Blog do Erich Beting

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15/07/2010

Felipão é o Ronaldo do Palmeiras

Apresentação digna de popstar, com direito até a credenciamento da TV Al Jazeera. Assim foi o primeiro dia oficial de trabalho, nesta quinta-feira, de Luiz Felipe Scolari como treinador do Palmeiras. E, até pela pomposa apresentação que teve, Felipão já se transforma numa espécie de Ronaldo do Palmeiras. Se, em dezembro de 2008, o Corinthians causou alarde ao anunciar o atacante então sem clube como seu novo contratado, o mesmo fez agora o maior rival do Timão.

Felipão chegou com tudo, atraindo imprensa mundial para a sua primeira entrevista, levando o Palmeiras até para a capa do site da Fifa. E, assim como o Fenômeno no Corinthians, causou uma corrida de empresas em busca do patrocínio ao clube. Nesse quesito, infelizmente, Felipão também causou um reflexo parecido com o de Ronaldo no Timão.

O Palmeiras loteou o uniforme de seu treinador para ajudar a pagar a conta que terá com o técnico. Em troca da marca exposta na camisa que ele usará, Banif, Parmalat e Unimed Seguros, que já estava com essa propriedade antes, vão pagar alguns milhões de reais ao clube. Felipão, espertamente, não vinculou acúmulo de receita com esses patrocínios. Terá a certeza do salário, mesmo se não houver patrocinador na sua camisa.

Só que a questão é o quanto isso vale para essas empresas. Se é para expor a marca na camisa do treinador, por que não investir o mesmo tanto para contratá-lo como garoto-propaganda, correndo o bom risco de ele se tornar o novo técnico da seleção brasileira?

Felipão foi a melhor notícia do ano para o torcedor palmeirense e é um valioso trunfo de marketing para a diretoria do clube. Ainda mais porque as empresas continuam a achar que só exposição de camisa basta quando se investe no esporte.

Por Erich Beting às 19h11

14/07/2010

Ainda há vagas na camisa corintiana!

Pode parecer incrível, mas o Corinthians fechou mais um patrocínio de camisa. A operadora de telefonia celular Tim é a nova parceira comercial do clube paulista. A logomarca ficará estampada no número do uniforme corintiano. Um tremendo absurdo.

Absurdo porque é impensável que uma empresa que busque retorno com um patrocínio contente-se em dividir sua marca com outras sete (além do símbolo do Corinthians, estão na camisa alvinegra Nike, Neo Química, Assim, Avanço, Banco Pan-Americano e Bozzano). A equação valor investido x retorno de exposição não fecha. Da mesma forma, é absurdo o Corinthians ainda se ver como mero "outdoor" de outras marcas, sem oferecer outras propriedades de patrocínio que vão além da camisa de jogo.

Do jeito que as coisas vão, o Corinthians ainda verá disponibilidade de encontrar patrocinadores para a sua camisa. Só que isso vai durar até o momento em que, dentro das empresas, começarem os questionamentos sobre qual o retorno que o patrocínio tem dado à marca. É algo natural, que faz parte do mercado de patrocínio. Agora, por conta dos grandes eventos esportivos acontecerem no Brasil, teremos uma avalanche de empresas interessadas em aportar dinheiro no esporte. A era que se vive agora é de euforia. Todo investimento é válido para não perder o "bonde" do esporte. Daqui a alguns anos, a biruta vai virar. E, aí, só quem estiver capacitado para entender como funciona o mercado esportivo conseguirá ter sucesso.

Por Erich Beting às 18h21

O Ibope da Copa de 2010 e a dificuldade para 2014

Sem o Brasil em campo, o brasileiro "desligou" a televisão durante a Copa do Mundo. Isso é o que aponta o acompanhamento feito pela Máquina do Esporte dos dados divulgados pelo Ibope durante o mês do Mundial da África do Sul. Brasil x Holanda foi o pico de audiência da Copa no país: 56 pontos na medição, somando-se as audiências de Globo (45) e Band (11). A decisão entre Espanha e Holanda, por sua vez, registrou marca menor que a da final do Campeonato Paulista (28 pontos na Globo contra 29 da decisão estadual).

