Blog do Erich Beting

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24/07/2010

O sim de Mano e o novo dilema de Ricardo Teixeira

Mano Menezes disse sim. E a decisão atropelada da CBF sobre o novo técnico da seleção brasileira finalmente teve um final. Agora, é hora de focar o outro problema. A Copa do Mundo de 2014.

Problema que não existiria para a CBF se o seu presidente tivesse seguido o discurso que adota na hora de escolher um treinador. Para Ricardo Teixeira, o técnico do time nacional tem de ser exclusivamente da seleção. Não pode acumular cargos.

Curiosamente, a decisão vem de uma pessoa que é presidente da CBF e do Comitê Organizador da Copa de 2014. E que, por conta disso, tem deixado de lado uma e outra decisão importante a ser tomada. A seleção era a bola da vez até a definição do treinador. Agora, teoricamente as atenções se voltam para a organização do Mundial.

Desde 2008 o Brasil já poderia ter definido o seu comitê e estaria trabalhando para fazer uma Copa organizada e próxima da perfeição. Agora, finalmente, os cargos e contratados começam a sair. Com dois anos e meio de atraso.

O novo dilema de Ricardo Teixeira é a Copa de 14, como ele gosta de dizer. Só que esse pepino já está nas mãos dele, por vontade própria, desde novembro de 2007...

Por Erich Beting às 13h13

Chegou a hora de Estevam Soares?

"É impossível que a decisão sobre qual será o treinador da seleção brasileira seja tomada na véspera, e o convite dure algumas horas de bate-papo cercado por jornalistas". No início da tarde da última sexta-feira, essa era a conclusão que tinha num bate-papo com um executivo de uma empresa sobre o tema Muricy Ramalho e CBF. A essa altura, até a minha opinião sobre a escolha do novo treinador brasileiro já estava no UOL, junto com a dos demais blogueiros.

E não é que Muricy refugou, mais ou menos como Baloubet du Rouet nos Jogos Olímpicos de Sidney, em 2000?

Só que a refuga do treinador evidencia o descontrole gerencial que existe no esporte brasileiro. A CBF é hoje a financeiramente mais próspera entidade esportiva do país. Só que o episódio da escolha do novo técnico da seleção brasileira evidencia o quanto ser a mais rica não significa ter a gestão mais competente.

Não havia um projeto para o futuro treinador do time. Isso ficou mais do que claro. Muricy, de fato, foi contatado logo após o jogo em que o Fluminense virou líder do Campeonato Brasileiro. A reunião foi aquela mesmo, no dia seguinte. Com sua recusa, as atenções voltaram para Mano Menezes. Escrevo antes de o treinador revelar se vai ou se fica.

Mas, claramente, não há controle na gestão esportiva brasileira. Mostra de que a evolução que vemos na gestão de contratos de patrocínio, na estratégia de marketing dos clubes e tudo o mais é fruto de alguns poucos mais bem preparados e, especialmente, da força vinda de fora, das empresas, que começam a colocar mais e mais dinheiro porque o esporte é um grande produto. Mesmo sem projetos, a CBF consegue faturar mais de R$ 200 milhões em patrocínios. Força da marca seleção brasileira.

Quanto à gestão da equipe que trabalha nas federações, aí a coisa fica jogada mesmo, com desperdício de dinheiro e falhas clamorosas em se montar um grande projeto.

Do jeito que a coisa está, se Mano Menezes recusar, Estevam Soares, terceiro colocado com o Ceará no Campeonato Brasileiro, pode se preparar para receber o telefonema vermelho...

Por Erich Beting às 11h08

22/07/2010

Copa no Brasil ou em São Paulo?

O noticiário que toma conta da Copa do Mundo é o mesmo. São Paulo, a cidade, ainda não tem seu estádio para o Mundial definido. A grande mídia relata o encontro de Ricardo Teixeira com Alberto Goldman e Gilberto Kassab, respectivamente governador paulista e prefeito paulistano.

