Blog do Erich Beting

Busca

24/09/2010

Se a moda pega...

Uma das críticas feitas ao basquete feminino, não no que diz respeito à qualidade técnica dos jogos, é da pouca atratividade estética que as jogadoras são capazes de proporcionar ao torcedor. A comparação dos uniformes usados pelas meninas que usam a bola laranja com aqueles que vestem as que jogam vôlei chega a ser covardia.

Mas parece que a moda pode ajudar o basquete feminino a ter um pouco mais de atratividade. Pelo menos ela joga a favor do time de Belarus. As bielorrussas vestem, no Mundial deste ano, um vestido para entrar em quadra. Obviamente que, assim como no tênis, as moças estão trajando uma bermuda por baixo do vestido. Mas, esteticamente, é bem mais bonito um uniforme assim do que os bermudões longos do passado, ou até mesmo do que os uniformes justos lançados há alguns anos pelas australianas.

Moda e esporte caminham juntos desde que a mídia passou a dar total atenção para a atividade física. Os torneios femininos de tênis e até mesmo a Copa do Mundo de futebol estão aí para provar isso. Seria uma boa hora para o basquete, especialmente o feminino, ser invadido pelo universo da moda. É só ver na foto abaixo.

Por Erich Beting às 12h46

Crise faz Europa reduzir custos com transferências

A crise econômica dos últimos dois anos ainda traz seus reflexos no futebol da Europa. Com um dos mercados mais afetados pela diminuição das verbas, os clubes europeus gastaram menos na contratação de jogadores e se desfizeram de um maior número de atletas na última temporada. É isso que aponta estudo feito pela Prime Time Sport, agência de marketing esportivo espanhola.

Ao todo, as cinco principais ligas europeias (Alemanha, Espanha, França, Inglaterra e Itália) gastaram 1,3 bilhão de euros na contratação de jogadores na última janela de transferências. O montante é 29% menor do que o investido no ano anterior.

De acordo com o estudo, há duas explicações para isso. A primeira, mais clara, é a redução de custos na contratação de jogadores, mesmo num mercado aquecido com o pós-Copa. A outra, mais profunda e que merece atenção, é a de que os clubes não só reduziram a compra de atletas como aumentaram a venda, com o objetivo de reduzir a sua folha salarial.

Esse é o ponto mais interessante do estudo de mais de 100 páginas da Prime. Se os times das cinco maiores ligas da Europa gastaram 1,3 bi de euros em compra de atletas, por outro lado eles recebera 1,1 bi de euros em vendas, praticamente zerando a conta. Na Espanha e na França, o saldo da balança foi positivo. Os clubes desses dois países ganharam mais dinheiro com venda de jogadores do que investiram na contratação de novos atletas. A liga que mais jogadores negociou foi a italiana, queviu saírem 506 jogadores enquanto chegaram 221 novos atletas para as equipes.

E o que isso representa para o mercado brasileiro?

O reflexo imediato é a queda na transferência de grandes jogadores para grandes clubes. A saída de Hernanes do São Paulo para a Lazio mostra isso. Essa talvez tenha sido a grande transação do mercado brasileiro no pós-Copa. Só que ela ocorreu com um valor que foi quase duas vezes menor do que já havia sido oferecido a Hernanes há dois anos pelo Barcelona, no pré-crise.

O reflexo de longo prazo é a necessidade de os clubes brasileiros trabalharem para encontrar novas soluções para a entrada de receita nos cofres. Se, antes, era quase certa a venda de um atleta para o exterior para equilibrar o caixa, agora essa negociação até pode acontecer. Mas os valores estão menores do que eram há cinco anos...

Por Erich Beting às 07h11

22/09/2010

Ah, a Conmebol...

Sim, se fosse uma mudança de regras para a classificação de times peruanos para a Copa Santander Libertadores também seria motivo de comentário. Não é apenas porque o futebol brasileiro, neste ano, foi prejudicado pela alteração que decidi escrever esse post. Mas a Conmebol consegue, a cada ano, se superar mais um pouco na quantidade de bobagens produzidas em relação aos campeonatos que possui.

