano, um aumento de R$ 728 milhões no orçamento da construção de estádios para a Copa do Mundo de 2014 (leia a matéria de Gustavo Franceschini clicando aqui). Estádios que ainda não saíram nem do papel.

Em 2007 o Brasil já sabia que a Copa seria aqui. Nunca um país foi escolhido com tanta antecedência pela Fifa. Só que, desde novembro daquele ano, a política ocupa o lugar do planejamento e, especialmente, da execução.

Dois anos se passaram e nada saiu do papel. Pior. A cada vez alonga-se o prazo para os estádios do Mundial brasileiro começarem a deixar de ser um projeto. E, não por coincidência, com o prazo cada vez mais apertado, as obras começam a ficar mais caras.

Com o maior prazo da história para montar uma Copa, o Brasil tinha grandes chances de se parecer com uma Alemanha na organização do Mundial.

Mas, do jeito que está, a África é logo aqui.

Por Erich Beting às 23h21

14/04/2010

Um problema de imagem

A seleção brasileira de futebol sempre foi um dos melhores produtos de "exportação" do Brasil. A camisa amarela é reconhecida em todo o mundo. Nunca, na história desse país, usou-se tanto o uniforme da seleção para se presentear políticos e celebridades que visitam o Palácio do Planalto.

Mas bem que poderíamos ter passado sem essa da foto abaixo, não? O clique é de Marcello Casal Jr., da Agência Brasil, durante visita de comitiva brasileira ao país do polêmico presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. O "presente" foi dado por Miguel Jorge, ministro do Comércio Exterior.

Por Erich Beting às 07h50

12/04/2010

Tudo novo. De novo?

“Uma das ações mais importantes que precisamos tomar é a reforma estatutária. Eu mesmo sou contra o continuísmo. Mas minha permanência decorre de duas circunstâncias: a primeira é que o atual estatuto restringe muito a liberdade de quem quer se apresentar como candidato; e a outra é que quem gostaria de se candidatar não teria força suficiente para combater o lado de lá [Kléber Leite e CBF]”.

A frase é de Fábio Koff, dita na entrevista coletiva após a sua sexta reeleição à frente do Clube dos 13 e publicada em matéria de Rodrigo Farah no UOL Esporte.

Curioso ver que Koff diz que o estatuto "restringe muito a liberdade de quem quer se apresentar como candidato". Foi o próprio Koff quem antecipou em 8 meses a eleição para poder minar a chapa de oposição.

O mesmo Koff que preside desde 1995 a entidade e que há pelo menos cinco anos fala em mudar seu estatuto.

De fato, será tudo novo. De novo...

Por Erich Beting às 16h48

Koff vence duelo com Ricardo Teixeira. Será?

Fábio Koff acaba de ser reeleito à presidência do Clube dos 13. Depois de adiantar em 8 meses a eleição (antes prevista para dezembro), o gaúcho conseguiu manter-se no comando da entidade que gerencia o contrato de televisão do Campeonato Brasileiro. Uma vitória nos bastidores contra Ricardo Teixeira, que apoiava Kléber Leite, da oposição.

Koff vence o duelo, mas provavelmente começará, agora, uma nova briga pelo poder do futebol nacional. É competência da CBF organizar o Campeonato Brasileiro. Sendo assim, ela pode muito bem tomar para si a negociação do contrato de transmissão do torneio, o maior trunfo do C13 atualmente. 

Se isso acontecer, será a pá de cal nas pretensões de uma força conjunta dos clubes para negociarem seus interesses. Ainda está longe de isso vir a acontecer. O atual acordo com a Globo tem vigência até o final da próxima temporada. Ou seja, são mais dois anos de contrato.

O C13 tem até lá para se reinventar, sendo de fato uma entidade com representatividade comercial dentro do futebol nacional. Não existe um único patrocinador para o principal torneio de futebol do país. Isso é, no mínimo, prova de uma incompetência tremenda.

Os clubes deveriam tomar para si a gestão do Campeonato Brasileiro. Mas não conseguirão isso enquanto estiverem mais preocupados em negociarem votos e em discutir qual a fatia que cada um tem direito da cota de televisão. 

O racha está causado. O duelo inicial foi vencido por Fábio Koff. Mas as armas de uma batalha maior estão mais fortes do lado de Ricardo Teixeira, que ainda é o "dono", na teoria, do Brasileirão.

Por Erich Beting às 14h32

Vai dar liga?

Em 1987, os clubes de maior torcida do país se uniram para criar uma liga nacional de futebol. Meio que nos moldes do que é o modelo americano de gestão de competições esportivas, a ideia era de que os clubes assumissem as rédeas para controlar o principal torneio do país, o Campeonato Brasileiro. Foi assim que surgiu o Clube dos 13.

Pouco mais de 20 anos depois, e o que era para ser a liga brasileira de futebol vai virar pó. Na tarde desta segunda-feira, não importa quem vença as eleições para a presidência do Clube dos 13, o futebol brasileiro estará mergulhado num racha que pouco vai beneficiar o futuro do que deveria ser a gestão do principal produto do esporte no país: o Campeonato Brasileiro de Futebol. E, para piorar, o cenário político da bola continuará sem alterações.

Fábio Koff gaba-se de valorizar os contratos de TV nos últimos anos, gerando uma considerável fonte de receita para os clubes. Deveria agradecer, lá no final dos anos 90, ao SBT e ao estouro do mercado mundial de compra de direitos de transmissão, que levaram o preço do Brasileirão ao seu primeiro salto. Depois, tem de agradecer à conjunção de dois fatores. O primeiro, à adoção dos pontos corridos, que fez o torneio ter mais datas. Depois, à disputa Globo x Record, nos últimos anos, que fez o preço dobrar.

Foi assim que os contratos de TV se valorizaram tanto sob “sua gestão”. E é esse o maior motivo de orgulho da atual gestão do Clube dos 13 em quase 15 anos à frente da entidade. Porque, com o passar dos anos, quase nada de novo foi feito.

A gênese do C13, lá em 1987, era com o intuito de criar um órgão que representasse os clubes e organizasse as principais competições entre eles. Ao longo do tempo, isso se perdeu, especialmente em 2001, quando a ideia de uma Liga Nacional estava montada, mas a força da CBF fez com que Fábio Koff se contentasse em apenas negociar contratos com a TV.

Agora, surge com força o nome de Kléber Leite para “renovar” o C13. Renovar entre aspas, porque Kléber não é alguém preocupado em dar força aos clubes, em criar um modelo mais independente de entidade representativa dos times de futebol (seja ela na negociação do contrato de TV ou de patrocínios para os campeonatos do país).

Leite se calca em dois apoios de peso. CBF e Corinthians.

Impossível uma entidade que queira representar, nem que seja comercialmente, os clubes, estar vinculada tão diretamente com a CBF.

Não vai dar liga. Ou, se der, será uma liga capenga, formada com base em acordos políticos, e não em interesses comuns (organizarem o campeonato mais equilibrado possível para gerar a maior receita possível aos clubes).

Sem um executivo independente, vindo do mercado, preocupado em ser, de fato, um diretor cujo objetivo é trabalhar para a geração de receita dos clubes, não há consenso.

A União dos Clubes do Brasil já se foi. Pela política. E a eleição de logo mais é a prova de que não irá para a frente qualquer projeto de liga independente no país. O futebol no Brasil continua a ter um dono. Cada vez mais poderoso. Pelo menos até 2014...

Por Erich Beting às 13h14

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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