Mas e a Copa no Brasil? 

A questão da Copa, até agora, virou uma estúpida discussão por São Paulo ter ou não um estádio. Não nos preocupamos em lembrar que o país que quer ser a quinta maior economia do mundo até 2016 não tem sequer uma infraestrutura urbana suficiente para dar vazão à demanda interna, o que dirá a um estouro da boiada que é uma Copa do Mundo...

Não é só São Paulo que não tem condições, seja de estádio ou de infraestrutura. Qualquer cidade no Brasil não pode abrigar uma Copa.

Isso é se conformar em ser medíocre, algo que não condiz com uma nação que almeja ser a quinta maior do mundo, que se orgulha de ter, cada vez mais, empresas multinacionais, que se orgulha de ter sido uma das únicas a não sofrer abalo com crise financeira e tudo o mais que politicamente é bem explorado para mostrar um Brasil, felizmente, nunca antes tão bom na sua história.

Esse é o país que acha tudo isso lindo mas que, na hora de sediar um grande evento esportivo, mira sua atenção para a África do Sul, e não para a Alemanha. País que tenta maquiar seu problema de infraestrutura de transporte propondo uma "maravilhosa" solução de setorizar o evento, desperdiçando um imenso potencial turístico. País que discute recurso público ou privado na construção de estádio quando o buraco está lá embaixo ainda, na questão de como fazer para dar boa condição de vida para a população.

Conseguiu-se desviar o foco do problema.

Não se questiona por que as obras de infraestrutura das cidades ainda não começaram, mas sim se a cidade de São Paulo tem ou não um estádio. O Brasil vai sediar uma Copa do Mundo e ela será boa, talvez muito boa. Mas não será excelente. Estará longe de ser "a melhor".

Isso acontece simplesmente porque não sabemos a demanda de uma Copa do Mundo, não estudamos para buscar capacitação, não elevamos o debate sobre como fazer a Copa do Mundo para um padrão nacional.

Preferimos ser o Brasil que sempre resolve as questões na canetada. Só que o país que quer ser a quinta maior potência econômica do mundo não pode se dar ao luxo de pensar que, na base do "no final dá certo", conseguirá fazer uma Copa do Mundo decente. Infelizmente o nosso parâmetro será a África do Sul, país comparativamente muito mais pobre, muito menos alfabetizado, muito menos seguro, com infraestrutura muito mais precária, etc.

E isso mostrará para o mundo que o Brasil continua a ser a eterna promessa de um país do futuro. Quando era a hora de ser a bola da vez, para ser o país da liderança mundial. A Copa, assim como os Jogos Olímpicos, serviriam para pensarmos o Brasil como, de fato, um país e usar a "desculpa" desses eventos para transformar a nossa realidade.

O Brasil está, em cada uma das 12 cidades, com diferentes problemas, deixando a oportunidade escapar entre seus dedos. Estádio é uma das dificuldades, mas reforma de malha viária, melhoria no transporte público e mais um monte de obras de infraestrutura demandam investimentos muito maiores e mais necessários para o país.

Por Erich Beting às 17h51

20/07/2010

Adidas ressuscita camisa amarela no Palmeiras

O Palmeiras voltou no tempo. O clube acaba de apresentar o modelo de camisas que serão usadas a partir de agora pelo time. A grande "notícia" foi a volta da camisa amarela, campeã de vendas da Adidas em 2007 e 2008.

A fabricante diz que "devolve um presente" à torcida com a ressurreição do modelo. Na prática, a maior beneficiada é a própria empresa, que com isso espera, mais uma vez, turbinar as vendas com o modelo, lançado no segundo semestre de 2007 e que alçou o Palmeiras a um dos líderes de venda global da marca.

É a velha história de que, em time que está ganhando, não se mexe. Pelo menos nas vendas, o amarelo valeu a vice-liderança em vendas para o Palmeiras em 2007 e 2008.

Por Erich Beting às 13h02

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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