Blog do Erich Beting

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04/09/2010

A Corrida do Milhão e o poder da novela da Globo

Novela das 21h na TV Globo, média de quase 40 pontos de audiência. Um dos produtos de maior penetração na sociedade brasileira hoje abriu espaço enorme nesta sexta-feira para promover a Stock Car.

O personagem de Marcelo Anthony, piloto da Stock, afirma numa reunião com um executivo da categoria que quer voltar a correr, mas avisa:

"Olha, eu não vou poder correr na Corrida do Milhão neste domingo, mas para a próxima prova eu estarei pronto".

A Globo promove, com isso, o próprio produto da casa, já que ela é uma das sócias da Stock Car. Se, no post anterior, falávamos da dificuldade de o basquete ter espaço na TV aberta, horas depois a emissora mostrou o quão pode ser parceira de uma modalidade.

Mas, nos dois casos, é essencial que haja um produto que possa ser promovido pela emissora. Por incrível que pareça, a Corrida do Milhão é, para o mercado brasileiro, um produto mais interessante do que um Mundial masculino de basquete. Nem mesmo os astros do bola ao cesto americanos são capazes de mover o torcedor para a frente da telinha.

O esporte precisa, sempre, encontrar o melhor produto que existe para promoção. Do contrário, estará caminhando lentamente para o ostracismo. O basquete é um desses exemplos.

Por Erich Beting às 23h29

03/09/2010

A importância da TV aberta para o esporte

O Brasil faz, na Turquia, uma de suas melhores apresentações num Mundial de basquete nos últimos anos. Mas quem está tendo acesso a esse desempenho do time brasileiro? O mau momento dentro de quadra faz com que o basquete deixe de ser um produto atraente para a TV aberta. Resultado: o esporte só é exibido nos canais a cabo, que não chegam nem a 10 milhões de lares no país.

Numa conta rápida, não chega a nem cerca de 1/6 da população brasileira as imagens ao vivo do desempenho de Leandrinho, Varejão e cia. Isso se considerarmos que todos os lares que possuem TV a cabo estarão ligados nos jogos do Mundial.

A ausência do esporte na TV aberta acaba impedindo a sua popularização. Em vez de mais pessoas acompanhando o basquete e, com isso, sentindo-se engajadas a consumir mais produtos e, quem sabe, ser um atleta profissional, temos uma situação de estrangulamento do esporte.

O vôlei cresceu no Brasil graças à popularização trazida pela TV aberta. Ajudou, é claro, o esporte ter tido melhor desempenho dentro de quadra, algo que falta há muitos anos para o basquete.

Resta saber, porém, se para a TV aberta também não é prejuízo mostrar o interesse pelo esporte apenas quando ele é vitorioso. Afinal, se uma modalidade esportiva não for forte o suficiente, é um produto a menos para ser inserido na grade de uma emissora.

Por Erich Beting às 19h13

01/09/2010

O que a festa do centenário ensina aos clubes

Vale do Anhangabaú com mais de 100 mil pessoas numa terça-feira de madrugada. Só o futebol, no Brasil, é capaz de mobilizar um contingente assim de pessoas. Tal qual já havíamos visto com o Atlético-MG, em 2008, quando mais de 30 mil acompanharam as festas nas ruas de Belo Horizonte, ou em 2009, quando o Inter alcançou a marca de 100 mil sócios no ano do primeiro centenário do clube.

Foram precisos quase 15 anos desde o primeiro centenário de estardalhaço no país (com o Flamengo, em 95), para que o clube de futebol brasileiro começasse a entender o real significado de se completar 100 anos. Se, lá em 95, o Mengão quis construir o time dos sonhos e ser campeão de tudo (terminou sem ter nada) para celebrar seus 100 anos, agora a realidade é outra.

A prova melhor disso quem deu foi o Internacional, em 2009, quando montou toda uma estratégia de marketing para comemorar o aniversário. Ser campeão é bom a qualquer ano de vida do clube. Mas festejar 100 anos é motivo para muito envolvimento do torcedor com o clube.

E foi isso que acompanhamos nos últimos três centenários de grandes clubes. O Galo, mesmo com um time mal dentro de campo, depenado por goleada do Cruzeiro no Mineiro, fez o torcedor ir às ruas mostrar seu amor pelo time, consumiu produtos, rememorou a felicidade de ser atleticano. Da mesma forma, o Inter movimentou milhões em receita por conta do ano do primeiro centenário.

Agora, é a vez de o Corinthians mostrar que ser campeão é menos importante do que ter motivos para torcer por um clube. A festa de ontem, em São Paulo, será a típica história contada de pai para filho, daquelas que fazem uma nova geração se apaixonar por algo que é mágico, que não está ligado a vencer ou perder.

Quanto mais resgatar a fidelidade do torcedor, mais sucesso comercial um clube vai ter. Com mais dinheiro no caixa, mais investimentos no time podem ser feitos. E, logicamente, mais fácil será para um clube se sagrar campeão. É uma lógica aparentemente simples, e que não precisa de cem anos para ser colocada em prática...

Por Erich Beting às 13h23

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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