Blog do Erich Beting

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08/10/2010

Ainda há esperança

Raí, Ana Moser e Magic Paula passaram a tarde desta sexta-feira em reunião no Ministério do Esporte. Os três, que fazem parte da ONG Atletas da Cidadania, debateram com integrantes da pasta ações que possam ser tomadas para que o Brasil tenha, de fato, uma política nacional de esportes.

Ana Moser ficou animada com o encontro, que segundo ela contou com "boa parte dos dirigentes" do ME.

Ainda há esperança para o futuro do esporte no país. Ainda mais quando abrem-se as portas para esportistas vitoriosos como Ana, Paula e Raí. São atletas com grande história no país e com consciência da força de mobilização que o esporte têm que podem ajudar no futuro de uma nação esportiva.

O clique abaixo é da própria Ana Moser, durante a reunião.

Por Erich Beting às 17h50

07/10/2010

O papel do governo para o esporte

Está hoje no UOL a matéria sobre o quanto o governo deve aportar de dinheiro para financiar os atletas de alto rendimento em mais um ciclo olímpico. Até 2012, de acordo com a matéria de Bruno Doro e Gustavo Franceschini, serão R$ 4,5 bilhões para o esporte vindo de empresas ou projetos do governo (leia a matéria completa aqui). Nunca antes na história desse país... Ou melhor. O que o governo injetará no esporte é praticamente o mesmo que foi investido para conseguir realizar os Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro.

E, tanto num caso quanto no outro, o que ficou, de fato, para o bem do esporte?

A função do governo não é bancar o esporte de alto rendimento no Brasil. Empresas estatais, assim como as privadas, podem usar o esporte que dá mídia para ações de marketing. Mas o papel do governo não é criar leis e loterias que ajudem a financiar a ponta final do processo.

Desde sempre falta uma política clara para o crescimento da prática esportiva em todos os cantos do Brasil. Essa é a preocupação que o governo tem de ter com o esporte. Não adianta achar que a lógica inversa tem validade. Ou seja, que ao investir no atleta de ponta, ele consegue medalha e, assim, incentiva a prática de uma modalidade no Brasil. Isso, de fato, acontece. Mas é muito mais difícil e demanda muito mais investimento garimpar um atleta desses do que buscar formar as pessoas para praticar esportes e, assim, passar a ter rendimento melhor.

Os mesmos R$ 4,5 bilhões gastos no atual ciclo olímpico poderiam, muito bem, fomentar o desenvolvimento de centros de lazer para a população. Oferecer espaço público para a prática esportiva é muito mais eficiente do que apenas apoiar a ponta final do processo. E, acredite, pode gerar mais votos, já que infelizmente política no Brasil significa projeto de poder, e não de governo.

Os bilhões colocados no Pan e na preparação de atletas de ponta do Brasil têm o mesmo destino. Servem para beneficiar poucos e não resolve a real carência brasileira, que é ter uma nação que transpire esporte por todos os seus poros. O esporte de alto rendimento pode se tornar sustentável economicamente, sem precisar de apoio estatal, desde que exista uma base para formarmos atletas e desde que tenhamos profissionais capacitados para gerenciar o esporte no país.

Enquanto o governo, a cúpula esportiva e a própria mídia se preocuparem em olhar quantidade de medalhas, e não formação de pessoas e atletas, continuaremos a investir bilhões a fundo perdido.

Por Erich Beting às 19h03

06/10/2010

Hypermarcas deixa de ser tão "hyper" no Corinthians

A Hypermarcas decidiu tirar a marca do sabão em pó Assim da camisa do Corinthians (leia a matéria completa aqui). No lugar, vai colocar o logotipo da Avanço, sua marca de desodorantes, que já está estampada na axila dos jogadores. A decisão representa, literalmente, um avanço no conceito de aproveitamento das propriedades existentes na camisa de um clube de futebol.

Na prática, a camisa do Timão continua bastante poluída. Mas agora é uma marca a menos para confundir a cabeça de quem olha para o uniforme. A Hypermarcas passa a ter "apenas" três marcas suas estampadas: Avanço, Bozzano e Neo Química. Fica, agora, mais fácil para o torcedor identificar as três e relacioná-las ao patrocinador.

Obviamente continua a ser uma salada de logotipos o uniforme alvinegro. Além das três marcas do principal patrocinador, ocupam o espaço o banco Pan-Americano, a fabricante Nike, o próprio escudo do Corinthians e, por fim, nas costas da camisa, a marca da TIM dentro do número. Tudo isso gera astronômicos R$ 70 milhões ao clube (contando o aporte da Nike também).

