Blog do Erich Beting

Busca

26/11/2010

A Fórmula Indy cada vez mais próxima do Brasil

O presidente Lula convidado para as festividades dos 100 anos da corrida de Indianápolis em 2011 e uma outra prova no Brasil, provavelmente em 2012 na cidade de Porto Alegre. Essas são duas das novidades da Fórmula Indy na última semana. O avanço da categoria para o mercado brasileiro mostra o quanto esporte e patrocínio podem formar uma combinação muito eficiente, desde que exista estratégia para explorar comercialmente um evento esportivo.

A Apex, órgão que cuida da participação de empresas brasileiras nas exportações, é o principal patrocinador da Indy. Com isso, usa essa propriedade para aproximar as empresas brasileiras do mercado americano, principal parceiro comercial do Brasil. Dentro desse intercâmbio, além de o etanol ser o combustível da categoria, diversas marcas do país aportaram na competição, tanto no patrocínio aos pilotos brasileiros (há quase uma dezena deles) quanto em aportes a algumas provas (a etapa de encerramento da temporada 2010 em Miami, por exemplo, foi batizada de "Cafés do Brasil Indy 300).

Agora, o movimento é também de expansão para dentro do mercado brasileiro, fazendo com que os americanos venham para cá em busca também da geração de negócios. Nas palavras de Terry Angstadt, presidente comercial da Indy: "Pela facilidade geográfica, Porto Alegre é um local-chave para a realização de uma prova por ser o Mercosul estratégico para a expansão dos negócios promovidos pela Apex".

Americano sabe muito bem como fazer do esporte uma plataforma para a geração de negócios. Não é vender espaço em camisa, na mídia ou apenas produto licenciado. É entregar ao parceiro comercial muito mais do que isso.

O Brasil deveria olhar muito mais para lá e menos para a Europa, que ainda é considerada a base de comparação, especialmente quando o assunto é futebol.

Por Erich Beting às 17h22

25/11/2010

Terror no Rio cancela final do vôlei

Num dos diversos casos de terror no Rio de Janeiro dos últimos dias, um bilhete dizia que, se a ação do poder público contra os bandidos continuasse, era bom o país desistir de Copa do Mundo e Jogos Olímpicos. Parece que o terror venceu a primeira batalha nas ameaças ao esporte.

A final entre Unilever e Macaé do Estadual do Rio feminino de vôlei, que seria disputada nesta noite e transmitida pela TV, acaba de ser cancelada, segundo informam algumas atletas no Twitter, como a vice-campeã mundial Sheila. Ainda não foi remarcado o novo dia e horário.

É uma pena que tenha de ser assim. Estive no Rio até ontem, participando da Soccerex, na região de Copacabana. Por lá, cartão postal da cidade, a sensação de insegurança não existia, mesmo com o noticiário mostrando o contrário.

Mas é melhor prevenir do que correr o risco de que algo mais grave possa acontecer. O problema é ter a certeza de que, apesar do impostômetro trilionário do país, não temos sequer a segurança de poder sair e voltar para casa em paz.

O terror vence uma de suas primeiras batalhas sobre o esporte. E o projeto de país que poderíamos ter transformado e melhorado com a realização de Copa e Olimpíadas por aqui continua a ser apenas uma vaga ideia do que queremos ser e de onde queremos chegar. Resta saber como fazer isso deixar de ser um mero discurso eleitoreiro.

Por Erich Beting às 15h03

24/11/2010

O antigo Palestra Itália virou sucata!

Infelizmente não deu para comentar antes por aqui, mas o antigo estádio Palestra Itália virou sucata! Se, por um lado, isso é um sinal de que as coisas estão andando bem nas obras de reformulação do estádio do Palmeiras, por outro representa um tremendo desperdício de oportunidade da diretoria do clube paulista.

Resumindo a história, as cadeiras do setor de numerada coberta, onde se localizava a “Turma do Amendoim”, foram encontradas num sucateiro por um empresário, que trabalha com reciclagem de madeira. Acácio Miranda decidiu, por curiosidade, saber de onde vinha aquele material, que considerou conservado e bom o suficiente para, talvez, fazer algum negócio. Quando soube que era do Palestra Itália, decidiu comprar um exemplar para presentear o sobrinho, palmeirense fanático e que obviamente se apaixonou pelo presente.

Foi aí que Miranda percebeu que tinha uma oportunidade de negócio. Comprou um lote com 150 cadeiras a um preço de R$ 25 cada. Revendeu cada uma pelo dobro do preço, em menos de três dias (leia mais aqui).

“Mais do que uma boa cadeira, ela tem uma boa história”, afirmou o empresário numa conversa com o blogueiro.

É exatamente essa história que o Palmeiras simplesmente esqueceu de contar para o seu torcedor. O setor de numerada coberta do Palestra Itália contava com cerca de 5 mil lugares. Se, numa conta rápida, o clube fizesse uma ação para vender as cadeiras à torcida, digamos a R$ 100 cada uma, teria levantado R$ 500 mil com uma única iniciativa.

Agora pense como esse produto poderia ser explorado de forma muito mais contundente, elevando o potencial de arrecadação, se a cadeira passasse a ter o nome do comprador, viesse num grande suporte de madeira, etc. Ainda mais sucesso com a venda o Palmeiras poderia ter se usasse o treinador Luiz Felipe Scolari para ser o garoto-propaganda da ação, já que foi Felipão quem cunhou aquele setor de “Turma do Amendoim”...

O potencial de arrecadação, só com essa iniciativa, poderia ter dobrado, para ficar numa mera especulação de quão valioso poderia ser o “presente” vendido ao sucateiro desde que bem trabalho com um planejamento de marketing e vendas.

O caso, porém, não é de incompetência. Ele, mais do que revelar o amadorismo dos dirigentes, mostra que há um sério problema na gestão do futebol no Brasil e que precisa ser combatido antes que os clubes se tornem ainda mais gigantes adormecidos em conselhos deliberativos e quetais.

Enquanto a estrutura dos clubes não for profissionalizada, com a busca por metas de desempenho e arrecadação, o ambiente político é que vai determinar o foco de trabalho das pessoas. E isso é péssimo para quem depende do negócio.

No ano que vem, o Palmeiras terá eleição presidencial. Isso faz com que os diretores mirem seus esforços para definir quem serão os candidatos de situação e oposição, se preocupem com a situação do time dentro de campo, etc.

Se houvesse um departamento profissional de marketing, com a cabeça voltada exclusivamente para a geração de receita para o clube, certamente o negócio teria sido pensado, planejado, divulgado e, mais do que isso, ajudado a encher os cofres de uma instituição que, na prática, está próxima da falência, não fosse ela um clube de futebol. Mas, como o próprio departamento pode mudar radicalmente de composição dependendo do resultado das eleições, ninguém se preocupa em construir algo para os próximos anos, mas sim fazer parte dele.

O antigo Palestra Itália virou sucata. Mas isso é apenas um reflexo de quão sucateado está o modelo de gerenciamento do esporte no país.

Por Erich Beting às 14h03

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

Histórico

© 1996-2009 UOL - O melhor conteúdo. Todos os direitos reservados.