Blog do Erich Beting

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02/12/2010

Para variar, o "legado" falou mais alto

Rússia e Qatar serão as sedes das Copas de 2018 e 2022. Mais uma vez, a história da construção de um "legado" falou mais alto na escolha das sedes da Copa do Mundo. Sempre que há uma escolha exclusivamente política para um evento, justifica-se a construção de algo além desse acontecimento para que ele seja realizado naquele determinado local.

Só que, até hoje, os grandes legados de eventos esportivos aconteceram justamente em países desenvolvidos, em que teoricamente o impacto positivo da sua realização seria menor.

Barcelona, sede dos Jogos Olímpicos de 1992, é venerada como o grande exemplo de como um evento esportivo pode mudar a história de um lugar. E, em Copa do Mundo, a Alemanha se beneficia da realização do torneio de 2006, com estádios modernos, sempre lotados e gerando cada vez mais receita aos clubes.

Mas o que acontece com Japão, Coreia e África, que receberam Copas do Mundo recentemente?

Por lá, os estádios estão vazios a maior parte do tempo, gerando prejuízo a seus donos (quase sempre a propriedade é pública, com a conta caíndo nas costas da população) e mostrando que a festa do futebol é passageira, durando apenas um mês, ou até menos que isso, dependendo da cidade que abriga os jogos.

Da mesma forma, Pequim sofre para manter o Ninho de Pássaro funcionando, enquanto teve a inteligência de transformar o Cubo D'Água num parque aquático para mantê-lo rentável.

O legado só foi existir em Barcelona e na Alemanha porque houve um sério planejamento para que os eventos fossem impulsionadores de uma mudança de realidade nesses locais.

Só que, desde 1992, a bandeira do legado passou a ser usada para justificar qualquer decisão política tomada na escolha de grandes eventos esportivos. Só que, historicamente, Fifa e COI não se importam em, de fato, atuar maciçamente ao lado das sedes desses eventos para que elas sejam uma Barcelona ou uma Alemanha.

E, com isso, levar megaeventos esportivos para lugares que não planejam de fato a sua organização significa, tão apenas, que o marketing das entidades continuará a servir de pano de fundo para a construção de muitas obras que, posteriormente, significarão dor de cabeça para quem precisa ficar nesses lugares por mais de um mês.

Por Erich Beting às 15h21

01/12/2010

Nova chance para ver a ação dos Correios

Agora o aviso veio de antemão. Para quem quiser acompanhar a ação dos Correios de entregar por Sedex a bola do jogo poderá conferir logo mais, às 22h, no horário de Brasília. A Esporte Interativo transmite a final do Campeonato do Nordeste entre ABC e Vitória. Antes do jogo, vai rolar a ação da qual falei aqui.

O carteiro chega com a bola para entregá-la ao juiz, tudo isso muito bem mostrado pela câmera da TV.

É mais uma ação de merchandising usando o esporte como meio de promoção de uma empresa. Na novela, já nos acostumamos a ver esse tipo de iniciativa a torto e a direito.

Será que é o início de uma nova era, agora envolvendo o esporte e a televisão?

Por Erich Beting às 19h37

O Japão põe a Fifa ainda mais contra a parede

Em meio ao turbilhão de acusações de compra de votos e corrupção de membros que escolherão nesta quinta-feira as sedes das Copas do Mundo de 2018 e 2022, a Fifa foi colocada de novo contra a parede. E justamente por um dos candidatos ao Mundial de 2022.

Hoje, quarta-feira, nas apresentações das candidatas a 2022, os japoneses foram o ponto fora da curva. Em vez de seguir o padrão das outras apresentações (Estados Unidos, Qatar, Austrália e Coreia do Sul) e mostrar o quanto a Copa poderá ajudar no desenvolvimento do país, o Japão seguiu outro caminho e mostrou como o país será capaz de fazer um Mundial para a "próxima geração". Foi, basicamente, uma aula de como os japoneses ajudarão a fazer a Copa ficar ainda mais do Mundo se for realizada em sua terra.

E isso pressiona a Fifa exatamente porque a opção japonesa foi de tirar qualquer razão sentimental da escolha do país e levá-la apenas para o lado dos negócios. Os japoneses romperam o padrão de subserviência à Fifa e mostraram que o maior ganho de realização da Copa ali é da própria entidade, e não o contrário. O Japão propõe que quem terá o famoso legado de organização de uma Copa do Mundo não é o país anfitrião, mas a própria Fifa.

