Blog do Erich Beting

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21/05/2010

Robinho colhe os louros de uma seleção insossa

Samsung, Volkswagen, Seara e, agora, Rexona. As quatro empresas têm em Robinho seu principal garoto-propaganda às vésperas da Copa do Mundo da África do Sul. Por falta de outras maiores opções carismáticas no time de Dunga, o atacante do Santos se tornou a vedete da seleção brasileira, como já dito aqui quando da assinatura do contrato com a Samsung, em novembro passado.

Sem um jogador de tanto apelo comercial, Robinho já era uma escolha mais óbvia das empresas. Agora, porém, a biruta virou em seu favor para faturar, e muito, antes da disputa da Copa. Robinho é o único grande astro dessa seleção que atua no próprio país. É, também, um dos mais simpáticos para todo tipo de público: mulher ou homem, jovem ou idoso. E, mais do que isso, é um dos poucos rostos facilmente reconhecido do time brasileiro.

Dunga sempre quis um grupo obediente a ele. Para isso, opta por jogadores que tenham grande dedicação dentro de campo, sem que isso signifique ter muito apelo de mídia. Robinho é o único que sai desse estereótipo. E, com isso, é o único que se torna alvo de cobiça de campanhas publicitárias que têm a Copa como motivação.

Por Erich Beting às 11h36

20/05/2010

Futebol e política não se misturam

Esse era o mantra de João Havelange quando presidente da Fifa, ao justificar atos injustificáveis para favorecer políticos com atitudes, no mínimo, duvidosas. Eis que a CBF anuncia no final da tarde de quarta-feira que, antes de embarcar para a África do Sul, a seleção brasileira vai dar uma "passadinha" por Brasília.

Os jogadores do time brasileiro vão ser recepcionados pelo presidente Lula antes do embarque definitivo para a África do Sul. É, não tem mal algum mudar a rota e desviar o voo de Curitiba para Brasília. Afinal, é imprescindível que o presidente dê sua bênção aos jogadores que representarão o país na Copa do Mundo.

Imagine se, em julho, o time volta com a taça nas mãos?

Nunca antes, na história deste país...

Por Erich Beting às 01h23

19/05/2010

A miopia segue a contaminar o dirigente no futebol

Um dos maiores malefícios para o desenvolvimento do esporte como negócio é a miopia do dirigente que negocia para o clube. Não saber o produto que tem é algo até natural, dada a recente formação da indústria do esporte no Brasil. Mas a falta de conhecimento não pode se dar naquilo que é o mais básico: não é pelas vitórias que se mede o valor de um patrocínio.

"Eles queriam pagar o valor de Corinthians para quem mete 2 a 0 nas quartas de final da Libertadores. Assim não dá".

A frase foi dita por Adalberto Baptista, diretor de marketing do São Paulo, na sexta-feira passada, na coluna Painel FC, da “Folha de S. Paulo”. Queria fazer referência à desistência do negócio com a Hypermarcas, que havia pago R$ 4 milhões para patrocinar o clube por apenas cinco jogos e não renovou com o São Paulo.

O São Paulo não vale o mesmo que o Corinthians, isso é fato. Mas não é por causa da performance do clube dentro de campo, e sim por vários outros fatores.

Quando existe estratégia na escolha de um patrocínio, uma empresa olha alguns itens para apoiar um determinado clube ou atleta. O último deles é o desempenho esportivo. Até porque esse é o imponderável da coisa. A única certeza que há para uma marca quando ela vai se associar ao esporte é que ela não vai conseguir influenciar no resultado da competição.

Exposição na mídia, oportunidade de relacionamento com o torcedor, retorno em vendas, lembrança de marca, comportamento do consumidor em relação ao patrocínio, histórico de relação do patrocinado com patrocinadores. Esses são alguns dos itens analisados antes de uma empresa investir no esporte.

O São Paulo sonha com R$ 40 milhões de um patrocínio. Não conseguirá esse valor enquanto continuar a tratar seus eventuais pretendentes dessa maneira. E, mais do que isso, não vai chegar a esse valor enquanto não provar que o clube vale tudo isso. Títulos não garantem grandes negócios. Ainda mais no futebol, em que tamanho de torcida e exposição na mídia contam muito mais do que vitórias quando se negocia um patrocínio.

Por Erich Beting às 18h46

17/05/2010

O preço da Copa na África do Sul. Prenúncio de 2014?

A Copa do Mundo na África do Sul gerou uma mudança na ordem das receitas da Fifa com o Mundial. Relatório enviado nesta semana pela empresa Sportcal dá conta de que a Fifa ganhou em 2010 mais dinheiro com venda de direitos de TV e marketing na comparação com a Copa da Alemanha, de 2006.

Mas o detalhamento desses números mostra alguns efeitos interessantes por conta do Mundial. 

Se, em 2006, a Copa da Alemanha gerou um total de US$ 2,26 bilhões em receita de TV e marketing, no Mundial da África do Sul o montante saltou para US$ 3,347 bilhões. O aumento da receita com o torneio africano foi maior em três quesitos (TV, produtos licenciados e patrocínio), exceto no que diz respeito à venda de pacotes de hospitalidade, os famosos "camarotes corporativos".

Enquanto na Alemanha a receita com a venda de camarotes foi de US$ 250 milhões, no Mundial da África do Sul a Fifa receberá US$ 110 milhões com os mesmos pacotes. A queda na receita se justifica pelo "desafio" do primeiro Mundial em continente africano. A distância do centro da Europa, a incerteza das condições de segurança, a precária infraestrutura local (ainda mais quando comparada à Alemanha), o menor poder aquisitivo da população (especialmente em relação aos alemães de 2006) e, obviamente, a crise que diminuiu o poder de promoção das próprias empresas.

A Copa no Brasil deverá ter um incremento na receita de camarotes corporativos. O primeiro motivo é cultural. Por aqui, é comum fazer uso dos camarotes. É esse tipo de receita que sustenta, por exemplo, a presença de muitas empresas em diversas competições, como a Copa Caixa Stock Car. Outra razão para isso é que, na Copa do Mundo de 2014, a tendência é que as companhias nacionais decidam investir pesado em ações promocionais dentro do próprio país, especialmente pela dificuldade que haverá com a venda de ingressos para a população local (como acontece em qualquer Mundial - poucos ingressos a preços exorbitantes). Por fim, há uma regularidade de voos de todo o mundo para o Brasil, o que facilita o deslocamento do turista estrangeiro, além de, em algumas cidades, uma melhor estrutura hoteleira para receber o viajante.

É possível que, em 2014, a Fifa possa dizer que, nunca antes na história ganhou-se tanto dinheiro com uma Copa do Mundo...

Por Erich Beting às 19h49

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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