Blog do Erich Beting

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18/02/2011

A TV virou a desculpa para o C13 rachar de vez

Vai rachar. Pelo menos é isso que aparentemente se mostra no cenário de discussão dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro para o triênio 2012-2014. Hoje, porém, esse racha parece mesmo ser para valer, diferentemente daqueles movimentos que desde 2004 acontecem dentro do C13.

Mas, por trás da questão da TV, está mesmo a questão política da entidade que, teoricamente, representa o interesse dos clubes do futebol brasileiro. Como já falei aqui no blog no ano passado, quando as eleições para a presidência do C13 quase terminaram com o fim da Era Fábio Koff, o problema todo é que não há um projeto para a gestão do futebol por parte dos clubes. O C13 não é independente, não atua apenas pensando na melhoria da situação dos clubes, não funciona como uma liga de fato.

Nos EUA, as ligas são empresas que têm os clubes como sócios e que, por causa disso, precisam dar lucro. A divisão do bolo de dinheiro arrecadado é feita de forma a todos terem o melhor nível de igualdade financeira para, então, aquele que for mais competente na esfera esportiva se sobressair. A lógica da meritocracia americana dita o funcionamento do esporte, tanto que o draft, que escolhe os melhores jogadores jovens para os times profissionais, ocorre de maneira inversa. Quem tem pior desempenho tem direito a ficar com o melhor jogador em seu time.

No futebol, em todo o mundo, a constituição do esporte é baseada, meramente, na força política das instituições. Ganha mais quem manda mais é a lógica que permeia a maioria das decisões do futebol.

O que acontece agora no Clube dos 13 é a essência dessa maneira de existir do futebol. A TV virou a desculpa para uma queda de braço política. Os dirigentes dos clubes não estão pensando com a cabeça no negócio. Não se debate o que vai gerar maior receita para os clubes no longo prazo. No discurso, porém, usa-se isso como argumento para um clube pender para um lado ou para o outro, mas não é a cabeça no negócio que determina o caminho a ser tomado.

Não tem como a comissão do C13 que discute as propostas das TVs ficar à parte da disputa política. Por mais que se tente chegar a uma definição tecnicamente melhor, a assinatura que vale é a do presidente do clube. E, como o dirigente tem de seguir a lógica do "pode mais quem manda mais", o impasse está criado.

Parece que agora o C13 racha de vez. E fica cada vez mais claro que o grande prejudicado, nisso tudo, será o futebol. A queda de braço política muito provavelmente vai culminar numa decisão inicial de intransigência de alguns clubes em assinar o acordo de TV. E isso deverá fazer com que, a princípio, nenhuma emissora esteja credenciada legalmente para transmitir a competição.

Enquanto os dirigentes acham maravilhoso elevar para quase R$ 700 milhões o valor recebido por todos os direitos de transmissão do Brasileirão, a NFL, liga mais profissionalizada do mundo, entra em 2012 com cerca de metade das transmissões na TV de um Brasileirão mas com receita de US$ 4 bilhões. Sim, é isso mesmo. Quase dez vezes mais do que o futebol brasileiro arrecada, mas tendo vendido apenas os direitos de transmissão para a televisão, sem contar internet, celular, pay-per-view, que geram alguns outros milhões para os cofres da liga...

A política contamina o negócio. Enquanto o modelo de gestão do futebol não for repensado, discussões vazias continuarão a imperar. E o produto futebol, sem valorização, continuará a achar que o que vale mesmo é ter alguns milhões no bolso sem se preocupar com a qualidade daquilo que se oferece para o público.

Por Erich Beting às 18h08

17/02/2011

Dupla Atle-Tiba cria loja em conjunto!

Demorou, mas finalmente uma das maiores rivalidades do futebol brasileiro foi desfeita na hora de pensar no negócio do esporte.

Atlético Paranaense e Coritiba anunciaram há pouco a criação de uma loja oficial conjunta dentro de um shopping em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. A ação une os dois rivais históricos (veja os detalhes aqui) e repete, a grosso modo, estratégia que já tinha sido adotada por Internacional e Grêmio no Rio Grande do Sul.

Mas, mais do que essa marca histórica, a iniciativa mostra uma coisa um tanto quanto óbvia quando a paixão é deixada de lado dentro do clube. No futebol, não existe concorrência entre os clubes, apenas rivalidade. Quanto mais unidos fora de campo forem as instituições, melhor para elas. O raciocínio não é tão complexo, mas precisa ser desprovido de qualquer passionalidade para poder ser entendido. Por algum acaso Coxa e Furacão disputam a preferência do torcedor como um Pão de Açúcar e um Carrefour concorrem um contra o outro, por exemplo?