Depois de criar a boa ideia de dar ao campeão da Copa Nissan Sul-Americana uma vaga na Libertadores, eis que a entidade máxima do futebol na América do Sul apronta essa novidade. O campeão da Libertadores agora "tira" uma vaga do país que representa no ano seguinte. Foi a maneira encontrada para colocar o campeão da Sul-Americana na disputa. Mas é de uma brutal infelicidade que a Conmebol fez isso com a maioria dos torneios nacionais em andamento...

Para variar, faltou planejamento para a entidade. O que não é de se surpreender, uma vez que a própria Conmebol consegue fazer, simultaneamente, que times joguem a semifinal da Libertadores e a fase de abertura da Sul-Americana, com um torneio canibalizando o outro.

Essa é a norma para a entidade que rege o futebol na América do Sul. Não há como descomplicar. Tudo é feito para atrapalhar a boa gestão do futebol no continente. Melhor ainda é mudar a regra de um evento no meio dele. E, algum dia, a Conmebol sonha em fazer da Libertadores uma Liga dos Campeões da Europa...

Por Erich Beting às 18h04

O rabo que abana o cachorro*

Imagine a seguinte situação: um gerente de uma multinacional resolve realizar um plano e ações completamente diferentes do que foi aprovado pela diretoria da empresa. Essas ações causam certo desconforto entre os colegas, pois foi um ato de insubordinação. Por conta do ocorrido, o presidente da empresa manda embora toda a diretoria e mantém o gerente! É exatamente essa a visão que temos que ter sobre o caso Neymar-Santos-Dorival Jr.! É o rabo abanando o cachorro.

Quer dizer que o atleta tem um ato de insubordinação, recebe uma leve multa e um jogo de suspensão (um jogo sem muita importância). Quando o chefe (no caso, o diretor de uma empresa) resolve punir o atleta de verdade, deixando-o fora de um grande jogo, para que ele realmente pense nos seus atos, a presidência do clube (no caso poderia ser da empresa) resolve interferir e prefere dar voz à insubordinação do que manter a hierarquia. E o mais engraçado que com o mesmo discurso de insubordinação. Estranho, não?

Claro que, se estivéssemos falando de empresas sérias, com objetivos, tendo de apurar lucro, com acionistas e cobranças sérias, poderiam ser todos mandados embora, ou dado ao diretor da empresa (que é pago para isso) a responsabilidade de resolver a questão sem arranhar a imagem da empresa e sem prejudicar os números (vendas, lucros, etc.). No caso do futebol, como não é visto pela grande maioria dos cartolas, presidentes de clubes, com um negócio sério, e cini as decisões são tomadas pela emoção, quando não pelo interesse financeiro (em uma empresa a questão hierárquica também passa pelos salários. Um gerente não vai ganhar mais que um diretor e ter peso na decisão da empresa!), acontece justamente o contrário: manda-se embora o chefe e mantém-se o funcionário insubordinado, que se acha maior que o clube.

No texto divulgado no site do Santos está a seguinte justificativa:
“Reiteramos que não toleramos atos de indisciplina dos nossos atletas, mas também não podemos concordar que ninguém se julgue maior do que o Santos FC.”

E o Neymar se julga o que? Faz o que quer, age como quer. Aliás não foi o primeiro a fazer. Lembrem-se do Ganso não aceitando ser substituído na final do Campeonato Paulista, contrariando o treinador.

Isso apenas reforça o quão longe estamos de entender o esporte como negócio e tratá-lo como tal.

* Esse texto foi escrito por Maurício Fragata, sócio-diretor da agência Fragata Marketing de Entretenimento. Com experiência de mais de 15 anos no mercado esportivo, Fragata é também professor de marketing esportivo na Anhembi Morumbi.

Por Erich Beting às 17h12

O negócio acaba com a alma do negócio no Santos

Qual o melhor negócio para o esporte? Definitivamente, não é o negócio, mas sim o esporte. O segredo da maioria das equipes e atletas de sucesso, nas mais diferentes modalidades, é ter um equilíbrio grande o suficiente para colocar o desempenho e, principalmente a harmonia esportiva, acima do faturamento que pode ser gerado por um grande negócio.