Só que essa mudança da Hypermarcas mostra que o processo de fazer da camisa de um clube um painel de anúncios e ofertas está começando a acabar. A tendência é começar a haver uma queda nesse tipo de ação de patrocínio no esporte. Uma marca com muita exposição é mais eficiente do que várias com baixa exposição.

O "recuo" da Hypermarcas é extremamente saudável para o futuro do marketing esportivo no país. O Corinthians lançou a moda de poluir os uniformes. Agora, tem a chance de começar a fazer o movimento contrário. O primeiro indício foi dado com essa mudança estratégica do patrocinador. A preocupação de que, com isso, diminui o valor a ser pago pela empresa não é 100% verdade. Resta ao clube conseguir provar que sua camisa é extremamente valiosa. O caminho para isso começou a ser traçado. E é o primeiro passo para mostrar que há pesos diferentes para clubes de tamanho e entrega comercial diferentes no país.

Por Erich Beting às 18h26

05/10/2010

Guga confirma exibição com Agassi. E agora?

Gustavo Kuerten x Andre Agassi. Dois dos melhores tenistas da história em exibição numa partida em solo brasileiro. Em seu Twitter, Guga acaba de confirmar que a partida será realizada no Rio de Janeiro, no dia 11 de dezembro. E o que isso significa para o esporte no país?

A primeira notícia louvável, além é claro do interesse que ambos devem despertar nas pessoas, é a audácia da organização em realizar um evento desses no país. Audácia porque não é fácil conciliar agendas e cachês a serem pagos para atletas (ou ex-atletas, como no caso) que são ou já foram número 1 do mundo. E essa é a grande notícia desse encontro que acontecerá no Brasil.

Ok, já não é mais a época de Agassi e Guga. Mas ambos continuam a ser, hoje, grandes inspiradores para as pessoas. E ídolos, nesse processo, são fundamentais para o desenvolvimento do esporte. A partir do momento que o torcedor tem como motivação ver dois grandes jogadores do passado, ele se sente entusiasmado a consumir o esporte. Seja a partir da prática, seja via mídia, produtos licenciados, etc.

O único porém nessa história toda é montar um grande plano de comercialização do evento. Os patrocinadores têm de ver um benefício real ao custear uma partida-exibição dessas. Do contrário, continuará a velha sina do tênis no Brasil. Sem marcas que ajudam a pagar a conta dos eventos, tudo cai nas costas dos torcedores, que têm pela frente ingressos a custos altíssimos para ver a partida. E aí é que está o problema. Para que o tênis possa crescer, mesmo sem termos um tenista entre os 10 melhores do mundo, é preciso dar motivação para as pessoas irem a eventos da modalidade. E conseguir acesso para eles.

Do contrário, o tão aguardado Guga x Agassi não servirá para impulsionar ainda mais o esporte no país. Apenas para reforçar pré-conceitos em relação à modalidade e deixá-la ainda distante do grande público. Algo que Guga, desde o título de Roland Garros em 1997, tenta combater. Que agora seja a hora.

Por Erich Beting às 17h28

04/10/2010

A importância da ética no esporte

Vôlei e ciclismo vivem, nas últimas semanas, dias muito complicados. A entrega de jogos das equipes mais fortes do mundo para caírem em grupos teoricamente mais fracos no Mundial masculino de vôlei que acontece na Itália envergonha qualquer um. No ciclismo, o estouro de mais escândalos de doping, agora no supercampeão (será?) Alberto Contador, minam mais uma vez a credibilidade dos resultados entre a elite de um dos mais massacrantes esportes que há.

Nos dois casos, doping e manipulação de resultados ferem a imagem de um esporte limpo e honesto, em que o resultado final premia aquele que é o melhor.

Qual a legitimidade de um campeão de vôlei que entrega jogos para ter vida mais "fácil" pela frente? E a de um atleta que se dopa para ter um desempenho acima de suas capacidades?

A essência do esporte é ser uma competição em que o melhor sai vitorioso. Enquanto os escândalos permanecerem, mais difícil será acreditar, acompanhar e gostar daquela modalidade. Esse é o maior risco que correm, hoje, vôlei e ciclismo. Em busca da vitória, acaba-se com a lisura da competição. É, mais ou menos, a mesma lógica que permeia as casas de aposta. Por mais estranho que pareça, para elas a imprevisibilidade do resultado é o seu maior negócio. Quando o torcedor perder a crença de que o esporte é "limpo", vai deixar de querer acreditar nele e, com isso, vai diminuir as suas apostas.

Para o negócio esportivo, quanto mais certeza existir de que a única certeza é de que não sabemos quem será o vencedor daquela competição antes de ela terminar, melhor. A ética é vital para manter o esporte vivo na mente das pessoas. E, pode ter certeza, no longo prazo ela gera muito mais dinheiro do que uma trapaça no meio do caminho.

Por Erich Beting às 13h26

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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