Blog do Erich Beting

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06/08/2010

Futebol, debate e a audiência da TV

E, obviamente, a audiência na televisão para o jogo São Paulo x Internacional foi quase sete vezes maior do que a da transmissão do primeiro debate entre os presidenciáveis. A goleada do futebol sobre o debate entre os candidatos à presidência do país era mais do que prevista. Não porque o povo do Brasil seja alienado, ou então porque somos o país do futebol, mas simplesmente porque o debate foi realizado na Band, emissora que detém geralmente a quarta ou quinta maior audiência na TV aberta, enquanto que o jogo foi exibido na emissora de maior audiência, a Globo.

Isso, por si só, explica a goleada futebolística. Mas, também, mostra que o público na TV é bastante fiel à programação da emissora de sua preferência, muito mais do que do conteúdo que é veiculado em todas as mídias. A Band continuou com o quarto lugar entre todas as emissoras do país. Mais ou menos a mesma posição que ocupa no dia-a-dia, quando exibe sua programação normal. Apenas às segundas-feiras de noite, com o CQC, a emissora tem tido melhor performance na medição do Ibope.

No passado, a Band chegou a ter 20 pontos no Ibope. Era quando transmitia, aos domingos, a "Faixa Nobre do Esporte". Recentemente, bateu nas tardes de quarta-feira, os 15 pontos. Foi na exibição exclusiva de jogos da Liga dos Campeões da Europa...

Política não levanta tanto a bola da audiência. Mas, sem dúvida, é só a bola rolar que o Ibope aumenta.

Por Erich Beting às 14h24

02/08/2010

O problema não é o Twitter

A diretoria do Santos anunciou que, a partir de agora, vai controlar melhor o uso do Twitter por parte de seus jogadores. O episódio em que atletas usaram o recurso da Twittcam para “conversar” com os torcedores não foi bem digerido pelos mandatários santistas.

As ofensas a torcedores (que por sua vez ofenderam jogadores) e o aparente bate-boca de Zé Eduardo com Robinho assustaram os dirigentes santistas, que agora vão ficar mais em cima daquilo que os jogadores fazem no tempo de folga.

Mais uma vez, a solução adotada é aquela de tirar o doce da criança em vez de ensiná-la a comer com moderação.

O problema, definitivamente, não é o Twitter.

Continua a reinar, no ambiente do esporte, a total falta de preparo para lidar com a mídia. Seja nas entrevistas feitas aos meios digitais, seja no uso da própria mídia (Twitteres, Facebooks, Orkuts e afins), são raros os atletas que sabem como utilizar a mídia como ferramenta para se promover e para conseguir ter mais destaque. E raros os dirigentes que entendem também o papel dessas mídias para o bom andamento de suas gestões.

A então inocente brincadeira dos jogadores do Santos com a Twittcam gerou mais uma crise em véspera de decisão na Vila Belmiro. Não seria preciso se preocupar com isso se os atletas, no início da temporada, tivessem uma palestra mostrando qual o papel deles em meio às mídias sociais.

A gestão esportiva, em sua maioria, continua a tratar o atleta como um animal que deve ficar confinado para então lhe trazer o melhor retorno. Não se exercita o cérebro, não se preocupa em dar mais conhecimento para os atletas.

Isso não tem nada a ver com nível cultural, social ou qualquer coisa que o valha. Qualquer um precisa de conhecimento. Enquanto não se investir numa melhor qualificação de quem trabalha com o esporte, continuaremos a evitar o problema em vez de solucioná-lo.

Por Erich Beting às 16h25

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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