Os números mostram uma realidade preocupante para a Copa do Mundo no Brasil, daqui a quatro anos. O brasileiro adora gabar-se de ser um povo apaixonado por futebol, tanto que abusou desse clichê na apresentação da logomarca da Copa de 2014, dias atrás, na África do Sul. Mas, via de regra, o que se vê é que o brasileiro é um povo apaixonado pelo seu time e por sua seleção.

Não é tanto a Copa do Mundo que movimenta a grande maioria da população, mas sim a torcida pelo time nacional. E os números do Ibope mostram isso. Sem a equipe de Dunga em campo, o interesse do torcedor pela Copa é inferior ao do Brasileirão ou dos Estaduais. E o que isso leva a projetar dificuldades para 2014?

O Brasil terá de ensinar sua população a ter interesse em ver jogos que, aparentemente, não são interessantes. Imagine o que pode vir a ser um confronto entre Nova Zelândia x Eslováquia? Será que há, de fato, interesse das pessoas numa partida como essa?

A Copa da Alemanha teve 100% de ocupação dos estádios. Importante lembrar que o país está no centro da Europa, sendo acessível a grande parte dos torcedores de diferentes países. O Mundial no Brasil, a exemplo da África do Sul, não será uma festa repleta de turistas de todas as partes do planeta. É mais caro, a logística de viagem é mais complexa, a insegurança é maior, especialmente do torcedor europeu.

O Brasil precisa, urgentemente, definir uma estratégia de comunicação para que o torcedor compareça na Copa do Mundo brasileira. Não apenas o turista que pretende acompanhar seu time, mas também o torcedor local, que precisa ver graça na Copa do Mundo, e não na seleção brasileira durante a Copa do Mundo. Do contrário, teremos de dar explicações tal qual a África para os clarões que foram vistos nos estádios.

Por Erich Beting às 16h20

12/07/2010

Copa marca "união" de patrocinadores

Um ano antes da Copa do Mundo de 2006, uma pesquisa do veículo "Soccer Investor", da Inglaterra, apontou que apenas um, entre os 16 patrocinadores daquele Mundial, estava satisfeito com as propriedades que lhe eram dadas na competição.

A pesquisa gerou a maior crise da Fifa com relação a seus parceiros comerciais desde 1978, quando começaram a pintar os grandes patrocinadores da Copa do Mundo (Coca-Cola e Adidas são duas das pioneiras). No ano do Mundial alemão, novas propriedades foram designadas para os parceiros da Fifa. Adidas e McDonald's, por exemplo, ampliaram a exposição de suas marcas naquela competição.

Agora, em 2010, a Copa do Mundo da África do Sul marcou uma quebra de paradigma no que diz respeito ao relacionamento entre os patrocinadores do Mundial. Em vez de brigarem entre si para conseguirem uma maior exposição e, consequentemente, retorno do investimento no patrocínio, algumas empresas passaram a se unir para fazer ações com o torcedor.

A mais recente dessas ações foi o lançamento do cartão de crédito Visa com a Jabulani, a bola que virou grife nesta Copa. Uma parceria entre Adidas e Visa, protagonizada pelo denominador comum que há entre ambas, que é o patrocínio ao Mundial sul-africano. Da mesma forma, McDonald's e Coca-Cola se uniram para realizar algumas promoções no país da Copa.

Em 2014, pelo menos quatro marcas brasileiras já figuram entre os patrocinadores do Mundial: Seara, Ambev, Oi e Itaú. Isso sem falar em outros parceiros, como a Lupo, na área de licenciamento de roupas íntimas.

O Brasil tem tudo para ser o palco da primeira grande evolução do patrocínio à Copa do Mundo. Cabe à Fifa perceber a força que o Mundial tem para mobilizar empresas diferentes, de setores diferentes. O treino aconteceu na África do Sul...

Por Erich Beting às 17h03

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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