Blog do Erich Beting

Busca

11/06/2010

Entrevistas viram "alternativa" para patrocinadores

A Fifa iniciou nesta Copa do Mundo uma nova regra. Em todos os locais em que funciona o seu "território", apenas as marcas de seus patrocinadores podem aparecer. Os uniformes de treino das 32 seleções do Mundial, por conta disso, tiveram de suprimir quaisquer marcas, além do fornecedor de material esportivo.

Por conta desse veto da Fifa, as seleções encontraram nas entrevistas coletivas a alternativa para que seus patrocinadores apareçam. Os backdrops povoados de marcas, os uniformes com os logotipos dos patrocinadores, as ações com os veículos de imprensa. Tudo isso passa a ser o caminho para dar retorno a quem paga boa parte das contas das federações.

E, aí, a história passa a ser outra. É preciso achar o tênue equilíbrio entre o marketing e o atendimento à imprensa. Dar o devido retorno ao patrocinador, mas sem atrapalhar o trabalho dos jornalistas que estão cobrindo o torneio. Nesse quesito, até agora, ninguém supera a seleção italiana. A Casa Azzurri, montada pela federação local, é um centro de atendimento ao jornalista e, também, um espaço para que os patrocinadores, além da exposição de suas marcas, possa fazer relacionamento com clientes.

Não à toa, a Itália é o país com o maior número de parceiros comerciais. São 23 empresas que apoiam a Squadra Azzurra. Mais do que o dobro da seleção brasileira. E, claramente, uma mostra de que, para gerar mais receita, é preciso investir na consolidação de um departamento de marketing. Só a força da marca ou da circunstância não adiantam. É preciso ter um plano completo de entrega comercial para eventuais parceiros. Porque, pela foto abaixo, percebemos que não fica fácil reconhecer quem é que apoia a seleção brasileira...

Por Erich Beting às 07h55

09/06/2010

Morumbi deve ficar fora da Copa no dia 14

O estádio do Morumbi deve ser alijado da lista de sedes da Copa do Mundo de 2014 no Brasil. A decisão será provavelmente anunciada no próximo dia 14, quando a cidade de São Paulo apresentará um novo projeto de readequação do estádio para o torneio.

A decisão de mudar mais uma vez o projeto do Morumbi, após o São Paulo perceber que seria difícil dar conta do custo de todas as exigências da Fifa, não será aceita pelo Comitê Organizador Local da Copa do Mundo (leia os detalhes na Máquina do Esporte). Se realmente a decisão for tomada, a cidade de São Paulo terá de correr atrás de uma alternativa para continuar a ser uma das sedes da Copa brasileira. E, independentemente de como o negócio transcorrer, a pergunta é uma só.

Para que serve a Copa do Mundo no país? As exigências da Fifa devem ser usadas como uma base para a construção dos estádios. Se isso significar fazer uma obra de proporções absurdas e gasto excessivo de dinheiro, ela não deve ser aceita. Afinal, a Copa servirá para um estádio receber, no máximo, sete jogos. E olhe lá...

Agora esse é o caso do Morumbi. A dúvida é gastar mais para ser a abertura da Copa ou menos para ter um estádio mais moderno e apto para abrigar algumas partidas do Mundial. O que parece que está cada vez mais claro é que o São Paulo fez um enorme jogo de cena. Porque é impossível não imaginar qual seria o custo de montar um estádio dentro dos padrões da Fifa para uma abertura de Copa do Mundo...

Por Erich Beting às 21h22

União em torno da África do Sul

Já se falou muito por aqui da importância que a mídia tem para o desenvolvimento do esporte. Hoje, aqui na África do Sul, tivemos uma clara mostra de como a promoção da mídia pode ajudar a mobilizar as pessoas. Uma extensa campanha para que o torcedor mostrasse, nesta quarta-feira, sua torcida pelos Bafanas Bafanas tomou conta da mídia nos últimos dias.

As notícias de agora dão conta de que cerca de 190 mil pessoas foram às ruas para manifestar apoio à seleção. As emissoras de TV ficaram a tarde inteira com as imagens ao vivo da festa dos torcedores pelas ruas de Joanesburgo. No final das contas, o barulho das vuvuzelas e o trânsito caótico na cidade deram o tom de como foi a euforia do torcedor sul-africano.

Curiosamente, agora há pouco a empresa alemã de consultoria em marketing esportivo Sport+Mkt divulgou um estudo feito em 12 países para medir o grau de comprometimento da população na torcida pelo país durante a Copa do Mundo. O Brasil foi o vencedor da enquete, com 74% dos mil entrevistados dizendo que vão torcer pela seleção na África. Em segundo lugar ficaram os argentinos, com 73% de aprovação ao time nacional. E, apenas em terceiro, ficaram os sul-africanos, com 69% da população torcendo pela equipe Bafana Bafana. Os Estados Unidos, obviamente, ficaram em último lugar no ranking, com apenas 17% da torcida de seu país na Copa. 

Agora, porém, com o torcedor sul-africano empurrado pela imprensa local, que decidiu "abraçar" a causa da Copa, parece que, pelo menos na torcida, a África do Sul deverá ser a líder do Mundial. A junção da mídia com as personalidades locais apoiando o time parece ser fatal para isso.

