Blog do Erich Beting

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30/04/2010

Uma "praga" chamada futebol

A paixão pelo futebol no Brasil é um mal aos demais esportes. Não, longe de fazer qualquer crítica ao futebol, mas o fato é que o esporte, por ser o mais popular e consumido do país, acaba tirando uma grande parte da exposição, da visibilidade e, especialmente, da grana que poderiam ser destinadas a outras modalidades.

Não me refiro aqui ao abismo de cifras, audiência e público presentes nos eventos de futebol em relação aos demais. Mas ao pensamento das empresas na hora de planejar o investimento no esporte. O futebol acaba sugando boa parte da verba que seria destinada ao marketing esportivo.

Um exemplo recente disso é a Panasonic, que anunciou nesta semana um patrocínio a Neymar. Nas palavras de Alessandro Batista, analista de produto da multinacional, a escolha pelo futebol foi motivada pela Copa do Mundo.

"Foi uma escolha estratégica. Optamos por concentrar o investimento nessa campanha, nessa iniciativa e na contratação de um atleta com o peso do Neymar", afirmou em entrevista exclusiva à Máquina do Esporte.

Em tempo: a Panasonic encerrou o investimento num time da Copa Caixa Stock Car para poder centrar o fogo no futebol. E, no esporte, sua participação é tímida, com o patrocínio a um atleta e compra de espaço na mídia. 

Sorte dos demais esportes que a realização dos Jogos Olímpicos de 2016, ao que parece, vai abrir os olhos das empresas para outras modalidades.

Por Erich Beting às 18h33

28/04/2010

Se a moda pega...

A Inglaterra decidiu que vai passar a cobrar para a divulgação da tabela de jogos do Campeonato Inglês. Não, você não leu errado. Os ingleses que organizam a Premier League conseguiram na Justiça o direito de cobrar para quem quiser divulgar a relação dos jogos de sua competição.

É a tal história. A liga inglesa de futebol é gerenciada por uma entidade que tem como objetivo defender os direitos de seus clubes e, mais do que isso, proteger comercialmente as propriedades dessa liga. 

Por aqui, ainda discutimos os direitos de Fifa e COI intervirem em nomenclaturas relacionadas a seus eventos (Copa do Mundo de futebol e Jogos Olímpicos). Imagine se a moda começa a pegar e, aos poucos, os esportes no Brasil passam a exigir que, aqueles que exploram comercialmente seus eventos deverão pagar por isso?

Numa terra em que ainda é tabu cobrar das rádios os direitos de transmissão dos jogos, ou até mesmo permitir a entrada indiscriminada de repórteres dentro do campo de jogo, chegar ao nível de cobrar para quem quiser imprimir a tabela do campeonato parece loucura.

Mas, há 15 anos, a Inglaterra também começava timidamente a debater como gerenciar melhor sua competição nacional, que recentemente tinha sido chamada de Premier League...

Por Erich Beting às 18h45

27/04/2010

Quanto vale o show?

Na noite desta quarta-feira, a cidade de Blumenau, em Santa Catarina, receberá uma partida de exibição do Harlem Globetrotters, famoso time de basquete. O evento chama a atenção nem tanto pela exibição dos jogadores-malabaristas em terras catarinenses. O mais curioso da história é o preço do ingresso para ver o espetáculo: R$ 100 para a área VIP e R$ 60 para a arquibancada no ginásio do Galegão.

O valor é salgado, e mostra o quanto a cobrança de um ingresso está atrelada à qualidade do que haverá à disposição do público.

Já discutimos aqui no blog, diversas vezes, o quanto majorar ingressos apenas pela importância do jogo é errado. Sem melhorar a condição do espetáculo para o torcedor, é um desrespeito provocar um aumento substancial no preço do ingresso.

O caso do Globetrotters mostra mais uma vez isso. Aumentar o preço de um ingresso só pelo aumento da procura é um desrespeito ao consumidor. Mas, se o espetáculo é valioso, a majoração é aceitável, desde que dentro de uma realidade local. 