O futebol tem uma característica quase única de fidelidade à marca. É mínimo o risco de um torcedor deixar um time e passar a torcer para o outro. Sendo assim, não tem sentido para que dois times rivais se vejam como concorrentes no campo dos negócios. Pelo contrário. Juntos, eles podem barganhar melhor espaço dentro do shopping, exigir melhor entrega de produtos dos fornecedores, brigar por um aumento no valor do patrocínio, criar produtos novos com as duas marcas, etc.

O primeiro passo acaba de ser dado pela dupla Atle-Tiba. É uma mostra de que o clube de futebol começa a se enxergar cada vez mais como pólo gerador de negócios. E, mais do que isso, começa a entender que a rivalidade foi feita para existir apenas dentro de campo. Fora dele, os clubes são parceiros de negócios. O concorrente não é o adversário, mas qualquer outro negócio dentro do ramo de atividade do entretenimento (shopping, vôlei, basquete, videogame, cinema, etc.).

Historicamente a paixão e a rivalidade cegam os dirigentes, que enxergam no clube rival um concorrente, quando ele pode se tornar um de seus maiores aliados para a geração de receitas.

Por Erich Beting às 16h53

15/02/2011

Ronaldo fará parte de comitê paulista para 2014

O anúncio oficial e os detalhes do acordo serão anunciados amanhã, quarta-feira. Mas não deve durar mais do que dois dias, porém, o "sossego" de Ronaldo em sua aposentadoria dos gramados.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, acaba de revelar em seu perfil no Twitter que Ronaldo "será nomeado membro especial do comitê da Copa em São Paulo". Amanhã, Ronaldo será agraciado com a Medalha do Mérito Esportivo pelo governo paulista. O evento também servirá para que o ex-jogador seja nomeado para a nova função.

A "escalação" de Ronaldo para o comitê de São Paulo, se não passar de mera formalidade política, credencia ainda mais a capital paulista para abrigar o jogo de abertura do Mundial de 2014, sonho acalentado desde que o país foi eleito sede do torneio, em 2007.Além disso, a escolha de um nome como o dele reforça, também, a força do Corinthians nos bastidores da bola. A proximidade de Ronaldo com a CBF e o Comitê Organizador Local da Copa ajuda, e muito, para que os desejos corintianos de ter o estádio ampliado para abrigar o jogo de abertura do Mundial sejam realizados.

Talvez a maior contribuição que Ronaldo dê para o Corinthians seja realmente a partir de agora, atuando nos bastidores em favor do clube. Bom trânsito no mercado da bola para isso não lhe falta.

Foto de Fernando Pilatos/UOL

Por Erich Beting às 23h37

14/02/2011

Bem-vindo, Ronaldo!

Sim, não poderia deixar de ser, para um blog que fala de negócios do esporte, uma despedida com a maior cara de boas vindas. Afinal, Ronaldo deixa os gramados e, agora, passa a cuidar de fato da 9ine, agência da qual é um dos sócios e principal aposta de todos os envolvidos para fazer o negócio, realmente, virar.

Como torcedor, tive o privilégio de ter visto Ronaldo jogar. No auge, na volta, na decadência.

Como jornalista, tive o privilégio de ter participado da primeira entrevista dele na volta à seleção brasileira, em outubro de 2001. Lá no CT do Caju, quando o Brasil de Felipão quase carimbou o passaporte para a Copa da Ásia. Assustei-me ao ver a reação dos jornalistas aplaudindo o Fenômeno ao ele entrar na sala de imprensa e falar que estava voltando.

Agora, Ronaldo entra para o mundo dos negócios do esporte. Talvez um dos grandes reforços para o mercado de marketing esportivo brasileiro dos últimos anos. A noção que ele tem da importância do esporte para as marcas e vice-versa pode somar, e muito, para o mercado crescer como um todo.

Prova disso foi seu posicionamento durante a entrevista coletiva em que anunciou o adeus. Agradeceu a seus patrocinadores, citando os nomes e não sendo cortado pelas emissoras de TV aberta que exibiam a entrevista.

Ronaldo, seja bem-vindo ao universo do marketing esportivo. O Brasil precisava de uma contratação dessas para agitar ainda mais o mercado.

Por Erich Beting às 17h23

Sobre o autor

Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. É consultor editorial da Universidade do Futebol e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi.

Sobre o blog

Erich Beting escreve sobre negócios do esporte e analisa o noticiário do ponto de vista econômico, do marketing e da gestão esportiva.

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