Foi exatamente ao ir contra esse princípio que o Santos errou ao demitir Dorival Jr. O treinador teve sua posição desrespeitada como responsável pela área técnica do clube. Acabou demitido ao bater de frente contra Neymar, principal atleta do time, mas que havia sido intransigente ao não acatar uma ordem do treinador.

Essa é a mensagem que fica na relação Dorival-Santos-Neymar. O clube derrubou o seu maior negócio ao tirar do treinador (e de qualquer outro que aparecer) a autoridade sobre a área técnica. O jogador é maior do que o treinador? A hierarquia simplesmente não existe? Essas são algumas das questões que ficam no caso.

Mais do que isso, o Santos se precipitou e colocou o negócio à frente da essência de ter uma equipe vencedora, que é manter o respeito aos profissionais de uma empresa e, mais do que isso, ver sempre a pessoa além do simples negócio financeiro.

Neymar é o maior potencial de receita do Santos, sem dúvida. Mas que empresa vai querer associar sua marca a um atleta que claramente desrespeita regras e, pior, agora fica provado que pode fazer isso que não será punido pela infração? E qual será o poder de comando de um eventual novo treinador do clube?

O melhor negócio que há numa empresa de sucesso é respeitar hierarquias e ter um grupo unido em torno de um objetivo. O pior negócio que pode existir é colocar o negócio acima do trabalho em equipe. Foi o que aconteceu. E pode ser o início de um grande problema para ser administrado pelo clube nos próximos meses. A gestão de talentos é uma profissão extremamente carente dentro do futebol brasileiro.

Por Erich Beting às 00h05

20/09/2010

O abismo entre EUA e Brasil no marketing esportivo

No último final de semana, a cidade de Ibiúna, no interior de São Paulo, recebeu a etapa seletiva do Campeonato Brasileiro de Beisebol Universitário. Em sua segunda edição, o torneio é um dos poucos ligados à modalidade, quase sempre disputada pela colônia japonesa aqui no Brasil.

O detalhe dessa vez ficou por conta do patrocínio que o torneio conseguiu atrair. A edição de 2010 da competição terá o apoio da Major Legaue Baseball, a liga de beisebol dos Estados Unidos e organizadora da mais importante competição da modalidade no mundo.

O apoio da MLB ao beisebol brasileiro revela um pouco mais do abismo que existe quando se trata de marketing esportivo nos mercados dos EUA e do Brasil. Enquanto ainda engatinhamos nos conceitos relativos à promoção do esporte, os americanos cruzam fronteiras e colocam o seu estilo agressivo de atuar em todos os cantos do mundo.

O esporte tem de entender que ele está inserido na indústria do entretenimento e, como tal, precisa atrair o maior número de consumidores para si. O futebol do final de semana concorre com as outras modalidades esportivas, com a família, com o restaurante, com o cinema, o shopping, o teatro, etc. A disputa não é entre os dois times que ali estão. Pelo contrário. Eles são "sócios" desse produto.

É assim em todos os esportes. E é assim que o americano enxerga o seu campo de atuação. Ao apoiar o beisebol no Brasil, a MLB consegue atrair um grupo de pessoas para o seu esporte. Esse atleta em potencial no Brasil pode preferir o beisebol ao futebol, à praia, ao parque, ao cinema, ao computador, etc. E, se isso acontecer, ele muito provavelmente terá a MLB como referência para consumir o esporte.

Há anos que o futebol brasileiro confunde internacionalização de marca com conquistas em território estrangeiro. Ser campeão do mundo é, para muitos, sinônimo de ser um time reconhecido internacionalmente. Para que isso aconteça, não basta disputar uma competição durante duas semanas. É preciso promover a sua marca no exterior.

É o conceito que a MLB implanta agora no Brasil, e que o basquete e o futebol americano já fizeram há décadas. O Brasil tem muito o que aprender com o estilo americano de promoção do esporte. Do contrário, continuaremos a aceitar que a liga de beisebol dos EUA venha desenvolver a modalidade no país. Por que não fazermos o movimento contrário em relação ao futebo, por exemplo?

O abismo ainda é muito grande entre Brasil e EUA.

Por Erich Beting às 12h57

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

Histórico

© 1996-2009 UOL - O melhor conteúdo. Todos os direitos reservados.