Blog do Erich Beting

Busca

22/04/2010

A "incrível" repercussão das figurinhas da Copa

Sim, estou com certa defasagem nos comentários aqui no blog. Correria pré-Copa, mas ainda dá tempo de falar de algo curioso que aconteceu com relação ao estrondoso sucesso do álbum de figurinhas da Copa do Mundo. O reflexo mais evidente disso esteve na tarde desta quinta-feira na capa do UOL. Uma matéria sobre o roubo de um carregamento de pacotes de figurinhas do Mundial!!!

Pode parecer o cúmulo da inutilidade roubar figurinhas. Só que isso revela uma realidade ainda mais evidente de como existe mercado para o futebol no Brasil.

Antes do roubo dos pacotes, as notícias eram sobre a escassez tanto do álbum quanto dos pacotinhos para serem comercializados em bancas e livrarias. Falta de planejamento da Panini em relação às vendas ou, de fato, uma outra realidade no consumo de futebol no país?

Cada vez mais é evidente que o público brasileiro tem se acostumado a consumir futebol. O torcedor entende, a cada dia, que ele é parte importante da indústria. E, mais do que isso, a indústria percebe que é possível ganhar dinheiro com a venda de produtos ligados ao esporte número 1 na preferência do público.

Um dos reflexos disso é o crescimento do mercado de produtos licenciados. Antes, eles se resumiam a "chaveiros, bolas, bonés". Hoje, até arroz licenciado do clube existe. E vende! 

Com a Copa do Mundo de 2014 no horizonte, é possível que tenhamos um aumento substancial na criação de produtos com a temática do futebol. O movimento será gigantesco em torno do esporte. Muitos vão quebrar a cara e, provavelmente, a empresa. Só que muitos outros conseguirão receitas consideráveis ao custo de muito trabalho e, principalmente, de uma estratégia eficiente de lançamento de produtos.

Essa foi a falha, se é assim que podemos dizer, da Panini. Ela se baseou nas Copas anteriores para fazer o lançamento do álbum de 2010. Até o Mundial da Alemanha, a economia nacional estava num patamar abaixo do atual e, mais do que isso, o histórico de venda de produtos ligados ao futebol era praticamente insignificante. Há décadas como produtora do álbum oficial de Copas do Mundo, a empresa se esqueceu de olhar mais para dentro. 

Mas o sucesso absurdo do álbum é um belo sinal de luz verde para quem deseja trabalhar no mercado de licenciamento esportivo no Brasil. Só que toda euforia deve ser contida. Do contrário, será uma roubada investir em futebol no país.

Por Erich Beting às 17h34

20/04/2010

O Brasil começa a aprender com os grandes eventos

O mais divertido de toda a discussão sobre o Brasil receber Copa do Mundo e Jogos Olímpicos é que a população em geral e, especialmente, muitos formadores de opinião, vão aprender na marra o difícil jogo que existe quando se organiza eventos esportivos gigantescos como esses. A maior parte da conta é paga pelos patrocinadores. E os organizadores do evento precisam, de todas as formas, proteger quem assegura a realização dessas competições.

Hoje foi a vez de os senadores se "indignarem" com as propostas feitas pelo COB para preservar ainda mais qualquer associação de marca com os Jogos Olímpicos. Aros, termos e tudo o mais. O COB quer fazer uma blitz severa sobre o uso indevido dos termos olímpicos, permitindo apenas aos patrocinadores apropriarem-se devidamente dessas propriedades. 

"A sugestão do COB é exagerada e demonstra que a vontade dos patrocinadores está sobrepujando os direitos consagrados pela Constituição, além de ferir a propriedade do vocabulário", esbravejou o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), ao site do Senado.

Ok, senador. E qual é a proposta que você tem para que isso não aconteça?

Hoje mesmo foi divulgado na Europa que um programa de TV sobre futebol não foi ao ar na África do Sul porque ele usava a bola oficial da Copa do Mundo. O receio era de que a Fifa vetasse a veiculação do programa exatamente pelo uso indevido da bola. Já havia ocorrido um caso semelhante na África semanas atrás.

Esse filme se repete, mais ou menos, desde os anos 80, quando o COI lançou seu programa TOP de patrocínio. Por ele, apenas os patrocinadores poderiam fazer uso dos aros olímpicos e de termos como Jogos Olímpicos, nome da cidade-sede, etc.

E, agora, o mais importante.

Para que uma cidade esteja apta a receber Jogos Olímpicos, ela precisa se adequar a essas exigências do COI. Não tem conversa. Da mesma forma, a Fifa exige a preservação do desenho da taça da Copa do Mundo e de mais um monte de termos ligados ao evento. 

Vivendo e aprendendo. É preciso estudar um pouco mais para saber que esse é um dos ônus de receber um megaevento como Copa ou Olimpíada. 

Pode espernear o quanto quiser, que nada vai mudar. Ou, então, aceitar abrir mão de receber esses eventos em nome da "soberania nacional". O que seria, no mínimo, uma burrice sem tamanho.

Por Erich Beting às 15h33

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

Histórico

© 1996-2009 UOL - O melhor conteúdo. Todos os direitos reservados.