Blog do Erich Beting

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10/12/2010

Mais que um clube?

E o Barcelona finalmente quebrou a tradição secular. Após 111 anos, aceitou negociar um contrato de patrocínio. Apesar de tentar, de todas as formas, rechaçar a ideia de que tenha "vendido" a camisa, argumentando que o Qatar Foundation é uma entidade que não visa o lucro, é óbvio que finalmente o clube decidiu engordar a conta bancária com um patrocinador.

O acordo, com seus 33 milhões de euros, mostra o quanto é vantajoso você proteger o símbolo mais valioso do clube, que é a sua camisa.

Vale lembrar que a estratégia de "abrir" a camisa com o patrocínio à Unicef, que reforçou a ideia de o Barça ser "mais que um clube", tinha por trás um outro projeto, que era convencer o tradicional torcedor catalão de ver uma marca na camisa do time.

Deu certo. Os quase 8 milhões de euros investidos nesse acordo com a Unicef, além de dar um bom retorno de imagem, fez a tradição cair. E o clube faturar o maior contrato de patrocínio da história do futebol.

Por Erich Beting às 18h57

08/12/2010

Nike, agora, quer dominar mercado de surfe

A Nike vai anunciar, em breve, seu novo diretor geral para o Brasil: o grego naturalizado brasileiro Chris Kypriotis será a partir do dia 1° de janeiro o novo diretor geral da empresa no Brasil (leia detalhes aqui). Por trás da escolha de Kypriotis, ex-presidente da marca de surfe Billabong e com a carreira formada no mercado de surfwear, está a estratégia da Nike de dominar um dos mercados mais rentáveis do esporte.

O mercado de roupas de surfe é um dos mais concorridos que há atualmente. Mais do que roupa para a prática esportiva, o surfe representa um estilo de vida, em que especialmente os jovens se vestem com bermudões e camisas regatas não por praticar o esporte, mas por querer se vestir dessa forma.

Há dois anos que a Nike já tem, no Brasil, a linha 6.0, voltada exatamente para o mercado de surfwear. Agora, a empresa pretende ampliar sua atuação e passar a incomodar as líderes, entre elas a Billabong, antiga casa de Kypriotis.

A investida se faz num momento bom para a marca, que conseguiu recuperar sua imagem no mercado de corrida de rua com a realização e consolidação do desafio de 600k entre São Paulo e Rio de Janeiro.

A partir de agora, futebol, corrida de rua e surfe vão compor a trinca de sustentação da Nike no mercado de material esportivo do Brasil.

Por Erich Beting às 18h28

07/12/2010

O preço que o marketing não pode pagar

Em conjunto com a Nike e tendo Ronaldo como garoto-propaganda, a diretoria de marketing do Corinthians lançou a campanha "Maior que isso tudo" tão logo o clube perdeu o título brasileiro. O objetivo da ação foi mostrar que não é um título que define o sentimento por um clube.

A iniciativa mostra claramente como deve pensar o departamento de marketing de um clube e de que forma ele pode ajudar a manter acesa a chama do torcedor.

Por mais dolorida que seja uma derrota, o sentimento de paixão pelo time não desaparece. Ao reforçar essa ligação do torcedor com o time, o Corinthians ajudou a reforçar, indiretamente, o desejo do torcedor de consumir o clube, independentemente da forma como se dá esse consumo.

O projeto corintiano é um dos primeiros desse tipo quando um time perde um título. Por incrível que pareça, teve muita gente que achou inoportuno o lançamento da campanha, criticando os "marqueteiros" pela ideia.

Esse é o típico preço que o marketing não pode pagar. A falta de cultura e preparo do brasileiro para a estratégia de marketing no esporte impressionam. Quando o clube é rebaixado, o marketing faz o mesmo tipo de ação e acaba exaltado por isso.

É hora de começarmos a entender que a função do departamento é sempre manter acesa a chama do torcedor. E a derrota é uma excelente hora para isso. Seja ela na disputa de um título seja no momento doloroso de um rebaixamento.

O Corinthians deu o primeiro exemplo de como acabar com isso.

Por Erich Beting às 18h17

06/12/2010

Viva o planejamento!

Sim, o Fluminense foi o merecido campeão brasileiro porque soube jogar 38 rodadas, apesar de falhas, deficiências e outros erros que foram cometidos pelo Flu ao longo da campanha pelo bicampeonato.

Mas, ao término do campeonato, não há o que discutir: ganhou aquele que foi mais consistente e previsível durante toda a competição.

Fluminense que foi o único entre os 20 clubes que disputaram a Série A do Campeonato Brasileiro e começar e terminar o torneio com o mesmo treinador no banco de reservas, que contratou reforços importantes ao longo do torneio e não se desfez de nenhum jogador fundamental para a conquista.

Regularidade é a regra para quem quer ser campeão nos pontos corridos. Planejar e executar, duas palavras que muitas vezes fazem falta no vocabulário brasileiro no cotidiano, são fundamentais para que tenhamos o campeão dentro desse sistema que ainda não conseguiu, por incrível que pareça, ser compreendido pelo dirigente de grande parte dos clubes.

O brasileiro vinha se acostumando com essa lógica até 2008, quando o São Paulo foi tricampeão nacional por ser absolutamente constante, lógico, previsível. No ano passado houve um hiato com o Flamengo, que mesmo errando tudo (demitiu treinador, apostou em atletas que estavam renegados, mudou o time no meio do campeonato, etc.) foi o campeão.

Agora, 2010 devolve a lógica aos pontos corridos. Quem é previsível geralmente se dá bem. Não precisa ser brilhante, basta ser coerente em planejar o ano para disputar um torneio durante oito meses.

Parabéns ao Fluminense! E viva o planejamento!

Por Erich Beting às 09h46

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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