Por Erich Beting às 13h09

08/06/2010

África desperta Copa do social

Na Alemanha foi tudo pelo verde. Preocupação com o meio ambiente, reciclagem, neutralização da emissão de carbono. Num país altamente desenvolvido, com infraestrutura bem resolvida e população rica, a Copa do Mundo levantou a bandeira da preservação da natureza. Nunca se reciclou tanto quanto nos gramados alemães. 

Agora, quatro anos depois, as principais empresas do meio e a Fifa decidiram apostar no social. Na primeira Copa do Mundo em continente africano, a solidariedade entra em campo nos projetos de "legado" do Mundial. A Adidas anunciou nesta terça-feira, aqui em Joanesburgo, que vai leiloar quadros de artistas sul-africanos com a temática do futebol. O montante arrecadado será doado para o Instituto Nelson Mandela. Antes, a Nike, sua maior concorrente, deu os braços a Bono Vox na megacampanha Red, com o objetivo de combater a Aids num dos países que mais sofre com a doença. Isso sem contar na ação que será feita no Soweto, bairro no subúrbio de Joanesburgo, com a construção de um centro de treinamento para os jovens da região. A Fifa também tem um projeto para levar o futebol a diversos pontos do continente africano.

Investir no social não é apenas marketing, e é uma forma interessante que as empresas encontraram para marcar sua passagem pela África. Copa do Mundo tem, geralmente, um efeito devastador. Um batalhão chega no país-sede durante cerca de um mês, muda a rotina das cidades e depois vai embora, diminuindo sensivelmente a onda de crescimento econômico que antecede o Mundial. Agora, na África, a banda parece mudar um pouco. Num país com poucos recursos e imenso abismo social, investir na melhoria de vida das pessoas é uma forma de dar a sua contribuição para a população local em algo que vai além dos 30 dias da Copa do Mundo.

E no Brasil, o que nos espera? Qual será a onda da Copa? Tudo leva a crer que levantaremos de novo a bandeira da preservação da natureza. Mas bem que poderíamos fazer um mix de Alemanha e África do Sul...

Por Erich Beting às 21h29

07/06/2010

Primeiras impressões africanas

A África é logo aqui. A partir de agora, o blog ficará focado muito mais em futebol do que já vinha, infelizmente, sendo nos últimos tempos. E as primeiras impressões da África do Sul são as melhores possíveis. A começar pelo clima, ameno, não tão frio (ainda), quanto se esperava. Mas o que impressiona, mesmo, é o calor humano. Algo que faltou na Alemanha, a primeira Copa que cobri "in loco". E que, certamente, não foi o ponto alto de japoneses, coreanos, franceses e americanos, os "donos" dos Mundiais anteriores. 

E é isso que já fica como primeira lição para a Copa do Mundo no Brasil. Já somos conhecidos por ser um povo hospitaleiro. Mas teremos sérias dificuldades em bater os sul-africanos. A felicidade em receber o Mundial transborda por todos os cantos do país. A febre de bola é algo comum durante o evento, mas aqui é mais para uma epidemia contagiante, que faz até mesmo os festivos brasileiros se impressionarem com a receptividade, a alegria e a celebração que é uma Copa do Mundo. A vuvuzela é um mero detalhe nessa história toda.

Um baile, que fará com que o Brasil tenha de se preparar, marketeiramente, para deixar uma boa impressão para os turistas e para a mídia que irão ao país em 2014. Trabalho de marketing, para convencer a população de sua importância em abrigar esse evento. Assim como precisaremos unir esforços para que o brasileiro transborde alegria no Rio-2016.

Mas atenção! Isso não significa um processo de lavagem cerebral ou de alienação do cidadão com os erros que eventualmente são cometidos na organização de megaeventos. Só que, para o país, uma boa impressão tem de ser passada. Nem sempre a primeira é a que fica. Mas os sul-africanos, ao que tudo indica, farão de tudo para tirar qualquer dúvida da cabeça repleta de pré-conceitos dos turistas (seja a passeio ou a trabalho) que estão e estarão em seu país.

E o vôlei, hein?

Última vuvuzelada de outros esportes pré-Copa. A última notícia que tive antes de embarcar para Joanesburgo foi da vitória brasileira sobre a Bulgária, pela Liga Mundial masculina. E li também a chiadeira de Bernardinho por fazer o vôlei "concorrer" com o futebol. É, de fato, covardia. E uma tremenda burrice. Durante Copa do Mundo, talvez só a Fórmula 1 consiga realizar uma etapa sem tanto prejuízo na audiência, na cobertura da mídia e na presença de patrocinadores. Mas isso acontece porque a F-1 é um evento à parte do mundo "normal" do esporte.

Bernardinho falou o óbvio. Algo que, desde sempre, as grandes ligas americanas aprenderam. É melhor dar espaço para todos do que canibalizar eventos. Assim, as finais do hóquei, do basquete, do beisebol e do futebol americano nunca são conflitantes. Por que a cisma em não aprender com quem já faz bem-feito?

Por Erich Beting às 14h39

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

Histórico

© 1996-2009 UOL - O melhor conteúdo. Todos os direitos reservados.