Blog do Erich Beting

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16/10/2010

Estatuto do Torcedor não serve para treino. Que pena!

A diretoria do Corinthians, a Polícia Militar e o próprio governo perderam, na manhã deste sábado, uma grande chance de mostrar que o Estatuto do Torcedor é lei e que, como tal, deve ser cumprida. Nos mais diversos sites e programas esportivos na TV, os relatos do comportamento de torcedores que foram "protestar" no treino corintiano dão conta de que a lei sobre o comportamento do torcedor foi absurdamente desrespeitada!

De acordo com o relato de Alexandre Sinato no UOL (leia a matéria completa aqui), os corintianos abusaram do limite de comportarem-se como torcedores e agiram, muito mais, em tom de ameaça. Prova disso é a frase "Oh, ou joga por amor, ou joga por terror", relatada na reportagem.

O problema é que o Estatuto do Torcedor segue a máxima de Neném Prancha. Pelo visto, como profetizou o folclórico massagista, "treino é treino e jogo é jogo"... A legislação, de fato, fala apenas sobre manifestações de torcedores em ambiente de jogo. Do contrário, já seria possível enquadrar cerca de 300 maus torcedores que afastam os verdadeiros consumidores de um time.

Uma pena.

Por Erich Beting às 12h36

15/10/2010

Realidades distantes

A expressão é recorrente aqui no blog quando há qualquer comparação do mercado esportivo brasileiro com o europeu e, principalmente, com o americano. Às vezes é difícil a pessoa entender que o Brasil ainda tem um desenvolvimento quase embrionário no que diz respeito ao marketing esportivo. Mas, quando comparamos com o que já é feito lá fora, isso fica bem claro.

As realidades ainda estão muito distantes. Na Europa, o mesmo processo que vemos hoje acontecer no futebol tupiniquim aconteceu há cerca de 15 anos. Nos EUA, já se vão por volta de 30 anos o desenvolvimento maciço da indústria esportiva.

Agora surge um ótimo exemplo de como ainda estamos longe de trabalhar, de fato, o marketing do esporte e pelo esporte. A entrevista feita nesta sexta-feira pela reportagem da Máquina do Esporte com Giancarlo Bianchetti, gerente global de marketing da vinícola chilena Concha Y Toro, mostra claramente esse abismo que separa o Brasil do centro do marketing esportivo mundial (leia o texto clicando aqui).

A fabricante de vinhos fechou acordo com o Manchester United. O negócio surgiu porque o clube queria se aproximar do público da América do Sul, enquanto que a Concha Y Toro quer alcançar o mercado asiático e da América do Norte. Empresa e clube, neste caso, sabem perfeitamente quais são os seus objetivos a partir do esporte. Algo que, por aqui, é raro de acontecer.

Esse maior entendimento de como o esporte pode ajudar uma empresa e também o próprio esporte é o passo que falta para o início do processo de amadurecimento da indústria do esporte no Brasil. Enquanto isso, teremos realidades distantes, apesar do enorme potencial de desenvolvimento do Brasil (vide os próprios valores envolvidos nas negociações de patrocínio por aqui). Mas, enquanto esse momento não chega, é sempre bom degustar os ótimos exemplos que vêm de fora.

Por Erich Beting às 18h43

14/10/2010

Estádios para a Copa ou para o país?

É sempre importante lembrar essa questão para um país que abrigará a Copa do Mundo. O maior risco que o Mundial pode representar é de que as exigências da Fifa tornem-se obrigação para que as cidades-sedes planejem megaestádios que depois do Mundial deixarão de ser usados, tornando-se enormes prejuízos para os seus administradores.

As edições desta quinta-feira de "Folha de São Paulo" e "O Estado de São Paulo" trazem matérias alarmantes sobre o futuro do Brasil pós-2014. No "Estadão", a promessa da Fifa de que, após o dia 31, quando se define quem serão o presidente e os governadores até 2014, começará a intensificar a cobrança para que os estádios fiquem prontos. Na "Folha", uma reportagem mostra que, até o final do ano, os dez estádios da Copa da África só serão usados 20 vezes nas quase 100 partidas da liga local. Ou seja, os estádios não atraem o interesse dos clubes. Mais preocupante ainda é a constatação de que o Soccer City, construído com financiamento público dentro de todos os padrões da Fifa, já abrigou uma partida do Orlando Pirates para apenas 5 mil pessoas (cabem 84 mil no local).

A realidade do pós-Copa é o que deveria ter balizado os projetos de estádios brasileiros. Não temos de fazer o Mundial pensando exclusivamente nas exigências da Fifa. Elas devem existir para aquele mês em que acontecem os jogos, mas depois disso quem tem de mandar em capacidade de assentos, número de camarotes e afins é a realidade local. Com quase todas as arenas da Copa-14 sendo públicas, o problema é ainda maior. Dinheiro da população para receber algo para o qual ela não foi previamente consultada se deseja ter, além de um enorme ponto de interrogação sobre o futuro dessas arenas após o furacão do torneio.

Os estádios, para a Copa, terão de receber, no máximo, sete jogos durante o período de um mês. Será que é preciso tanto investimento para isso? A demanda, depois do evento, continuará sendo parecida com a do período da Copa?

No mesmo dia 31 de outubro, o Brasil completará três anos de escolha da sede do Mundial. Faltam menos de três anos para o início da Copa das Confederações. Do jeito que está, seria melhor o país abdicar do direito de abrigar o evento. Porque é cada vez mais preocupante a imagem que vamos deixar para quem estiver por aqui em 2014 e o tamanho da conta que vai ficar para nós por conta dos estádios construídos para a Copa do Mundo.

Por Erich Beting às 12h31

13/10/2010

A rotina de um atleta profissional

Muitos milhões no bolso, mas também muita responsabilidade fora do dia de trabalho propriamente dito. A WTA, associação das tenistas profissionais, fez um vídeo acompanhando um dia na vida de Caroline Wozniack, número 1 do mundo, durante o Aberto da China, disputado na primeira semana de outubro.

Reparem que, na rotina da jogadora, mesmo durante o torneio, os compromissos extra-quadra são gigantescos. Reflexo do desenvolvimento do esporte como negócio. E a armadilha para o atleta, nesse caso, é exatamente a grande dificuldade que ele tem em conciliar as duas agendas. Esse equilíbrio é fundamental para manter a conta bancária em dia e o resultado esportivo em ordem.

Por Erich Beting às 16h25

A magia impressionante do futebol

Para quem gosta e trabalha com esporte, pode até parecer normal. Mas certas imagens conseguem traduzir o quanto o futebol é apaixonante e inexplicável. Só ele é capaz de proporcionar algumas coisas assombrosas. Como agora, em meio ao emocionante resgate dos mineiradores soterrados no Chile. Em meio à comoção da volta à superfície, dois deles mostraram o quanto a paixão pelo clube é forte.

Jimmy Sanchez e Omar Reygadas tiveram a ideia de, na primeira manifestação pública pós-resgate, ostentar a bandeira do time de coração. Coisas que só o futebol é capaz de proporcionar. Mas que é impossível de explicar.

 Jimmy Sanchez chega com a bandeira da Universidad do Chile

 Omar Reygadas com a bandeira do Colo Colo

Por Erich Beting às 14h43

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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