Blog do Erich Beting

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13/08/2010

O que há de diferente no rodeio de Barretos

No próximo dia 19 começa o famoso rodeio internacional de touros na cidade de Barretos, interior de São Paulo. A despeito da discussão sobre a esportividade ou não de uma competição de rodeio, o que mais me chama a atenção no rodeio de Barretos é a organização do evento. Mais do que qualquer outra coisa, é curioso observar o conceito que está envolvido na concepção do rodeio e que pode ser transferido para a atividade esportiva que quisermos.

A competição esportiva em Barretos acontece durante os 11 dias de evento. Mas, paralelamente a ela, uma série de minieventos, envolvendo não apenas o esporte. Até mesmo a cantora Mariah Carey foi contratada para dar um show!

O resultado desse esforço de fazer um evento que vai muito além da competição esportiva é o que faz Barretos ser tão diferente. A partir do momento em que os organizadores transformam o rodeio no menor dos motivos para o torcedor comparecer ao evento, a chance de ele ser um sucesso é ainda maior. Afinal, ao criar um megaevento na cidade, Barretos atrai não apenas os fãs do esporte, mas cria uma situação que agrade uma família inteira.

No Brasil, o evento relacionado ao esporte teima em manter como único atrativo ao consumidor a disputa. Ela é a coisa mais valiosa que existe, sem dúvida. Mas, se não oferecer chance de relacionamento com outros tipos de público, a chance de se obter sucesso com isso é menor. Hoje, Barretos consegue, nos 11 dias de rodeio, um faturamento maior do que em qualquer outra data no ano. E a competição touro-peão é apenas um dos motivos para isso...

Por Erich Beting às 17h57

12/08/2010

Maior torcida?

O Lance! divulga nesta semana os resultados de mais uma pesquisa feita com o Ibope. O levantamento, desde 1998, tem como objetivo mapear a relação do torcedor com os clubes. Quase sempre, o debate sobre o levantamento fica em torno de quem tem a maior torcida do país.

Mas será que a questão é ser o dono da maior torcida ou ter a torcida que mais consome? Vale lembrar que essa pesquisa é quantitativa. Ou seja, não mede a qualidade, mas sim a quantidade. Logo, o levantamento serve para saber quem tem o maior número de torcedor, sem se aprofundar um pouco mais sobre o comportamento dele em relação ao clube.

Para um veículo de mídia que só fala de esporte, saber como se divide o torcedor pelo país não vale apenas para fazer matérias, mas é também uma informação estratégica para eventuais lançamentos editoriais nos próximos anos.

Para os clubes, porém, saber quem é o dono da maior torcida não basta. É preciso aprofundar-se e conhecer, de fato, quem é o seu torcedor. Enquanto não se tem uma noção de quantas pessoas consomem a marca de um time, não se saberá qual é o potencial de negócios dele.

É esse o motivo pelo qual o futebol continua a vender apenas o espaço na camisa, em vez de projetos consistentes de marketing. Enquanto o clube conseguir apenas ver quem é que tem maior torcida, o atrativo que ele pode oferecer a um patrocinador se resumirá a quantas vezes ele aparece na mídia.

A pesquisa do Lance! é muito boa para saber um pouco mais sobre o perfil dos torcedores no país. Mas é muito pouco para quem quer oferecer um real projeto de marketing esportivo para um potencial patrocinador. Infelizmente, mais uma vez, os clubes vão se ater a esses números em vez de procurar conhecer melhor o seu torcedor.

E esse cenário só vai mudar quando as empresas exigirem mais do que a exposição de marca na camisa na hora de investir no futebol.

Por Erich Beting às 19h13

11/08/2010

NBA em Londres é a síntese do esporte como negócio

A NBA anunciou recentemente que fará duas partidas de sua temporada regular na cidade de Londres, Inglaterra. É a primeira incursão fora dos EUA do maior campeonato de basquete do mundo sem ser em jogos amistosos. E é também a prova de como o americano sabe que, para que haja um grande evento esportivo, é preciso criar condições diferentes a seu público.

A realização dos jogos da NBA na Inglaterra é uma alternativa da liga para duas situações que estão no horizonte recente da competição.

Depois de fazer alguns jogos de pré-temporada na Inglaterra e ver as vendas de ingresso se esgotarem com quase seis meses de antecedência, a NBA percebeu que precisava não só sair dos EUA por meio da transmissão da temporada pela televisão. Nos últimos anos, com a crise financeira apertando o bolso do consumidor americano, os ginásios do basquete, quarto esporte na preferência da população, começaram a ter dificuldades para lotar. Já o torcedor inglês, carente de bons jogos de basquete, esgotou os bilhetes ansiosos pela grande liga em seu país.

Além da questão econômica, outro aspecto muito relevante e que explica a "fuga" da NBA para a Inglaterra é a operação comercial da liga com a Adidas. A partir desta próxima temporada, a fabricante alemã assumirá toda a operação de licenciamento de artigos de confecção da NBA para a Europa. Depois do sucesso desse tipo de operação na China, empresa e esporte decidiram reproduzir o modelo na Europa (a América do Sul está nos planos para os próximos anos). A ida para Londres significa, também, a ampliação dos negócios da liga em continente europeu.

Até hoje, apenas o americano entendeu que seu principal campeonato esportivo, independentemente de qual modalidade, não pode ficar restrito a seu país. Ele precisa cruzar fronteiras que vão além da transmissão internacional. A ida da NBA para Londres sintetiza esse pensamento. Quanto mais famosa a liga for no mercado europeu, maior serão as chances de os clubes da NBA se destacarem dos outros e maior a vantagem competitiva para que eles formem grandes times, com grandes atletas.

O esporte precisa entender que, tal qual no restante da economia, seu artigo também é para exportação. Ao longo do tempo nos acostumamos a ver empresas multinacionais. O futuro do esporte como negócio vai criar também a onda de matrizes e filiais no que diz respeito às instituições esportivas. E os americanos, para variar, já saíram na frente.

Por Erich Beting às 13h32

10/08/2010

Nizan, Ronaldo e a vez dos grandes do marketing

O mercado de marketing esportivo, finalmente, se agita por conta da realização da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos no Brasil nesta década. O publicitário Nizan Guanaes tornou-se sócio majoritário da Reunion. O atacante Ronaldo se associou ao grupo WPP para montar uma agência de marketing esportivo. O grupo frances Havas mapeia o mercado em busca de uma boa oportunidade de aquisição de uma agência para começar a atuar na área. A Octagon volta ao país, agora cuidando da conta de ativação do patrocínio da Ab-Inbev no futebol.

Mais detalhes estão em reportagem na Máquina do Esporte (confira clicando aqui). Mas o certo é que esse movimento era algo até certo ponto esperado (e um pouco tardio) por conta de o Brasil ter se tornado o foco do investimento no esporte pelos próximos seis anos, pelo menos.

Só que, num primeiro momento, os megaeventos farão também com que essas empresas busquem megaprojetos no país. Viveremos, pela próxima década, uma era de grandes ideias e muito dinheiro sendo investido no esporte. Esse mercado estará aberto apenas para esses gigantes. Se, até hoje, microempresas e algumas outras de médio porte dominaram os negócios no esporte brasileiro, agora chegou a vez de os grandes movimentarem ainda mais dinheiro.

A boa notícia é essa: a bola do marketing esportivo nunca esteve tão cheia. A má é que, a partir de 2017, ela vai murchar até encontrar seu ponto de equilíbrio, quando os grandes não serão tão grandes e os pequenos terão sido absorvidos.

Por Erich Beting às 19h55

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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