A resposta à pergunta de "quanto vale o show" é complexa e envolve diversas vertentes. A principal delas, sem dúvida, está ligada à equação conforto do torcedor mais qualidade do espetáculo. Enquanto esses dois itens não forem prioridade na gestão dos eventos no Brasil (esportivos ou não), o show tem de estar adequado à realidade local. E ela, infelizmente, leva o preço cada vez mais para baixo no Brasil.

Por Erich Beting às 18h17

26/04/2010

Como mudar a gestão do futebol

A pergunta, muitas vezes, é feita durante cursos, palestras e aulas que participo. Não tem resposta fechada, é claro. Afinal, hoje o Real Madrid talvez seja o clube mais bem gerenciado fora das quatro linhas e um desastre dentro delas. Já o Barcelona e o Manchester United, apontados como modelo de gestão dentro e fora do campo, possuem modelos completamente diferentes de gestão.

Um passo que vejo como essencial para a mudança de rumos na gestão do futebol é a profissionalização de quem trabalha dentro dos clubes. Não é preciso criar uma empresa para gerenciar um clube, desde que se implemente uma visão empresarial dentro dele, com o estabelecimento e cumprimento de metas.

Isso implica, necessariamente, na contratação de pessoas que estejam no mercado. Um exemplo recente é o do Figueirense, que contratou Nelson Galvão Junior para comandar seu departamento de marketing. Galvão era do marketing da Cimed, empresa farmacêutica. A visão de um profissional como ele é totalmente distinta daquela que permeia a maioria dos executivos de marketing dos clubes brasileiros.

Para entender um pouco mais do que se trata, leia a entrevista com Galvão Junior, publicada sexta-feira na Máquina do Esporte.

Por Erich Beting às 18h51

Afinal, é jornalismo ou entretenimento?*

A pergunta é, a cada dia, mais recorrente nas redações esportivas do país. Afinal, quando se fala sobre esporte tratamos de jornalismo na essência ou de um entretenimento? Qual é a função do jornalista que hoje trabalha com o esporte?

Ao longo dos anos, o futebol foi tratado tão a sério nas mesas-redondas e redações que, ao que tudo indica, a fórmula se esgotou. Ninguém mais aguenta o excesso de informações que permeiam o meio futebolístico. Sabemos, pelos mais diferentes meios, absolutamente tudo o que acontece dentro de um clube, uma competição, na casa de um jogador...

Nesse contexto, o comentarista “sério”, que tenta informar e comentar a informação, tem caído cada vez mais em descrédito, especialmente entre os jovens. De que adianta ele fazer essa pose toda séria se já sabemos o que vai falar? Se a opinião dele não deixa de ser uma mera opinião, sem embasamento teórico, sem conhecimento técnico, sem nada além do que aquilo que o torcedor já sabe, ou pelo menos está acostumado a saber...

Dentro dessa realidade, o ano de 2010 pode significar uma pequena quebra de paradigma em relação à importância do jornalista de esporte enquanto jornalista de informação, de apuração de notícias. O espaço para uma “bomba” é cada vez menor. Mais do que isso, o que o torcedor quer é ver o atleta como centro do espetáculo, seja dentro de campo, seja depois, na hora do programa de TV.

Acabou essa história de que a informação do jornalista é preciosa. O que se quer consumir é uma maneira diferente de jornalismo, muito mais voltado para o espetáculo do que para a seriedade.

Para ajudar aqueles que já começam a despontar com esse tipo de jornalismo (o Globo Esporte, com Thiago Leifert no comando, evidenciou essa nova alternativa para se falar de esportes no Brasil), está aí um time como o do Santos, em que a prioridade é o gracejo em vez do futebol de resultados.

O ano de 2010 poderá ser emblemático em relação à transformação do jornalismo de esporte, na sua essência, num espetáculo de entretenimento, muito mais do que na sisuda mesa-redonda. E o time do Santos é a válvula de escape para que essa fórmula funcione.

*Coluna publicada originalmente na Universidade do Futebol.

Por Erich Beting às 12h51

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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