A entidade, agora, tem mais um pepino para resolver. Mesmo que não dê bola para o que os outros pensam, apuram, denunciam e relatam, a Fifa estará, nesta quinta, diante do dilema de agir politicamente na escolha de uma sede para 2022 ou de buscar a melhor proposta para o seu negócio.

Resta saber qual estratégia de marketing vai falar mais alto. A da Fifa, que levantará a sua bandeira de grande "benfeitora" dos países ou a do Japão, de que uma Copa só será mesmo do mundo quando for realizada em seu país. Ainda acho que a política, infelizmente, vai ganhar essa queda de braço.

Por Erich Beting às 18h48

Jogada de craque

Rivaldo se auto-apresentou para jogar no Mogi Mirim. Presidente e jogador do clube no próximo Campeonato Paulista, o meia apareceu duas vezes em fotos divulgadas pelo clube para anunciar o início dos trabalhos dele dentro de campo (confira o post no Blog da Redação do UOL clicando aqui).

A brincadeira é muito bacana e revela um Rivaldo descontraído e "familiarizado" com a mídia como pouco se viu dentro de uma das mais vitoriosas carreiras do futebol.

Craque com a bola nos pés, o pernambucano começa a dar mostras que está mais maduro para se dar bem também fora de campo. A primeira jogada de craque ele já fez. Ao assumir de forma bem humorada a condição de que é presidente do clube pelo qual joga, ele cria um ambiente totalmente favorável a empresas que queiram firmar parceria com o Mogi. Além disso, ao promover uma ação desse tipo, consegue atrair a atenção da mídia e faz com que a repercussão sobre o nome do clube seja maior, reforçando a exposição de patrocinadores.

De fato, foi uma jogada de craque.

Por Erich Beting às 17h03

30/11/2010

Arena Palestra segue com "nome" indefinido

Em meio à disputa interna para fazer conseguir com que as obras de reforma de seu estádio engrene, a diretoria do Palmeiras tenta negociar a cota de patrocínio para batismo do estádio. A Arena Palestra tem hoje quatro empresas interessadas em dar nome ao estádio, numa lista original de 150 marcas.

O impasse nas obras tem atrasado também as negociações, capitaneadas pela Traffic Arenas. Até o momento, nem mesmo o tempo de duração de contrato e os valores envolvidos num eventual patrocínio foram ajustados com os quatro interessados. O objetivo é um acordo no valor de R$ 100 milhões divididos em dez anos, mas não houve qualquer negociação com as empresas para alteração dessa proposta.

Para piorar a situação, com o clima político conturbado, os negócios devem ficar paralisados até a definição do próximo presidente do clube, o que pode dificultar futuras negociações por conta da mudança de ano e de definição de alocação de verba nas empresas.

Mais uma vez, a política interfere diretamente no negócio do clube.

Por Erich Beting às 13h49

29/11/2010

Na guerra dos bancos, Bradesco fecha com Rio-16

Por US$ 320 milhões, o Bradesco foi anunciado como patrocinador dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. A escolha pelo banco era uma caçapa meio que cantada, depois que seu maior concorrente, o Itaú, tomou conta do futebol.

O Bradesco será o provedor de serviços financeiros das Olimpíadas, sendo a única marca do segmento disponível nos ambientes em que ocorrerão os Jogos (estádios, ginásios, piscinas, vila olímpica, centro de imprensa, etc.).

As duas maiores instituições privadas do país, agora, polarizam a disputa pelo esporte.

O Itaú é patrocinador da seleção brasileira, da Copa do Mundo de 2014 e ainda do pacote de transmissão do futebol na Globo, o mais concorrido entre quem transmite futebol. Agora, o Bradesco finca de vez a sua bandeira na seara olímpica. É patrocinador, além dos Jogos de 2016, das confederações nacionais de rúgbi, basquete, natação e judô. Das quatro, só a última que tem contrato apenas até 2012. As demais estão garantidas até o Rio.

O movimento dos bancos no esporte segue a tendência mundial, em que as instituições são grandes parceiras das modalidades. Por aqui, ainda vale destacar as presenças, nos esportes de massa, do Santander (com o naming right da Copa Libertadores), Caixa (atletismo e comitê paraolímpico) e Banco do Brasil (vôlei e tênis).

Sinal de que o esporte, na base da força, começa a seguir a tendência mundial de patrocínio.

Por Erich Beting às 16h03

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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