Blog do Erich Beting

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11/09/2010

A Copa do Mundo é nossa?

A meiguice da foto abaixo mostra, claramente, que a Copa do Mundo tem dono. E esse dono é a Fifa. Por mais que a opinião pública esperneie até 2014, nada conseguirá mudar esse quadro. O clique do beijo de Jêróme Valcke em Ricardo Teixeira é de Luiz Mello, de "O Dia".

Por Erich Beting às 17h24

10/09/2010

Construir é fácil, o problema é gerenciar

Muita gente reclamou por aqui quando escrevi o texto sobre o projeto corintiano de construir um novo estádio. Como disse no texto, esqueçamos qualquer paixão clubística e tentemos utilizar a razão para analisar os fatos.

O Corinthians montou uma análise de viabilidade econômico-financeira. Ou melhor. Uma empresa contratada pela Odebrecht fez esse trabalho. Menos mal. É um primeiro passo para que se saiba em que terreno, literalmente, clube e empresa estarão pisando.

Mas aí é que entra todo o enrosco da história. Construir um estádio é uma operação fácil. Requer alguns milhões de reais (algo que aparentemente representa muito dinheiro, mas que no setor de construção civil não é tão absurdo assim) e um local para a obra ser feita. O problema vem exatamente depois. E, nesse caso, esqueçamos Itaquera, Morumbi, Pacaembu, Oiapoque ou Chuí.

Praticamente não há, no Brasil, profissional capacitado para gerenciar um estádio de futebol moderno. A função de gestor de arenas requer pessoas que saibam como fazer do espaço de um estádio um produto para gerar lucro para seu dono. Entre os 12 projetos de estádios da Copa no Brasil, apenas o de Recife já tem uma empresa contratada para gerenciar a arena pós-Mundial. Os demais ainda acreditam na máxima de que modernizar a praça é suficiente para que o público aumente, assim como a receita no local.

Na Europa, apenas há cinco anos foi criado um órgão para debater a gestão de praças esportivas. O instituto surgiu da necessidade de os clubes gerenciarem estádios cada vez mais bem equipados e atenderem torcedores cada vez mais exigentes. Nesse período, também, foram mais de 50 novos estádios construídos pelo continente, num movimento que segue numa crescente, especialmente na Inglaterra.

O Brasil sequer tem gente capacitada para atender a demanda da gestão das arenas da Copa. Pouco se estuda o tema no país. O Botafogo, atualmente, contratou uma gestora de shopping center para cuidar da gestão do Engenhão. A obrigação é melhorar a qualidade do serviço para o torcedor e gerar mais receita para o clube.

Os projetos da Copa seguem sem pensar em gestão da arena após o Mundial. Parece que o problema está apenas em levantar o estádio, e não em mantê-lo em pé. A manada branca que toma conta hoje da África do Sul, nem dois meses após a Copa está cada vez mais próxima do Brasil...

Por Erich Beting às 18h20

09/09/2010

O futebol e seus valores fora da realidade mundial

A revista "Exame" desta quinzena traz um interessante levantamento da remuneração dos principais executivos de empresas de todo o Brasil. O mapa dos salários, publicado anualmente pela revista, é importante parâmetro para que empresas contratem e paguem seus mais importantes funcionários no país. O levantamento, feito com 256 corporações, traz alguns números interessantes. Entre eles, o de que os presidentes das grandes empresas recebem R$ 2 milhões anuais, entre salário fixo e variável conforme o rendimento da companhia.

Numa rápida alusão ao mercado do futebol, vemos que os salários pagos aos principais executivos do país equivalem, às vezes, a menos de meio ano de salário fixo dos treinadores mais badalados que existem. E por que o futebol se dá ao luxo de pagar salários exorbitantes a funcionários que não ocupam os cargos mais importantes de sua estrutura?

A vida fora da realidade do futebol tem muito a ver com a maneira como os clubes hoje são gerenciados. Com o faturamento em alta, as entidades esportivas se dão ao luxo de cometer extravagâncias em nome da conquista de um título. Só que como pode um clube sobreviver sem um mínimo de racionalidade em seus gastos?

Outro dia ouvi de um amigo que trabalha no meio esportivo que o Palmeiras precisará de um economista para reestruturar financeiramente o clube ao término da atual gestão, curiosamente comandada por um economista. De fato, um dos clubes que mais tem se endividado e cometido loucuras nos últimos tempos tem sido o do Palestra Itália. Qual o motivo para isso?

Muitas vezes a explicação está na falta de profissionalização da gestão de um clube. Sem um gestor remunerado, a paixão muitas vezes fala mais alto do que a razão, e o dirigente comete loucuras financeiras em busca da conquista de um título. A vitória, muitas vezes, mascara o fracasso financeiro de uma entidade. Numa empresa, em que a obrigatoriedade do lucro é o principal meio de se medir o sucesso de um gestor, a grana dita o ritmo do trabalho.

A lógica da bola continua a pagar mais para um funcionário de baixo escalão do que para um alto executivo. É natural que o jogador seja mais valorizado que o diretor. Mas isso não significa que é possível que se tenha uma irracionalidade dos gastos. É inconcebível que, no Brasil, um treinador de futebol receba cerca de quatro vezes mais, em salário fixo, do que a remuneração anual do presidente de uma grande companhia, que fatura bilhões por ano.

Por Erich Beting às 17h51

08/09/2010

Apenas um lugar para treinar

A BM&F vai investir cerca de R$ 15 milhões para criar um centro de formação de atletas em São Caetano do Sul (SP). Movimento parecido com o que já fez o Grupo Rede, em Bragança Paulista (SP), e a Vale, em diversas cidades do país.

Esse talvez seja o primeiro grande legado do Brasil olímpico. A realização dos Jogos de 2016 no Rio tem levado as empresas a investirem em núcleos para a formação de atletas, seja via Lei de Incentivo seja com recursos próprios. O objetivo final, claro, é colher os louros de uma possível vitória em 2016.

Mas por que, no Brasil, insistimos em ver a iniciativa privada bancando a construção de praças esportivas? O sucateamento da gestão pública para o esporte faz com que o atleta não tenha qualquer infraestrutura para treinamento no país. Tudo que poderia ajudar na melhoria da qualidade de vida da população é largado, descuidado, abandonado.

É muito bom ver que as empresas se mobilizam em torno do esporte com a aproximação dos megaeventos no país. Mas é impressionante como ainda falta apenas "um lugar para treinar" para a grande maioria da elite do esporte no país.

Uma nação que tenta se vangloriar pelo tamanho de sua economia deveria, minimamente, se preocupar com a formação de algo além de bons números financeiros. Do contrário, continuaremos a achar que as mazelas do esporte no país devem-se exclusivamente à falta de patrocinadores e ao apoio da mídia, quando essa é, na realidade, a ponta final no processo de construção de uma nação esportiva.

Por Erich Beting às 17h45

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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